Continua após a Publicidade
Categorias: Entrevistas

Ária Trio


Com um repertório de música instrumental autoral (resultado de uma extensa e contínua pesquisa musical) o Ária Trio possui uma rara combinação de piano, violão e harmônica.

Os três instrumentos mesclam as influências distintas de cada integrante valorizando suas formações e influências musicais. O grupo iniciou os trabalhos no ano de 2000 na serra gaúcha. Após anos de experimentação, composições, arranjos e shows com material próprio e releituras de nomes consagrados da música mundial, em 2009 lançou seu primeiro álbum – “AD LIBITUM” contando, neste período, com o músico Valdir Verona na viola de dez cordas e violão e com a participação especial dos percussionistas Edemur Pereira (RS) e Rosa Amélia (MG).

A partir do ano de 2012, além de Esmeralda Frizzo (Piano) e Ricardo Biga (Harmônicas), ingressa ao trio, Tomás Savaris (Violão). Uma eficiente sequência de shows e trabalhos permitiu que o grupo continuasse escrevendo e gravando novo material e, em 2015, o trio ainda mais coeso e maduro, lançou seu segundo disco “ÁRIA TRIO II”. Seguindo o exemplo do primeiro, também aclamado pelo público e crítica. Cada membro do grupo tem em suas composições a marca de sua trajetória pessoal. Esmeralda Frizzo tem a influência do estudo erudito, Tomás Savaris a força do regional brasileiro e sul-americano e Ricardo Biga por sua vez, a conexão com o blues-rock e todos trabalham ao longo de suas carreiras a música popular e regional. Cada integrante preserva as características de seu estilo em suas composições, mas abre espaço para que os outros músicos do grupo coloquem sua musicalidade na interpretação e arranjos. Isto faz com que o produto final soe realmente como algo único trazendo à música sul-brasileira e latina experimentações com ritmos e estilos do mundo. O disco Ária Trio II contou com a participação do percussionista Marlon Castilhos (Porto Alegre) além do indígena Trio Manari (Pará).

Em 2018 o trio lança o disco “O INIMIGO” da trilha Sonora do curta-metragem homônimo, dirigido pelo recifense Marcos Costa e pelo carioca Alexandre Lima. Os temas do filme foram todos compostos pelo trio e insere o grupo no campo das trilhas de cinema, algo já estudado pelo Ária desde seus primórdios. O grupo, que se apresenta em várias cidades do Brasil, iniciou no ano de 2019, os preparativos às comemorações dos seus vinte anos de trajetória (completados em 2020) com a produção e gravação do novo álbum, a ser lançado em breve, e em 2020 iniciaram o projeto “Concerto Interior” onde apresentam seu repertório pelas capelas interioranas da Serra Gaúcha. Com a chegada da pandemia pelo Covid o grupo suspendeu as apresentações ao vivo e encontra-se exibindo o projeto ao longo de 2021 em forma de lives gravadas no interior e exibidas em plataformas online.

Segue abaixo entrevista com Ária Trio para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistados por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 20.09.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros Ária Trio?

Ária Trio: Ricardo Biga (Harmônicas), nasceu no dia 21.06.1968 em Caxias do Sul – RS. Tomás Savaris (Violão), nasceu no dia 20.07.1984 em Porto Alegre – RS. Esmeralda Frizzo (Teclado), nasceu no dia 10.03.1975 em Canela – RS.

02) RM: Como foi o primeiro contato dos membros da banda com a música. 

Ária Trio: Ricardo Biga, sou neto e filho de músicos que atuavam em banda marcial no interior do Rio Grande do Sul no início do século XX, tive a música como elemento rotineiro desde sua infância. 

Tomás Savaris: fui influenciado pelo meu irmão mais velho que tocava acordeon. Conto que ao assistir um show quando criança, ao ver um músico cantando, tocando, eu decidi que seria como ele.

Esmeralda Frizzo: eu iniciei os estudos de música ainda criança, aos 5 anos de idade, quando foi presentada com um acordeon por um tio, depois passou para o piano.

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda?

Ária Trio: Esmeralda Frizzo: Licenciatura Plena em Artes Cênicas pela UFSM – Universidade Federal de Santa Maria, Pós-graduação em Psicopedagogia pelo IESDE e Universidade Castelo Branco.

Ricardo Biga:  Técnico em Química e licenciando em Música pela UCS – Universidade de Caxias do Sul.

Tomás Savaris: Bacharel em Direito a licenciando em Música pela UCS – Universidade de Caxias do Sul. 

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros do Ária Trio? Quais deixaram de ter importância?

Ária Trio: Esmeralda Frizzo: música instrumental, música popular brasileira e erudito, especialmente Beethoven. Mantém suas influências como importantes até hoje.

Ricardo Biga: tem influência direta do blues e do rock. Porém absorveu de diversas fontes como a MPB, música regional brasileira, erudito e outros.  Acredita que todas as influências vividas terão sempre importância, quer seja na formação pessoal como no entendimento e compreensão da linha de tempo histórico-musical.

Tomás Savaris: na adolescência, Sepultura e Astor Piazzola, apesar de muito distintos. Hoje escuta muita música sul-americana de raiz e jazz (variados estilos). A influência adquirida mantém a importância.

05) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome do Ária Trio?

Ária Trio: O Ária Trio iniciou as atividades no ano de 2000 em Caxias do Sul – RS a partir do trabalho de professores da Teclas & Cordas – Cursos de Música. A formação inicial já contava com Esmeralda Frizzo e Ricardo Biga. Tomas Savaris entrou no Trio em 2012. O nome “ÁRIA TRIO” se deve ao formato que simpatiza com a música de câmara e ao fato de que as obras sempre privilegiam o momento “solista” dos integrantes.

06) RM: Quantos discos lançados?

Ária Trio: São três discos: “Add Libitum” (2009), “Ária Trio II” (2015), “O Inimigo” (2018).

07) RM: Como define o estilo musical do Trio?

Ária Trio: O Trio se credita como “World Music instrumental” devido as influências distintas de cada integrante e que ficam impressas na obra do Ária Trio. O mix de influências acaba gerando uma sonoridade única. Esmeralda Frizzo com formação erudita, Tomas Savaris com o regional e jazz e Ricardo Biga com Blues-Rock.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Ária Trio: Esmeralda Frizzo: apesar de ter trabalhado em canto coral, dedica-se ao piano atualmente.

Ricardo Biga: define-se como um cronista que conta sobre o que acontece ao seu redor.

Tomás Savaris: apesar de violonista, crê que todo músico deve ter conhecimento vocal.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Ária Trio: Ângela Maria, Elis Regina, Steve Tyler, Nelson Gonçalves, Etta James, Steve Perry, Aretha Franklin, Edih Piaf, Elton John, Luciano Pavarotti e outros.

10) RM: Como é o processo de composição musical dentro do Ária Trio? Quem faz a letra e melodia?

Ária Trio: Todos os integrantes compõem melodias. O compositor apresenta a peça ao trio e cada qual opina nos arranjos colocando sua identidade e influências na obra do outro, tornando assim as composições mais ricas em âmbito geral. Não fazemos canções (letra e melodia), só música instrumental.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ária Trio: O quesito favorável deve-se ao fato de que resta uma maior autonomia ao grupo no campo das decisões estratégicas, sejam elas financeiras, de arranjos e afins. O ponto negativo é que a estrutura corporativa e rede de serviços para o desenvolvimento do trabalho, como um todo, fica mais enxuta, o que pode dificultar ações e o impacto delas.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Ária Trio: O grupo tem uma rotina controlada de ensaios, alimenta as redes sociais com informações, vídeos e lançamentos. Procura sempre ter projetos em andamento, incluindo parcerias, e não para de compor material novo.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Ária Trio: O trio pensa que a internet é uma forte ferramenta de divulgação, porém, está sempre sujeita ao “gratuito”. O trabalho remunerado tem que ser revisto e a forma de ganhar com isto muda muito rapidamente. O que se faz necessário é formar o próprio público e entender o que este público quer consumir e em que escala quer consumir. A partir disto monta-se uma estratégia de venda e divulgação de produtos sejam eles shows, discos, projetos e afins.

14) RM: Como vocês analisam o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Ária Trio: O grupo acredita ser muito difícil analisar o cenário musical nos dias atuais. Existem diferentes frentes da música atuando e devido a várias questões, principalmente a pandemia do Covid-19, o jeito de pensar música como profissão está em ampla mutação. A indústria fonográfica certamente é um dos braços da música que mais sentem as mudanças e agora a indústria do entretenimento também… Assim, os destaques musicais vão sendo cada vez mais passageiros (falando em mainstream) restando aos grupos e artistas que formam seu público menor e mais cativo a sobrevivência nestes tempos.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Ária Trio: O home Studio tem a grande vantagem de baratear o custo da produção e, se bem montado, ter a mesma qualidade de um estúdio profissional. O artista deve atentar, porém, ao fato de ser acompanhado por um produtor sempre que possível para evitar os erros comuns aos trabalhos de auto produção. 

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ária Trio: João Carlos Martins, Nelson Freire, Elvira Drumonnd, Zé Ramalho, Yamandu Costa, Trio Corrente, Alceu Valença, Marisa Monte, Eduardo Falaschi e outros. 

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Ária Trio: Esmeralda Frizzo: Em um recital em Porto Alegre – RS, no meio da apresentação o piano apresentou problemas em algumas teclas, quando acionadas, elas não voltavam a subir.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ária Trio: Cremos que a alegria maior é poder trabalhar com o que amamos fazer e a maior tristeza é saber que o reconhecimento à arte é tão mínimo em nosso país.

19) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ária Trio: Tocarão sim. Mas em algumas estações direcionadas e com o alcance completamente nichado. Vale salientar que isso não é ruim, pois a diferença está só na quantidade! Pessoas sempre serão alcançadas e atingidas.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ária Trio: Não confunda Fama com Sucesso.

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Ária Trio: Algumas pessoas possuem maior facilidade pois tem maior inteligência musical, porém tal inteligência é altamente possível de ser desenvolvida. Uma pessoa dedicada que possui dificuldades tem potencial de desenvolver mais que uma pessoa com facilidade, mas que não se esforça em desenvolver.

22) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Ária Trio: Festival de música é bom para mostrar realmente o trabalho. As pessoas não estão lá por causa do artista, estão lá pelo festival, porém é tocar para pessoas que nunca escutariam sua música no dia a dia e, dessa forma, o festival se torna uma ferramenta para captação de público.

23) RM: Festivais de Música revela novos talentos?

Ária Trio: Sim. Pois normalmente o músico será escutado independente de seu currículo. O público de festival de música gosta de surpresas!

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Ária Trio: Achamos sofrível a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira. Grandes grupos são só vistos por quem pesquisa muito sobre eles no Brasil. Isso se dá pelo fato de que a música não é vista como um produto que tenha valor por si só. Em outras palavras, considera-se apenas música para festa, música para beber, música para brincar, ou música para qualquer outra coisa…. nunca música por ser música, pelo seu valor artístico e de mensagem.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Ária Trio: Apoiam e promovem mais a cultura do que qualquer órgão governamental! São grandes agentes de fomento cultural!

26) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Ária Trio: Atualmente não temos mais este circuito. A pandemia pelo Covid 19 acabou por encerrar a atividade de musical. Nos resta esperar a reabertura dos locais e entender as novas formas de música ao vivo.

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ária Trio: Estamos gravando um novo disco a ser lançado em 2022, temos um projeto em andamento de concertos pelas localidades do interior da Caxias do Sul – RS e esboços de novos projetos de circulação que devem sair do papel conforme as novas normas sobre o Covid 19 forem sendo redigidas.

28) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Ária Trio: (54) 99971.3479 | https://www.ariatrio.com | https://web.facebook.com/ariatriocxs 

| https://web.facebook.com/ricardo.biga | https://www.instagram.com/aria.trio 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCzd4tFPRuNFfZKjH51v_Zrg 

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=3tlEj-5Eg2s&list=PL95nHTly6XrzPtCpbvmb4dBBRZZAye9g9  

ÁRIA TRIO – Concerto Interior – Santo Anton (Santo Antão) – Caxias do Sul – RS: https://www.youtube.com/watch?v=jaFskLDtnyE 

ÁRIA TRIO – Concerto Interior – Capela Santa Tereza – Réplica de Caxias do Sul Antiga (1885) – RS: https://www.youtube.com/watch?v=kU53iqHyUfk 

ÁRIA TRIO – Concerto Interior – Nossa Senhora da Neves – Caxias do Sul – RS: https://www.youtube.com/watch?v=xv3OwfyqGWM  

Ária Trio – Concerto Interior – São Romédio – Caxias do Sul – RS: https://www.youtube.com/watch?v=NcTDDv8JcUc 

Ária Trio – Concerto Interior – Fazenda Souza – Caxias do Sul – RS: https://www.youtube.com/watch?v=5sT1tQInx-M


Continua após a Publicidade
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Disqus Comments Loading...
Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
    Continua após a Publicidade

Artigos Recentes

Qual a utilidade do crítico ou influenciador musical?

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa Crítico de música escreve comentários ou “teses” sobre música,…

% dias atrás

Irivan Lima

O cantor, compositor, violonista paraibano Irivan Lima, é de uma família musical e em 1970…

% dias atrás

Lucimar

O cantor, compositor, multi-instrumentista, arranjador, produtor musical tocantinense Lucimar, filho de músico amador, cresceu ouvindo…

% dias atrás

Banda Tribo do Sol

Tribo do Sol, como banda de reggae, está inspirada nas células rítmicas e nos temas…

% dias atrás

Ilmar Cavalcante

Ilmar Cavalcante, compositor paraibano, nasceu no dia 19 de outubro de 1970, em João Pessoa-PB,…

% dias atrás

Banda Província Roots

A banda Província Roots se revela como a promessa da nova geração do reggae local.…

% dias atrás
Continua após a Publicidade

Este website usa cookies.