Bernadete França


A cantora e compositora paraibana Bernadete França nasceu em Rio Tinto – PB, é a caçula de nove filhos de uma família simples. Sua mãe era costureira e seu pai trabalhava na lavoura e repentista nos finais de semana, fazia versos e tocava viola para as pessoas dos bairros vizinhos de onde morava.

Bernadete França com um ano de idade mudou-se com a família para Recife – PE, aos seis anos de idade cantou a primeira música, o xote “O cheiro da Carolina” de Luiz Gonzaga. Aos doze anos ganhou o prêmio cantora revelação em Recife – PE, no mesmo ano participou do programa “Cidade Contra Cidade” do apresentador Silvio Santos em São Paulo onde conheceu o pianista e jurado de televisão José Fernandes. Este encontro lhe abriu portas para os palcos mais sofisticados da noite paulistana.

Bernadete França durante a década de 70 fez parte como cantora dos conjuntos, “Coisa Nossa”, “Super Som TA” e da banda “Reveillon”. Durante quatro anos atuou ao lado do cantor e compositor Toquinho, onde gravou os CDs: “Made in Coração” e “Canção para todas as crianças”; e do saxofonista Sadao Watanabe em discos e Shows por toda a América Latina, Ásia e Europa. Em seu primeiro compacto simples gravou as músicas: “Salina das Margaridas” e “Vagalume” pela gravadora Chantecler. No ano seguinte participou da trilha sonora do filme A Pequena Órfã o que lhe rendeu turnês no Rio Grande do Sul e Argentina. Pela RCA Victor gravou as músicas “Pirilampo do Uauá” e “Fogaréu” dos compositores baianos Gereba, Carlos Pita e Walter Queiroz.

No CD, Gereba Convida cantou a música “Meu Segredo” do compositor Abel Silva. Compôs o xote “Amor Sem Valor” gravado pela banda Quinteto novo + o Velho. Bernadete França em 2007 realizou uma temporada com sua banda no navio Mistral onde apresentou um repertório variado com músicas da MPB. Como convidada especial se apresentou no Neruda Kulturraum e no espaço 7Stern em Viena, Áustria. Com o acordeonista Walldo Lima apresenta o show Tributo a Marinês: a Rainha do Xaxado.

Bernadete França em 2016 a convite do diretor musical Paulo Fedato e do produtor Renato Figueiredo gravou a música “Frevo Mulher” (Zé Ramalho) para a novela Escrava Mãe da Rede Record de Televisão. Bernadete França vem divulgando ao longo de sua carreira a música popular nordestina com sucessos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Humberto Teixeira e Dominguinhos. Cumprindo a função de resgatar a tradição desta vertente da MPB. Também se apresenta regularmente em SESC por todo Brasil.

Bernadete França em 2017, consolida sua carreira ao tornar-se campeã do com “Saudade” (Reginaldo Regis) no conceituado Festival Nacional de Forró de Itaúnas-ES. Mas por conta de a música não ser inédita a cantora e compositora devolveu o valor do prêmio.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Bernadete França para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 19.06.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Bernadete França: Nasci em 09.10.1954 em Rio Tinto – PB. Registrada como Bernadete França Menezes.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Bernadete França: Meu contato com a música foi com 6 anos de idade quando eu cantei a música “O cheiro da Carolina” de Luiz Gonzaga.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Bernadete França: Tenho o segundo grau e comecei a Faculdade de música, mas parei, pois viajava muito e não conseguia acompanhar as atividades.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Bernadete França: Minha influência sempre foi Marinês a “Rainha do xaxado”, mas a MPB também esteve comigo. Hoje o meu trabalho é com a música nordestina.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Bernadete França: Minha carreira musical começou aos 12 anos de idade no Recife – PE quando eu ganhei o prêmio de cantora revelação de Pernambuco.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Bernadete França: Eu gravei só um CD e que é o mais recente “EMPODERADAS” e gravei um compacto simples na RCA Victor em 1982.

07) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Bernadete França: Pra compor eu dependo do meu estado de espirito o tema surge normalmente.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Bernadete França: Eu não tenho um parceiro certo. No meu CD tem a música “Menino mimado”, minha e do Claudio Dinis e “Criando Asas”, que a letra é minha e a melodia de Márcio Dedéo.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente? 

Bernadete França: Uma carreira musical quando você não depende dela pra sobreviver se torna mais leve.

10) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Bernadete França: Faço um trabalho com calma na escolha do repertório. É o meu diferencial.

11) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)? 

Bernadete França: Um home estúdio com boa tecnologia é maravilhoso quando tem pessoas capacitadas para operar.

12) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Bernadete França: No cenário do forró a revelação musical foi Falamansa, depois outros deram continuidade.

13) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Bernadete França: Do que foi citado na pergunta. A situação pior é cantar e não receber o cachê.

14) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Bernadete França: O que me deixa feliz é o reconhecimento do meu público com o meu trabalho e o que eu fico triste é não ter o apoio da grande mídia para a nossa música nordestina.

15) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Bernadete França: Quanto ao jabá eu desconheço que alguém tenha as condições financeiras de pagar no cenário musical independente que atuo.

16) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Bernadete França: Qualquer pessoa que queira entrar na música tenha foco muita calma e muito amor no trabalho.

17) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Bernadete França: Festival de música é bom pra mostrar o trabalho, mas os custos sem saber se vai dar certo ou não eu sou contra.

18) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Bernadete França: O Festival de música é bom pra dar continuidade ao nosso trabalho dentro do mercado musical.

19) RM: Você ficou em primeiro lugar no Festival Nacional de Forró – ES em 2017 e teve que devolver o prêmio, pois, a música “Saudade” (Reginaldo Regis) não era inédita. Qual a sua versão deste fato?

Bernadete França: Sobre a música “Saudade” (Reginaldo Regis) que eu cantei no Festival Nacional do Forró de Itaúnas – ES fui informada pelo compositor que era inédita e ele não sabia da existência de uma gravação da música antes do Festival. Quando essa música foi gravada era no tempo das gravações em fita K7 e foi gravada com outro nome e os organizadores do Festival tiveram dificuldade em encontrar a gravação. Mas eu devolvi o valor em dinheiro ganho pelo primeiro lugar.

20) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Bernadete França: Para a grande mídia só existe o cenário musical Sertanejo.

21) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Bernadete França: O Sesc, Sesi, Itaú Cultural são espaços importantes para a nossa cultura e sem esses espaços ficariam ruins pra nossa música nordestina.

22) RM: Fale sobre o circuito de Forró em São Paulo.

Bernadete França: Em São Paulo o circuito do forró é pequeno. Existe o Canto da Ema, que é a melhor casa de forró na cidade, o Remelexo, e o Mural, uma casa nova do produtor Magno. Gosto de todas as Casas de Forró, mas o Canto da Ema tem uma divulgação dentro e fora do Brasil e é muito importante para o nosso forró.

23) RM: Quais as dificuldades enfrentadas por você e por outras cantoras para conquistarem espaço no cenário do Forró e nas Casas de Forró em São Paulo?

Bernadete França: As dificuldades com cantoras no forró sempre existiram. Foram sempre os Trios e Bandas masculinas que lideravam os espaços. Hoje ainda tem Festivais de Música só com músicos homens participando. Eu mesma tive que participar de um Festival de Música pra que eu pudesse mostrar o meu trabalho e graças a Deus deu tudo certo.

24) RM: Em sua opinião ainda existem pessoas que têm constrangimento de ir para um show ou Casa de Forró? 

Bernadete França: Hoje o nosso forró é muito bem aceito e cheio de gente bonita que gostam de dançar e de ouvir uma boa música. Não vejo ninguém constrangido no nosso forró.

25) RM: Quais os projetos futuros?

Bernadete França: Meu projeto pra o futuro é gravar um clipe com a música “Empoderadas”.

26) RM: Bernadete França, Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Bernadete França: (11) 98733 – 2865 | (11) 95363 – 0559 

| [email protected] 

| https://www.facebook.com/bernadetefranca.menezes 

| https://www.youtube.com/channel/UCKCQYMl4WXL0VrR3ykAewuw 

Bernadete França: Prego Batido: https://www.youtube.com/watch?v=v6rHwEAL4LI 

 

 

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.