Carneiro do Acordeon


O cantor, compositor, produtor, arranjador musical e acordeonista Carneiro do Acordeon, toca desde a sua infância, vindo de uma família de músicos e incentivado pelo seu pai Constantino Carneiro que era sanfoneiro e consertava sanfona.

Gravou o seu primeiro disco em 1991 e até hoje já são 15 CDs e 3 DVDs, mantendo sempre a essência do autêntico Forró Pé de Serra. Em 2001 fez a sua primeira viagem internacional para Londres, onde foram realizados oito shows e já fez cinco viagens internacionais. Em 2009, gravou um DVD instrumental “Encontro de Mestres da Sanfona”, um trabalho de grande destaque no cenário nacional com a participação de renomados sanfoneiros. Permanece ativo no cenário nacional e internacional sempre presente em programas de rádio e televisão.

Segue entrevista exclusiva com Carneiro do Acordeon para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Carneiro do Acordeon: Nasci no dia 24.01.1952 em Itapetim – Pernambuco. Registrado como José Carneiro dos Santos.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Carneiro do Acordeon: Através do meu pai Constantino Carneiro, que era sanfoneiro e consertava sanfona.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Carneiro do Acordeon: Aprendi a tocar o acordeon de ouvido, depois fui me aperfeiçoando na parte teórica.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Carneiro do Acordeon: Comecei a tocar ouvindo Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Os Três do Nordeste e muitos outros, todos até hoje acho muito importante como minhas referências.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Carneiro do Acordeon: Em 1991, através do álbum “Encontro de sanfoneiros” no qual participaram: Carneiro do Acordeon, Luiz Gomes, Tião Siqueira, Cordeiro, Caçula do Forró, projeto que idealizei e dirigi.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Carneiro do Acordeon: Em 1992, gravei um álbum pela gravadora Xororó, algumas músicas se destacaram como: “Tributo ao Rei Luiz”,Terra Prometida”. No álbum “Forro sem Fronteira”, as músicas de destaque foram: “Amor Sincero”, “Um tema para o Ceará”. No álbum “Meu Cenário”, as músicas de destaque foram: “Meu Cenário”, “O Amor é lindo”, “Moreninha Sertaneja”. No álbum “Balançando a Multidão”, as músicas de destaque foram: “Balançando a Multidão”, “Coração Carente”. No álbum “Medo da Coragem”, as músicas de destaque foram: “De que vale a minha vida agora”, “Coração Calado”. No álbum “Forró de Categoria”, as músicas de destaque foram: “Forró de categoria”, “Querendo ti ver”. No álbum “A gente se vê no baião”, as músicas de destaque foram: “A gente se vê no baião”, “Sanfona Branca” (participação especial do Tiziu do Araripe), “Saudade de Gonzaga”. No DVD – “Encontro de Mestres da Sanfona”, as músicas de destaque foram: “Olha eu aqui de novo”, “Lamento Nordestino”, “Deixa comigo”. Participaram nos meus álbuns: Cezar do Acordeon, Olívio Filho, Juscelino Queiroz, Heleno dos Oito baixos, Carlinhos Pom Pom, Chiquinho Alves, Tio Joca, Derinho Santos, Adriano e Adrianinho do Acordeom. Somando um total de 16 lançamentos entre LPs, CDs, DVDs. Além de experiências em viagens em tornes internacionais e nacionais. Músicos participantes: Lau: Baixo e Guitarra, Dido: Bateria, Marcilio: Zabumba, André: Triangulo, Roberto Talis: Agogô. Neide, Gracinha, Nilzinha: Back vocal.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Carneiro do Acordeon: Estilo Próprio, Forró Pé de Serra e meio romântico.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Carneiro do Acordeon: Não estudei, mas procuro o aperfeiçoamento a cada dia.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Carneiro do Acordeon: É muito importante, principalmente para aquelas pessoas que não nasceram com o dom de cantar, o estudo ajuda e muito a desenvolver.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Carneiro do Acordeon: São muitos, dentre eles: Luiz Gonzaga, Roberto Carlos, Paulo Sergio, Alcymar Monteiro, Flavio José, Jorge de Altinho, Elba Ramalho, Jackson do Pandeiro.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Carneiro do Acordeon: É como se viesse de Deus, as vezes eu acordo com a música quase pronta.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Carneiro do Acordeon: Chico Ribeiro, Moises Barbosa, Luiz Gomes, mas grande parte das minhas composições componho sozinho.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Carneiro do Acordeon: Anastácia, Luiz Wilson, Fatel Barbosa, Dantas do Forró, Robson Basa, Trio Juazeiro, entre outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Carneiro do Acordeon: A vantagem é a de poder manter o estilo próprio e tocar e gravar o que define melhor o estilo e as músicas que o público fiel gosta e pede nos shows. As desvantagens são os poucos recursos para que o trabalho alcance uma dimensão maior de divulgação, de um tempo para cá as redes sociais tem ajudado bastante. Já rodei 12 mil Km em uma viagem divulgando um disco, mas hoje com o auxílio das mídias tem ajudado e muito.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Carneiro do Acordeon: 24 horas focado na música, hora tocando ou compondo, atualizando o repertório, fazendo arranjos e por aí vai.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Carneiro do Acordeon: Ajuda mais do que atrapalha. Por causa da Internet não se vende mais disco, mas por outro lado você ganha em divulgação.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Carneiro do Acordeon: Antigamente só gravava quem realmente tocava e cantava, hoje com a tecnologia do home estúdio de gravação qualquer pessoa pode gravar, pois o estúdio arruma tudo e afina a voz.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Carneiro do Acordeon: Umas das coisas importante é ter um estilo próprio, pois o público identifica o artista pelo seu estilo. Atualmente está tudo muito igual, você não consegue diferenciar quem é quem.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Carneiro do Acordeon: São vários destaques, posso falar de: Petrúcio Amorim, Flávio José, Flávio Leandro, Maciel Melo, Dorgival Dantas, e muitos outros. Houve uma estabilização por que está faltando incentivo por parte de nossos governantes, mais o nosso Brasil é muito rico de cultura musical.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Carneiro do Acordeon: Minha amiga Anastácia, Flávio José, Elba Ramalho, Flávio Leandro, Luiz Wilson, que também é um grande incentivador da nossa cultura, dentre outros.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Carneiro do Acordeon: Em uma viagem para Londres para fazer oito shows, o primeiro show foi em um lugar fechado com 1.100 pessoas. Eu me perguntei o que estou fazendo aqui sem saber falar uma palavra em inglês, mas quando começou o show, eu fui ver que mais da metade do público era de brasileiro ai foi só alegria, foi uma viagem maravilhosa.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Carneiro do Acordeon: O que me deixa mais feliz é saber que tem uma grande parte do público que gosta e incentiva o nosso trabalho. O que me deixa mais triste é saber que os nossos governantes não estão nem aí para a nossa cultura.

23) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Carneiro do Acordeon: Acho que o movimento do “Forró Universitário” foi muito bom e veio para somar, mais uma porta que se abriu para todos.

24) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Carneiro do Acordeon: Forróçacana do Rio de Janeiro, Rastapé, Falamansa, Circulador de fulô e muitos outros.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Carneiro do Acordeon: Muito pouco provável que toque sem pagar o jabá, por isso aproveito para agradecer aos meus amigos radialistas que tocam minhas músicas sem o pagamento do jabá.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Carneiro do Acordeon: Desejo boa sorte, muita força de vontade, pois não é fácil, mas quem tem a música no sangue enfrenta barreiras.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Carneiro do Acordeon: Eu acho que Festival de Música é muito bom, não tenho nada contra não. Pode ser que aconteça uma injustiça uma vez ou outra, mas é normal.

28) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Carneiro do Acordeon: Sim, não deixa ser um incentivo.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Carneiro do Acordeon: A cobertura feita pela grande mídia é péssima, ela dar mais importância para as coisas irrelevantes e não tem espaço para a cultura que é tão importante e sem música ninguém vive.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Carneiro do Acordeon: Acho muito importante, apesar de ser poucas as oportunidades para fazer show.

31) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Carneiro do Acordeon: Acho que as bandas são todas importantes, cada uma tem o seu público e todas vieram para somar.

32) RM: Carneiro do Acordeon, Quais os seus projetos futuros?

Carneiro do Acordeon: Continuar trabalhando, tocando o barco em frente e pedindo para Deus saúde para enfrentar a barra pesada de ser músico, mas ao mesmo tempo agradecendo a Deus pelo dom da música.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Carneiro do Acordeon: (11) 94821 – 2488

https://web.facebook.com/profile.php?id=100040465483913

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCf7lkoNhmA7UNN4kWtpagpQ

Forró de Nóis tudim|clipe oficial: https://www.youtube.com/watch?v=Z7KTdm9nY6w

CARNEIRO DO ACORDEON – EU TE AGRADESÇO SENHOR: https://www.youtube.com/watch?v=RPCfXjPiMig

Programa Espalha Brasa convida Carneiro do Acordeon: https://www.youtube.com/watch?v=e1QL2buadFs

Carneiro do Acordeon – Encontro de Mestres da Sanfona: https://www.youtube.com/watch?v=SGmN0sp6nI8

https://www.palcomp3.com.br/carneirodoacordeon/forro-de-categoria/

http://www.forroemvinil.com/tag/carneiro-do-acordeon/


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.