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Categorias: Entrevistas

Banda Zangaia


A Zangaia começou no ano de 2010 em Capão da Canoa, quando alguns amigos das cidades de Estrela e Lajeado resolveram se juntar para tocar suas influências, dentre elas reggae, rock e elementos de outros ritmos.

O nome Zangaia é uma variação de “zen” que é um tipo de meditação oriental e “Gaia” que, na mitologia grega, é a Mãe Terra como referência aos valores que a banda preza como paz de espírito, natureza, boas energias. Então, a mensagem que procuram passar através de seu som tem base nesse fundamento.

A conquista do 8º Festival de bandas Univates em 2010, foi o ponto de partida, que pôs o nome da banda em destaque na região. Desde aí vêm trilhando o caminho da música, tocando em festas, eventos e festivais, além de divulgação em rádios e outras mídias gaúchas.

A Zangaia desenvolve no momento o projeto “Motivos Pra Sorrir”, um EP com 6 faixas que estão sendo lançadas individualmente desde 2017, ao qual já rendeu frutos a carreira, dando oportunidades de abrir os shows da banda Strike, Supercombo, Luan Santana, Ira, dentro outros. Ainda em 2017 com a música “Jeito de Menina” ficou entre as 12 melhores bandas do maior festival de música universitária do país o FUN MUSIC, e foi uma das finalistas do festival de música de Gramado – RS.

Segue abaixo entrevista exclusiva com a banda Zangaia para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.11.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da banda?

Banda Zangaia: A banda teve início em novembro de 2010, dois integrantes são de Estrela – RS e um de Lajeado – RS. Formação: Dudu Lopes (Voz e Guitarra), Allison “Bob” Steffens (Guitarra e Backingvocal), Leandro “Speto” (Baterista), Mois Tavares (Baixo).

02) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda?

Banda Zangaia: Nenhum dos três integrantes é formado em música, aprenderam através de aulas particulares e também sozinhos. Na parte acadêmica, o vocalista “Dudu Lopes” é formado em Direito, o guitarrista “Bob” é formado em Design, e o baixista Mois Tavares e Leandro “Speto” baterista não tem formação acadêmica.

03) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda? Quais deixaram de ter importância?

anda Zangaia: O vocalista Dudu Lopes sempre gostou de bandas no estilo Blink  182 e Green Day. Mas se considera um cara bem eclético: escuta desde Gusttavo Lima a banda Angra. Acredita que tudo que escutamos influência, ao menos um pouco, no som da Zangaia. O guitarrista e backingvocal “Bob”, cresceu ouvindo rock desde CPM22 a Linkin Park, mas com o tempo acabou se identificando com as letras e a positividade do reggae, hoje escuta bastante essa onda Good Vibes.

04) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome da banda?

Banda Zangaia: A ideia de fazer a banda surgiu em 2010 em um final de semana de praia no litoral gaúcho, quando o atual guitarrista “Bob” junto com o primeiro baterista, estavam tocando a beira mar um reggae, e então decidiram que quando voltassem dariam forma a banda de reggae. Depois disto foram agregando amigos para a banda, porém a conquista do “Festival de Bandas da Univates” no mesmo ano foi o marco inicial para banda se consolidar e realmente acreditar no seu trabalho. O nome Zangaia vem da junção de Zan=Zen: estar bem consigo, paz de espirito com gaia que é natureza. Então o significado propriamente dito seria, estar de bem consigo e com a natureza.

05) RM: Quantos discos lançados?

Banda Zangaia: Em 2020 lançamos nosso primeiro EP – “Motivos Pra Sorrir”, com 6 canções, ele foi gravado em 2015, porém por falha nossa e alguns problemas não o colocamos no ar.  Lançamos os singles / vídeos clipes: “Volta Pra mim”, “As Horas”, “Melodia de Paz”, “Aonde Quer Que Eu Vá”, “O Dia Amanheceu”, “Jeito de Menina”, “Leve como o Sol”, “Segredo de Viver”.

07) RM: Como define o estilo musical da banda dentro da cena reggae?

Banda Zangaia: A banda acaba indo para uma levada mais Pop Rock junto ao Reggae, com influencias de SKA e música eletrônica.

08) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Banda Zangaia: Cada um da banda tem influências distintas dentro da música, mas todos nós admiramos muito o Armandinho, Alexandre Carlo do Natiruts, Vitin do Onze20, Vitor Kley, e o trio de irmãos da Melim, dentre outros.

09) RM: Como é o processo de composição musical dentro da banda? Quem faz a letra e melodia?

Banda Zangaia: O principal compositor é o vocalista Dudu Lopes. Ele primeiro fica pensando em melodias, e coloca palavras aleatórias. Tenta 2, 3, 50 vezes, até que encontra alguma ideia que agrade. Sobre as letras, são passagens e experiências de vida, do que ele ver ao redor. Tenta sempre passar uma verdade na música.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Banda Zangaia: Os prós é que você pode gerir suas ações, fazer as coisas no seu tempo. E também buscar coisas ousadas dentro de sua música, diferente de quando você tem uma gravadora, ou uma empresa gerindo seu material. Porém gerir a carreira sozinho requer muito tempo de envolvimento do artista. E faz com que ele tenha que aprender sobre todas as áreas, tanto musical como no marketing, o que acaba o esgotando muito e diminuindo seu tempo de aprendizado musical.

11) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Banda Zangaia: Essa parada devido a pandemia do Covid-19 acabou fazendo bem para a banda, sentamos e colocamos algumas coisas no papel. E organizamos um planejamento, para que a banda possa ser auto sustentável e possamos crescer passo a passo, atingindo cada vez mais públicos dentro da internet e através de divulgações nas rádios.

12) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Banda Zangaia: Hoje em dia a internet só ajuda, é o meio mais prática e barato de divulgar sua música sem depender de terceiros. Com a internet vamos conhecendo pessoas do Brasil inteiro, que acabam se juntando conosco e interagindo nas nossas postagens. Temos até um fã clube com pessoas de todo Brasil.

13) RM: Como vocês analisam o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Banda Zangaia: O Reggae brasileiro sempre foi bem forte, mesmo não estando na vitrine dos estilos musicais do momento, tem muita relevância na vida das pessoas.

Temos grande referências do reggae como Natiruts, Cidade Negra, Planta & Raiz, Bob Marley, S.O.J.A, Armandinho. Em relação as bandas novas, temos várias sempre surgindo, que não são exatamente do reggae roots, mas trazem muitos elementos do reggae como Gabriel Elias, Onze20, Lagum, Melim, dentre outras, que se encaixam muito no estilo “good vibes”. Tem algumas bandas que hoje não estão mais em alta, como Maskavo, Chimarruts, Tribo de Jah, mas que seguem levantando a bandeira do reggae.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Banda Zangaia: Hoje não temos um home studio, porém a tecnologia evoluiu muito, e já temos aplicativos que nos dão várias possibilidades, sempre que podemos gravamos novas ideias de composições direto dos celulares ou tablets.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Banda Zangaia: Essas realmente são as coisas mais legais que levamos da banda, as histórias, amizades e lugares que conhecemos. Temos algumas situações bem inusitadas: Chegamos em um show na fronteira que iniciava as 4h da manhã, e pra nossa surpresa dentro do camarim os donos da festa estavam espancando um cambista que vendeu ingressos sem autorização, nós de um lado do camarim e eles do outro, entramos no palco tremendo (risos). Mas no final deu tudo certo.

Em um show em uma casa noturna em Capão da Canoa começou uma briga feia com quebras de garrafa e tal na plateia, e no meio do tumulto nós continuamos tocando, um reggae bem de boas (risos) e a pauleira pegando.

Tocamos em uma cidade perto da Lagoa dos Patos – RS, ou seja, 4h de viagem, e 20 min de estrada de areia, fomos de carro, com todos os instrumentos dentro, o carro estava rebaixado e não sei como não atolamos.

Em outro show na cidade de Montenegro – RS, fomos de carro, lotado também, 4 pessoas dentro e todos os instrumentos, na volta pegamos fizemos o retorno e demos de cara com a polícia. Eles nos cercaram, mandaram sair com as mãos para cima, e não tínhamos entendido o por que, depois vimos que saímos na contra mão (risos). Depois de uma revista completa entenderam que era um mal entendido e nos foram bem gentis conosco, mas morremos de medo (risos).

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Banda Zangaia: Mais feliz é ver o sorriso no rosto das pessoas ao escutarem a nossa música em nosso show. Mais triste eu acredito que seja a falta de união entre os artistas: se todos se ajudarem, há espaço para todo mundo.

17) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Banda Zangaia: Acreditamos que sim, algumas rádios da nossa região estão tocando nossa música “Aonde Quer que eu vá”, sem precisarmos oferecer nada, apenas por terem gostado da música e abrirem espaço para as bandas locais. Só que talvez para âmbito nacional seja necessário um investimento mais pesado.

18) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Banda Zangaia: Tem que gostar mesmo, gostar de passar os perrengues, das pessoas te criticando. Acreditar mesmo na parada, por que se você não acredita, os outros é que não vão acreditar. Acho que isso vale para qualquer profissão que você queira seguir.

19) RM: Como vocês analisam a relação que se faz da música reggae com o uso da maconha?

Banda Zangaia: É uma relação pesada e injusta, nós acreditamos que todos são livres para decidirem as suas ações. Mas a banda Zangaia por não fazer parte deste círculo as vezes acaba sendo de certa forma “excluída” dos grupos e ações de bandas de reggae da região. E Isso é estranho, pois todos os estilos musicais tem pessoas que fumam maconha, e não vemos nenhum problema com isso, mas já tivemos experiências com artistas do Sertanejo, Pagode, FUNK, que fazem uso, e nem por isso rotulamos ou temos algum tipo de preconceito.

20) RM: Como vocês analisam a relação que se faz da música reggae com a religião Rastafári?

Banda Zangaia:  Acho que o reggae hoje já se tornou algum mais aberto, mundial, a religião rastafári é algo mais especifico, que poucas pessoas conhecem, inclusive nós.

21) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Banda Zangaia: Pode ser, mas realmente não somos tão aprofundados na cultura Rastafári. Mas como a música é universal, acreditamos que o reggae verdadeiro é o que você faz, e sente queimar dentro do seu coração.

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Banda Zangaia: Não sei se dom seria a palavra mais correta. Algumas pessoas têm, realmente, mais facilidade para aprender um instrumento. Mas não se pode esquecer que há muito esforço atrás desse “dom”. Falamos por nós mesmo, todos passamos incontáveis horas com seu instrumento estudando, cantando, e tentando sempre evoluir.

23) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Banda Zangaia: A cobertura da grande mídia é mais focada nos estilos mais “populares”, o que é de se entender, são os que geram mais receitas, tem mais apelo, e infelizmente é o que regra o mercado musical. Mas mesmo assim vejo que o reggae tem seu espaço, temos vários artistas que estão presentes na grande mídia, como Natiruts, onze20, Melim. Mesmo não sendo um reggae raiz, levam as boas vibrações para a grande massa.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Banda Zangaia: São importantíssimos, nós já participamos de vários eventos com apoio do SESC e do SESI, diríamos que são essenciais para os novos talentos da música.

25) RM: Quais os seus projetos futuros?

Banda Zangaia: Estamos com projeto ousados de crescer a banda, tanto na parte da agenda de shows e presença nas rádios, como na questão da internet, fortalecendo nossos canais e podendo divulgar nossa música para mais pessoas.

26) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Banda Zangaia: imprensa@zangaia.com.br | shows@zangaia.com.br  | reggaezangaia@hotmail.com | www.zangaia.com.br | https://web.facebook.com/zangaiaoficial | (51) 98178 – 9949 com Allison “Bob” Steffens 

Canal: https://www.youtube.com/user/zangaiaoficial 

Zangaia – Volta Pra Mim (Clipe Oficial): https://www.youtube.com/watch?v=O320EmQ2kAw 

Zangaia – Aonde Quer Que Eu Vá (Lyric Video): https://www.youtube.com/watch?v=9MRS5LdRBG8 

Zangaia – Melodia de Paz (clipe oficial): https://www.youtube.com/watch?v=43zPIj35o2A 

Zangaia – O Dia Amanheceu (Clipe Oficial): https://www.youtube.com/watch?v=JKtrfgoR40I 

Banda Zangaia – As Horas: https://www.youtube.com/watch?v=KVtgIhz3m6k      

Playlist EP – Motivio pra Sorrir: https://www.youtube.com/watch?v=9MRS5LdRBG8&list=OLAK5uy_nzNBaq8Al7_O3cne9N5A-WY9wWF2kyzog 

Live Ao Vivo Pela Vida – 28 de junho 2020: https://www.youtube.com/watch?v=BgMlfjAa8jQ&list=PLzJl4Bwaa_94fluXzd0_JMWIxy2IqQSq5 

https://itunes.apple.com/us/artist/zangaia/id815628423 / https://www.deezer.com/br/artist/11096694 /


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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