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Categorias: Entrevistas

Amauri Falabella


Tempo de Leitura: 6 minutos

O cantor, compositor paulistano Amauri Falabella vem de uma escola musical que conta com a forte influência de vários estilos musicais, de diversas regiões do Brasil, como Elomar, Dércio Marques, Vidal França, Xangai, João Ba, Vital Farias.

Amauri Falabella pode ser considerado um “Trovador” moderno, mas de linhagem antiguíssima. Desde que venceu no ano 2000 o “Prêmio Especial do Júri Popular no Festival da Musica Brasileira da Rede Globo”, com a canção “Brincos”, que obteve 60% da votação, ele segue firme na trajetória peculiar da nova safra de valores da MPB, a de artistas comprometidos em cantar o que acreditam.

O seu primeiro CD – “Ciranda Lunar” (2001), foi à concretização de um sonho acalentado por mais de vinte anos, e foi produzido por ele mesmo com o requinte e a técnica que se tornariam sua marca registrada e emoldurando de puro lirismo canções inspiradas na arte popular. Já no segundo CD – “Violeiro Urbano” (2005), Amauri Falabella segue a trilha de “Ciranda Lunar”, porém com um importante diferencial: agora, o cantor e compositor demonstra sua paixão pela Viola caipira, instrumento que simboliza a fidelidade às raízes mais profundas da música brasileira, inicialmente de cunho rural, posteriormente se alastrando e chegando a zona urbana.

Neste CD, seus arranjos são concebidos tendo como fio condutor, o traço comum que une todas as músicas: o respeito à natureza e o amor às coisas simples e verdadeiras. “Violeiro Urbano”, a música que dá nome ao CD explica seu apego à viola caipira e o próprio título, pois ele sempre viveu na cidade grande.

O terceiro CD – “Amauri Falabella” (2009), ainda sob o signo da Viola, mas sobretudo sob o signo da Lua Nova. O tema lunar é uma constante conhecida em Amauri Falabella desde “Ciranda Lunar”, depois de “Brincos”, provavelmente sua música mais gravada por outros artistas, entre eles Dércio Marques e Dani Lasálvia.

Em o CD – “Parceria” (2015) junta um time de poetas e músicos de primeira grandeza: Kátya Teixeira, Consuelo de Paula, Sonya Prazeres, Chico Branco, Socorro Lira e outros fazem uma “arreunião” (ele toma emprestada a expressão de Chico Maranhão, eternizada por Doroty Marques), dispostos a passar o Brasil a limpo.

O resultado é um trabalho que pode ser chamado uma síntese da música brasileira das últimas décadas, agregando fidelidade às tradições, preocupação com a natureza, sem deixar de lado a beleza e o amor. Amauri Falabella é ao mesmo tempo suserano e servo da arte musical.

Empunha seu instrumento como um lavrador empunha a enxada ou um escritor a pena; é poeta do ar, das flores, das águas, dos amores, das amizades. E assim viaja mundos, reais ou imaginários, como uma ave benfazeja e encantatória. Sua música é florida, se ouve junto o marulhar de águas, cantos de pássaros; tem dentro de si o Brasil, suas cores, seus ritmos, suas melodias.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Amauri Falabella para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 30.03.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Amauri Falabella: Nasci no dia 07 junho de 1964 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Amauri Falabella: Com meus pais, meu pai Olímpio Falabella tocava violão e cantava muito bem e me ensinou os primeiros acordes.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Amauri Falabella: Sou meio autodidata e frequentei o Conservatório municipal de Guarulhos – SP pouco mais de um ano e estudei Viola caipira com o professor Rui Torneze por um ano.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Amauri Falabella: Tive muitas influências ao longo da vida, em casa se ouvia de tudo um pouco. Eu comecei tirando no violão músicas de Benito di Paula, Jorge Bem Jor na infância. Depois comecei a ouvir Zé Ramalho, Fagner, Belchior, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ednardo, mas depois que conheci o trabalho de Elomar, Dércio Marques e Vital Farias e tudo mudou. Penso que o que ouvi e toquei no passado nunca deixou de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Amauri Falabella: Comecei a tocar em Barzinhos em 1980, então considero essa data.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Amauri Falabella: São quatro CDs: “Ciranda Lunar” em 2001, participaram: Nei Couteiro, Renato Anesi, Marcus Santurys, Dércio Marques, Juh Vieira, Miriam Maria, Dani Lasalvia, Helton Gomes, Sidnei Sales, Paulo Moraes, Gabriel Levi. O CD – “Violeiro Urbano” em 2005, participaram: Bilora, Nivaldo D”Avila, Beto Santos, Wolf do Vale, Paulo Moraes, Mingo Jacob, Kaique Falabella, Teleu, Edu Bandeira. O CD – “Amauri Falabella” em 2010, participaram: José Ricardo Silva, Rafael Monteiro Dani Lasalvia, Pereira de Manaus. CD – “Parceria” em 2015, participaram: José Ricardo, Rafael Monteiro, Kaique Falabella, Pedro Romão, Mariana Brandão, Carla Raiza, Paulo Moraes , Socorro Lira, Consuelo de Paula, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Ricardo Dutra, Zé Helder, Renato Anesi, Sonya Prazeres. Em 2020 trabalho no novo álbum que se chamará “Cantos de Bendizer”. As músicas mais pedidas são: “Brincos”, “Vida de água”, “Violeiro Urbano”, “Fluente”, “Cilada”

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Amauri Falabella: Não sei.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Amauri Falabella: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Amauri Falabella: Não posso dizer muito, ainda vou me dedicar a isso ou não.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Amauri Falabella: Elomar, Dani Lasalvia, Pereira de Manaus, Kátya Teixeira, Luiz Salgado, Sidnei Sales, Núria Rial, Denise Emmer.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Amauri Falabella: Completamente intuitivo, não tenho um processo definido, mas prefiro fazer melodias sobre letra, quando escrevo uma letra vem junto com a melodia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Amauri Falabella: Chico Branco e Consuelo de Paula.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Amauri Falabella: Lula Barbosa, Dani Lasalvia, Pereira de Manaus, Kátya Teixeira, Dércio Marques, Grupo Terramerica, Helton Gomes.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Amauri Falabella: Não sei dizer. É uma vida comum de muito trabalho, é bom, pois sempre faço o que quero e ruim, pois não ganho muito dinheiro, mas me sinto bem, consigo me manter muito bem.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Amauri Falabella: Nenhuma.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Amauri Falabella: Procuro ser honesto com minha arte.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Amauri Falabella: Sem dúvida ajuda a divulgar meu trabalho musical.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Amauri Falabella: Não sei responder sobre esse tema.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Amauri Falabella: Não faço nada, sigo o meu caminho sem pensar muito nisso.

20) RM: Como você analisa o cenário da música brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Amauri Falabella: Não me sinto a vontade para dizer o que é a música brasileira muito menos analisá-la. Nos últimos anos dos que ficaram famosos e que eu gosto é o Lenine e o Zeca Baleiro.

21) RM:  Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Amauri Falabella: Lenine e o Zeca Baleiro.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Amauri Falabella: Recentemente fiz uma apresentação em que não queriam fornecer cadeiras para mim nem para meus músicos, quando pedi a produção do evento recebi a seguinte resposta: ”não tinha cadeira no edital”. Acredite se quiser.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Amauri Falabella: Mais feliz é quando alguém diz que se sentiu feliz com o trabalho e que de alguma maneira minha música fez bem a ela e mais triste quando não sinto essa felicidade nas pessoas…

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Amauri Falabella: Guarulhos – SP é um grande celeiro artístico conheço muita gente boa.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Amauri Falabella: Nivaldo D”Avila, Armando Leite, Bandallera, Sidnei Sales, Helton Gomes.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Amauri Falabella: Nem penso mais em minhas músicas tocando em rádios.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Amauri Falabella: Faça o que você acredita e gosta.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Amauri Falabella: Não gosto de competição, mas sem dúvida é aonde se encontra música boa e livre de modismos.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

Amauri Falabella: Sim.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Amauri Falabella: Não existe cobertura da grande mídia para a cena musical.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Amauri Falabella: São os espaços que seguram a cultura no país.

32) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Amauri Falabella: Não trabalho Bares faz uns bons 30 anos, mas conhece pessoas que vivem de tocar em Bar e são ótimos músicos.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Amauri Falabella: Gravar um álbum chamado “Cantos de bendizer” que será quase uma continuação do álbum “Parceria”.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Amauri Falabella: SHOWS: amaurifalabella@uol.com.br | amaurifalabella@gmail.com | (11) 2468 – 1072 | (11) 99815 – 9479

CONTEÚDO DIGITAL: Kaique Falabella | kaiquefalabella@gmail.com

| (11) 96366-0089 | www.amaurifalabella.com.br | https://www.facebook.com/amauri.falabella  | http://www.youtube.com/embed/EZOesP7SL_Y


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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