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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Camilla Inês


Cantora e compositora pernambucana, Camilla Inês é apontada pelo jornal Diário de Pernambuco como expressiva intérprete brasileira do Jazz-Bossa.​

A partir de 1998 vem se dedicando ao estudo e pesquisa do Jazz, Bossa Nova, Samba e outros gêneros da música brasileira. De forma independente, produziu seu primeiro álbum “Jazzmine”, que foi lançado em 2011 e que foi pré-selecionado em 2012 para concorrer ao Prêmio da Música Brasileira, a mais conceituada premiação da música no Brasil. Atualmente, o álbum “Jazzmine” está no play list de diversas rádios brasileiras e internacionais.​

Depois do generoso convite de Roberto Menescal para compor a letra de uma de suas canções, Camilla Inês inicia novas e inéditas parcerias em composições com o próprio Menescal e com os compositores como: Simone Guimarães, J.Evaristo Neto e Tico de Moraes.​

Já teve o prazer de dividir o palco com alguns ícones e destaques da música brasileira como: Roberto Menescal, Hélio Delmiro, Maestro Spok e Orquestra Sinfônica de Brasília, Coro do Orfeão de Leiria (Portugal).

Em 2015, Camilla Inês ganhou o internacional Prêmio Profissionais da Música como melhor produção executiva do seu mais novo cd “The Rhythm of Samba”. Que é destaque em várias rádios no exterior (Japão, Estados Unidos, Canadá, Holanda, Suíça, Reino Unido, Peru, Argentina, Puerto Rico e outros). O cd participa do play list de muitas outras rádios no Brasil.​

Além de se apresentar no Brasil, em 2017, Camilla Inês realizou uma turnê em Portugal cantando e contando “A História do Samba-canção”, que foi um grande sucesso. Em 2018, Camilla Inês lançou o single “Vamos Dançar Um Bolero”, do compositor Herbert Pereira, mostrando sua versatilidade ao interpretar essa belíssima canção com charme latino. Quem ouve não consegue ficar parado.

Lançou em 2021, o álbum “Gota de Oceano” é o seu primeiro álbum autoral e tem proporcionado boas surpresas, a consolidando, ainda mais, na cena musical como compositora. Com este álbum, se sente dando continuidade às obras dos meus pais e dando a sua contribuição para humanidade.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Camilla Inês para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 07.09.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Camilla Inês: Nasci no dia 17 de novembro em Recife, Pernambuco.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Camilla Inês: Meu contato com a música deu-se desde a minha fase uterina, pois venho de uma família musical (tanto da parte de pai como da parte de mãe). Meus pais (Francisco Olbert e Veralucia Sampaio) são compositores e vencedores de diversos festivais de música. Desde criança subi aos palcos para interpretar as músicas dos meus pais em três vozes: minha mãe, minha irmã (Vera Veríssimo) e eu. A música sempre esteve presente em nossa família, que sempre foi muito artística: na literatura, nas artes plásticas e na música.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Camilla Inês: Da música, apesar das minhas influências familiares e por eu ser muito intuitiva, optei em aprimorar meus conhecimentos nas diversas técnicas do canto, pois de facto este é o meu instrumento musical (o canto). Estudei canto lírico, “legit” (Broadway bel canto), jazz, popular e canto coral. Técnicas, que apesar de serem distintas, acabam sendo complementares.

Recentemente, tive aulas de canto lírico com a Maestrina Lara Rainho (Portugal), de improviso da música contemporânea com o Maestro Pedro M Rocha (Portugal), canto coral com Maestro Mário Nascimento (Portugal), com a renomada fonoaudióloga Silvia Pinho (Brasil), com o Maestro Marcone Araújo (Brasil), com a “coach” Bruna Pimentel (Brasil) e tantos outros. Também tive cursos com músicos importantes da cena internacional como Toninho Horta, Eloudie Bouny, Fancis Hime, Cristovão Bastos, Phil De Greg.

Além da música, também estudei Artes Plásticas na escola “The Art Students League” (New York, USA), também com a renomada artista plástica Adelina Alcântara (Brasil) e muitos outros. Estudei teatro na Companhia da Ilusão (Brasil), Ballet Clássico e contemporâneo por 10 ano (Brasil).

Paralelamente às artes, licenciei-me em Pedagogia, em Economia e concluí um MBA em Comércio Exterior; assim como, também, fiz diversos cursos de especialização na área da econômica e da estatística; por um certo tempo, cheguei até atual como economista. Mas as artes sempre falaram mais alto em meu coração, é o que dá sentido à minha vida.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Camilla Inês: As composições dos meus pais (Francisco Olbert e Veralucia Sampaio) sempre foram a minha maior influência na minha formação musical. Na minha casa ouvia-se do erudito ao popular. Posso citar alguns nomes brasileiros: Dorival Caymmi, Moacir Santos, Capiba, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca, Silvio Caldas, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, João Gilberto, Roberto Menescal, Milton Nascimento, Toninho Horta e toda a turma do Clube da Esquina, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Lenny Andrade, Elis Regina e muitos outros grandes nomes da nossa música brasileira.

Dos artistas internacionais, gosto de citar duas grandes vozes que me ensinaram muito a cantar, principalmente a improvisar: Ella Fitzgerald e Sarah Vougahan (ao ouvir essas duas grandes vozes aprendi muito sobre ornamentação vocal). Também cito os irmãos Ira e George Gershwin (principalmente com a composição “Rhapsody in Blue”, que despertou meu interesse pelo jazz), como também o grande pianista Dave Brubeck, Paul Desmond, Duke Ellington, Bill Evans e tantos outros.

Todos esses artistas me influenciaram e continuam a me influenciar até hoje, pois, cada vez que eu revisito o repertório deles, tenho sempre uma nova percepção sobre as obras, atemporais, desses grandes artistas. Atualmente, o mercado musical oferece uma grande diversidade de tudo que se possa imaginar, ou como intérpretes ou como compositores. Estou sempre atenta a tudo para saber como as pessoas estão se comunicando e expressando as suas sensações.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Camilla Inês: Minha vida musical começou em casa. Entretanto, em 2007, ao gravar meu primeiro EP – “Influência do Jazz”, eu dei início a minha carreira solo. Naquela época, minha intenção era apenas gravar um EP para ter um material para apresentar para as casas de espetáculos e cafés em Recife – PE. Mas, ao disponibilizar as músicas na plataforma do “My Sapace”, tudo mudou. Fui descoberta por dois “headhunters” do Programa “Jazzmasters” (esse programa existe até hoje) que divulgaram meu EP no programa e minha voz acabou sendo ouvida em rádios nacionais e internacionais. Começava a minha carreira dentro e fora do Brasil.

Quando a Livraria Cultura de Recife ouviu o meu EP, contratou-me para uma temporada de apresentações, que aconteceram em outras cidades como: Brasília – DF e São Paulo. Foi um momento maravilhoso na minha carreia. Eu e a banda estávamos com uma grande divulgação e projeção dentro e fora do Brasil, mas eu ainda não tinha um disco, de facto, para vender para o público, foi quando, após um ano de apresentações, resolvi entrar no estúdio para gravar o meu primeiro disco “Jazzmine”. Esse disco me deu muitas alegrias, pois me projetou ainda mais na cena musical, além de ter sido pré-selecionado para concorrer ao grande Prêmio da Música Brasileira, em 2012.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Camilla Inês: “Influência do Jazz” (2007), “Jazzmine” (2011), “The Rhythm of Samba” (2015), que me rendeu um Prêmio Internacional da Música, na categoria de melhor produção executiva. O single “Vamos Dançar um Bolero” (2018). “Gotas de Oceano” (2021), que foi um álbum concebido em meio ao período de isolamento social por causa do covid-19. “Gotas de Oceano” é o meu primeiro álbum autoral (eu comigo mesma) e tem me dado grandes e boas surpresas, me consolidando, ainda mais, na cena musical como compositora. Com este álbum, me sinto dando continuidade às obras dos meus pais e sinto que estou dando a minha contribuição para humanidade.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Camilla Inês: Um estilo intuitivo, mas com um viés de “world music”, eclético e singular. Não gosto de rótulos, pois limitam o artista; entretanto, quando vou cantar qualquer gênero musical (do samba ao fado), percebo que minha interpretação é diferente do convencional, é fora do genérico.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Camilla Inês: Estudei e estudo até hoje as diversas técnicas de canto, pois a voz é um instrumento único (como uma impressão digital), diferente de qualquer outro instrumento musical físico. A voz é um instrumento orgânico de afinação única. A técnica do canto trabalha muito observando a anatomia humana (músculos intrínsecos e extrínsecos, bordas, laringofaringe, diafragma, coluna de ar, sustentação muscular e do esqueleto humano). Como eu disse antes, a voz é um instrumento único, complexo e lindo. Para ter essa percepção, além das diversas técnicas, que vão do canto erudito ao popular, é preciso estudar um pouco o aparelho fonador, com a ajuda de um bom fonoaudiólogo(a). Para isso, eu tenho uma excelente fonoaudióloga que é a Dra. Silvia Pinho. Além da técnica do canto, também é preciso estudar teoria musical, claro.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Camilla Inês: A técnica vocal vai ajudar o cantor a compreender melhor o recurso vocal e saber como explorar seu timbre, sua tessitura, suas caixas de ressonâncias etc. O estudo das diversas técnicas de canto vai ajudar na melhor projeção da voz quer seja na fala e no canto. O uso inadequado da voz pode até ocasionar lesões e rouquidão, prejudiciais à voz. Os hábitos saudáveis também são de grande importância para o bom funcionamento da voz como: boa noite de sono, uma boa alimentação, uma atividade física; ausência de tabagismo, ausência de bebidas alcoólicas. O profissional da voz precisa ter todos esses cuidados e conhecimentos para ter uma boa qualidade do seu aparelho fonador.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Camilla Inês: Sempre que preciso estudar uma nova canção, recorro as interpretações da Sarah Vougahan, da Ella Fitzgerald, da Elizeth Cardoso, da Elis Regina e do Emílio Santiago. Não quer dizer que eu não ouça novas referências, mas essas são as que me agradam mais.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Camilla Inês: Um processo muito intuitivo. Eu tenho um pensamento muito minimalista, componho com poucas notas, acredito que o menos se torna mais em uma composição. O universo também conspira a favor, basta observar o que está ao seu redor. Gosto muito de pensar que todo o processo de composição é um grande projeto em processo, quando o ovo eclode, a obra está pronta para ser oferecida ao público; a partir desse momento, a obra não pertence mais ao artista, mas sim, a quem se identificar com ela.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Camilla Inês: O grande produtor e compositor, Roberto Menescal; a querida compositora e musicista, Simone Guimarães, o querido Tico de Moraes, J. Evaristo Neto e entre outros.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Camilla Inês: É muito difícil ser um artista independente no Brasil. É difícil conseguir patrocínio para realizar um projeto. Certa vez, ouvi de um produtor a seguinte frase: “você não é negra, não faz parte da periferia e não é homossexual; portanto, não existe nenhum apelo para propor um projeto de apoio a sua arte”. Nossa, esse “produtor” não foi nada profissional. Foi muito difícil ouvir um discurso com um viés social, econômico e afetivo, ou seja, se fosse hoje, o maravilhoso movimento da Bossa Nova e tantos outros não teriam oportunidade de serem reconhecidos por esse tipo de “profissional”. O Brasil é um país riquíssimo em todas as áreas das artes, entretanto, chega ser paradoxal ver grandes investimentos em “coisas” totalmente pobre: tanto na poesia, na harmonia, na melodia; é lamentável.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Camilla Inês: Sempre tive um olhar holístico sobre o meu trabalho e voltado para fora do Brasil. Se ele for bem aceito pelo público, músicos e críticos lá fora, ele também será aceito por uma parcela do público brasileiro. Procuro me cercar de bons profissionais, que vai da escolha do repertório, dos arranjos, dos músicos, da direção artística no palco etc. Fora do palco, é importante o artista ter uma boa assessoria de imprensa (ajuda muito), como um bom relacionamento com os divulgadores da sua música (rádios, jornalistas, músicos e público em geral), pois eles serão seus maiores aliados na divulgação da sua arte.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Camilla Inês: Procuro ter um bom site para divulgar a minha música e carreira artística, como ter diversos canais de comunicação e plataformas digitais. Eu batalho muito para um dia ter um produtor ou uma equipe para submeter meus projetos às leis de incentivo cultural, a patrocinadores, a apoiadores, a participações em festivais. Estou sempre muito atenta a tudo isso.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Camilla Inês: Da visibilidade, no início, a internet me ajudou muito (ainda ajuda), mas atualmente, o e-commerce nas plataformas digitais tornou impossível de ser alcançado por um artista independente (estou falando de milhões de reais investidos e milhões de seguidores consumindo sua música). É lamentável essa nova ordem antropofágica digital. De outra forma, o artista para ganhar o “pão de cada dia” ele precisa mostrar a sua arte ou nas ruas ou nos bares/restaurantes e, com sorte, nas corporações e teatros (por meio de projetos culturais). Desse último, os organizadores/produtores de eventos dão mais importância àqueles “artistas” que têm um grande número de algoritmos nas redes sociais.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Camilla Inês: O meu atual álbum “Gotas de Oceano” foi todo concebido de forma remota (em home estúdio), exceto a voz e os metais que tiveram que ser gravados em estúdio. O lado bom é que os trabalhos em “home estúdio” democratizaram e baratearam os custos do processo de produção; desarticulando alguns monopólios ou oligopólios dentro da indústria fonográfica. O lado ruim é que existem uma infinidade de produtos, sem a menor qualidade, sendo ofertados nas plataformas digitais. Atualmente, tudo é chamado de “conteúdo digital”.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Camilla Inês: Procuro manter a minha essência, a minha formar de falar e as minhas verdades por meio das minhas composições, das minhas interpretações, da minha interação com o público. Na indústria fonográfica, acredito que existe espaço para todos os nichos de mercado. Entretanto, o artista deve se manter fiel a sua própria verdade, caso contrário, o público percebe e acaba se afastando dele. Eu tenho fãs desde o início da minha carreira, que se mantem firmes seguidores do meu trabalho, isso é muito importante para o artista. Estou sempre interagindo com o meu público e acho importante quando o artista pode dar atenção aos seus seguidores.

Após cada concerto que eu realizo, procuro sempre falar pessoalmente com o público, dar um abraço, ouvir a opinião de cada espectador, dar autógrafo, tirar fotos, interagir dentro e fora do palco, pois o público merece e o artista vive dessa interação; eu amo fazer isso e dedico uma parte do meu tempo para isso.

19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Camilla Inês: O mercado musical tem espaço para todas as vertentes, é facto. Acho que alguns artistas conseguiram muito bem acompanhar a mudança do processo de globalização da música. De 2010 até a atualidade, nesse período, alguns artistas conseguiram se manter no mercado, por exemplo, a querida Elza Soares que gravou com artistas de diversas gerações (desde o início de sua carreira). Isso é fantástico para um artista. Existem, também, aqueles artistas cujas obras são imortais (atemporal). Entretanto, assim como acontece em todos os seguimentos das artes, existem aqueles artistas que são sensação em razão de um determinado momento; esses, com o passar do tempo, acabam sendo até esquecidos.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Camilla Inês: Não me recordo de nenhum acontecimento ruim. Mas posso relatar um dos factos marcante na minha carreira. Quanto me apresentei no Clube do Choro (em Brasília – DF, 2016), “a história do samba-canção”, a casa estava lotada e o público inteiro cantando todas as canções do repertório. Foi um momento maravilhoso que gosto muito de lembrar; até hoje público me pede para apresentar novamente esse concerto memorável.

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Camilla Inês: Sempre que me apresento para o público, é um momento de grande felicidade (algo inexplicável). Como também ver que as minhas novas composições, em “Gotas de Oceano”, estão sendo muito bem recebidas pelo público, críticos e formadores de opinião. O que me deixa muito triste, a falta de apoio financeiro para dar continuidade aos meus projetos. Lancei o álbum “Gotas de Oceano” e ainda não consegui subir aos palcos para mostrar minhas novas composições para o público.

Lançar novas músicas no Brasil, é um trabalho hercúleo, quase impossível, absurdamente caro, sem apoio financeiro não se vai longe. Lamento também, a falta de equidade de gênero no seguimento musical. Mulheres compositoras são a minoria no mercado mundial, além de serem mal remuneradas. Outro facto triste para todos, foi a pandemia, que afetou toda a cadeia produtiva do seguimento cultural (fomos os primeiros a serem afetados e seremos os últimos a nos recuperar).

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Camilla Inês: O compositor. O Dom eu não saberia definir muito bem, pois cada um tem uma maneira de sentir/definir, mas, para mim, tudo me inspira (o caminhar de uma pessoa, uma flor que desabrocha, um cantar de um pássaro, tudo). Eu vejo, nós artistas, como missionários que viemos com o propósito de sermos tradutores de sentimentos e sensações (paz, amor, alegria, alento), eu diria que somos tradutores de sentimentos e de almas.

23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Camilla Inês: Dentro da música, o improviso é uma forma livre de expressão, conversação livre entre músicos. Tudo aquilo que nutre a alma de um músico, é levado para a bagagem da improvisação (uma viagem, um livro, lembranças familiares etc), para a bagagem da interpretação, a bagagem da composição, tudo deve fluir intuitivamente.

24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Camilla Inês: O improviso é algo intuitivo, espontâneo. Alguns músicos estudam o improviso de outros músicos para aprender a soltar a intuição musical, essa forma livre e intuitiva de se expressar/comunicar.

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Camilla Inês: Acho toda forma de estudo válida. Eu tive um professor de improviso do jazz que me deu o seguinte concelho: “para você melhorar o seu improviso, primeiro você dever ouvir, segundo ouvir, terceiro ouvir”. Esse conselho tem sido muito útil até hoje. Ouvir e saber ouvir, é a prima forma de estudar.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Camilla Inês: Quanto mais você estuda harmonia, mais você amplia sua percepção musical e possibilidades de novos caminhos. Estudar sempre ajuda, nunca atrapalha.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Camilla Inês: As minhas músicas percorreram o mundo sem o tal “jabá”, mas a cada dia percebo dificuldades, que antes eu não tinha para divulgar as minhas músicas, quer seja em rádios, sites especializados, plataformas digitais etc. Atualmente, muitas rádios deixaram de existir e algumas delas viraram “web rádios”. Para ter a sua música incluída numa “playlist” de uma rádio ficou muito difícil. Eu consigo realizar entrevistas, mas ter a minha música incluída na programação da rádio, já é outra história. Talvez por falta de verba para sustentar os programas; daí o tal “jabá” acaba definindo o “suposto” gosto musical do ouvinte, lamentável.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Camilla Inês: Primeiro acreditar no seu potencial, traçar uma estratégia e trabalhar os pontos fortes e fracos, seguir em frente e nunca desistir dos seus sonhos.

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Camilla Inês: Sim, eu mesma tive o prazer de participar do Festival de Música da Rádio MEC (em 2021) com a canção “Morena”, num momento recorde de inscrições daquele festival. Entre tantas lindas composições, “Morena” ficou entre as 15 semifinalista, o que me deixou muito feliz, pois eu estava concorrendo com o Brasil inteiro.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Camilla Inês: Acho espaço maravilhoso, uma estrutura incrível. Estou sempre acompanhado a programação do espaço e costumo frequentar. Pena que eu ainda não consigo ter acesso para me apresentar.

31) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical em Portugal?

Camilla Inês: Desde a primeira vez que me apresentei em Portugal (2017) sempre fui muito bem recebida, como artista e assim como a minha arte que sempre foi muito valorizada pelos portugueses. É um público maravilhoso, contemplativo, atencioso e que valoriza a boa música brasileira. Eu amo Portugal e o povo português.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Camilla Inês: Pretendo realizar uma turnê, dentro e fora do Brasil, para apresentar ao público as novas composições do meu novo álbum “Gotas de Oceano”, como também gravar novas composições que não entraram nesse novo disco. Oxalá! Quero agradecer a revista “RitmoMelodia” e a Antonio Carlos por essa oportunidade de poder falar sobre música e sobre a minha carreira musical. Até a próxima!

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Camilla Inês: www.camillaines.com

| [email protected] . Todos os meus discos estão disponíveis em todas as plataformas digitais.

| https://www.instagram.com/camillainesofficial

| https://web.facebook.com/camillainesofficial

Canal: https://www.youtube.com/user/camillaines

Camilla Inês – Gotas de Oceano #GotasDeOceano #NovoCd #MúsicaNova #VideoClipe #MusicVideo #2021: https://www.youtube.com/watch?v=HrqZ5GgWsg0

Camilla Inês e Grupo Samba de Côco Raízes de Arcoverde – Sereia #MakingOf #Sereia #MúsicaNova: https://www.youtube.com/watch?v=MWxDo-djK_A

Playlist álbum “Gotas de Oceano”: https://www.youtube.com/watch?v=SCu5SgheoVI&list=PLSeYw81P1pv54ShsQ13G8r25x54XqOi7j

Vamos Dançar um Bolero: https://www.youtube.com/watch?v=bummfI39b8I

Camilla Inês – Vã Filosofia #VaFilosofia #GotasDeOceano #VideoClipe #NovoCd #NewCd #MúsicaNova2021: https://www.youtube.com/watch?v=TIFdIiwujXY

Camilla Inês – In a Sentimental Mood #InASentimentalMood #Jazzmine #VideoClipe #MusicVideo #Music: https://www.youtube.com/watch?v=T77-pSGv7Wo

Camilla Inês – In a Sentimental Mood [MUSIC] : https://www.youtube.com/watch?v=kLYi6A_IOYc&list=PLSeYw81P1pv7NeFpECjdXRIn1uwi4cilq

Camilla Inês no #ProjetoBrasilia da @Rádio Nacional BR Brasília FM #VemOuvir @Camilla Inês: https://www.youtube.com/watch?v=dMPqV7cPIFg

Playlist Live: https://www.youtube.com/playlist?list=PLSeYw81P1pv7jAhv8cEQPIQ7wownHTS_H


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