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Categorias: Entrevistas

Chico Geraes


O cantor, compositor, animador cultural, violonista mineiro Chico Geraes, iniciou na música aos 13 anos de idade, influenciado pelas folias de reis de Três Pontas – MG.

Fundou o grupo musical Geraes em 1976 em que se apresentou pela primeira vez em um festival de música estudantil em que ganhou o primeiro lugar com a “Voltando a Terra mãe” de sua autoria e o prêmio de melhor intérprete. Trabalhou como músico da dupla sertaneja Tonico e Tinoco, já participou da Virada Cultural em São Paulo e de eventos promovidos pelo Sesc e atualmente se apresenta ao lado de sua irmã Teresa Galvão nos eventos promovidos pelo Sesc em São Paulo.

Principais festivais que já participou: 1° lugar no VII Festival da canção da Ilha Porchat Clube em São Vicente – SP (1982). 1° e 2° lugar, melhor letra, melhor afinação, melhor ritmo e melhor melodia no Festisu em Suzano – SP (1989). 1° e 3° lugar no Festisu em Suzano – SP (1990). 1º lugar no Fenac em Boa Esperança MG (1992). 3° lugar no Festival da Canção de Três Pontas – MG (1994). 3°, 2° e 1° lugar no Mapa Cultural Paulista promovido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo (1999, 2000 e 2001). 1° lugar na Expomusic-Fest no Anhembi – SP (2007). 1° lugar e melhor letra no Fesc Suzano – SP (2008). 2° lugar no Fimpapo em Suzano – SP (1980). 1°, 3°, 4° lugar, melhor letra, melhor intérprete e originalidade no Fimpapo em Suzano – SP (1981). 3° lugar no Fimpapo em Suzano – SP (1986). 2° lugar no Festival da Canção de Itaquaquecetuba – SP (2006). 2° lugar no Emedes em Suzano – SP (1977). 3° lugar no Emedes em Suzano – SP (1976). 1° lugar e melhor letra no Fimpapo em Suzano – SP (1986). 1° lugar no Concurso para escolha do Hino Oficial do ECUS – Esporte Clube União Suzano (2000). 2°, 3°, 4° lugar no Festival Quatro Cidades em Ferraz de Vasconcelos – SP (1980). 3° Lugar no Festival de Música de Poá – SP (2017). 1° Lugar como música mais comunicativa no Festival Expressão Livre de Monte Sião – MG (2017). 1° lugar no Concurso Nacional de Marchinhas de Suzano – SP (2018).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Chico Geraes para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 24.12.2021: 

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Chico Geraes: Nasci no dia 29/01/1961 em Três Pontas – MG. Sou filho de João Inacio da Silva Filho (João Sacristão) e Emerenciana Candida de Jesus Silva (dona Nica) e fui registrado como Francisco Claret de Assis Silva. Em 1971, após o falecimento de meu pai, minha família se mudou para Suzano – SP. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

Chico Geraes: Na minha infância tive muita influência das Folias de Reis que no final do dia deixavam seus instrumentos pousarem em minha casa, daí de tanto mexer acabei pegando gosto pela música e seus instrumentos.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Chico Geraes: Musicalmente falando sou autodidata e na escola fiz Ensino Médio.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Chico Geraes: Mesmo tendo nascido na mesma cidade de uma celebridade como Milton Nascimento e de um estado que respirava as músicas do Clube da Esquina, meu começo foi gostando das músicas da Jovem Guarda, que nos era empurrado por goela abaixo através da televisão. Conforme fui crescendo meus gostos musicais foram se aperfeiçoando e passei a respirar a música mineira 24 horas.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Chico Geraes: Tudo começou no curso ginasial através dos festivais de música estudantil, onde compus e venci o primeiro festival com uma musica autoral aos 13 anos de idade.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Chico Geraes: Gravei um compacto simples e um CD, os dois independentes.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Chico Geraes: Houve uma mistura de dois Estados, trouxe de Minas Gerais um pouco da música barroca com a caipira e ao mudar pra São Paulo me misturei com o samba onde ouvia muito Noel Rosa, Cartola, Zé Keti, Adoniram Barbosa e por aí vai.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Chico Geraes: Não, comecei a cantar e o pessoal começou a elogiar daí acreditei que eu tinha talento.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Chico Geraes: A técnica é muito importante principalmente para você colocar a voz no lugar certo sem prejudicar as cordas vocais.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Chico Geraes: Marisa Monte, Mariene de Castro, Gal Costa, Nana Caymmi.

RM: Como é seu processo de compor?

Chico Geraes: Comecei fazendo a melodia primeiro e depois a letra, mais tarde vieram os parceiros aí eu mandava as melodias e eles colocavam a letra, bem mais para frente eu comecei a colocar melodia nas letras, mas prefiro fazer a melodia primeiro.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?   

Chico Geraes: Quando comecei a participar de festivais de música eu ficava de olho nos concorrentes e aqueles que mais me davam trabalho na concorrência eu chamava para ser meu parceiro. Eram dois: José Vitor de Lima e Genivalson Oliveira Santos, depois fiz alguns trabalhos com Edu Alves, mas foi na pandemia do covid-19 que minhas parcerias deslancharam, são eles: Paulinho Pedra Azul, Marilia Abduani, Lula Barbosa, Zebeto Correa.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Chico Geraes: Infelizmente não tenho nenhuma musica gravada por cantores famosos, também nunca fui atrás e nem ninguém me descobriu (risos).

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Chico Geraes: Os prós é o fato de você ter liberdade de escolher seu repertório, aquilo que você se identifica em cantar, escolher onde e quando você trabalhar para mostrar suas obras. O contra é que sua obra musical não se massificar e se não tiver dinheiro, você não vira, sua música não toca. Teve uma época da minha vida, quando eu gravei meu compacto simples, consegui fazer minha música tocar em duas emissoras: Rádio São Paulo e Bandeirantes. Na televisão tudo era com pagamento do jabá, aí fica difícil sonhar com uma carreira promissora.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Chico Geraes: Na verdade nunca me programei para isso, a única coisa que sempre fiz foi ser correto com os músicos que me acompanhavam e nunca dar cano em shows marcado.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Chico Geraes: Com o passar do tempo, eu resolvi me dedicar mais a minha carreira de compositor, em termos de shows hoje, eu faço a locação de uma casa e convido aqueles meus seguidores e loto o espaço, dá para pagar a casa, os músicos e sobra algum.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical? 

Chico Geraes: Se for analisar no âmbito geral, a internet atrapalhou muito referente as vendagens de CDs e DVDs, mas facilitou muito na divulgação do nosso trabalho.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Chico Geraes: Eu só vejo o lado positivo, conseguir juntar vários músicos a distancia para uma gravação acho isso fantástico.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Chico Geraes: Eu simplesmente me rendo, a grande mídia faz acontecer qualquer artista sendo bom ou não e faz as pessoas consumirem, daí os barzinhos também tem que tocar o que a grande mídia toca, e assim ficamos com pouco espaço para trabalhar.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Chico Geraes: Sou um profundo admirador da boa música e infelizmente a nossa boa MPB está deixada de lado, rádios que tocam uma boa música hoje dá para contar no dedo. O primeiro escalão vem Chico Buarque, Milton Nascimento, Djavan, Paulinho da Viola, Gal Costa, Zizi Possi e como revelação eu destaco Jorge Vercillo, Mariene de Castro, Vander Lee, que infelizmente nos deixou, e gosto muito também do grupo Mellin que tem um trabalho bem consistente. A regressão fica por conta de qualquer musica que tenha uma letra sem poesia e que use termos pejorativos.

21) RM: Quais os artistas já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Chico Geraes: Tenho dois artistas que são meu espelho e minha inspiração: Milton Nascimento Paulinho Pedra Azul.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Chico Geraes: Quando fui músico da dupla sertaneja “Tonico e Tinoco”, eu fazia o baile antes e depois do show deles. Chegamos numa cidade do Paraná e o show era num Ginásio, qual a nossa surpresa ao ver que não tinha som e aí foi improvisado aquelas caixas de som de aparelho 3×1, com três cabos de vassoura e fita isolante para amarrar os microfones e eu cantei até inchar a campainha (risos). Outro episódio foi após vencer um festival de música na minha cidade (Três Pontas – MG), o corpo de jurados era só de artistas da televisão. Assim que recebi a premiação recebi o convite para gravar um disco e assinar com a gravadora Continental. Fui para São Paulo cheio de sonhos na bagagem, jantamos e em seguida fomos para um apartamento para assinar contrato; chegando lá o convite foi uma troca: o sucesso por sexo. Resumindo estou no anonimato até hoje.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Chico Geraes: O que me deixa mais triste é que todos os meus sonhos não foram realizados, o sucesso, o sonho de que alguém famoso gravasse uma música minha. O que me deixou mais feliz é que em meio a solidão dessa pandemia do Covid-19, consegui vários parceiros musicais, ídolos meus da MPB.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Chico Geraes: Com certeza existe o dom, aquela pessoa que batemos o olho e dizemos esse cara vai estourar. Existe o artista que nunca teve dom, mas através de uma escola e estudo conseguiu ser um grande artista. Eu cito como exemplo o já falecido violeiro Renato Andrade que só aprendeu tocar viola pela após os 40 anos e fez show pelo mundo inteiro sendo considerado um dos mais completos.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical? Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois? 

Chico Geraes: Tenho um exemplo que é meu sobrinho violonista Danilo Silva; toca com Deus e mundo no Brasil e é considerado como um dos maiores improvisadores só que ele estuda seis horas por dia. Improvisação sem estudo e dedicação não funciona. 

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Chico Geraes: Minhas músicas nunca tocaram sem pagar o jabá.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? 

Chico Geraes: Se quer fazer sucesso, venda carro, casa, sítio, etc. Caso contrário vai vender suas obras musicais para amigos e parentes.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Chico Geraes: Festival de música é um negócio esquisito, todo ano saio falando que nunca mais vou participar, mas é só abrir as inscrições e lá estou eu de novo. Não tem como você se defender em festivais, sua classificação sai ou não sai e nem sua nota você vê.

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Chico Geraes: Sempre revela só a grande mídia que não vê. O festival é nossa grande esperança que nos faz acreditar que podemos ouvir e ver grandes cantores nesse nosso país, basta a grande mídia querer.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Chico Geraes: Hoje se você falar em suas canções sobre chifre no asfalto, encher a cara de cachaça e ser adepto aos cornos de plantão (risos) e usar calça apertadinha aí a grande mídia te lança.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Chico Geraes: Acho maravilhoso, trabalhei pelo Sesc por 10 anos. Certa vez fui atender um pedido de alguém da plateia que era considerado uma música de qualidade ruim e que não tinha poesia e nem acrescentava nada culturalmente, fui advertido pela casa e a partir daí nunca mais toquei música ruim (risos).

32) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos? 

Chico Geraes: Não, nós que gostamos de boa música não atraímos mais os jovens, portanto estamos fora da jogada.

33) RM: Quais os seus projetos futuros? 

Chico Geraes: Meus projetos hoje é compor, compor e compor. Trabalhei um tempo como produtor e animador cultural na prefeitura de minha cidade (Três Pontas – MG), mas por questões políticas fui afastado de minhas atividades.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Chico Geraes: (11) 99685 – 8866 | 4748 – 8872 chicogeraes@gmail.com 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCxHochaFpEw8X6iTYOyDa5w

Nosso Carnaval (Chico Geraes / Paulinho Pedra Azul): https://www.youtube.com/watch?v=XhBEWK2Ic80 

Abrindo as portas (Chico Geraes / Paulinho Pedra Azul): https://www.youtube.com/watch?v=FoM7KxFozX0 

Sentinela (Chico Geraes / Marília Abduani): https://www.youtube.com/watch?v=ORLpIaJNWGM 

Chorando de saudade (Chico Geraes / Paulinho Pedra Azul): https://www.youtube.com/watch?v=9y1wPNQ-WMo 

A porta do amor (Chico Geraes / Paulinho Pedra Azul): https://www.youtube.com/watch?v=Y_5oDIcncAA


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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