Bahianinho e sua gente

Bahianinho e Sua Gente

“Bahianinho e Sua Gente” tem 48 anos de história. Tudo começou em 1973, com a primeira formação denominada “Bahianinho e seus meninos”, em Guariba – SP, Bahianinho (João Evangelista Rodrigues de Oliveira) na sanfona e mais dois garotos de 12 anos de idade (Paulinho no zabumba e Edinho no triângulo), faziam sucesso com shows por exatamente 2 anos em toda a região.

Em 1975, forma-se “Bahianinho e Sua Gente”, o primeiro conjunto tradicional de Forró Pé-de-serra do interior de São Paulo. Nesses 48 anos, foram muitas apresentações em festivais, circo, bailes, clubes, TVs Regionais, feiras, ginásio de esportes, praças públicas, centros comunitários, nas cidades de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro entre outros.

O músico Bahianinho, também é radialista e apresentou o programa que leva o nome ‘’Bahianinho e sua gente’’ por muitos anos em várias emissoras paulistas, ele afirma que “foi muito gratificante nesses 48 anos representar e continuar apresentando com dignidade as nossas raízes através da música e dessa forma as nossas tradições nunca morrem”. A formação atual do “Bahianinho e Sua Gente”: “Bahianinho” (triângulo, acordeon e voz), Osvaldo Oliveira (zabumba e voz), Edinho (acordeon e voz), Paulo Matos (triângulo e voz).

Segue abaixo entrevista exclusiva com o conjunto Bahianinho e sua gente para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.04.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Bahianinho e sua gente: Nasci no dia 29.10.1949 em Natal Palmeiras – BA. Registrado como João Evangelista Rodrigues de Oliveira. Os outros músicos do Bahianinho e sua gente são: eu no triângulo ou acordeon e voz. O meu filho Osvaldo Oliveira (Osvaldo Rodrigues de Oliveira Neto na zabumba e voz), que nasceu no dia 28.10.1982 em Guariba – São Paulo. O meu sobrinho Edinho do Acordeon, que nasceu no dia 15.03.1962 em Guariba – São Paulo. O meu genro Paulo Matos (triângulo e voz), que nasceu no dia 21.01.1960 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Bahianinho e sua gente: Sou filho de pai e mãe forrozeiros, bem criança já acordava com o som da música de sanfona era muito bom. E até hoje sou amante do Forró Pé de Serra e também passei de pai para filho, eu acordava meus filhos com o som da sanfona, hoje todos gostam do Forró pé de serra.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Bahianinho e sua gente: Acordeonista autodidata e não tive oportunidade de cursar música em Faculdade, pois na época era bem escasso essa oportunidade. E sempre atuei na construção civil como mestre de obras e na política fui vice-prefeito de Guariba – SP de 1982 a 1988.

04) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Bahianinho e sua gente: Em 1969 mudei para São Paulo e certo dia fui no salão de Forró do Pedro Sertanejo na rua Catumbi, no bairro do Belenzinho. Foi a primeira vez que vi o rei do baião Luiz Gonzaga e foi a coisa mais bonita que vi naquela noite. E lembro que ele pediu para todos os forrozeiros não deixar o Forró acabar. Naquela mesma semana comprei meu acordeon e voltei em 1973 para Guariba, interior de São Paulo e comecei a viajar e participar de festivais de músicas.

A hora da Brotolândia era um programa que tinha na época e em 1974 me apresentei como Bahianinho e seus meninos (Edinho e Paulinho, ambos tinham 12 anos de idade), eles me acompanhavam. E como eu gostava muito de Marinês e sua gente, depois passei a usar o nome artístico de Bahianinho e sua gente e levamos o Forró Pé de Serra para várias cidades e Estados: Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espirito Santos e entre outros Estados. Em 2000 participei do primeiro Fenfit – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santos e tive a felicidade junto com Paulo Mattos e Juliana Mattos e equipe ajudar a realizar a primeira edição em que gravei meu primeiro álbum ao vivo no palco do Bar Forró de Itaúnas que hoje é a capital do Forró Pé de Serra.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Bahianinho e sua gente: Em 2000 gravamos o primeiro álbum ao vivo no palco do Fenfit – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santos. Em 2001 o segundo álbum em um estúdio no Espírito Santo. Os músicos que gravam no Bahianinho e sua gente: Bahianinho (acordeon e voz); Osvaldo Oliveira (zabumba e voz); Paulo Matos (triângulo e voz) e participação de Edinho do Acordeon (acordeon e voz).

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Bahianinho e sua gente: FORRÓ PÉ DE SERRA.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Bahianinho e sua gente: Não nunca estudei na área musical, isso graças a Deus, veio para mim de berço, está no sangue do próprio do forrozeiro.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Bahianinho e sua gente: É muito importante ter cuidado com a voz, conhecer as técnicas vocal, principalmente para apurar a afinação.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Bahianinho e sua gente: Luiz Gonzaga, foi a minha inspiração, Jackson do Pandeiro, Marinês, Lindú, do Trio Nordestino, mestre Tiziu do Araripe, que é um excelente cantor e tive a felicidade dele gravar um xote lindo de minha autoria: “Filhos da Bahia”.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Bahianinho e sua gente: O meu processo de compor são: rimas, ritmo, afinação e o básico arroz com feijão do Forró.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Bahianinho e sua gente: Os meus principais parceiros de composição são: o meu filho Osvaldo Oliveira, Paulo Matos e meu irmão Guta (cantor, compositor, músico), que desde o início levantou a bandeira do Forró Pé de Serra e liderou o “Bahianinho e sua gente”.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Bahianinho e sua gente: Meu grande amigo Tiziu do Araripe, Trio Potiguar, Mestrinho, entre outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Bahianinho e sua gente: O prol é ingressar na carreira musical e depois o povo gostar do trabalho. Os contras são: é a parte financeira para pagar a gravação das músicas e produção de show, etc.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Bahianinho e sua gente: Sempre agradar o meu público com respeito e educação, seja dentro ou fora do palco.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Bahianinho e sua gente: Divulgação do trabalho em rádios, internet, redes sociais, etc.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Bahianinho e sua gente: Por enquanto a internet só tem ajudado e muito na minha carreira musical.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Bahianinho e sua gente: São ótimas as vantagens em qualidade da música diferenciada para entrar no mercado musical.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Bahianinho e sua gente: No passado era muito difícil. Hoje não é tão difícil gravar uma música, mas o desafio é produzir músicas que agradem o público para que continuem a acompanhar nossos shows e nossas músicas em rádio, tv, mídias sociais, etc.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Bahianinho e sua gente: O cenário do Forró a cada dia está crescendo. E muitos forrozeiros carregando a bandeira do Forró Pé de Serra. As revelações acontecem no Fenfit – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santos. Que acontece todo ano no mês de julho. Já revelaram: Trio Dona Zefa, Mestrinho, Erivaldinho do Acordeon, Trio Juriti, Mariana Aydar (ex Trio Caruá), Fabiano Santana, Diego Oliveira, Sotaque Paulista, Kabeça Fria, entre outros.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Bahianinho e sua gente: Trio Nordestino, Trio Virgulino, Trio Sabiá, Trio Xamego, Os 3 do nordeste, Santana – O Cantador, Flávio José, Dorgival Dantas, Xico Bezerra e muitos outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Bahianinho e sua gente: Já aconteceram várias situações das citadas na pergunta. Uma vez fomos contratados para realizar um show/baile não me lembro em que Estado, a antiga diretoria e o ex presidente do Clube estava boicotando com mensagens os eventos promovidos pelo atual presidente, que era um nordestino e que estava dando grande abertura para o Forró Pé de Serra. Fomos contratado e começamos a tocar e a rua em frente ao Clube estava lotada pelo público e de carros, mas o Clube estava vazio até começarmos a nos apresentar e iniciamos com a música “Asa Branca”, do saudoso Luiz Gonzaga e foi entrando as pessoas, logo o Clube estava cheio e no final vem a coisa difícil para nós receber o cachê (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Bahianinho e sua gente: O que me deixa feliz é estar em cima de um palco se apresentando e fazendo o que mais gosto e também ir para Itaúnas – ES e ver o amor que o público tem com o Forró Pé de Serra e vão pra cima cantam junto. É maravilhoso. E o que me deixa triste é ver grandes talentos desistindo por não ter espaço no circuito do Forró.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Bahianinho e sua gente: O “Forró Universitário” veio para alavancar ainda mais o Forró Pé de Serra com as bandas Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé, entre outras. O movimento levou o Forró Pé de Serra para a grande mídia e logo em cada esquina tinha um grupinho formando um grupo de “Forró Universitário”, isso é lindo e não tem preço.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Bahianinho e sua gente: Os grupo Falamansa, Rastapé, Bicho de pé, Peixelétrico, Caiana, entre outros.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Bahianinho e sua gente: Hoje, infelizmente é complicado, as grandes rádios se não tiver o pagamento do jabá fica muito difícil tocarem a nossa música, a não ser quando o artista estoura um sucesso, igual aconteceu com nossos amigos do grupo Falamansa, aí fica fácil demais. Mas graças a Deus tem os radialistas amantes do Forró que sempre tocam nossas músicas em rádios comunitárias. E um grande amante do Forró Pé de Serra que não deixa o Forró cair através da rádio web – https://www.forroots.com.br – o comedor de rapaduras, tio Eli Moura.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Bahianinho e sua gente: Primeiro amor, coragem insistir, pois, a bandeira é pesada.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Bahianinho e sua gente: Eu sou vejo mais prós no Fenfit – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santos, onde grandes trios de Forró são visto pelo mundo e as portas se abrem de tal forma que não tem explicação. Todos os forrozeiros querem estar no palco do Bar Forró em Itaúnas, em que são bem recebidos carinhosamente pelos organizadores Paulo Matos e Juliana Matos para se apresentar sendo finalistas ou não. O festival só vem a agregar mais ainda o movimento do Forró Pé de Serra.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Bahianinho e sua gente: O objetivo de falar do Fenfit – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santos, é que ele sempre foi um espaço para revelar e abrir portas do mundo para os novos talentos do Forró.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Bahianinho e sua gente: As grandes mídias deveriam divulgar mais o cenário do Forró Pé de Serra, são poucas mídias que divulgam nossas raízes brasileiras.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Bahianinho e sua gente: Muito bom esses lindos espaços para nossa cultura ser apresentada.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Bahianinho e sua gente: As bandas de Forró das antigas sempre foram e serão espelhos para as novas bandas.

33) RM: Bahianinho, Quais os seus projetos futuros?

Bahianinho e sua gente: Continuar levando a bandeira do Forró Pé de Serra pelos quatro cantos do Brasil e do mundo. Eu tenho um projeto de abrir uma web rádio para não deixar o forró se acabar, pois sou radialista também e o objetivo é o Forró Pé de Serra está no comando.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Bahianinho e sua gente: (16) 99209 – 4328 (Osvaldo Oliveira) | (27) 99574 – 8587 (Paulo Matos)

| www.forrodeitaunas.com

Osvaldo Oliveira: https://web.facebook.com/profile.php?id=100041273030224

Forró de Itaúnas – Bar Forró: https://web.facebook.com/groups/418003664937268

Primeiro Festival de Forró de Itaúnas – ES em 2000:

 

Bahianinho e sua gente no Forró de Itaúnas:

 

Bahianinho e sua gente no Forró de Itaúnas:

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.