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As Januárias


O trio “As Januárias” é um grupo feminino de forró criado no ano de 2017 pelas irmãs Mayra Barbosa, Mayara Barbosa e Sidcléa Cavalcanti.

A Banda surgiu com a proposta de fazer Forró com uma formação instrumental diferente da convencional, utilizando como base zabumba, triângulo/agogô e violão. O projeto é formado por mulheres e busca exaltar a força e o protagonismo feminino em um meio ainda predominantemente masculino como o forró. Busca referências nas grandes intérpretes e compositoras que abriram os caminhos do forró e da música regional para as mulheres, nomes como Marinês, Anastácia, Elba Ramalho, Clemilda, Lia de Itamaracá e Selma do Coco.

Em seu trabalho autoral, o trio mescla influências que vão do Forró ao Maracatu, com letras que tratam de temas contemporâneos como as conquistas e lutas das mulheres na sociedade. As Januárias buscam fazer forró para o público jovem, mas sem deixar de exaltar a tradição.

Segue abaixo entrevista exclusiva com o trio As Januárias para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistadas por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 08.08.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal dos membros do Trio? 

As Januárias: Sidcléa Cavalcanti, nasceu no dia 07 de julho de 1982 em Paudalho, zona da mata de Pernambuco. Mayra Barbosa e Mayara Barbosa são gêmeas e nasceram no dia 02 de julho de 1990 em Carpina, zona da mata de Pernambuco.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música dos membros do Trio. 

As Januárias: Sidcléa começou aos 10 anos de idade na banda marcial da escola, tocava corneta. Mayara e Mayra começaram aos 7 anos de idade, cantando em dupla. Mas só aos 14 começaram a se apresentar em eventos da escola e igreja.

03) RM: Qual a formação musical e/ou acadêmica fora da área musical dos membros do Trio?

As Januárias: Sidcléa é formada em Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Pernambuco, fez especialização em Metodologia do Ensino de Música pela IBPEX e atualmente faz mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Música também na UFPE – Universidade Federal da Paraíba.

Mayra tem graduação em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco – (Não exerceu a profissão). Começou seus estudos musicais na Escola João Pernambuco. Estudou Canto popular/erudito na ETE de Criatividade Musical e hoje está terminando o curso de Licenciatura em Música na Universidade Federal de Pernambuco.

Mayara fez Bacharelado em enfermagem pela Universidade de Pernambuco – Também nunca exerceu a profissão. Começou seus estudos musicais na Escola João Pernambuco. Estudou violão na ETE de Criatividade Musical e hoje está terminando o curso de Licenciatura em Música na Universidade Federal de Pernambuco. O motivo das duas nunca terem exercido suas primeiras formações é que sempre amaram a música e não se viam trabalhando em algo diferente.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

As Januárias: As influências musicais de Sidcléa são as que seu pai (já falecido), colocava para ouvir em casa, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, Clemilda, Anastácia, Trio Nordestino. E com certeza suas influências também vem dos maracatus, cocos, frevo, cavalo marinho e cirandas, ritmos que fazem parte da riqueza multicultural pernambucana.

Mayra diz que tudo que ela ouve lhe influência de alguma forma, musicalmente. Da MPB à música sertaneja. Ouve Marisa Monte desde que se entende por gente, e gosta muito de samba, pop rock nacional e da nova MPB (nomes como AnaVitoria e Roberta Sá).

Mayara, têm suas principais influências na música popular brasileira. Marisa Monte, Roberta Sá, Maria Bethânia, Mariene de Castro, dentre outros. Além também de serem influenciadas pelos ritmos pernambucanos, principalmente pelo maracatu de baque solto, pois cresceram na zona da mata de Nazaré da Mata, um dos berços do maracatu rural.

05) RM: Quando, como e onde você começou o Trio?

As Januárias: Em 2017 formamos um trio para tocar na festa junina da Escola Técnica Estadual de Criatividade Musical, a partir daí recebemos vários convites para outros eventos, foi quando em um dos ensaios, o Diogo, esposo de Sidcléa, deu a ideia de colocarmos o nome AS JANUÁRIAS, seria uma homenagem ao pai de Luiz Gonzaga, Seu Januário. Usamos também o trocadilho: “Respeita, Januário” como “Respeita, Januária”, por sermos um trio formada por mulheres.

06) RM : Quantos CDs lançados?

As Januárias: Ainda não temos CDs gravados, porém, temos alguns singles lançados nas plataformas digitais. São eles: “Eu sou Janu”, “Cadê o meu São João?” “Chama o Xaxado”, “Ela no Forró”, “A Zabumbeira é Quem Manda”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

As Januárias: Somos uma banda de Forró, mas tocamos também Frevo, Coco, Maracatu e alguns ritmos que compõem a música popular brasileira.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

As Januárias: Sim, as três têm formação em Música, a técnica vocal faz parte do currículo do curso de música.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

As Januárias: Todo profissional da voz deve ter os devidos cuidados para a manutenção do seu principal instrumento. Cuidados como beber bastante água, aquecer antes de cantar, desaquecer ao terminar, evitar ambientes onde a competição vocal é muito grande e respeitar sua extensão vocal, são alguns cuidados que devemos ter.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

As Januárias: Sidcléa admira muito Marinês, a rainha do Xaxado. Mayra é fã de Marisa Monte. E Mayara ama ouvir Roberta Sá.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

As Januárias: Nosso processo é variado, não temos uma só forma de compor. Na maioria das vezes um tema é proposto, como no caso da música “Eu Sou Janu” (Sidcléa deu a ideia do tema) e as três foram desenvolvendo, outras vezes as composições saem individualmente, como por exemplo da composição “Chama o Xaxado”, de autoria de Sidcléa. Na maioria das vezes as composições para o projeto “As Januárias” nascem em conjunto. Ora nascendo primeiro a letra, ora a melodia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

As Januárias: No momento as parcerias de composições são feitas somente entre as três.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

As Januárias: Juliano Arrigone, Cecílio Ribeiro, banda Diatônica.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

As Januárias: Acredito que o principal ponto positivo é a liberdade de decisões em relação à sua própria carreira e o principal ponto negativo é a verba limitada para investimento.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

As Januárias: Inovar sempre, colocar nossa identidade em tudo o que fazemos, ter as nossas metas bem estabelecidas em mente, seguir nossos cronogramas e focar nos resultados.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

As Januárias: Hoje As Januárias são uma microempresa. Somos nós que produzimos e administramos a nossa própria carreira (da administração das mídias sociais, criação de conteúdo à negociação de shows).

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

As Januárias: A internet democratizou o acesso à informação. Para os artistas, especialmente os independentes, é uma ferramenta importantíssima para divulgar seus trabalhos e poder ser encontrados em qualquer lugar do mundo de forma gratuita.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

As Januárias: A vantagem é que as bandas não precisam mais das grandes gravadoras para gravarem suas músicas, e são mais independentes musicalmente para imprimir sua identidade à sua obra. Não vejo desvantagens em ter acesso à tecnologia em si. Talvez, a desvantagem seja mais com relação à pós-produção, ao lançamento… “ o que fazer?”, “qual caminho seguir?” para fazer essa música chegar até as pessoas.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

As Januárias: Não “copiar’ ninguém. Tentar colocar a nossa digital em tudo que a gente faz. O artista, hoje, precisa ser autêntico para se destacar. Não falo de uma autenticidade desconectada do mercado e das tendências. Todo artista precisa estar, minimamente, ligado ao que está acontecendo no mundo da música, mas oferecer algo que é “seu”. Que o público ouça e identifique: Isso aqui são as Janus.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quem regrediram?

As Januárias: Vou começar de trás para frente (risos). Não acredito que ninguém tenha regredido. Gosto de pensar que, na música, a mudança é sempre para frente. A maioria dos grandes artistas que fazem Forró há 10… 20 anos e que têm uma carreira sustentável, conseguiram manter uma obra consistente, de Elba Ramalho à Geraldinho Lins. E sobre as revelações, posso falar do que mais ando gostando de ouvir nos últimos tempos que são: Lucy Alves, As Severinhas, Casoando, Janayna Pereira, Cimara Frois, Mestrinho, Mariana Aydar. Mas, muita gente nova e incrível surgiu nesses últimos anos que a minha memória não me ajudou a citar aqui.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

As Januárias: Marinês.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

As Januárias: Já levei muito beliscão nos microfones da vida (rindo de nervosa). Teve um evento, em especial, que fomos fazer uma participação. Levei choque umas cinco vezes no microfone, e olhe que só fomos cantar duas músicas (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

As Januárias: O que me deixa mais feliz é fazer música. Pura e simplesmente. É o que eu mais gosto de fazer na minha vida. E o mais triste, é a falta de valorização do trabalho.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

As Januárias: O Forró Universitário foi importante pois conseguiu trazer o Forró de volta para o foco da grande mídia nos anos 2000 e incentivou novas gerações a ouvir, dançar e tocar Forró.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram a atenção?

As Januárias: Bandas: Falamansa, Bicho de Pé, Rastapé.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

As Januárias: Só nas rádios mais alternativas. Acho muito difícil as músicas tocarem no rádio sem o pagamento do jabá, exceto nos casos em que a música estoura na internet e o público passa a pedir nas rádios. Ou a rádio toca ou vai perder público.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

As Januárias: Estude muito. Estude música, contabilidade, gestão de carreira, gestão de redes sociais, de negócios… Estude o máximo que puder. E persista.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

As Januárias: Festival de música é um bom espaço para bandas se conhecerem, fazerem contatos e divulgar os seus trabalhos para um público muito atento e que está lá para ouvir música. Não vejo nenhuma grande desvantagem nos festivais.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

As Januárias: Não e sim (risos). Todo produtor de eventos (e seus patrocinadores) quer atrair o maior público pagante possível e, por isso, investem na contratação de artistas que eles sabem que já tem uma base de fãs muito grande para os palcos principais. Mas, em geral, nesses festivais também têm palcos menores onde se apresentam os novos talentos. E, pra bandas novas, essa é uma oportunidade muito bacana.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

As Januárias: O que aparece na grande mídia atualmente é uma pequena parcela do que existe na cena musical do Brasil. São os artistas com muito dinheiro para investir que aparecem normalmente nas grandes redes de TV e rádio.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

As Januárias: Muito importante. São grandes incentivadores da cultura e dos artistas, que, especialmente nos últimos anos, têm sofrido tanto.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

As Januárias: Acredito que todo estilo musical deve ser respeitado, porque a música reflete o momento histórico em que vivemos.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

As Januárias: Gravar nossas músicas autorais. Gravar participações com outros artistas. Monetizar e expandir nosso canal do youtube. Abrir nossa lojinha online.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

As Januárias: (81) 9855-3008 | asjanuarias@gmail.com

| https://www.instagram.com/sidclea

| https://www.instagram.com/asjanuarias

| https://www.instagram.com/mayara.barbosa

| https://www.instagram.com/mayra.janu

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC7kIcQuxbBuL2wL_zP8Ggzw

FORRÓ DAS COMADRES – As Januárias e As Fulô no Programa Causos e Cantos: https://www.youtube.com/watch?v=utv8IhwgYrI

Músicas autorais: https://www.youtube.com/watch?v=1Ife94cNTTc&list=PLBl7sXFRQ_Xro77ZvXGW5FTIhG6DZ9ZXk

Playlist entrevistas: https://www.youtube.com/watch?v=utv8IhwgYrI&list=PLBl7sXFRQ_Xq7Y9s0JwMw3srLjiowd7Wp


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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