Caboclo

Caboclo

…e que chegará, que chega, que chama, que chegará, que chega a inquieta chama, de um cantador, encantado pelo sonho de ser uma luz, na escuridão do tempo, nas tempestades do caminho, na desilusão dos ventos que voam sem destino e que fazem dançar essa chama, que não se apaga e que não se entrega a qualquer sopro em qualquer direção ou sentido, seja noite ou seja dia, seja no mar que ondeia, seja na atmosfera vazia, seja no ar que clareia, seja na terra que gira, seja no céu uma estrela guia, luz que se escuta, voz que não cala, energia que exala, grito que se solta, palavras que se tecem, fronteiras que se rompem pelo som que se respira, que se inventa, na costura da vida, que traz as marcas que constroem a musicalidade única, forte e expressiva de Caboclo…

Caboclo é cantador e compositor mineiro. Seu primeiro contato com a música se deu por meio da capoeira e, de lá para cá, vem bebendo das mais diversas fontes da cultura popular brasileira. Do forró ao samba, do toré ao perré, do congado ao maracatu, do cavalo marinho ao boi bumbá. Uma vida dedicada à arte e à procura permanente de se reconhecer em suas raízes. Traz como sua identidade a brasilidade, que por sua mestiçagem, torna-se, um sotaque singular em meio a música universal, mesmo que influenciada por outras vertentes e linguagens, tais como o blues, o rock e o reggae.

Caboclo em um conceito marcado pela mistura, o artista propõe uma sonoridade híbrida, unindo tradição e invenção, o que revela sua originalidade, conduzida por sua instigante e arrebatadora poesia em uma simbiose de sons e cores. Caboclo já dividiu palco com Sérgio Pererê, Mauricio Tizumba entre outros nomes da música brasileira. Esteve na frente das bandas Candeeiro Encantado, Canjerê Ayê e Calango trio em turnês pelo Brasil e pela Europa. Caboclo é uma das vozes da nova cena de cantautores de Minas Gerais.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Caboclo para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 05.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Caboclo: Nasci em de 19 de novembro de 1984 em Timóteo, Minas Gerais, Brasil, América do sul, terceiro mundo. Registrado como Caio Siqueira de Godoi Sampaio.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Caboclo: Meu primeiro contato efetivo com a música se deu por meio da capoeira. O canto, a percussão, o ritmo, a melodia, o corpo em movimento. Mas a priori e inconscientemente, dentro de casa, eu já vivenciava estímulos artísticos através de meus pais, avós, tios, amigos que mesmo não sendo artistas, estavam sempre cantarolando ou ouvindo de tudo um pouco, sobretudo, música popular brasileira. O Violão, a batucada e a cantoria sempre estiveram presentes nos encontros da família. Sair para ver e ou participar dos congados, dos festejos populares da minha região, foram também experiencias determinantes para o que eu faço hoje.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Caboclo: Minha formação musical é intuitiva e vem do cantar, do tocar, do compor, da pesquisa, da curiosidade. Minha formação acadêmica é em Filosofia.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Caboclo: Do Forró ao Samba, do Toré ao Perré, do Congado ao Maracatu, do Cavalo Marinho ao Boi Bumbá, a Capoeira. A diversidade da cultura popular brasileira e seus mestres sempre me influenciaram, influenciam e influenciarão na minha música e na minha vida. Nossa ancestralidade é o nosso futuro. São marcas atemporais, profundas e que nunca deixarão de ter importância. Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Joao do Vale, Clementina de Jesus, Dorival Caymmi, Joao Gilberto, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Morais Moreira, Paulo César Pinheiro, Elomar, Xangai, Gerando Azevedo, Vital Farias, Zé Ramalho, Alceu Valença, Cátia de França, Sérgio Santos, Milton Nascimento, Mauricio Tizumba, Sérgio Pererê, Chico César, Lenine, Chico Science, Siba, Lirinha…

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Caboclo: Aos 13 anos de idade já percorria por várias cidades do interior de Minas Gerais cantando e tocando forró.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Caboclo: Depois de muitos anos à frente de algumas bandas e trabalhando com vários artistas e acumulando composições, lancei meu primeiro disco como cantautor no dia 7 de fevereiro de 2020. Nasceu Okê, palavra Iorubá que quer dizer montanha.

Trata-se de uma fusão de ancestralidades. São 17 canções que se reconhecem na diversidade da cultura popular brasileira. Tambores, atabaques e cordas em busca de um equilíbrio estético sem fronteiras entre passado, presente e futuro. Diferentes linguagens que se misturam e se permitem roupagens, um tecido étnico, híbrido, sincrético, heterogêneo e orgânico. Essa trama é conduzida pela poesia que brada do alto das montanhas de Minas Gerais. Conta da terra, do céu, das chuvas, dos mares, dos rios, das cachoeiras, dos sertões, das matas, dos ventos, do fogo, das aldeias, das cidades, da roça, da calmaria, do caos, das tribos, do primitivo, do moderno, do contemporâneo, do pós contemporâneo, do interior, da capital, do povo, do homem e suas relações temporais, espaciais e espirituais diante das contradições e dos mistérios da vida e da morte, do amor e do ódio, da paz e da guerra, da treva e da luz.

Produzido por Caboclo e co-produzido por Sérgio Pererê. Músicos convidados: Geleia, Coroné, Daniel Guedes, Ricardo Campos, Loïc Cordeone, Johnny Herno. lustrações: Hyper. Figurino: Tarsila Godoi. Fotografia: Flávio Charchar Gravado por Pedro Rios no Locomotiva Estúdio em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Mixado e masterizado por Alfonso Almiñana no Audiomagic em Valencia, Espanha.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Caboclo: Não gosto das limitações que nos impõem os rótulos. A minha busca é ser um artista singular e plural ao mesmo tempo, ou ser plural para ser singular. É uma necessidade, principalmente da indústria, de ter que nos rotular para te encaixar em uma prateleira específica. Eu sempre busquei e tentei fugir disso por mais que já tenha trabalhado com ritmos muito específicos como o Forró e o Samba.

O artista tem que se reinventar e acompanhar algo que é humano, que é estar em mutação, em processo de evolução permanente e em busca de sua identidade. Portanto para mim é muito difícil, complexo dizer eu sou isso, eu sou aquilo, ou eu sou assim ou eu sou assado…

Caboclo é cantador e compositor mineiro. Seu primeiro contato com a música se deu por meio da capoeira e, de lá para cá, vem bebendo das mais diversas fontes da cultura popular brasileira. Do Forró ao samba, do Toré ao Perré, do Congado ao Maracatu, do Cavalo Marinho ao Boi Bumbá. Uma vida dedicada à arte e à procura permanente de se reconhecer em suas raízes.

Caboclo traz como sua identidade a brasilidade, que por sua mestiçagem, torna-se, um sotaque singular em meio a música universal, mesmo que influenciada por outras vertentes e linguagens, tais como o blues, o rock e o reggae. Em um conceito marcado pela mistura, o artista propõe uma sonoridade híbrida, unindo tradição e invenção, o que revela sua originalidade, conduzida por sua instigante e arrebatadora poesia em uma simbiose de sons e cores.

Caboclo já dividiu palco com Sérgio Pererê, Mauricio Tizumba entre outros nomes da música brasileira. Esteve na frente das bandas: Candeeiro Encantado, Canjerê Ayê e Calango Trio em turnês pelo Brasil e pela Europa. Caboclo é uma das vozes da nova cena de cantautores de Minas Gerais.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Caboclo: Não tive um estudo muito aprofundado em técnicas vocais, mas passei por alguns estudos. E o que mais me marcou foi o processo de preparação vocal para gravar “Okê” que foi co-produzido pelo mestre e amigo Sérgio Pererê com quem eu fiz uma intensa experimentação em busca de aprender usar e explorar melhor os meus recursos vocais através de técnicas e exercícios muito específicos, já que, cada um tem a sua voz, suas virtudes e suas limitações.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Caboclo: Penso que encontrar a sua própria voz é um processo de autoconhecimento, o que está muito além da importância de qualquer técnica ou cuidado vocal. As vezes o que identifica uma voz, um canto, é o não cuidado, o desgaste, o cansaço, uma rouquidão, portanto, cantar é vibração, energia, sentimento, verdade, convicção em cada fonema, em cada palavra proferida, estar atento ao texto, a poesia, ao discurso, o que você está dizendo, pra quem…

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Caboclo: São muitas as vozes que me arrepiam como por exemplo, Milton Nascimento, Clementina de Jesus, Ney Matogrosso, Mauricio Tizumba, Sérgio Pererê, Bob Marley.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Caboclo: Meu processo criativo não tem uma metodologia, é inspiração e transpiração em comunhão pela canção. Um som, um ruído, uma palavra, uma frase, um gesto, um lugar, tudo pode ser uma faísca, uma centelha que entra em combustão com seja qual for o elemento e se tornar canção. A música para mim é imagética, é uma percepção muito mais visual, descritiva, textual, poética do que propriamente sonora.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Caboclo: Meu processo de criação geralmente é muito solitário, mas as vezes aparecem parcerias com Sergio Pererê, Arleno Farias, Loïc Cordeone, Alysson Salvador, Kuque Malino, Cícero e Betinho Mateus, Everton Coroné, Fabiano Santana, Nerilson Buscapé, Diogo Guanabara, entre outros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Caboclo: Luso Baiao, Loïc Cordeone.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Caboclo: O artista independente hoje tem que estar adaptado em fazer sua arte e gerir sua carreira ao mesmo tempo e esse é o grande desafio. A liberdade no processo de desenvolvimento da carreira é o pro e o contra simultaneamente, pois, em algum momento pode gerar uma sobrecarga. O que vem a comprometer de uma maneira ou de outra, ou a gestão, ou a arte em si. O artista faz todo o trabalho que faria uma equipe, portanto, cada vez mais, o talento não caminha só, ele depende de toda uma série de fatores para que consiga se sustentar.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Caboclo: Eu estou no processo de adaptação de transição como creio que grande parte de minha geração, movimentando e alimentando as redes sociais e plataformas digitais. Busco divulgar minha música e fortalecer minha marca para poder colher os frutos dessa nova era.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Caboclo: Estou estruturando minhas redes sociais, minhas plataformas digitais nas quais posso distribuir minha música e fortalecer minha marca. 

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Caboclo: A internet veio para revolucionar a vida de todos e se tratando de música, vejo que é a principal ferramenta que temos hoje para conseguirmos difundir nossa música. Por outro lado, vejo também que, ao mesmo tempo conseguimos alcançar virtualmente as pessoas, perdemos o contato, a troca direta de energia dos shows, dos palcos, que é o que há de mais sagrado.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Caboclo: Eu gosto muito da comodidade do home estúdio e poder trabalhar e produzir os discos em casa. Quando se fala em gravar em estúdio, por mais experiência que tenha, você tem a responsabilidade e a obrigação de sair dali com as coisas já prontas, independente se teve tempo suficiente ou não e se estava em um bom dia ou não. Enfim, em casa temos essa flexibilidade e me sinto bem à vontade para trabalhar.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Caboclo: Já não temos as mesmas dificuldades do passado para gravar um disco. Hoje em dia o maior desafio é conseguir sobreviver ao genocídio do mercado musical e da indústria cultural que são alimentados por verdadeiras máfias. Eles jogam sujo para que sua música seja empurrada goela abaixo de um público que já não sabemos se gostam, se identificam com o que consomem ou se são obrigados a consumir uma monocultura que somente enfraquece e aliena a liberdade das pessoas.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Caboclo: O Forró é o nosso ritmo mais genuíno, mais brasileiro, uma de nossas matrizes culturais. Uma verdadeira escola para mim, uma tradição imensa e que ficará para sempre, mesmo com a insistente tentativa de descaracterizá-lo, em nome de uma chamada “evolução”, que se apropria do nome Forró para fazer uma outra coisa, de apelo comercial, mercadológico, que pode ser qualquer outra coisa, menos Forró.

Como disse anteriormente, sempre procurei fugir dos rótulos. Pela diversidade da minha pesquisa, por transitar por vários ritmos e por gostar da liberdade de poder ir onde a música me chama. Portanto, mesmo não sendo um artista que trabalha especificamente ou exclusivamente com o Forró, sempre tive, tenho e terei muito respeito por ele, pois fez, faz, fará, parte de mim, de toda minha trajetória.

Em 2004 há 16 anos atrás, tive a honra de ser premiado como melhor intérprete do FENFIT, Festival Nacional Forró de Itaúnas – ES. Um dos mais tradicionais Festivais de Música do país e agora, estou em processo de produção do meu segundo disco, chamado “Original” e que tem seu repertório inteiro dedicado ao Forró. Quanto as revelações das duas últimas décadas: Forróçacana, Bicho de pé, Falamansa, Trio Dona Zefa, são alguns dos que conseguiram sustentar suas obras com dignidade.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Caboclo: Admiro artistas que buscam a completude de cantar, compor, tocar, encenar e sobretudo, de se posicionar, se engajar. A arte é uma poderosa ferramenta na transformação social e na evolução humana. Admiro: Chico César, Lenine, Zeca Baleiro, Sérgio Santos, Sérgio Pererê, Mauricio Tizumba, Titane, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Alceu Valença, Elomar, Roberto Mendes, Siba. 

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)? 

Caboclo: Foram muitas as situações inusitadas ao longo da carreira, tantas que é difícil contar apenas uma. Minas Gerais tem mais de 800 municípios, portanto, eu já fui parar em lugares inimagináveis e me deparar com tudo o que se pode imaginar enquanto falta de estrutura, brigas, calotes, assédios…

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Caboclo: Compor, cantar, tocar me fazem muito bem e poder compartilhar isso e conseguir tocar o coração das pessoas me traz a sensação de missão cumprida. O que me deixa triste é ver o que como a arte se deteriora nas mãos do mercado musical e da indústria cultural.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Caboclo: Forró para mim só existe um, independente de variantes é uma coisa só. Mas a formação de público e sua renovação é sempre louvável. Eu vejo como importante o movimento do “Forró Universitário” nesse sentido.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Caboclo: Falamansa, Forróçacana, Peixelétrico, Baião de quatro, Rastapé, Trio Virgulino, Bicho de Pé, Forró Malino.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Caboclo: A resposta que vem de imediato é, não. Mas, quem sabe, não sei. Por mais que exista esse jogo sujo e artificial do mercado musical, eu acredito na música que é feita pela música, na arte feita pela arte, sem interferências.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Caboclo: Eu como arte educador, acredito que a arte deve fazer parte de todo o processo de formação do sujeito. Creio que o estímulo da música, da arte de uma maneira geral é muito saudável e pode salvar a humanidade da insensibilidade da razão. Sendo assim, façam arte, façamos arte e que cada ser humano vá ao encontro com a sua verdadeira vocação independentemente de mercado, indústria, sociedade, família ou quem ou o que quer que seja.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Caboclo: Toda ação que vai ao encontro à propagação da música é válida. Os Festivais de música seguem uma tônica da cultura ocidental que é a competição e isso não é saudável, principalmente se tratando de arte. Eu não tenho nenhuma pretensão de que minha música seja melhor do que a música de ninguém. A subjetividade humana sempre deve ou pelo menos deveria prevalecer para que as percepções, juízos e opiniões pudessem ser livres e consequentemente verdadeiras.

29) RM: Os Festivais de Música revelam novos talentos? 

Caboclo: Como disse anteriormente, toda ação pela difusão da música é sempre válida. E os Festivais de música são apenas uma das muitas maneiras de descobrir e revelar novos talentos.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Caboclo: A indústria cultural e o mercado musical provocam um verdadeiro genocídio quando exclui e submete 99% dos artistas ao anonimato. Os verdadeiros arquitetos da música popular brasileira a grande maioria das pessoas não conhece, nem sequer ouviram falar e a grande mídia é parte dessa estrutura.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Caboclo: É muito pouco diante da demanda cultural que se produz no Brasil.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Caboclo: O Forró é uma coisa só, independente das variantes. O desafio é, conseguir equilibrar tradição e transgressão de modo que esteticamente não descaracterize ou o transforme em outra coisa. O “Forró Estilizado”, está no caminho contrário do discurso que pregam de “evolução”, “modernização” do ritmo. Esse papo não me convence e não posso de nenhuma maneira chamar “Forró Estilizado” de Forró, por respeito a Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e todos os grandes mestres que construíram o legado dessa tradição.

Quando defendo a cultura tradicional, eu não estou aqui fazendo discurso arcaísta, pois sou completamente adepto da mistura, do experimento, desde que seja com cuidado, com respeito às tradições e às transgressões, desde que não seja fundamentada em modismos e tendências mercadológicas. Nós enquanto brasileiros somos a mistura em si, portanto a nossa cultura, a nossa música tem um valor do ponto de vista antropológico que nenhuma outra cultura, outra música de nenhum outro lugar do mundo tem. Essa é a nossa maior riqueza. Se existe uma música com vocação para a mistura e para o experimento essa é a música popular brasileira.

33) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical na Europa?

Caboclo: As dificuldades e facilidades não são as mesmas, mas, estarão em qualquer lugar debaixo do céu e em cima da terra. Depois de viver em Lisboa – Portugal e em Barcelona – Espanha, hoje vivo em Madrid. E antes de viver em Madrid, já havia feito várias turnês com vários projetos diferentes em mais de 20 países, portanto, antes de vir para ficar, eu já tinha feito muitos contatos e já conhecia muitas pessoas da cadeia produtiva da música, o que facilita as coisas.

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Caboclo: Depois de ter trabalhado em vários projetos de vários artistas, agora estou em processo de transição e organizando minha carreira solo. Foram muitas mudanças em muito pouco tempo em minha vida. Após ter sido pai há pouco mais de um ano, estou por mais tempo em casa e tenho aproveitado para estruturar meu site, movimentar minhas redes sociais e fortalecer a minha marca. Devido ao acúmulo de canções, mal acabei de lançar meu primeiro disco “Okê” e já estou em fase final de produção do meu segundo álbum, chamado “Original”, com o repertório todo dedicado ao forró.

35) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Caboclo: [email protected] | www.caboclocantador.com.br

| https://web.facebook.com/cabocloiac

| https://www.youtube.com/channel/UCZAvt6maThlXAngVx7foh9A

| Caboclo – Okê (Official Video):

https://www.youtube.com/watch?v=WuV_zCBfZ5o

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.