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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.

Breno Gouvêa


O produtor, compositor e guitarrista mineiro, Breno Gouvêa iniciou sua trajetória na música, ainda de forma amadora, no ano de 2004 em Além Paraíba – MG, onde construiu parcerias que seriam trazidas até os dias de hoje.

Já em Niterói – RJ, cidade que vive desde 2008, iniciou sua carreira profissional com a formação da banda Clangendum: Breno Gouvêa (Voz e Guitarra), Caio Daher (Percussão, Gaita e Vocais), Erlim Bittencourt (Baixo), Pedro Donzeles (Bateria), Rama (Guitarra), que atuou como vocalista e guitarrista. Descobriu e apaixonou-se pela composição, e formou-se produtor musical no Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação (IATEC). Tem um disco lançado com a Clangendum e músicas gravadas por outros artistas, inclusive em trabalhos ainda inéditos.

Em 2017 fundou com seu parceiro Pedro Donzeles o Estúdio Onze, onde trabalham principalmente com a produção de novos artistas do cenário independente.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Breno Gouvêa para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbos em 13.10.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Breno Gouvêa: Nasci no dia 24 de maio de 1990, em Além Paraíba – MG. Registrado como Breno Gouvêa Perez.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Breno Gouvêa: Meu primeiro contato com a música, simplesmente como ouvinte, sem nenhuma pretensão profissional, veio, acredito eu, como o da grande maioria das pessoas: Ainda criança, em casa, consumindo por tabela e ainda sem saber ao certo o que é aquilo, os artistas, álbuns e canções consumidas pela minha família, em especial minha mãe, que apesar de não tocar nenhum instrumento e cantar apenas de forma amadora, sempre foi uma apaixonada pela música. Naquele tempo na casa da minha mãe, me recordo dentre muitas outras coisas de Chico Buarque, Caetano Veloso, João Bosco, Djavan, Gilberto Gil, Ivan Lins… Enfim, todos os grandes gênios da nossa MPB. Me marca também quando ganho de natal de um tio meu o disco “Californication”, do Red Hot Chili Peppers. Enquanto instrumentista, meu primeiro contato com a música, ainda sem nenhuma pretensão profissional, foi entre 12 e 13 anos (2002), quando inicio minhas aulas de violão com minha primeira professora, Lívia, ainda em Além Paraíba – MG.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Breno Gouvêa: Concluí o curso de Produção Musical no Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação (IATEC), no Rio de Janeiro. Fora da esfera musical, cursei a graduação de História na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói – RJ, porém não concluí o curso.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Breno Gouvêa: São muitas, e muito heterogêneas. É uma pergunta muito difícil de responder, pois a probabilidade de cometer injustiças é muito grande, sempre vou esquecer de citar alguém de grande importância para mim. Mas para não ficar em cima do muro, citarei alguns, já me desculpando comigo mesmo: Chico Buarque, Aldir Blanc, Lenine, Djavan, Zeca Baleiro, Ivan Lins, Milton Nascimento, Helio Delmiro, Toninho Horta, João Castilho, Fernando Vidal, Arthur Maia, Leonardo Amuedo, Kiko Freitas, Naná Vasconcelos, Marcos Suzano, Nico Assumpção, Guinga, Nação Zumbi, O Rappa, Pink Floyd, David Gilmour, Red Hot Chili Peppers, King Crimson, Led Zeppelin, Rolling Stones, Stevie Ray Vaughan, Robert Cray… E por aí vai… Sobre referências que deixaram de ser importantes, acredito que nenhuma. Muitos artistas e bandas que consumi muito e hoje não consumo mais, tiveram sua importância para minha formação musical de alguma forma, mesmo sendo de forma datada ou talvez sem a riqueza musical de coisas que escuto hoje.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Breno Gouvêa: Vou considerar o início da minha carreira musical, a primeira vez que subi num palco, mesmo que ainda de forma amadora, pois realmente é uma coisa que marcou. Foi em 2004, eu tinha 14 anos, em Além Paraíba – MG, num evento do meu curso de inglês.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Breno Gouvêa: Solo nenhum álbum. Com a banda que eu fazia parte, a Clangendum, lancei um álbum, o PsicoDisco, formação da banda: Breno Gouvêa (Voz e Guitarra), Caio Daher (Percussão, Gaita e Vocais), Erlim Bittencourt (Baixo), Pedro Donzeles (Bateria), Rama (Guitarra). As músicas: “O Santo II” – part LoSau (Breno Gouvêa/Rama), “Boi De Haxixe” (Zeca Baleiro), “Lucina” (Breno Gouvêa/Rama), “6AM” (Breno Gouvêa), “Cafifa” – part. Lucas Ghetti (Breno Gouvêa), “Madrugou” (Breno Gouvêa), “Chão do Rio” – part. Yug Werneck (Breno Gouvêa), “Colapso” (Breno Gouvêa/Caio Daher), “Contramão” (Breno Gouvêa/Rama), “O Santo I” (Breno Gouvêa/Caio Daher/Erlim Bittencourt/Pedro Donzeles/Rama/Julio Alecrim).

Produzido e Arranjado por Clangendum e Julio Alecrim. Gravado por Julio Alecrim no estúdio Bom de Tocar, Rio de Janeiro, em abril/2016. Assistente de Gravação: Celso Filho. Edição de Áudio: Julio Alecrim. Mixado por Julio Alecrim. Masterizado por Vinicius Fraga no Awen Studio em fevereiro/2017.

Direção de Arte: Lucas Gouvêa, Lucas Ghetti, Breno Gouvêa. Projeto Gráfico (capa e contracapa): Rafael Ottero e Gabriel Bittencourt. Projeto Gráfico: Gabriel Bittencourt. Fotografia: Lucas Ghetti. Edição de Fotografia: Lucas Ghetti e Gabriel Bittencourt. Direção de Fotografia: Lucas Gouvêa, Lucas Ghetti e Breno Gouvêa.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Breno Gouvêa: Acredito que seja uma mistura de tudo que trago como referências minhas, independente dos estilos musicais que carregam cada uma delas. De uma forma bem rasa, uma mistura de MPB e Rock.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Breno Gouvêa: Nunca tive uma professora de técnicas vocais, mas estudei de forma bem superficial por conta própria e com auxílio de intérpretes amigos, principalmente durante a preparação da gravação de voz do PsicoDisco.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Breno Gouvêa: Primordial para qualquer intérprete profissional, seja quando canta em estúdio ou ao vivo. A diferença de ouvir um intérprete devidamente preparado pra um que não é, é absurda. Acredito realmente em dom, pessoas que nascem com uma predisposição pra essa ou aquela atividade, mas todo dom só será devidamente aproveitado quando aperfeiçoado.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Breno Gouvêa: Enquanto intérpretes, Milton Nascimento, Cássia Eller, Elis Regina, Nana Caymmi, Marku Ribas, Seu Jorge, Ney Matogrosso, Emilio Santiago, Freddie Mercury, Robert Plant, John Mayer, Robert Cray, Michael Jackson… Só pra citar alguns.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Breno Gouvêa: Na grande maioria das vezes, dedico um tempo do meu dia só para compor, de forma bem sistemática mesmo: já tenho um lugar da casa específico pra isso, na companhia de um café ou uma cerveja, um caderno, uma caneta e o violão. Acredito que compor é como qualquer outra atividade: evolui-se e aprimora-se com a prática. Às vezes acontece de vir uma inspiração do nada, e ter que parar tudo que estou fazendo para registrar aquele momento, mas esses momentos são exceções, a regra, pelo menos pra mim, é você se propor e se dedicar àquele momento que você destina para escrever.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Breno Gouvêa: Meus principais parceiros são dois grandes amigos de infância, e também grandes músicos, que assim como eu, são nascidos em Além ParaíbaMG, e radicados no Rio de Janeiro e Niterói: Moa Fernandes e Philippe Ramiro.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Breno Gouvêa: Além da banda Clangendum, banda da qual fiz parte, Yug Werneck, parceira de Juiz de Fora – MG; e o duo niteroiense/argelino Lagraf, em seu álbum de estreia, previsto para sair ainda em 2021.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Breno Gouvêa: Acredito que o fator mais positivo pode ser também o negativo: ser o único dono e responsável por todas as esferas que envolvem a carreira de um artista. Nos moldes anteriores do mercado, o artista era refém de contratos firmados com grandes gravadoras. O mercado era muito mais restrito para a revelação de novos artistas, os contratos favoreciam em sua maioria os produtores fonográficos (no caso as gravadoras) em detrimento aos artistas, isso sem falar na falta de liberdade criativa e artística causada pelo controle da gravadora sobre o artista, que interferiam no processo visando o lucro através de trabalhos teoricamente mais “vendáveis”. Em contrapartida, o artista que alcançasse um “lugar ao sol”, contava muitas das vezes com um staff de profissionais da própria gravadora que geriam sua carreira, equipamentos, estúdios e profissionais de alto nível nas produções e pós produções de seus trabalhos, além de muitas portas já abertas nos grandes veículos de mídia da época, como televisão, rádios e grandes casas de shows.

Hoje, os artistas não precisam estar atrelados a grandes gravadoras para alcançar espaço no cenário regional ou nacional graças a todas essas mudanças no mercado, ocasionadas principalmente pelo desenvolvimento tecnológico. Não é mais necessário grandes estúdios com grandes equipamentos analógicos para se chegar a um resultado satisfatório, equipamentos de bom ou alto nível são possíveis de serem adquiridos, boas salas tratadas acusticamente podem ser montadas a um custo baixo. Dessa maneira, o artista começa a produzir seus próprios trabalhos, desvinculando-se das gravadoras, que consequentemente vão perdendo força e poder aquisitivo. O problema desse novo modelo, é que o artista, agora produtor fonográfico, precisa de recursos financeiros para concretizar seus trabalhos e suas carreiras, aporte esse, feito anteriormente pelas gravadoras. Além de produzir suas obras, o artista tem que arcar com todos os outros custos e frentes de trabalho inerentes à carreira artística, como assessoria de imprensa, venda de shows, distribuição, audiovisual, identidade visual…. isso só pra citar algumas. Dessa maneira, muitos talentos se perdem na caminhada, por falta de tempo ou dinheiro, por se dedicarem a um resultado que quase sempre demora a chegar.

Em resumo, a figura da grande gravadora mudou muito dentro do mercado fonográfico. Com o advento das novas tecnologias, principalmente da internet e consequentemente dos streamings, as gravadoras foram obrigadas a mudar drasticamente sua postura dentro do mercado para continuarem existindo. Logo, a figura do artista também vem sofrendo mudanças significativas dentro deste novo cenário, também se reinventando para atingir seus objetivos profissionais. Como tudo ainda é muito novo, estamos todos, artistas, gravadoras e produtores, ainda aprendendo a se posicionar frente a um mercado cada vez mais competitivo, que ainda carece de amadurecimento e legislações atualizadas que dialoguem adequadamente com a nova realidade. Ainda estamos longe do ideal, mas enxergo que se caminha para isso. Ainda chegaremos num formato, que será satisfatório para todos os envolvidos no mercado.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Breno Gouvêa: No momento, estou com minha carreira nos palcos parada, e sem pretensões de volta num futuro próximo, a não ser como instrumentista para eventuais projetos que seja convidado, que produza ou venha a produzir. Fora dos palcos, foco atualmente na minha carreira como produtor, em trabalhos de arranjo, pré-produções, produções e pós-produções. Sou dono do Estúdio Onze, em sociedade com meu parceiro Pedro Donzeles, em Niterói – RJ. O Estúdio atualmente passa por reformas e está em obras, com previsão de reabertura para 2022, enquanto isso, continuamos trabalhando remotamente e através de estúdios parceiros em algumas produções.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Breno Gouvêa: Como meu foco atualmente são as produções e consequentemente o Estúdio Onze, todas as ações de marketing são dedicadas à captação de artistas e clientes neste sentido. O primeiro de tudo, na minha opinião, é definir seu foco de trabalho dentro do mercado, mapear este mercado específico e traçar as ações que te levarão ao seu objetivo. Tendo seu planejamento mapeado, transformar a internet e as mídias sociais em seu maior aliado de marketing e divulgação é primordial. Obviamente que nada disso servirá de alguma coisa se o serviço oferecido não for prestado com excelência.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Breno Gouvêa: A internet só se torna inimiga hoje em dia se for mal utilizada, caso contrário é a maior aliada do artista/produtor do mercado independente. Maior meio de divulgação atual, com um alcance gigantesco e com um custo baixo. Um trabalho de mídia digital bem feito hoje em dia pode ser o determinante para uma carreira bem sucedida.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Breno Gouvêa: Acho que a vantagem é óbvia: Custo baixo. Como desvantagem, a baixa qualidade, que em muitas das vezes prejudica a carreira do artista e/ou denigre uma canção com grande potencial, que se perde por ter sido mal produzida. Equipamentos e instrumentos caros, salas acusticamente tratadas e profissionais devidamente gabaritados (engenheiros, auxiliares, técnicos e produtores), não existem à toa e com toda certeza farão toda diferença em qualquer trabalho, desde a pré-produção até a masterização. Não estou aqui sendo rígido a ponto de fechar totalmente as portas para home estúdios e produções “caseiras”, atingimos um nível tecnológico (e continuamos evoluindo nesse sentido), que nos permite atingir ótimos resultados com trabalhos feitos em casa, com uma estrutura enxuta, porém na maioria dos casos a falta de conhecimento e de estrutura mínima faz o tiro sair pela culatra.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Breno Gouvêa: Acho que a resposta está na pergunta, no desenvolver evolutivamente a carreira. Diferencia-se dentro de qualquer nicho, além da qualidade do trabalho, quem faz um trabalho de marketing e divulgação de qualidade, que entende o mercado, os objetivos, o público alvo, e usa de maneira adequada as ferramentas disponíveis naquele momento, alcançando dessa forma um desenvolvimento evolutivo da carreira, sabendo usar da melhor maneira o que tem nas mãos em todos os momentos da caminhada. Planejamento!

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quais foram às revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Breno Gouvêa: Infelizmente muito pobre, de uma forma geral mesmo: letra e música. Salvam-se pouquíssimos artistas dessa “safra nova”, e os que se salvam, perdem-se no decorrer da carreira, geralmente regredindo bastante de um primeiro trabalho para o segundo. Dos anos 2000 pra cá citarei alguns que surgiram que considero muito bons, pelo menos durante algum período da carreira, ou com grande potencial para serem muito bons. Obviamente cometerei injustiças pois esquecerei de alguém, sempre, mas para constar: Roberta Sá, Céu, Casuarina, Johnny Hooker, Liniker, Maria Rita, Maria Gadu, Dani Black, BaianaSystem, Seu Jorge, Luedji Luna… Considerando apenas artistas que surgiram de 2000 pra cá.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Breno Gouvêa: De profissionalismo, fica muito difícil analisar ou eleger alguém como exemplo, pois só com uma convivência mais profunda, conseguiria dizer quem são esses exemplos de profissionais. De qualidade, Chico Buarque, Aldir Blanc, Lenine, Djavan, Zeca Baleiro, Ivan Lins, Milton Nascimento, Helio Delmiro, Toninho Horta, João Castilho, Fernando Vidal, Arthur Maia, Leonardo Amuedo, Kiko Freitas, Naná Vasconcelos, Marcos Suzano, Nico Assumpção, Guinga, Nação Zumbi, O Rappa, Pink Floyd, David Gilmour, Red Hot Chili Peppers, King Crimson, Led Zeppelin, Rolling Stones, Stevie Ray Vaughan, Robert Cray.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Breno Gouvêa: Sem exagero nenhum, todas as situações que listada na pergunta, sem exceção, já aconteceram comigo… É difícil citar alguma específica, mas consigo afirmar aqui que tocar na noite é uma profissão que te proporciona situações que nem nos roteiros dos melhores filmes você imaginaria… Fiquei aproximadamente quatro anos tocando na noite de Niterói e do Rio de Janeiro, como artista cover, fazendo barzinho e pequenas casas. E olha, muita, mais muitas histórias, das mais pesadas e absurdas, às mais engraçadas e inusitadas.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Breno Gouvêa: O mais triste é sem dúvida a falta de reconhecimento da profissão no Brasil. O artista no Brasil antes de ter uma relevância no limitadíssimo cenário musical nacional ou regional em alguns casos. Não é nem sequer visto por muitas pessoas como um trabalhador que está ali exercendo sua profissão. E o resultado dessa visão deturpada e de certa forma preconceituosa, é a má remuneração, péssimas condições de trabalho e de tratamento, poucas oportunidades. Assim, perdemos alguns grandes e promissores talentos todos os dias no nosso cenário, pois infelizmente desistem ou são obrigados a desistir da profissão, por conta dessas situações. E faço questão de frisar: ser artista profissional da música é uma profissão que se trabalha muito, muito mesmo! Ao contrário do pensamento geral…

E mais feliz, é o simples fato de conceber uma ideia (acho que é a tal da inspiração…) e tornar aquilo canção, seja em letra ou melodia. Todo esse processo e seu final, é de um prazer imensurável! Somos seres privilegiados por sermos capazes de fazer o que fazemos, e logo, sentirmos essa sensação todas as vezes que isso acontece.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Breno Gouvêa: O dom é uma coisa natural de cada ser humano, de cada um, é da pessoa, nasce com ela e é “inadquirível”. De onde vem e como, não me pergunte, mas que existe, existe. O que não acredito é que apenas o dom por si só seja suficiente para se tornar um grande instrumentista, intérprete, compositor, etc. Todo dom deve ser percebido, lapidado e aprimorado. Apesar de der um crente da existência do dom, não creio que a música seja uma arte exclusiva desses “seres super dotados”, acredito que a música é ensinável sim, inclusive a parte prática. Porém, algumas coisas são restritas a alguns e não são adquiríveis, e obviamente, o desenvolvimento dentro do estudo prático e teórico, é diferente de pessoa pra pessoa. Um ótimo exemplo: temos muitos jogadores, temos bons jogadores, temos alguns craques, poucos gênios e um Pelé… Acho que isso define muito bem o “dom”.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Breno Gouvêa: Acredito que a improvisação musical seja a expressão de “feeling” do instrumentista, em que o instrumentista consegue mostrar de fato sua identidade musical.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Breno Gouvêa: Existem fenômenos neste planeta terra que nos surpreendem muito, e de fato, comprovam muito o “dom”, que mencionei acima. Com o advento do YouTube, todos os dias vemos coisas inexplicáveis, como crianças extremamente novas tocando muito alguns instrumentos, portanto, de fato existem casos realmente fora da curva. Porém, via de regra, a improvisação musical só existe, com conhecimento teórico e prático pré-adquirido. É justamente o dom atrelado ao seu aperfeiçoamento, que aguçará a sensibilidade e construirá a identidade musical.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Breno Gouvêa: Como não sou um especialista no assunto, me julgo incapaz de elencar contras sobre os métodos da improvisação musical. Acredito que o positivo mais óbvio é o músico se aprofundar no estudo teórico em geral, principalmente no campo da harmonia funcional, e consequentemente o desenvolvimento prático no seu instrumento.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Breno Gouvêa: Talvez o contra seja a didática. Encontrar uma forma de se aprender/ensinar harmonia musical de forma a prender e interessar o aprendiz, iniciando nos estudos da música, seja um desafio. Para um estudante já inserido na música e nos estudos musicais, o interesse para o estudo de harmonia vem naturalmente pela vontade de desenvolvimento, mas para o iniciante, talvez gere algum desinteresse à primeira vista. De positivo, simplesmente, junto com seus desdobramentos, o estudo essencial na música, na minha opinião. É a partir dos estudos no campo de harmonia que tudo se inicia, de onde tiramos a maioria das respostas e adquirimos nossa identidade musical.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Breno Gouvêa: Não acho impossível, mas julgo ser muito difícil. O caminho para as rádios sem pagamento de jabás, talvez seja possível com seu trabalho já sendo distribuídos por algum selo, que já tenha alguma entrada em alguma rádio. Ainda bem que hoje em dia, as rádios não são mais primordiais como eram antigamente no desenvolvimento da carreira de um artista. A internet e os streamings já são uma realidade muito forte no mercado.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Breno Gouvêa: Perseverança e resiliência! Para trilhar uma carreira musical, a pessoa tem que amar acima de qualquer coisa a música. Até que o objetivo seja atingido, ou seja, ter uma carreira consolidada no mercado, que traga retorno, muitas e muitas dificuldades serão enfrentadas.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Breno Gouvêa: Os pontos positivos de Festival de Música são networking e espaço para apresentar seu trabalho autoral. Em alguns casos, ressalto ainda uma boa premiação para os primeiros colocados. De negativo, ao contrário do que acontecia antigamente, a maioria dos festivais não tem mais uma grande relevância para o sucesso de uma carreira ou de determinadas canções.

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Breno Gouvêa: Hoje Festival de Música, infelizmente não é relevante para revelar novos talentos. Porém para nós do mercado e amantes da boa música, representantes de um pequeno nicho, ainda conseguimos conhecer muitos novos talentos através de festivais.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Breno Gouvêa: A cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira é praticamente inexistente. A cobertura da grande mídia restringe-se a cenas específicas do mercado, cenas estas que, na minha opinião, são irrelevantes e extremamente pobres musicalmente falando, como por exemplo o FUNK e o Sertanejo.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Breno Gouvêa: Talvez sejam o último suspiro para artistas da música independente, onde ainda se encontra um cachê justo e uma estrutura adequada para realização de shows. Muitos bons nomes ainda estão vivos e com força para dar prosseguimento às suas carreiras, graças a este tipo de iniciativa. Obviamente temos falhas também nesses projetos, como por exemplo a construção e manutenção das velhas “panelas”, mas ainda assim, dentro da realidade atual, essas iniciativas ainda são um sopro de esperança para muitos.

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Breno Gouvêa: Ainda existe, é sim uma opção, mas infelizmente não é muito forte mais… E após esse período de Pandemia do Covid-19, não sabemos ao certo como este mercado irá se comportar.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Breno Gouvêa: Concluir a reforma e a remontagem do meu Estúdio Onze, que no momento encontra-se desmontado e de mudança para outro local. E continuar trabalhando na produção de artistas independentes. Futuramente penso em lançar algum trabalho de composições minhas, mas ainda é algo embrionário, que virá só um pouco mais pra frente.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Breno Gouvêa: [email protected]

| https://www.instagram.com/11estudio

|https://www.instagram.com/estudio11botequim

Canal Clangendum: https://www.youtube.com/channel/UCof_XXkM-tSSSBnfpnHXPtw

Psicodisco (Album Completo): https://www.youtube.com/watch?v=c1yXqzlj4n8

Clangendum – Lucina: https://www.youtube.com/watch?v=nB9aAW4NK60

Clangendum – Saindo da Toca – Colapso: https://www.youtube.com/watch?v=d5jdaebhk_c

Clangendum – Contramão (Webclipe): https://www.youtube.com/watch?v=x73FQ8I8uZc

EXTRA Breno Gouvêa – Olhos Coloridos #FiqueEmCasa #Comigo: https://www.youtube.com/watch?v=P1q4BqeEfwg

ENTREVISTA COMPLETA – Breno Gouvêa – 16.02.2018: https://www.youtube.com/watch?v=H7gPP3G7HAQ


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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.