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Entrevistas

Arleno Farias


O cantor, compositor, músico potiguar Arleno Farias com 20 anos de carreira, em suas apresentações, gravações e vídeos em seu canal no YouTube, arranca suspiros do público feminino com sua marcante voz grave com sedutor sotaque nordestino, e é admirado pelo público masculino, em especial pela poesia em suas letras de músicas, seu estilo e “espírito Rock” com chão forte na cultura nordestina.

Um criador do seu próprio estilo “Forró-Rock” que reúne sua tribo, seus fãs chamados de “Arlenistas”, um público formado por “Forróckeiras” e “Forrockeiros” espalhados pelo Brasil e por toda a Europa, onde Arleno tem grande número de fãs jovens europeus, admiradores de seu trabalho artístico e que lotam suas apresentações em países como Suíça, Holanda, Itália França, Alemanha, entre outros, países por onde sua turnê anual Europa-Brasil já passa há oito anos. E se prepara para pós pandemia do Covid-19 seguir com seus shows para demais países que o artista ainda não se apresentou, mas que sua música já embala festas, festivais e escolas de dança que reúne europeus apaixonados por música vinda do nordeste brasileiro. E o mesmo fenômeno também acontece no Japão e EUA, para onde já tem convite para se apresentar, assim que o mercado do Show Bussines voltar à ativa.

Um dos mais importantes jornais brasileiros, o Jornal247, lembrou em seu editorial que o artista pertence à lista de maiores guitarristas e violonistas do mundo. O jornal destacou que Arleno representa e honra a internacionalmente conhecida criatividade do violão brasileiro, devido a sua criação de sua surpreendente mágica técnica inédita e viril de tocar seu instrumento musical, denominada de “Violão Percussivo”. Segundo o jornal Jornal247: “Muitos estilos de tocar e dedilhados já foram inventados e reinventados. Porém, o violão percussivo do potiguar Arleno Farias desconstrói todas as regras aprendidas sobre o instrumento”.

Além da imprensa nacional brasileira e internacional, grandes nomes da música brasileira, como Chico César, reafirma a importância de Arleno Farias para a cultura, declarando que Arleno sozinho, apenas com seu violão vale por uma banda inteira, além de iluminador e esclarecedor às novas gerações. Já o líder da banda Falamansa, Tato Cruz, disse que podemos chamar o Arleno de Brasil, se referindo ao seu estilo musical e sua representatividade cultural brasileira, na Europa e dentro do Brasil.

Arleno Farias, poeta que tem sua poesia, intitulada de “Receita de Poesia” publicada no “Novo Manual de Redação e Texto do Ensino Fundamental Brasileiro” da Editora Rideel, integrando a nova safra de poetas da nova geração publicados no livro, lado a lado com grandes nomes da literatura da língua portuguesa como, Luís de Camões, Graciliano Ramos, Veríssimo, entre outros clássicos escritores. Arleno Farias também é chamado de “Pai Do Folclore Mais Moderno Do Planeta” devido ao fato de sua cidade de origem, São Rafael – Rio Grande do Norte, hoje ser conhecida turisticamente como a “Atlântida do Sertão”. O nome da poesia-música de Arleno, que além de ser o nome do seu primeiro álbum musical de 1998, premiado pelo Prêmio Hangar e que a letra conta a história desta antiga cidade no sertão que em 1982 foi inundada pelas águas do projeto de uma barragem realizada pelo governo do Estado do RN, levando as pessoas locais, a imprensa e turistas chamarem o local de “Atlântida do Sertão” em referência direta a obra artística do ilustre filho da cidade. Assim como as várias artes locais de outros autores e que homenageiam Arleno, como duas peças de teatro local, artes plásticas, dança, livros entre outras artes e recentemente o nome da obra de Arleno foi interpretada num espetáculo do maior corpo de dança do Estado do RN, o Grande Balet do SESC – RN, uma super produção que foi apresentada na maior casa de shows da capital, em Natal-RN.

Com essa responsabilidade de ser a principal referência artística de São Rafael que hoje é novidade turística e cultural para o mundo, e, para o próprio Brasil, principalmente na literatura folclórica atual, Arleno se prepara para lançar um projeto social e turístico que pretende atrair em especial o público europeu e do Brasil para conhecer as ruínas históricas da cidade e local do folclore mais moderno do planeta. É um projeto turístico que pretende criar um fluxo internacional, e, nacional, que terá a função de canalizar o público da Europa ao coração do sertão através de um festival que o artista se prepara para lançar com seu projeto social e turístico: “Embaixada Cultural da Atlântida do Sertão– São Rafael – Rio Grande do Norte – Brasil – O Folclore Mais Moderno do Planeta” que pretende organizar o turismo, ajudando aos artistas locais a produzirem seus produtos que divulgam a cultura nativa. E o projeto terá a função de atrair o público externo para consumir esses produtos artísticos, além de pretender com a ajuda de patrocinadores criar escolas que formarão jovens carentes em técnicos de som, técnicos de luz, assistentes de palco, diretores de shows e espetáculos, além de proporcionar cursos diversos, como os cursos de produtor e empresário artístico.

Durante a pandemia Covid-19, Arleno, em sua casa em Essen, na Alemanha além de trabalhar seus projetos musicais e frequentar seu curso de idioma alemão, exercita seu lado de diretor artístico, dirigindo shows de amigos e parceiros e prepara para a segunda etapa do especial “Sertão & Sertanejo” em parceria com sua amiga compositora, cantora e vizinha de cidade, Katiuscia Hinz, filha do saudoso cantor romântico Wando, especial que passará pela Europa e Brasil, assim que voltar ao mercado da música. Comemorando o novo contrato artístico com o escritório de produção alemã “Kasual Events” da produtora Jennifer Lunara, Arleno está escrevendo um livro espiritual que será lançado em breve e também se prepara para lançar um programa para YouTube e uma marca de roupas chamada “Carcará Rei – Roupas Com Garra Solidária!” que pretende doar o lucro de parte das vendas para projetos de auxílio emergencial para compra de oxigênio para o sistema de saúde de cidades como São Rafael – RN e Itaúnas – ES, através de duas coleções de lançamento da marca: uma chamada “Saudade De Itaúnas” em referência a música da amiga Luciana Lima que Arleno gravou em seu DVD no SESEC – POMPEIA – SP e a outra coleção chamada “Conheça o Folclore Mais Moderno Do Planeta – Atlântida do Sertão” para ajuda seus conterrâneos de São Rafael – RN, e ainda prepara novos clipes musicais que serão lançados nos próximos meses nas redes sociais “Mestre com as palavras tanto quanto com as cordas do violão, Arleno dedilha poesia” pelo IFRN – Instituto Federal do Rio Grande do Norte.

“Aqui na Europa, sempre procuro  expor para o público europeu, através de meus shows projetos especiais que trazem temas que reforçam o conhecimento deles e a experiência dos ritmos do Brasil, elementos de várias áreas da música do meu país de origem, um passeio usando como veículo a minha técnica de violão percussivo, voz e versões próprias em apresentações com formatos especiais de shows como o “Planeta Brasil In Concert” formato de show que eu ainda  não apresentei no Brasil, e os shows “Planeta Forró” e “Mandacarú Rock” que a galera europeia e brasileira conhecem nas minhas turnês anuais “Tour Europe-Brazil-Arleno Farias”,  trabalho com aquilo que chamo de desconstrução musical, alquimia sonora verde e amarela (risos)”. Nos conta descontraído o Arleno, o homem das músicas: “Lua Cheia”, “Carcará Rei”, “O cantador”, “Abrahadabra bruxinha lokinha”, “Anjo querubim” (Petrúcio Amorim). O embaixador cultural da Atlântida do Sertão, o pai do folclore mais moderno do planeta e a voz nova do Brasil.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Arleno Farias para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Arleno Farias: Eu sou libriano e nasci no dia das crianças e da padroeira do Brasil, dia 12 de outubro do ano 1977. Minha família era circense e o circo de meu avô Luiz Dutra estava na cidade de Janduís – Rio Grande do Norte, nasci nesta cidade, mas fui criado em São Rafael – RN, a famosa “Atlântida do Sertão”. Registrado como Arleno Alves Farias.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Arleno Farias: Acredito que meu contato com a música aconteceu no seio da família, pois eram artistas musicais, meu pai Arnaldo Farias e tio Altieres Josino já eram artistas. Eu e os meus irmãos por parte de pai (Robson Farias, Fernando Farias, Fernando Alves, Quitéria Farias, Pedro Valentim) e por parte de mãe (Regis do Repente). Tenho parentes artistas do lado do meu pai e do lado de minha mãe Marlene Dutra. A primeira vez que subi num palco foi aos 13 anos de idade, em São Rafael – RN com uma guitarra e visual punk-rock, de cabeça raspada, um brinco que era tipo um martelo e cantei a música “Faroeste Caboclo” da Legião Urbana.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Arleno Farias: Sou autodidata como músico, apesar de minha família ter vários integrantes que são músicos, incluindo meu pai Arnaldo Farias. Eu aprendi sozinho a tocar instrumentos musicais. Também gosto de atuar como produtor e diretor artístico de outros artistas. Tudo na base da experiência de estrada, palco e estúdios de gravação.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Arleno Farias: Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, foram o meu primeiro interesse por música na infância e me acompanham até hoje. Na pré-adolescência me transformei em fã da banda RPM. Em 2002 em São Paulo, o tecladista da banda, Luiz Schiavon se tornou meu empresário artístico em parceria como o diretor musical da Rede Globo de Televisão, Marcelo Barbosa, filho do autor de novelas Benedito Ruy Barbosa, daí eu estive com os músicos da RPM, eu era muito menino, quando já curtia os caras e ficava imitando o Paulo Ricardo, e ouvindo com o volume no talo o vinil “Rádio Pirata” e até hoje ouço, muito massa as melodias e as letras. Em 2018 quase assumi o vocal da RPM para um projeto novo. Eu acompanho o trabalho deles desde sempre e eu tenho a alegria de Luiz ser meu amigo e de também já ter sido empresariado por ele e por outros grandes empresários, como Adriano Lisa da Lisa Recordes, Viviane Viana junto com Ednei Santos do Remelexo BrasilCasa de Forró – SP, entre outros parceiros e apoiadores de minha carreira.

Sou roqueiro com certeza, assim como forrozeiro e cantador. Na adolescência descobri a banda Legião Urbana e sou fã até hoje, minha religião musical e intelectual. Foi lendo as letras das músicas, as poesias de Renato Russo e as letras poesia de Luiz Gonzaga que aprendi a escrever letras de músicas, poesia e textos. A obra artística de meu pai, Arnaldo Farias, sua poesia e suas apresentações de palco e entrevistas formaram minha arte roots nordestina que misturo com o meu espírito rock na minha obra, o que me torna um “Forróckeiro”.

Considero Zé Ramalho o mestre que que guiou minha alma artística, principalmente o meu lado intelectual ocultista, ele para mim “um mago formado” e eu me considero um estudante de magia e ocultismo. Eu assim como Zé Ramalho, trago um pouco do universo ocultista para minhas músicas, como é o caso de letras minhas como “Normais” e “Abrahadabra”, “Bruxinha Lokinha”, esta última pode ser observado que escrevi sobre alguns ocultistas da linha da Teosofia como a escritora e médium russa, Helena P. Blavatsky, o mago inglês Aleister Crowley da Lei de Thelema e o próprio Gonzagão, ocultista maçom, escola que me guiou para a leitura que hoje tenho e já aproveitei e citei, Ozzy Osbourne e Raul Seixas, artistas que como eu apreciamos o assunto desta lei, e claro, não poderia deixar de falar sobre o também mago em sua formação, o mestre dos mestres, o nazareno Jesus Cristo, a quem sou fã de sua mensagem e tudo o mais que ele representa de Luz na alma humana.

Bandas como Sepultura, Guns N’ Roses, Nirvana, Nação Zumbi e Chico Science, Biquíni Cavadão, General Junk, Banda Show Terríveis com o vocalista Roberto, assim como artistas solo como Alceu Valença, Fagner, Belchior, Marinês, Dominguinhos, Pedro Mendes, Babal, e a galera dos Cinco no Palco: Lenine, Zeca Baleiro, Marcos Suzano, Paulinho Moska entre outros, são verdadeiras escolas que me influenciaram.

E como sou pesquisador de música popular, bandas como Aviões do Forró, Barões da Pisadinha e artistas como Anitta no FUNK e João Gilberto na Bossa Nova fazem minha cabeça, bebo em todas as fontes possíveis, sem preconceito artístico. Meus vizinhos não entendem nada, pois na minha casa vou de Ratos do Porão a Wesley Safadão, curto todo tipo de música, tenho um ouvido e uma mente musical livre, sem barreiras culturais ou rítmicas.

Nunca deixei de gostar de um artista que já gostei no passado, às vezes escuto álbuns inteiro da Xuxa e do Trem da Alegria, da mesma forma que ouvi quando moleque e álbuns como “Cantoria” I e II com Elomar, Vital Farias, Geraldo Azevedo e Xangai e o álbum “Grande Encontro” de Zé Ramalho, Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo foram fundamentais para me orientarem e a música e mente de Chico Science terminaram de me afinar minha alma musical.

Eu gosto de mergulhar no mundo da música pop para mesclar com minhas referências e descobrir as que balançam o povão nas ruas. Estou sempre preparado para encarar plateias de teatro sentados para ouvir música, gosto de atuar dos dois lados. Sem preconceitos musicais, livre para cantar e divertir qualquer plateia de gosto diversos. Sinto-me a própria música brasileira universal, com sotaque nordestino (risos).

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Arleno Farias: Em 1994 comecei tocando nos barzinhos de Natal – RN e toquei percussão na banda de Forró do meu pai Arnaldo Farias.

06) RM: Quantos CDs foram lançados?

Arleno Farias: São cinco álbuns: “Atlântida do Sertão” (1998), dirigido por Marcos Farias, “Receita de Poesia” (2002) assinado por Luiz Schiavon do RPM, “ForróMPB” (2004), assinado por Lau Trajano, “Estúdio Ao Vivo” (2007), assinado por mim, “Forró Alternativo” (2015), assinado por Juninho Portugal e um DVD que a gente perdeu parte dele, por causa de um problema no computador, mas foram lançados algumas faixas no YouTube “Arleno Farias Live In Brazil” (2018), o material assinado por mim em parceria com músicos da banda que gravou.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Arleno Farias: Eu trabalho com “Desconstrução Musical”, é algo como música experimental e me autodenomino “Forrockeiro” se pudesse dar um nome a minha arte chamaria de “Mandararu-Rock”, mas acho que o que faço na verdade é música, pois toco e componho em variados estilos da música brasileira e fora dela, como disse antes, gosto de passear pela música sem pensar em barreiras de estilos.

O www.globo.com em parceria com A Gazeta Online, disseram que eu me tornei um dos nomes mais importantes da nova música brasileira. Minha mensagem como forma de agradecimento ao reconhecimento é de alerta à intolerância artística e o respeito ao gosto musical das pessoas. Algumas pessoas no Brasil ainda são muito preconceituosas em termo de gosto musical e muitas vezes ofendem a arte e o trabalho de alguns artistas, por não serem do gosto delas. Ainda temos muito a aprender em termos de respeito pela arte tão diversa que temos e principalmente, aprendermos a respeitar gostos musicais e a batalha de cada artista que consegue fazer sucesso, independente de estilos. Artistas da MPB tem muito para aprender em termo de marketing que atinge forte o ouvido, os olhos (em termo de propaganda) e o coração do povão.

O marketing da MPB e Rock não tem o efeito de buscar a massa de um modo geral, a propaganda é muito tímida perto das bandas e artistas de outros estilos e isso forma o quadro musical do país. Como eu curto e flerto com variadas ramificações da música brasileira, dessa forma me cinto confortável para receber essa observação de ter me tornado importante para a nossa amada e rica música, pois realmente curto a música brasileira de modo geral. Tudo me diverte, todo e qualquer estilo, assim, acredito que meu estilo musical é música brasileira com sotaque nordestino (risos).

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Arleno Farias: Não. Tenho medo de isso mudar minha forma natural de cantar. Fico atento em algumas informações para cuidar da saúde da voz, mas evito técnicas vocais. Quando vejo programas na TV como The Voice, entre outros que mudam o estilo de cantar de artistas que participam, fico chateado.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Arleno Farias: Tem artistas que precisam de estudar as técnicas e outros não. No meu caso, técnicas de cuidado com a voz para não machucar as pregas vocais são sempre bem-vindas. Já aconselhei a uma artista que dirigi, que abandonasse as aulas de canto, pois estavam mudando sua forma de cantar e também exercícios de extensão de voz estavam machucando as suas pregas vocais. Eu, espero que a professora dela não leia esta entrevista (risos).

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Arleno Farias: São muitos, eu sou filho de um dos maiores cantores que existem, em termos de técnica vocal, é impressionante a capacidade vocal de meu pai, além de sua original arte, sua poesia e uma reconhecida escola de Repente. Meu pai e mestre Arnaldo Farias é foda. É “pau de dá em doido” como a gente no nosso Nordeste. Sou muito fã dele e acho que eu seria fã da mesma forma se eu não fosse seu filho. Ele é o cara mesmo.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Arleno Farias: Geralmente é intuitivo e algumas vezes mediúnico, pois abro para “o mundo espiritual” falar em alguns momentos que componho, mas também componho de forma técnica e “metódica-consciente”, geralmente quando componho com parceiros, mas quando componho sozinho sou bem esotérico e sensitivo. Nas composições e em momentos específicos de minha apresentação, costumo realizar ritualísticas cênicas próprias que me ajudam entrar em transe espiritual, para deixar e permitir que uma Força Maior me use e se expresse através de mim. Gosto de abrir esses portais espirituais durante momentos especiais no meu show, gosto de ser uma ferramenta divina e ofereço meu palco as energias superiores e do Bem com a Luz do G.A.D.U – O Grande Arquiteto do Universo: Deus. Acredito que todos temos capacidade de permitir o divino agir, principalmente se estamos em transe espiritual e o show sempre me põe em transe. O palco é o meu Altar Sagrado em que agradeço e celebro o meu Dom artístico.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Arleno Farias: Sou bem fechado para compor em parceria, sou um compositor bastante solitário, mas Marco Mendes, Katiuscia Hinz são hoje os que mais tem composições comigo. Tenho outros parceiros e entre eles tive a honra de juntamente com meu parceiro Jeffinho Almeida, compor uma letra para uma melodia de Dominguinhos, chamado “Forró na Casa De Anita”, o mestre gostou e eu gravei no meu DVD do SESC Pompeia, com Dominguinhos em vida. Na oportunidade ele não pode participar da gravação pelo fato de ter um show em outro lugar na mesma noite e nosso amigo Oswaldinho do Acordeon gravou a sanfona. Mas toquei com Dominguinhos em várias ocasiões. Ele já era amigo de meu pai Arnaldo Farias e se tornou meu amigo também.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Arleno Farias: Não conseguirei lembrar de todos, mas posso dizer alguns. A banda Falamansa gravou “Relaxa” no álbum “Um Dia Perfeito”, o Trio Nordestino, em nova formação, gravou “Planeta Forró”, a banda “Menina do Céu” gravou “Meu Xote, Meu Baião”, Aureliah Milagres, regravou a música “Foto”, Laís Trajano regravou “Normais”, entre outros e a minha música “Lua Cheia” é regravada toda hora, por brasileiros e artistas de fora do Brasil, sempre que entro no YouTube, encontro novos artistas cantando e tocando essa minha música.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Arleno Farias: A independência me ensinou a ser produtor artístico, ter liberdade e personalidade. Quando você é independente o sucesso de seu trabalho vem de forma mais lenta, na maioria dos casos. Mas se o artista desde o início tem o apoio vindo de parceiros e empresas do show business as coisas andam mais rápido. E talvez tenha que se adequar a ideia artística de seus apoiadores. Os prós e contra se misturam nas duas situações. Mas pense sempre como um trabalhador que deseja por seu produto na prateleira e se possível aprenda sobre produção e marketing, além de tocar, assim o artista estará mais consciente de como trabalhar sua arte em forma de produto e profissão. Acredito que arte e produção devem ser parte do músico para melhor se movimentar. Por exemplo, artistas que só tocam na rua, que gastam toda a energia apenas tocando e não tem uma agenda de shows com plateia pagando ingresso lhe falta o pensamento de um produtor, que fornece o combustível e a visão que leva a degraus mais altos da profissão.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Arleno Farias: Hoje em dia, trabalho com a realização anual de minhas turnês Europa-Brasil. Este é o meu trabalho base desde 2013, e teve esta pausa por causa da pandemia do Covid-19. Durante a execução das turnês, atendo a imprensa dando entrevistas, participando de shows e gravações de amigos e colegas. Mantenho o “Projeto Embaixada Cultural Da Atlântida do Sertão – O Folclore Mais Moderno do Planeta”, o meu projeto social e turístico de divulgação da Cultura de São Rafael – RN. Visito projeto sociais de algumas cidades por onde meus shows passam, para trocar informações culturais e sociais. E costumo dá palestras artísticas que abordam temas musicais ou ambientais, em escolas de ensino e escolas de dança, geralmente apresento as palestras: “A Voz Da Natureza – Meio Ambiente Interior Espiritual” e “Luiz Gonzaga Cantado e Contado em Cordas”. Gravo materiais para álbuns e para internet.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Arleno Farias: Procuro usar o nosso campo de produção como uma escola de aprendizagem de marketing artístico e procuro aprender com meus parceiros e passar um pouco da minha experiência, assim o nosso ambiente de trabalho é sempre empreendedor, pois geralmente é uma mistura de jovens e a galera mais experiente, pessoas que o longo de minha carreira me ajudam. Criar projetos sociais como o meu “Projeto Embaixada Cultural Da Atlântida do Sertão – O Folclore Mais Moderno do Planeta” na minha cidade, são ferramentas que ajudam a pessoas que precisam e a gente usa nossa energia artística para ser canal de distribuição de oportunidades a outros artistas e trabalhadores de outras áreas. E quando associamos nosso trabalho a ação social as portas se abrem para a divulgação do artista, pois ajudar pessoas só traz coisa boa e consequentemente as portas estão abertas para quem doa um pouco de sua energia a boas causas.

Ser um artista com uma proposta de canalizar solução para dificuldades do povo em algum lugar é empreender, você ajuda quem precisa, seu trabalho cresce com apoio do público, da imprensa e faz o artista muito mais feliz. Contratar ou fazer parceria com produtores de nome para assinar os álbuns e videoclipes são maneiras de empreender. E para quem quiser que o Arleno Farias assine seu trabalho como diretor artístico, só entrar em contato. Será uma experiência incrível e traz uma visão nova ao trabalho chamar produtores experientes. No meu caso, gosto de dirigir cenicamente e claro, musicalmente, mas a cena é minha especialidade. Sempre procuro contratar produtores musicais com muita experiência para me dirigir, tanto nos álbuns de estúdios quanto na parte cênica de meu show e com isso aprendi a dirigir outros artistas, aprender com eles foi uma forma de empreender.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Arleno Farias: A internet só ajuda. Foi ela que me tornou famoso na Europa e isso já se estende para o Japão, EUA e dizem quem em lugares com Argentina e Chile a galera curte minhas músicas. Em breve estenderemos minha turnê de Europa-Brasil para Turnê Mundial, tenho sede de tocar em todos os lugares do mundo e acredito que estou indo bem com o apoio dos “Arlenistas de Plantão”, meus amados fãs que apoiam meus sonhos artísticos e a quem devo meu sucesso.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Arleno Farias: Só vejo vantagens em home estúdio. Hoje o artista pode ampliar sua capacidade, pois pode ter um estúdio em seu computador e uma sala de gravação no conforto do seu “cafofo” para produzir obras que antes precisavam de muito equipamento, espaço e muita grana para alugar horas em estúdio. Porém eu gosto mais de gravar em estúdios externos com outros músicos e gosto de sair de casa para gravar. Adoro passar três meses gravando um trabalho; que é o tempo padrão das gravações de meus trabalhos. Eu acho massa tirar um cochilo no tapete da sala de gravação de voz do estúdio, enquanto outro músico está gravando algum instrumento. Pedir comida e comer com os técnicos, músicos, se divertindo e comentando sobre o trabalho que está acontecendo e outros “papos massa”, me amarro no clima de estúdio. Prefiro ser visita que receber a galera para gravar. Gosto de dizer estou saindo para o trabalho, mais tarde volto para casa (risos).

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Arleno Farias: Procuro ser original, mesmo quando toca um cover, acho que isso me dá um desenho próprio. Tipo, toco o som do meu jeito sem copiar o arranjo original. A minha técnica de tocar, que chamo de “Violão Percussivo” por ter sido criada por mim, ajuda a dar uma diferença, a minha “viagem” musical.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Arleno Farias: O cenário do Forró só cresceu, depois do movimento “Forró universitário” expandiu para o mundo. Tem muita revelação musical, o tempo inteiro, inclusive hoje em dia existem grupos e trios de Forró Pé de Serra formados por europeus que conhecem e estudam a obra de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Marinês, Trio Nordestino, entre vários mestres das antigas. E estes europeus dão aula sobre Cultura Nordestina e dança por toda a Europa e tem lugares para se dançar Forró lotados de jovens destes países em tudo que é lugar, além do Brasil e na Europa.

E assim como o Rock, o Forró também tem vários estilos que foram criados partindo do estilo original, o Forrobodó, o primeiro derivado do Forró original foi o Rei do Baião, que sintetizou o grupo em forma de trio tornando mais prático as apresentações, o Forró do mestre Luiz Gonzaga já era um derivado, assim como o Forró-Jazz de Dominguinhos ou mesmo o Forró-Samba de Jackson do Pandeiro ou o “Forró Universitário” com suas influências do Reggae e Rock, como é o caso de bandas como Falamansa, Peixelétrico, o meu, eu chamo de Forró-Rock ou Forró-Alternativo.

No sudeste do Brasil e fora do país o forte é o “Forró Universitário” e o Forró Tradicional, os estrangeiros amam uma Zabumba, Sanfona e Triângulo, às vezes com um Violão junto ou até mesmo uma banda acompanhando o trio. O importante para os estrangeiros e a galera do sudeste do brasil é que os ritmos tocados sejam os tradicionais: Forró, Xote, Baião, Arrasta-pé, Coco, Forró, Xaxado. E para eles, você pode tocar batendo numa lata apenas, mas tem que ser estes ritmos, aí eles adoram dançar. Muitos aprendem a dançar em escolas de dança e desenvolvem estilos próprios e estudam as danças do Forró tradicional além do Coco, Maracatu.

Já no Ceará existe a indústria do Forró-Eletrônico, que eu acompanho e também gosto. É uma cena derivada do Forró do original que também cresce sempre, eu sempre faço um som com eles quando estou em Fortaleza e também curto as baladas locais de Forró Eletrônico. Acho muito bom o Forró deles para beber e se divertir muito. Saudade de um Forró de Paredão num domingo de tarde na beira de um açude com a galera que curte festa de vaquejada. Da vaquejada só não curto o lance da pega do boi, que machucar o animal, quando derruba e tal, mas o Forró é sempre muito divertido.

Eu sou um dos artistas que ajudei e ajudo a construir a cena mundial do movimento “Forró Universitário”, e sempre tive o apoio de bandas, trios e artistas solo como a banda Falamansa, Bicho de Pé, Boi de Lata, Trio Virgulino, Miltinho Edilberto, Banda Praieira, o próprio Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Mestre Zinho, Trio Sabiá e tantos outros irmãos me apoiaram e apoiam. E também sempre levo a bandeira de Itaúnas, vilarejo forrozeiro do Espírito Santo, que é para nós e para toda a comunidade internacional de forrozeiros universitários, o nosso ponto de encontro de Forró-Tradicional e o nosso templo de adoração à cultura nordestina, fora do Nordeste.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Arleno Farias: Não sou muito bom em definir isso, pois quem convive mais de perto comigo sabe que costumo dizer que não sou um artista profissional, costumo dizer que sou um artista emocional e assim são todos os artistas da Família Farias do Rio Grande do Norte. Eu, assim como os artistas lá de casa somos muito sensíveis. Se alguém relacionado a realização do evento nos incomodar de alguma maneira, ou a gente sentir minimamente maltratado, por exemplo, a gente não consegue fazer o show de verdade. Procuro mudar isso, mas já abandonei o palco por causa de algo que não estava sendo respeitoso. Isso é bem comum em nossa história artística. Nos trate bem e terá o melhor show da sua vida. Ao contrário, a gente entende que nosso público quer ver a gente feliz verdadeiramente num show incrível e para isso precisamos ter a mente tranquila. Eu sou assim e os Farias de nosso clã também são. Questão de auto respeito, auto valor. Nossos fãs entendem este nosso temperamento, eu sou o mais calmo de todos, mas também explodo quando acho que estou sendo desrespeitado de alguma maneira. Sangue de jagunço.

Meu show é muito espiritual, se algo não estiver bom, prefiro não fazer o show, neste sentido, entendo que ser profissional é fazer a apresentação de qualquer maneira, por isso digo que não sou um artista profissional e sim um artista emocional. Já desci do palco para defender uma fã de um cara que estava maltratando-a. Outras vezes que rolaram coisas que não vem ao caso, mas não sou tão bonzinho quando fico arretado. Ainda bem que é muito raro e eu faço meditação zen que ajudou a acalmar esse meu lado. Foram poucas, mas fortes. E com o tempo a gente vai amadurecendo, mas prefiro não garantir nada. Admiro o profissionalismo de quem executa seu show de qualquer maneira, mesmo que estejam lhe causando problemas ou algum desrespeito que tire a concentração. Este eu chamo de artista profissional.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Arleno Farias: Tudo citado na pergunta, eu já passei. Teve uma vez que não pude entrar na Inglaterra para fazer um show, porque o contratante não tirou os documentos exigidos pelo país e foi uma experiência muito ruim fiquei 12 horas na sala da polícia da Rainha sem saber o que ia acontecer. Eu fui interrogado em uma sala que fica um telefone com o tradutor falando o que os policiais do aeroporto queriam saber. Depois eles me colocaram num voo de volta para Alemanha, fiquei triste de não fazer meu show em Londres. Em breve voltarei para tocar lá, desta vez com tudo certo. Cuidado amigos artistas quando forem fazer show fora do Brasil. Sempre verifique tudo antes.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Arleno Farias: Fico feliz de levar alegria e festa para as pessoas e por minha arte ser meu canal de contato com Deus. O que me deixa triste é quando vejo artistas competirem, mesmo que seja num show de calouros, pois não acredito em um artista melhor que outro. A arte é uma digital única que cada indivíduo tem em si e toda e qualquer manifestação artística é linda por natureza. Quem conversar com o compositor de uma obra, por mais simples que ela seja tecnicamente, terá uma beleza interior do seu autor, um complemento que vem no fazer artístico e por isso não acredito que se possa julgar artes. Quando vejo alguém dizer que tal música é ruim ou tal música é boa, acho triste. A vaia não cabe na arte, por exemplo, pois não se vaia Deus, ato artístico é o próprio Criador Divino se comunicando através do Dom do artista, independentemente de seu estilo de arte.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Arleno Farias: O movimento “Forró Universitário” é de uma beleza e importância histórica para o Forró e para a cultura nordestina em geral, pois é o momento em que os jovens do Sudeste do Brasil descobriram os trios de Forró e se apaixonaram. Esses jovens aos montes se dirigiriam para escolas de dança e baladas de trios tradicionais, DJs e bandas que tocam em seu repertório além de novos Forrós de sua autoria e suas versões para músicas de Luiz Gonzaga e tantos outros mestres da época e mestres que vieram depois como Mestre Camarão, Anastácia, estes mestres até hoje são quem lotam de jovens as Casas de Forró no Sudeste brasileiro e aqui na Europa.

Nos Estados Unidos da América e Japão, hoje em dia o Forró Pé de Serra ou Forró-Roots como ficou conhecido é a música que embala festas, aulas e festivais grandes. A Europa inteira tem locais para se dançar Forró, a Alemanha, país em que resido desde 2013 é o país europeu que mais tem locais para arrastar o pé ao som de zabumba, sanfona e triângulo. E praticamente em todas cidades germânicas o som nordestino reúne jovens que aprenderam a dançar, sabem nome dos autores dos antigos xotes, baiões. Este é o espírito e a beleza do Forró Universitário, o estudo não só da dança ou da música, mas também o estudo da história do Forró e do nordeste do Brasil e o trabalho de divulgação mundial deste gênero que todos nós do mundo amamos.

Com a minha contribuição na construção e divulgação do movimento “Forró Universitário”, eu me tornei um dos “Titãs” deste movimento ao lado da banda Falamansa, Rastapé, Menina do Céu, Trio Dona Zefa, Duani do Forró Sakana, Raiz do Sana, Chama Chuva, O Bando de Maria. Vixe, não cabe aqui tantos nomes. O fato é que a partir de 2000 eu fui recebido e abraçado pelo movimento e me apaixonei, passei então a ser a referência “Forró-Rock” dentro do movimento e foi essa galera que me tornou famoso na Europa e acabei vindo morar aqui na cidade de Essen na Alemanha, localizada no centro da Europa.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Arleno Farias: Se eu responder essa pergunta eu apanho de meus colegas e amigos, mas posso garantir que tudo é bom. De verdade. Muitos trios e grupos às vezes só formados por pessoas que não são do Nordeste e a galera toca muito e compõe Forró como se fazia antigamente, incluído trios e grupos europeus de Forró, por exemplo um grupo formado por Russos, chamado “Não é proibido” e a banda Xocolate de Lausanne na Suíça, onde tem a balada nordestina “Forró Lousane”, inclusive sou padrinho de um projeto de Forró de lá, em outra cidade Suíça, a balada “Forró Geneve” em Genebra.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Arleno Farias: Infelizmente o jabá é uma regra informal que faz a música do artista tocar. Sem ele a música não toca de forma massiva e programada a partir de um marketing de divulgação. Assim como todo produto, sou a favor de cobrar para divulgar, mas isso deveria ser de forma legal, tabelada, sabe?! Assim todos poderiam se programar conscientemente. Tipo a marca de Cuscuz tem que pagar para divulgar uma propaganda que sai num horário escolhido pelo dono da marca e aí tudo funciona, o produto é divulgado com horário certinho para ser exibido a propaganda. Com a música, deveria ser o mesmo, de forma clara e acessível a qualquer artista que tivesse o dinheiro para comprar um horário para a música ou propaganda tocar, não teria problema em ser caro, mas todos deveriam saber quanto custa para poder se programar para divulgar sua música.

Sou a favor da comercialização formal do jabá, sem máfias, aberto a todo artista que conseguir dinheiro para comprar horários nas rádios. Talvez os com mais capital devessem ter o mesmo direito e espaço que o novo artista que está chegando, assim teríamos muito mais estilos de música e gostos variados tocando nos nossos rádios. E as rádios ganharão muito dinheiro, pois todo artista batalhava para comprar espaço de uma forma clara e honesta com todos. Talvez uma lei que desse a oportunidade de propaganda para todo tipo de música. O Brasil tem ritmos diferentes, iria ser lindo tocando nas rádios, toda diversidade da música brasileira nos ouvidos do nosso povo. A música brasileira, de qualquer ritmo é sempre respeitada no mundo inteiro e eu estou falando de músicas que nunca tocaram no rádio, inclusive, essas são as que mais as pessoas de outros países gostam e infelizmente o povo brasileiro nunca escutará no rádio e talvez nunca chegue a conhecer a música desses artistas geniais e talentosos.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Arleno Farias: Seja a música em pessoa. Trabalhe e honre nosso Dom. Viva com intensidade sua “vibração sonora”.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Arleno Farias: Meu show sempre é contratado para ser atração de inúmeros festivais de música no Brasil e Europa. Amo tocar ou ir apenas curtir festivais. Tem festivais que são de shows e workshops e tem os que rolam competições artísticas. Eu não curto competir. Não participo de batalhas musicais, quando vou a um festival é apenas para fazer meu show.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Arleno Farias: Sim. Eu não curtir ver artistas competindo é questão de gosto pessoal, mas os festivais de música funcionam como expositores para o público conhecer novos talentos ou novas obras de artistas já conhecidos. Para quem não ver problema em usar sua arte como espada para “matar” a obra de outro artista, vale a pena participar. Em geral move público e oportunidades. Em particular, realmente não curto ver a arte como competição, por ela ser singular a cada um. Prefiro a arte colaborativa, festiva sem a dor de quem perde o campeonato.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Arleno Farias: A cobertura da grande mídia é um comércio. Não sou contra o comércio artístico, se for justo e acessível a todos.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Arleno Farias: Só aplauso. Já fiz muitos shows para a rede SESC de São Paulo, por exemplo. Meu DVD foi gravado no templo paulista da música brasileira que é como chamo o SESC Pompeia – SP. São redutos de trabalho culturais excepcionais e importantes para manter a cena cultural em grande estilo e estrutura financeira para os artistas e cultura para o público. Super importante para a cultura brasileira, esses locais. 

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Arleno Farias: Assim como o Rock, o Reggae e Blues, o Forró também tem várias vertentes. Eu gosto de tudo. Já fui um radical, um dia algo mudou na minha mente e hoje gosto de tudo, entendo como misturas e temperos para gostos diferentes e meus ouvidos e mente passaram a receber tudo com prazer. O meu gosto é Eclético, que é um tipo de gosto que talvez irrite os mais “xiitas” da MPB e Rock. Eu já fui assim. Só se o artista estiver desafinando ou os instrumentos, daí não dá para ouvir, mas se tudo está bem, aprecio com prazer. Fico feliz de ter me tornado assim. Eu era chato para música quando tinha até meus 33 anos de idade, daí algo se transformou e fiquei em paz com meus ouvidos e com meu senso crítico. Qualquer balada me diverte hoje aos 43 anos. Gostaria de ter tido a mente mais aberta no passado.

33) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical na Europa?

Arleno Farias: Eu quando cheguei na Europa, por causa da minha popularidade na internet e do trabalho de uma rede de produtores que realizam eventos aqui, a minha música e fama chegaram antes de mim e facilitou minha carreira aqui. O público europeu é aberto à arte brasileira, se você tem os contatos e consegue se apresentar para os europeus tudo flui. Estou preparando uma parceria com um produtor alemão, o MC Alexander para receber artistas brasileiros que queiram gravar videoclipes na Alemanha, temos uma base na margem do Rio Reno, na cidade de Rhens. É a Rota Romântica do Reno, cheia de castelos e belezas incríveis e receberemos artistas interessados em gravar e ter a minha assinatura e do Alexander em seus trabalhos e voltar para o Brasil com um produto e uma experiência fantástica que ajuda a abrir mercado para o artista.

34) RM: Quais os prós e contras de viver na Europa. O que o motivou a vir para Europa?

Arleno Farias: O sucesso com o público europeu e a família, eu tenho um filho com uma alemã e hoje moro na mesma cidade da família dela, para estar perto de nosso filho.

35)RM: Quais os prós e contras da vivência pessoal e profissional em São Paulo?

Arleno Farias: Todo artista de qualquer área deve viver a experiência de morar em São Paulo, pois a mente da gente explode, ao viver em Sampa. É fundamental para crescer em qualquer área por ser um grande caldeirão. “É brincar com um dinossauro” como diz a música de Marco Mendes e Nino. É abrir a janela do amor e ver, verá São Paulo. Mas, Sampa é um gigante dinossauro. Tenha cuidado, mas você precisa ir até ele para seu mundo se abrir. Amo e sou grato a São Paulo. Os contras, é ficar algum tempo longe dos familiares, como é o caso dos nordestinos. Mas é uma cidade iniciática e produtiva, além de ser o encontro de todas as culturas.

36) RM: Fale das músicas que você interpretou que estiveram em duas novelas.

Arleno Farias: Na novela “Esperança” de Benedito Ruy Barbosa, eu interpretei “Bicho do mato” de Arlindo Ricarte Jr e “Mistérios da vida” (Marcelo Barbosa / Bozzo Barretti / Nil Bernardes) na novela “Sinhá Moça”.  Um fato interessante é que uma personagem da novela “Esperança” chamado Zequinha, o Benedito Ruy Barbosa disse que se inspirou para cria-lo quando ouvir “Cantando para chuva” de minha autoria em parceria com Niltinho. Essa música meu pai Arnaldo Farias gravou no meu primeiro álbum “Atlântida do Sertão”.

37) RM: Quais os seus projetos futuros?

Arleno Farias: Tem muita novidade vindo aí, estou preparando novos videoclipes e um programa que eu vou apresentar para o YouTube e como Diretor Artístico. Tenho dirigido shows de amigos, também estamos trabalhando o lançamento de minha marca de roupas a “Carcará Rei – Roupas Com Garra Solidária” para adentrar o mundo da moda, algo que eu sempre curti, lance de figurino e visual. Atualmente estudo o idioma alemão numa escola na cidade de Essen. Nas minhas músicas, tenho trabalhado nos bastidores, preparando um novo álbum que sairá após a pandemia Covid-19. Estou juntamente com vários parceiros organizando o lançamento de meu projeto social e turístico “Embaixada Cultural da Atlântida do Sertão” que pretende conectar o público europeu em especial e o público brasileiro, diretamente a cidade de São Rafael que fica no interior do Rio grande do Norte, que é conhecida como a “Atlântida do Sertão”. O folclore mais moderno do planeta, no sentido de ser o mais novo folclore que tomou forma e as pessoas precisam conhecer essa história e as belezas da minha terra de origem.

Estamos planejando um grande festival anual – “Baião No Sertão – Festival Internacional de Forró & e Música Alternativa da Atlântida do Sertão” que será realizado pelo projeto da Embaixada e pretende ajudar a movimentar a cultura local, ações sociais e educativas e ajudará a acender o turismo cultural no Rio Grande do Norte. Vamos levar essa boa nova que é: conheçam o folclore mais moderno do planeta, a história e a cultura de São Rafael. Eu faço questão de levar cada um de vocês comigo para uma semana de Forró, música alternativa, passeios, workshops de cultura nordestina, muita diversão no Sol do nordeste e nas praias de Natal, nossa capital e na caatinga e águas da barragem da nossa Atlântida sertaneja.

Aproveito o fato da editora Rideel ter publicado meu poema “Receita de Poesia”  no Novo Manual de Redação e Texto do Ensino Fundamental da Língua portuguesa, que reuniu poetas da nova geração lado a lado com poetas clássicos: Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Luís de Camões. Aproveitando essa honra e esse gancho de Arleno nas escolas e na literatura portuguesa, eu me animei de retomar um projeto antigo de escrever um livro espiritual. Um projeto antigo que retomei durante a pandemia do Covid-19, um livro que por hora não posso revelar o título, mas que posso adiantar que o livro se baseia em uma experiência fora do comum que aconteceu comigo em 2000. Eu revelarei ao meu público a história de um fenômeno muito especial e polêmico que vivi naquele ano e o livro também revelará coisas espirituais que acontecem comigo e que só os íntimos conhecem e que chegou a hora de trazer a público, pôr trata-se de minha missão maior, pois tem a ver com o Bem. No campo literário, já imagino pelo menos três livros, de temas diferentes.

Com Fé e cuidando da saúde vamos trabalhando nos bastidores da pandemia para preparar isso tudo para meus amados “Arlenistas” que me apoiaram esses anos todos. Também tenho me preparando para minha próxima Turnê-Europa-Brasil, será a nova e que devo visitar novos países aonde ainda não toquei no continente europeu e irei revisitar locais onde já fiz shows como a Holanda, França, Bélgica, Portugal, Suíça, Itália.  E me preparar para atender ao Japão e EUA, pois antes da pandemia estes dois últimos países já tinham me convidado para fazer show para meus fãs americanos e japonês, sem falar na galera brasileira lá e daqui da Europa que vivem nesses países. É um público que tenho fora do Forró, pois a maioria do público de Forró é europeu. O Forró Eletrônico do Ceará não toca nestes locais, a música que eles curtem é o Forró Pé de Serra e “Forró Universitário”. E também devo fazer shows na cena brasileira da Europa, fora do Forró e estamos trabalhando para eu me apresentar na cena de Rock, Jazz, MPB e participações especiais com a galera da cena da Música Eletrônica. No mais é desejar que essa pandemia passe logo e todos nós possamos dá um caloroso abraço e finalmente podermos cantar e dançar livres.

38) RM: Quais seus contatos para o show e para os fãs?

Arleno Farias: Estou numa parceria com as empresas alemãs KasualEvents da produtora brasileira Jenni Lunara, destaque na cena atual da Alemanha e a empresa No Strass Prod: www.kasualevents.de | +49 1728110137 – Jennifer Lunara |fariasarleno@gmail.com 

Canal Arleno Farias: https://www.youtube.com/channel/UC2eI2BMFwik-dfZWG8lXUwQ 

“Lua Cheia” – Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=VwOcqdyxVnE 

“Carcará Rei” – Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=rATjECibzq0

“O cantador” – Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=GYZId0o6odo 

“ABRAHADABRA BRUXINHA LOKINHA” – Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=-DGb14leAwI 

Anjo Querubim (Petrúcio Amorim) por Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=kNYzE9iZDeU  

“ATLÂNTIDA DO SERTÃO” São Rafael – RN – ARLENO FARIAS: https://www.youtube.com/watch?v=AlseQn4asvU 

“Normais” – Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=ZxP5EZ3pE4A 

“Planeta Forró” (Arleno Farias) – Trio Nordestino: https://www.youtube.com/watch?v=0raWXR7WZns 

“Relaxa” (Arleno Farias) no álbum “Um Dia Perfeito” da banda Falamansa – faixa 11: https://www.youtube.com/watch?v=HIIhmEQzreI 

“Planeta Forró” – Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=2YBJGpYIrWs 

ARLENO FARIAS E BANDA, GRAVADO EM ASSÚ – RN – BRASIL (2013): https://www.youtube.com/watch?v=HQ1c-t2PUUg 

ESPECIAL – DORGIVAL DANTAS & ARLENO FARIAS: https://www.youtube.com/watch?v=TI4AN_b7QZU  

“Meu xote, meu baião” (Arleno Farias) – Menina do Céu: https://www.youtube.com/watch?v=st4UsF5p9q8 

“Foto” (Arleno Farias) – Aureliah Milagres (antigo Forrueiros): https://www.youtube.com/watch?v=DcZ_OlmJhv0 

ARLENO FARIAS E ARNALDO FARIAS – DVD Arleno Farias – Coca-Cola Com Cocada (Rap/Repente): https://www.youtube.com/watch?v=XJWNV2fjw-U 

“Chão de Giz” (Zé Ramalho) por Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=Y-gOZI7nHrk 

 ZÉ RAMALHO EM VIOLÃO PERCUSSIVO E VOZ #LIVE DE DOMINGO c/ ARLENO FARIAS – 2017: https://www.youtube.com/watch?v=_a9sz1nWLHs 

Arnaldo Farias PROGRAMA É SÓ ALEGRIA | 16.05.2021: https://www.youtube.com/watch?v=5J8P-WfkEqw 

Arnaldo Farias C&C DIA 23.08.2020: https://www.youtube.com/watch?v=wrPMEsb-IsU 

Nossa senhora das fêmeas – Wando por Katiuscia Hinz e Arleno Farias: https://www.youtube.com/watch?v=kqaKQYUCBX4

ARLENO FARIAS e TATO (FALAMANSA) – 7 de 18 Faixas – DVD Arleno Farias – O Homem De Aço (MPB): https://www.youtube.com/watch?v=ROx4PEO1vo4

“Bicho do Mato” (Arlindo Ricarte Jr) por Arleno Farias – da Novela “Esperança”: https://www.youtube.com/watch?v=FjHbJIHZjgw

“Mistérios da vida” (Marcelo Barbosa) por Arleno Farias – da nova “Sinhá Moça”: https://www.youtube.com/watch?v=mMh6lMNc758

Família Farias – Arnaldo Farias, Arleno Farias, Robson Farias e Fernando Farias: https://www.youtube.com/watch?v=mO2RPZrn7e0


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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