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Categorias: Entrevistas

André Siqueira


Compositor, arranjador, multi-instrumentista paulista André Siqueira, também é doutor em Ciências Sociais pela UNESP e mestre em música pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Graduado em música pela Universidade Estadual de  Londrina – PR, instituição da qual é docente desde 2008.

É autor do livro “Giacinto Scelsi: improvisação, orientalismo e escritura” lançado pela EDUEL em 2011, no qual discute os procedimentos composicionais e a biografia do compositor italiano. Ministrou a conferência; A         voz do morro: samba         e resistência cultural no âmbito do Colóquio Internacional “Voci   dal     margine. La letteratura di ghetto, favela, frontiera” realizado em maio na Universidade de Siena – Itália e     publicado no livro de mesmo nome em janeiro de2012. Participa da   segunda edição da Virtual Guitar Orchestra, tocando junto com vários violonistas a música “Scient, safe and sane” de Sérgio Assad.

Foi professor do curso de arranjo para violão no 40º CIVEBRA em Brasília – DF (2020). Produziu e participou como violonista do festival online “violões em rede” realizado entre os dias 06 e 09 de julho de      2020 e contou com grandes nomes do instrumento. Em  2019 lançou o álbum “Solo” pela gravadora Kuarup, no qual apresenta arranjos de clássicos da  música brasileira para violão e violão barítono. Finalista do prêmio “Novas 4” (2019), idealizado e produzido pela   violonista francesa Elodie Bouny, com a música “Canto da praia”. Finalista       do prêmio     profissionais da música nos anos 2019, 2018 e 2017.

Menção honrosa com         o álbum “Catamarã” no prêmio “Embrulhador” 2017. Utiliza vários instrumentos como meio para a construção        de sua escritura musical; flautas, guitarra elétrica, violões, viola caipira, contrabaixo e guitarra portuguesa. Sua trajetória é composta por experiências diversas em cultura popular e por pesquisas em música contemporânea tendo gravado com vários músicos e participado de diversas mostras e festivais. Foi selecionado pelo    programa Rumos Itaú Cultural / Música na categoria coletivo no biênio 2010-2012 dentro do qual, em março de 2012, participou de um show em comemoração aos 25 anos do Instituto Itaú Cultural tocando com Gilberto Gil.

Em novembro de 2009 participou do projeto Vozes de Mestres – Festival Internacional de Cultura Popular – realizado em Natal-RN,         junto com a cantora Déa Trancoso onde dividiu o palco com Egberto         Gismonti. Participou em 2007 da gravação do   DVD – “Violeiros do Brasil” com         produção de Myrian Taubkin,      acompanhando Pereira da Viola, dentro deste projeto         já dividiu palco com Almir Sater, Pena Branca, Paulo Freire, Ivan Vilela, entre outros. Foi professor de várias edições do Festival Internacional de Música de Londrina, ministrando cursos de percepção, guitarra e      prática de Jazz e MPB.

Foi professor de violão e improvisação na Universidade Federal de Ouro Preto e no Projeto “Arena            da Cultura” da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte no período de 2004 a 2007. Em 2006 participou do 2º CINEPORT – Festival de cinema de países de línguas portuguesas, na cidade de Lagos – Portugal. Foi diretor artístico e curador do projeto “Viola Popular” realizado em         Belo Horizonte – MG, também em 2006, através da Lei Estadual de        Incentivo à Cultura e com  patrocínio da Natura Musical, no qual “mestres” de cultura popular dividiram o palco com músicos que utilizam linguagens contemporâneas.

Em 2005 foi finalista do Prêmio Syngenta de Viola Caipira, realizado no Teatro        Alfa, em São Paulo – SP. Atuou como produtor/diretor musical e      arranjador nos trabalhos de Déa Trancoso, Luca Bernar, Pereira da Viola,  Rodrigo Delage, Rubinho do Vale, Titane, Wilson Dias, Zeca            Collares, além de seu próprio trabalho como compositor e instrumentista no qual música brasileira       e improvisação surgem como        elementos principais.          Possui quatro CDs gravados, “Lithos” (2001), “Afternoon Improvisations – Contemporary

Music for 2 Guitars” em parceira com o violonista Camilo Carrara (2014) e

Catamarã (2016), recentemente lançado e que conta com apresentação do renomado músico Egberto Gismonti, e “Solo” (2019) pela gravadora Kuarup.

Segue abaixo entrevista exclusiva com André Siqueira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15.10.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

André Siqueira: Nasci no dia 02.02.1976 em Palmital – SP. Registrado como André Ricardo Siqueira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

André Siqueira: Que me lembre desde os dois anos de idade, meu pai João Batista Siqueira tocava violão, guitarra e tio “Chico Faceiro” me levava para assistir folias de Reis e às duplas de música caipira que tocavam na rádio de Palmital – SP aos domingos de manhã. Eu devia ouvir muita música da Jovem Guarda por conta do meu pai (influência esta que não ficou) e música de matriz rural por influência do meu tio, influência que está presente até os dias de hoje.

02) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

André Siqueira: Minha formação musical primeira vem de “brincar” com o instrumento, iniciei os estudos de violão com 7 anos de idade de forma autodidata e mais tarde estudei percussão e instrumentos de sopros na Lira Maestro Roque Soares de Almeida, em Paraguaçu Paulista, cidade onde morei a maior parte da minha infância e adolescência. Estudei música “formal” com o maestro Cícero Siqueira (sem nenhum parentesco comigo) e acabei por tocar trompete nesta agremiação musical, dos 13 aos 16 anos. Neste espaço entrei em contato com a música de Häendel, Bach, Purcel e com as marchas e dobrados tradicionais das bandas de música, paralelamente a isto eu tocava guitarra em bandas de rock e já tinha a improvisação e a composição como nortes certos na minha vida.

Aos 16 anos conheci um grande mestre, Paulo Estevão Andrade, o Tevão, que me iniciou em um estudo de guitarra elétrica e que no pouco tempo que tive aula, 6 meses, mudou minha forma de pensar e fazer música. A partir da influência do Tevão foi que resolvi me mudar para Londrina – PR para cursa Licenciatura em Música. Neste momento em diante passei por muitas diferentes experiências no aprendizado musical, tive a oportunidade de estudar com grandes professores, muitos deles alunos e/ou discípulos de Hans-Joachim Koellreuter (compositor, professor e musicólogo de origem alemã. Mudou-se para o Brasil em 1937 e tornou-se um dos nomes mais influentes na vida musical no país). O que me abriu a minha mente e os ouvidos para a música dita “contemporânea” ou de “vanguarda” termos que fazem cada vez menos sentido para mim.

Mesmo tendo ingressado num curso de Licenciatura em Música, acabei me dedicando muito ao estudo da composição. Meu principal professor foi o Mário Loureiro, mas fiz cursos com João Guilherme Ripper e Ricardo Tachuchian, entre outros. Mas o estudo da composição “estrita” me fez mudar de rumo e acabei voltando cada vez mais para processos improvisação. Isto me levou a o fazer mestrado de 2004 a 2006 sobre o compositor italiano Giacinto Scelsi na UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, o que resultou em um livro, lançado em 2011. Concomitantemente ao mestrado eu tocava ao lado de ícones da cultura popular mineira, como Pereira da Viola, Titane, Déa Trancoso, Rubinho do Vale, Wilson Dias, o que pode ser configurado como um outro mestrado! Após isso voltei ao Paraná, assumindo uma vaga de professor na Universidade Estadual de Londrina para as disciplinas de linguagem e estruturação musical e violão.

Depois de dois anos como docente efetivo eu ingressei no doutorado, já com outra perspectiva: a de estudar a música nos filmes de Glauber Rocha (da década de 1960) sob a ótica do pensamento social brasileiro. O doutorado foi realizado entre 2010 e 2014 na área de Ciências Sociais da UNESP – Universidade Estadual Paulista. Desde então tenho administrado esse viés multifacetado de uma formação híbrida que vai da cultura popular à música contemporânea passando pelo olhar da sociologia também.

Atualmente meu interesse tem recaído cada vez mais sobre o instrumento, principalmente o violão, especificamente com foco na criação musical (improvisação, composição) e nas relações gestuais entre a mão no instrumento – a mão que pensa; porque estes movimentos no instrumento são constituídos por um processo crítico de aquisição de gestos e estabelecem relações íntimas com as intencionalidades criadoras racionais. Assim minha práxis se construiu e se constrói a partir de reflexões acerca da música, do ponto de vista mais abrangente possível, mas, também, dos processos de criação musical e suas relações entre o gesto motor e todo o arcabouço teórico, racional, estruturante que desenvolvemos através do estudo formal.

03) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

André Siqueira: Acho que a música de tradição oral, rural foi e é muito presente. Não só do Brasil, mas do mundo. Mas lembro de coisas impactantes da adolescência, Bach, Purcell, Händell, música caipira e bandas de rock, especificamente Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath Jethro Tull, Simon & Garfunkel, Beatles (desde criança) e Yes. Como morava em uma cidade que não me possibilitava informações musicais em abundância, os primeiros discos que ouvi era de um amigo, o Russo, ele havia herdado os discos do irmão e o que nós tínhamos para ouvir eram estes. Portanto a influência destas bandas específicas e não de outras. Mas além disso havia as retretas no coreto da praça nas quais eu tocava trompete, junto a músicos mais velhos e outros adolescentes como eu, portanto não posso deixar de salientar as marchas, dobrados e valsas que chegavam a mim, primeiro através das partituras que estudávamos e depois do som da banda.

04) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

André Siqueira: Acredito que a carreira inicia quando decidimos sermos músicos. Essa certeza me veio aos 10 ou 11 anos de idade quando assisti pela primeira vez músicos profissionais tocando. Era o grupo de percussão do Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí – SP. Sob a direção e regência do professor Javier Calvino, ouvi pela primeira vez John Cage, Steve Reich, Chick Corea entre outras coisas maravilhosas que me fizeram ter o seguinte pensamento: é isto que quero fazer o resto da minha vida! Tocar, compor, fazer música, viver para a música e estar no palco em interação com outros músicos e com o público.

05) RM: Quantos CDs lançados? 

André Siqueira: Álbuns meus são cinco: “Lithos” (2003), “Afternoon Improvisation” (2012), junto com meu querido amigo Camilo Carrara, “Catamarã” (2016), “Solo” (2019), “Da outra margem: André Siqueira visita Toninho Ferragutti” (2021). Este acabou de ser lançado no formato físico e será lançado nas plataformas dia 15.10.2021.

Como participação são vários, mais de 30 álbuns. Mas alguns discos eu considero um pouco meus também, principalmente aqueles nos quais trabalhei como arranjador e fiz a direção musical. Eu citarei três trabalhos que considero importantes desta faceta de arranjador e diretor musical: “Akpalô” de Pereira da Viola, foi meu primeiro trabalho quando cheguei em Belo Horizonte – MG em 2004. Até hoje me surpreendo com a maturidade dos arranjos e com a sonoridade do disco que contou com a técnica de um grande amigo Elias Issa e com músicos maravilhosos, só para citar alguns: Esdras Neném e Ivan Correia além de Titane. Para mim esse disco tem um sabor gostoso, de assumir a frente de um trabalho tocando, arranjando e dirigindo. Eu tinha 28 anos à época.

Outro trabalho que considero importante são os três discos “Picuá”, “Mucuta”, “Lume”, que arranjei / toquei / produzi do violeiro Wilson Dias, de Belo Horizonte – MG.

O disco “Águas de uma saudade” de Rodrigo Delage também me deixou muito feliz. Além disso as participações em discos da Titane, Rubinho do Vale, Tau Brasil, Paulo Vitor Poloni, Rodrigo Garcia Lopes, sempre me alegram muito. E um trabalho que não foi necessariamente um disco, mas que é um divisor de águas na minha música foram os shows das turnês do disco Tum Tum Tum de Déa Trancoso. Eu não gravei o disco, mas fiz quase todos os shows e este trabalho foi um marco principalmente pela energia musical que era trocada entre mim, Tabajara Belo e Déa no palco. Aprendi e aprendo muito com eles até hoje.

06) RM: Como você define o seu estilo musical?

André Siqueira: Muito difícil… eu tenho diversas experiências… Posso tocar Blues e Rock, pop, dentro da linguagem, ou música improvisada, ou acompanhar outros músicos e cantoras, cantores; gosto muito de acompanhar acho um trabalho delicioso. Mas também tenho me dedicado nos últimos anos ao violão solo, o que exige um grau de acuidade maior do que estes outros trabalhos citados anteriormente. Como toco vários instrumentos de cordas dedilhadas e flauta transversal, em cada um deles acabo adquirindo uma característica. Se eu fosse resumir eu traria a ideia de uma influência grande de um renascimento / barroco imaginário, com o contraponto em primeiro plano, buscando um alivio das tensões harmônicas (aquelas derivadas do Jazz). E a ideia de que o fluxo rítmico é a pulsão de vida que deve ser preservada a qualquer custo; este custo obviamente são os outros elementos, principalmente o colorido harmônico. Então eu seria uma espécie de caipira improvisador espectral renascentista (risos).

07) RM: Como é o seu processo de compor?

André Siqueira: Multifacetado. A partir do instrumento, a partir do texto musical (lápis, papel pautado e/ou software de edição), ambos ao mesmo tempo. Mas tendo quase sempre a improvisação como norte, seja ela mental ou nos instrumentos. Considero-me um manipulador de sons.

08) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

André Siqueira: Não tenho parcerias frequentes, tenho alguma coisa com a Déa Trancoso, e tenho um disco de improvisação livre com o Camilo Carrara. De resto ainda não tive oportunidade de trabalhar com parcerias mais dentro desses moldes. Lembrando que o processo de arranjar e/ou dirigir um trabalho é uma linda forma de parceria.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

André Siqueira: Na minha geração não tivemos nem o vislumbre de ter uma carreira musical que não fosse independente, então só consigo ver os prós. Uma coisa que aprendi é que enquanto não colocamos nossa energia vital no trabalho, ele não acontece. Outra coisa que precisamos refletir, principalmente nos dias de hoje, de excesso de exposição nas mídias sociais o que significa essa independência. Pois vejo muitos músicos fazendo música para agradar ou se inserir neste ou naquele nicho. Isto é escravidão. Temos de ser fiéis à nossa música, seja ela qual for.

10) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

André Siqueira: Procuro desenvolver uma constância no estudo do instrumento e da música. Isso é o mais importante para mim, se eu não estiver bem preparado não terei o prazer estar no palco. Então acredito que a música é sempre o mais importante, de resto são estratégias comuns de divulgação do trabalho, inscrição em festivais, viagens para tocar (muitas vezes sem cachê) para divulgar o trabalho. E a busca de maneiras de romper com este ciclo vicioso de hegemonia das grandes capitais no controle do mercado musical. Seja do ponto de vista de shows ou de gravações etc.

11) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

André Siqueira: Além de estar focado na divulgação da música que faço, e me manter em dia com a técnica e com a música propriamente dita, realizei recentemente duas campanhas de financiamento coletivo para viabilizar projetos de álbuns. O primeiro foi em 2016 com o álbum “Catamarã” e agora em 2021, para o álbum “Da outra margem”, que tem lançamento programado para o dia 15.10.21. Esta categoria de financiamento nos proporciona um contato próximo com aqueles que realmente acreditam e gostam da nossa música. Se bem realizada é uma potente ferramenta para viabilizar projetos.

12) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

André Siqueira: A internet só ajuda, não prejudica. A Internet em si é uma ferramenta maravilhosa, o uso que se faz dela é que muitas vezes gera prejuízos. Um exemplo são as plataformas digitais que, além de não remunerar de forma digna nosso trabalho, praticamente nos obriga a estarmos vinculados a elas. Se não disponibilizamos nosso trabalho de graça passamos a estar fora do mercado musical e da possibilidade de acesso das pessoas, se o fazemos, não recebemos nada ou muito pouco. Enfim, é um tipo de usura que terá de ser cessada, revista ou corrigida.

13) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)? 

André Siqueira: Só vejo vantagens no home estúdio, seja como possibilidade de estudo ou, para quem consegue gravar com o mínimo de qualidade, a possibilidade de criar esses produtos com um custo bem reduzido.

14) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

André Siqueira: Ainda estou nessa luta, acredito que falar para meu público, o público que tem interesse por minha música, e ir ampliando este círculo aos poucos de forma natural é uma boa saída. A dificuldade maior hoje, é a mesma de sempre, ser ouvido, ter a música inserida em círculos maiores. Se antes havia os “jabás” nas rádios, hoje esta prática migrou para as playists… Ou seja, de modo efetivo tivemos pouco mudança no pensamento predatório de quem comando o esquema.

15) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental no Brasil. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

André Siqueira: A música instrumental brasileira hoje é a grande detentora da criatividade, empenho, dedicação e excelência. Nunca antes tivemos essa quantidade de músicos de tão alto nível. Não vou falar sobre revelações ou regressões, porque o fato de trilhar esse caminho já é louvável, num país que tanto nos maltrata.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

André Siqueira: O Egberto Gismonti é um deles, Hermeto Pascoal seria outro, mas também, André Mehmari, Hamilton de Holanda, Toninho Ferragutti, Ricardo Herz, além é claro de Paulo Bellinati, Marco Pereira, entre muitos outros.

17) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

André Siqueira: Sou muito grato por ser músico e nunca nem pensei em ser outra coisa, então mesmo quando as condições não são as ideais, eu agradeço por poder fazer minha música. Esta falta de apoio e essa regressão do gosto musical do brasileiro me entristece.

18) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

André Siqueira: Talvez toquem nas rádios universitárias, a minha música, atualmente, não me parece com tendências comerciais, o gosto musical do brasileiro piorou muito. Enquanto não houver o acesso à educação musical de forma massiva, não vejo saída para essa barbárie instaurada.

19) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

André Siqueira: Estude e faça a música que te brilha nos olhos.

20) RM: Quais os violonistas que você admira?

André Siqueira: Muitos… Lá de trás: João Pernambuco, Laurindo de Almeida, Garoto. Da geração anterior a minha, Paulo Bellinati, Joyce Moreno, Marco Pereira, Cristina Azuma, da geração atual são muitos, entre eles meus queridos amigos Tabajara Belo, Elodie Bouny, Carlos Walter, Camilo Carrara, Swami Jr. E tem os mais jovens que vem tocando muito entre eles eu destacaria a Gabriele Leite e a Ana Clara Guerra. De fora do Brasil os que mais escutei foram Julian Bream, Ralph Towner, da nova geração me impressionam o Thomas Villetau, Kevin Seddik, entre muitos outros.

21) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

André Siqueira: Todos os que gosto, e a lista é imensa. Mas poderia sintetizar entre Carlo Gesualdo, Domenico Scarlatti, Alexander Scriabin, Béla Bartók, Heitor Villa-Lobos, Edgar Varese, Claudio Santoro, Ígor Stravinski, Giacinto Scelsi, Olivier Messiaen, Samuel Barber. Só para dizer alguns, mas são muitos…

22) RM: Quais os compositores populares que você admira?

André Siqueira: Passoca, Tom Jobim, Edu Lobo, Chico Buarque, Pereira da Viola, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Cartola, Joyce Moreno, Paulo Freire (violeiro) Paulinho da Viola, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Tom Zé, José Miguel Wisnik, Luis Tatit, Kristoff Silva, Irene Bertachini, Déa Trancoso, entre muitos outros e outras.

23) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

André Siqueira: Francis Hime, Edu Lobo, Tom Jobim e Jhonny Alf.

24) RM: Apresente seu trabalho de pesquisa de mestrado e doutorado.

André Siqueira: O de mestrado foi sobre o compositor italiano Giacinto Scelsi, estudando aspectos sobre improvisação, orientalismo e escritura. O doutorado foi sobre a trilha sonora nos filmes de Glauber Rocha da década de 1960, mais especificamente “Deus e o diabo”, “Terra em transe”, “O dragão da maldade”. Estudei aspectos sobre música, pensamento social brasileiro e nacionalismo.

25) RM: Quais as diferenças técnicas entre o Violão Erudito e Popular? 

André Siqueira: Acredito que cada vez mais, faça menos sentido essa divisão… Poderíamos falar em diferenças na sonoridade e capacidade de improvisação, mas atualmente os estudantes já estão caminhando nessas duas veredas.

26) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom violonista?

André Siqueira: São muitas coisas a estudar, eu acredito muito em dois caminhos paralelos, o estudo do instrumento e tudo o que isso carrega e o estudo da estruturação musical, também com o universo todo que essa área carrega.

27) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical? 

André Siqueira: Duas coisas definem a improvisação: os modelos envolvidos, que mudam em cada estilo e gênero musical e o risco. Improvisar é correr riscos.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

André Siqueira: Nunca estudei nenhum método de improvisação a fundo, então, não poso opinar muito, mas o que vejo muito são receitas prontas… e… improvisar é uma forma de contato com a música, uma forma de estar no mundo e uma forma de se conectar com a música de modo profundo.

29) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

André Siqueira: Eu acredito que os livros de harmonia são essenciais ao músico, é importante estudar o Arnold Schönberg, e alguns outros como o do Robert Gauldin. Mas é importante aplicar, harmonia é som, é mão no instrumento ou mão na criação musical, composição, arranjo. É assim que se aprende… Não sou muito adepto de métodos. Gosto de abordagens mais completas e complexas.

30) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Carlos Walter?

André Siqueira: Além de ser um dos grandes violonistas brasileiros, é um grande amigo. Um sujeito de alma ímpar, generosidade exemplar e uma figura humana que eu amo. Acredito que o Carlos Walter condensa em si muitas qualidades que os músicos e pessoas em geral, é claro, deveriam observar e aprender. Sou um grande fã dele.

31) RM: Quais os prós e contras de ser multi-instrumentista?

André Siqueira: Prós: ter uma visão diversificada sobre modos de produção sonora em diversos instrumentos. Isto, com certeza nos ajuda a pensar música de modo mais amplo. Contras: é muito difícil, conforme vamos ganhando proficiência nestes instrumentos, manter o nível técnico alto em todos eles. Eu escolhi o violão como instrumento principal e os outros vem a reboque…

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

André Siqueira: Tenho muito trabalho pela frente na divulgação deste novo projeto, “Da outra margem: André Siqueira visita Toninho Ferragutti” no qual gravei um álbum todo dedicado à obra desse grande músico brasileiro. Estou na fase de lançamento do disco e querendo atingir o máximo de pessoas com este trabalho que, modéstia às favas, ficou muito bonito. Além desse trabalho acabei de gravar um álbum com a cantora Natália Lepri, aqui de Londrina e também está lindo. Pretendo lançar esse álbum no início de 2022.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

André Siqueira: (43) 99148 – 9528 | andrersiqueira@gmail.com

| www.andresiqueira.art.br | andrersiqueira@gmail.com

| https://www.instagram.com/andrersiqueira

| https://www.youtube.com/andrersiqueira | https://www.facebook.com/andrersiqueira

| https://www.facebook.com/andresiqueiraguitar 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC7dZf3IF4OEODWneXYGeqPw 

Playlis Solo: https://www.youtube.com/watch?v=RljVFLtDKy8&list=OLAK5uy_lHBGE6KlHjYivpTws6sS7z_6-fkQ8dijQ 

Playlist Catamarã: https://www.youtube.com/watch?v=MH66DROKDjc&list=OLAK5uy_m9U-wRR9tqBwFoplPjSAcp9avxZifniZY 

Playlist Afternoon Improvisations – Contemporary Music for 2: https://www.youtube.com/watch?v=4E9oGSjp8f0&list=OLAK5uy_nMbXKOT3yFxkdL7tKt9p6KOLbQ3KZ7IyE 

Playlist Lithos: https://www.youtube.com/watch?v=bx5Nes9F9U8&list=OLAK5uy_nzNI5XiGKPKrIS8YS3L1jfHtT5wTr2IS4


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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