Ailton Rios

Ailton Rios 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Tempo de Leitura: 17 minutos

O multi-instrumentista paulistano Ailton Rios tem formação em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano-CEUCLAR e Gaita Harmônica, Gaita Cromática com Walter Jorge; Gaita Diatônica com Marcos Nakamori depois com Flávio Vajman. Estuda Gaita Cromática com Benê e Ivo (Orquestra Paulista de Gaitas), com Clayber de Sousa.

Cursou: Percepção/Teoria Musical na OMB / SP- Ordem dos Músicos do Brasil com Ivani Zaffarini. Musicalização Infantil para crianças de 07 a 12 anos de idade na M & AT – Música e Artes Tecnológicas com Lília Rosa. Família DO RE MI Composição Musical na Casa de Cultura de Santo Amaro com Jorge Mello. Harmonia Aplicada na Casa de Cultura de São Miguel Paulista com Kaká Moreno. Teoria Musical-Fase I na Academia Musical Pitch & Bend com Sandra Vechio Kison. O Cifrado na Música no Centro de Estudos Musicais Tom Jobim (hoje EMESP Tom Jobim), com Jayme Lessa. Percepção / Teoria Musical na ULM -Universidade Livre de Música “Tom Jobim”. Capacitação: Guia para Educação e Prática Musical em Escolas na ABEMÚSICA, com Márcia Visconti e Maria Zei.

Cursou outros Instrumentos musicais: Flauta Doce no Espaço Cultural Ad Libitum, com Walter Egéa. Flauta Doce na Oficina Cultural “Raul Seixas” do Tatuapé com Douglas Cavalcanti. Flauta Doce na Oficina Cultural “Raul Seixas” do Tatuapé com Rui Cipelli. Flauta Doce no Projeto Sopro Novo Yamaha com Selma Novaes. Flauta Pedagógica AM2 no PTC Musical com Mércia de Oliveira Kolya. Violão Popular na Oficina Cultural “Raul Seixas” do Tatuapé com Marcos Durães, Lukas Thírico, Fernando Mazagão, Oswaldo Juzenas. Violão Popular na Casa de Cultura de Santo Amaro com Paulo Assis. Violão Popular na Oficina Cultural “Luiz Gonzaga” São Miguel Paulista com Marciel Consani, Guto Santos. Técnica Vocal na Oficina Cultural “Raul Seixas” do Tatuapé com Gisele Stebanezz. Técnica Vocal na Oficina Cultural “Luiz Gonzaga” São Miguel Paulista com Rosani Foroni, Lia Martinez. Teclado na Oficina Cultural “Luiz Gonzaga” de São Miguel Paulista com Anselmo Ubiratan. Viola Caipira na ULM – Universidade Livre de Música “Tom Jobim” com Rui Torneze. Viola Caipira na Oficina Cultural “Amácio Mazzaropi” do Brás com Léo de Lima. Viola Caipira na Oficina Cultural “Alfredo Volpi” de Itaquera com Léo de Lima, Alex Faria.

Ailton Rios leciona Gaita desde 1994, Flauta Doce desde 1999, Teoria Musical desde 2000, Viola Caipira desde 2008 e Violão desde 2010, Ukulele a partir de 2019 em Conservatórios e Escolas de Música de São Paulo. Além de aulas particulares, Projetos com o Sindicato dos Bancários (Espaço Cultural Lélia Abramo), com o SESC/SP (Pompéia e Birigui), Faculdade de Belas Artes, Faculdade Maria Montessori: ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, Faculdades Ipiranga, CEUCLAR-Centro Universitário Claretiano. Ele desenvolve também projetos com o Ministério da Cultura (Funarte), Secretarias Estadual e Municipais de Cultura de São Paulo; São Bernardo do Campo; São Caetano do Sul; Oficinas, Reservatórios Culturais, FEBEM/SP/Fundação Casa, Casas de Cultura e Fábricas de Cultura, CEUs, CAJUV e CACJ.

Ailton Rios lançou em 1998 sua VÍDEO-AULA de Gaita Cromática / Diatônica para Iniciantes pela ICB – Indústria Cinematográfica Brasileira em 09/1998. Em 1999 lançou sua VÍDEO-AULA de Gaita Diatônica para Iniciantes reeditada em DVD pela HCM – Hélio Cortez. Participou da gravação do CD – “Luz Além” do cantor/compositor Guru Martins lançado pela Devil Discos em 1999; CD – “Tributo a JUNIOR WELLS” (ao vivo) no Red Onion Bar (Santo André/SP) lançado em 1999 pela Revista BLUES’N’JAZZ; CD – “Sem perder a Ternura Jamais” do jornalista/compositor Tede Silva lançado pela VYW Fonomundi em 2001; CD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira”, gravado ao vivo, lançado pela Kuarup Discos em 2002; DVD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira”, gravado ao vivo, lançado pela Arlequim Discos em 2005. CD – “Orquestra Paulistana de Viola CaipiraViola In Concert”, gravado ao vivo lançado em 2008; CD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira – Viola Sem Fronteiras”, gravado ao vivo em Portugal lançado em 2011; CD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira – 15 Anos”, gravado ao vivo lançado em 2012.

Ailton Rios Além de Workshops, shows individuais e em apresenta-se em locais como Centro Cultural São Paulo e Arte nas Ruas (PMSP), nas Faculdades de Ciências Sociais e Biologia da USP-SP, Faculdade de Belas Artes, Faculdade Maria Montessori, Faculdades Ipiranga, Centro Universitário Claretiano em Bares e Casas de Shows por todo o Brasil. Participa como convidado em shows/Jam Sessions, e em programas de Rádio (Vitrola FM 101, 3, Onze FM 98,9 e outras); em Televisão (SBT, Canal 21, TV Birigui, Canal Universitário, Canal Rural, TV Record, TV Cultura, TV Globo).

Ailton Rios produziu show com a Orquestra Paulista de gaitas (10/98) no Espaço Cultural Lélia Abramo, produziu/participou do evento a “Gaita Em Destaque” com a Orquestra Paulista de Gaitas e Ulysses Cazallas (01/99) no Café dos Bancários, produziu com a Hering Harmônicas o “1º e o 2º InterAção Gaita (Expo Harmônica Show)” no Nobili Hotel (12/01) e no Instituto Cultural Galeria do Rock (04/03), produziu/participou do Gaita Fest (encontro de Gaitistas) na Casa de Cultura Reversão Paulistana em 2006 e como destaque as edições 2008 e 2009.

Ailton Rios integrou a Orquestra Paulista de Gaita de 1994 a 1995; o trio Guiriô Blues (juntamente com Odimar Cardoso no Violão e Voz e Ismael Costa no Violão e Voz) de 1996 a 1999; os Harmônicos em 2007 e a OVCSJC – Orquestra de Viola Caipira de São José dos Campos 2014. É componente da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, Balaio Urbano e do Trio – Rios, Furlan e PiteeAilton Rios estudou a linguagem de Libras (Língua Brasileira de Sinais), inclusão social.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Ailton Rios para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15.11.2019:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ailton Rios: Nasci no dia 15.11.1962 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

Ailton Rios: Lembro-me de minha mãe cantando enquanto lavava roupa no tanque, ela soltava a voz. Pensando nisso agora vejo o quanto à cena é lúdica. Depois me lembro de meu padrasto falando que era sanfoneiro na Bahia, um dia apareceu uma sanfona em casa e ele tocou um pouco.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Ailton Rios: Sou formado em Contabilidade e durante anos trabalhei com Contabilidade/Administração e recentemente formado em Pedagogia no Centro Universitário Claretiano – CEUCLAR. O estudo e a prática musical vieram depois, minha formação musical é livre: Estudei Gaita (Harmônica) com diversos professores particulares, depois estudei outros instrumentos (Violão, Viola Caipira, Flauta Doce, Ukulele), desde professores particulares a projetos culturais: Casas de Cultura, Oficinas Culturais, Centros Culturais, Sesc, ULM – Universidade Livre de Música (hoje CEM – Centro de Estudos Musicais), participei de muitos Workshops e Aulas Abertas.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ailton Rios: Gosto de Música no geral, naturalmente um ou outro estilo musical tem minha preferência. Um ou outro artista despertou mais meu interesse, por motivos diversos, alguns pelas letras, outros pela harmonia. Em geral músicas de cunho “social” como o Blues, a Tropicália, o Punk, o Rock ‘n’ Roll, a MPB dos anos 60/70, entre outros. É claro que hoje a grande mídia já absorveu toda a rebeldia desses estilos musicais, nos dias atuais a coisa está bem mais comercial.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Ailton Rios: Costumo dizer que minha carreira musical começou em 1994, já estava estudando antes, porém não atuava de forma profissional, era só lazer. O entrar na área musical foi por necessidade, nessa época estávamos saindo de uma das diversas crises financeiras que esse país teve e tem, perdi meu emprego (Lembram? Trabalhava com contabilidade/administração), buscando recolocação no mercado comecei a dar aulas de Gaita (Cromática e Diatônica), aí não parei mais.

06) RM: Cite alguns CDs você já participou tocando?

Ailton Rios: Minha VÍDEO-AULA de Gaita Cromática e Diatônica para Iniciantes lançada pela ICB – Indústria Cinematográfica Brasileira em 09/1998. Minha VÍDEO-AULA Gaita Diatônica para iniciantes reeditada em DVD lançada pela HCM – Hélio Cortez Music () em 11/1999. O CD – “Luz Além” do cantor/compositor Guru Martins lançado pela Devil Discos em 08/1999.

O CD – “Tributo a JUNIOR WELLS” (ao vivo) no Red Onion Bar (Santo André/SP) em 03/99 lançamento Revista BLUES’N’JAZZ. O CD – “Sem Perder a Ternura Jamais” do jornalista/compositor Tede Silva lançado pela VYW Fonomundi em 01/2001. O CD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira”, gravado ao vivo, lançado pela Kuarup Discos em 12/2002. O DVD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira”, gravado ao vivo, lançado pela Arlequim Discos em 08/2005. O CD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira” – Viola In Concert, gravado ao vivo lançado em 12/2008. O CD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira” – Viola Sem Fronteiras, gravado ao vivo em Portugal lançado em 12/2011. O CD – “Orquestra Paulistana de Viola Caipira” – 15 Anos, gravado ao vivo lançado em 12/2012.

07) RM: Quais as bandas e artistas que você já tocou?

Ailton Rios: Difícil enumerar, meu trabalho com Gaita já me proporcionou infinitos encontros, é muito normal ir assistir alguma Banda de Blues/Rock do circuito nacional. E ser chamado para uma ou duas canjas, a Comunidade da Gaita também promove muitos Fóruns, Workshops e Mostras daí a ser chamado para uma Jam é muito comum. Fica mais fácil citar alguns nomes no meu trabalho com Viola Caipira, no período que fiz parte da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, aliás, brinco com o maestro Rui Torneze que não saí da Orquestra só estou afastado por conta dos compromissos profissionais / musicais. Pois bem com a Orquestra Paulistana de Viola Caipira, já toquei com o Almir Sater, Inezita Barroso, Zé Geraldo, Renado Teixeira, Agnaldo Rayol, Zé Mulato e Cassiano, Pedro Bento e Zé da Estrada e muitos outros.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Ailton Rios: Tenho poucas composições, tenho mais participação em composições. Recentemente em um Grupo de Gaita em aplicativo de comunicação, tivemos um concurso de Vinheta, em que com muita alegria fui o vencedor com “Vinheta Gaitistas BR” que considero a minha primeira composição. Agora estou compondo uma canção instrumental, o processo é orgânico mesmo, vou compondo os temas (frases musicais) dentro de uma Harmonia e ajustando conforme me agradam.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ailton Rios: Os prós são a liberdade de criação, você é seu patrão. Os contras são as dificuldades na parte financeira para desenvolver a carreira musical.

10) RM: Quais os prós e contras de ser músico freelancer em show e em estúdio trabalhando para outros artistas?

Ailton Rios: Quando se é um artista independente ou freelancer, tem toda a liberdade de trabalho é o próprio patrão, porém a remuneração na maioria das vezes é inferior a um músico que é contratado por uma empresa ou gravadora.

11) RM: Quais outros instrumentos musicais que você toca?

Ailton Rios: Gaita Harmônica, os outros são: Viola Caipira, Violão, Flauta Doce, Ukulele.

12) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Ailton Rios: Eu vejo a internet com bons olhos; tudo é uma questão de fazer um bom uso, usar com inteligência. Aliás, tudo nessa vida é assim. Têm grandes portais, sites na Internet que ajudam no aprendizado, na divulgação, na construção de uma imagem. O truque é separar o joio do trigo.

13) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Ailton Rios: O Home Estúdio proporciona ao artista uma liberdade de gravação no sentido de criação, composição, tempo, custo, produção; entretanto o artista muitas vezes não tem o capital necessário para divulgar, não tem verba de marketing e isso o deixa longe da grande mídia.

14) RM: Apresente seu projeto musical de ensino de música para criança e adolescentes?

Ailton Rios: Eu trabalho com projeto de aula musical com prazo determinado, crio a ideia a partir da carga horária e duração de cada aula. De forma geral são apostilas que entrego aos alunos folha a folha e vídeos que encaminho através do grupo nos aplicativos e a cada aula são estudados alguns exercícios ou temas musicais, ao final do projeto o aluno tem uma apostila e vídeos.

15) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ailton Rios: De forma geral o brasileiro não tem o hábito de ouvir ou assistir show de música instrumental, tem uma série de fatores que contribui para que isso aconteça nas escolas de ensino fundamental, por exemplo, não tem aula de música, a grande mídia pouco fala do cenário de música instrumental. Isso inibe grandes ou até pequenos empresários a investir nessa cena musical, daí o pouco que aparece normalmente é fruto do próprio artista que “banca” tudo, o tal artista independente. Quanto às “revelações”, eu costumo acompanhar mais a “turma” independente, a turma da “vanguarda”, geralmente são colegas de sociais, que produzem bons trabalhos, artistas que normalmente até divido palco.

16) RM: Como você analisa o cenário musical brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ailton Rios: Igual ao cenário musical instrumental, a diferença é que o público é só um “pouquinho” mais numeroso, por conta da voz/letra, isso permite ao público uma interação, pois permite que ele “cante” junto à música, de resto não modifica muito, isso para o mercado independente. Agora em se tratando da grande mídia a questão é diferente. Não há aqui nenhuma crítica negativa / positiva / destrutiva / construtiva (é só uma constatação) ao grande mercado musical em que existem bons artistas, entretanto com muito dinheiro fica mais fácil atingir uma parcela maior de público independente da qualidade do trabalho.

17) RM: Como você analisa o cenário da música de Viola Caipira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ailton Rios: A Viola Caipira é um instrumento normalmente ligado a Cultura Raiz. Um instrumento de cunho “étnico”, então têm violeiros que desenvolvem trabalhos muito bons, porém bem tradicional. E têm violeiros que estão apostando em trabalhos “diferentes”, por exemplo, tocando Rock na Viola e outros apostando em música instrumental na Viola. Eu formei de 2002 a 2004 o trio “Balaio Urbano” que misturava Blues, Rock, MPB e Música Caipira (viola caipira, gaita, violão, guitarra e voz). Acho isso sensacional, pois a tradição continua e o instrumento abre novos horizontes, consequentemente “não morre”. Quanto a nomes prefiro não citar, pois posso esquecer algum e causar desconforto. Hoje todos podemos facilmente achar todo tipo de trabalho nas redes sociais e plataformas musicais.

18) RM: Você já tocou em orquestra ou grupo de câmara?

Ailton Rios: Sim. Durante muito tempo toquei na OPVC – Orquestra Paulistana de Viola Caipira. No repertório da Orquestra Paulistana de Viola Caipira, além da Música Caipira, tem MPB e Música Clássica / Erudita. Eu brinco com o maestro Rui dizendo que não saí da Orquestra, estou somente afastado por outros compromissos profissionais (risos).

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ailton Rios: É historia que não acaba mais. Eu tive um trio chamado Guiriô Blues (1996 a 1999), era um trio assim como o Balaio Urbano (2002 a 2004), pois bem o Guiriô Blues tocava Blues bem tradicional, blues acústico (violões, Gaita e voz), era uma época que a Internet não era tão popular, por exemplo, as “demos” das bandas eram gravada em fita K7, quando iniciamos o Guiriô combinamos de dividir toda grana que entrasse em quatro partes, assim teríamos um Caixa para despesas eventuais e emergenciais. Sempre tive em mente que além de fazer um bom trabalho musical é necessário uma visão de marketing, sendo assim montei uma Relação de Contatos (Revistas, Jornais, Rádios, TV) essa lista continha: e-mail, endereço, telefone/fax (alguém se lembra do Fax?) e endereços de Bares / SESCs e afins, eu enviava o Release da Banda e Nossa Agenda de Shows para todos, via fax e via carta eram mais de 200 endereços/fax. Quando havia algum retorno desses envios, eu atendia. Num desse retorno me ligou o proprietário de um Bar (vou chamar de Alemão) que ficava ali na Serra da Cantareira, nesses casos eu já conversava e tentava fechar alguma coisa sem precisar ir ao local, passava as condições do Trio (equipamentos, data, horário, cachê ou couvert artístico, coisas assim) evitando uma visita improdutiva ao local. Enfim, o Alemão era bom de lábia e conseguiu me convencer. Fui ao local. – Bar muito (falamos Casa) bonito, bonito mesmo três ambientes, decoração rústica, árvores entre as mesas; quando cheguei o Alemão me ofereceu uma cerveja, eu recusei dizendo que não bebia durante a semana (na verdade não bebo durante o trabalho), ele abriu uma assim mesmo, me serviu tomei um gole, eu disse – vamos conversar? – O Alemão me levou numa tour pela Casa, eu perguntei qual o dia ele estaria me oferecendo? Ele, a quarta-feira. Só a quarta? Ele, Sim. Qual o couvert? R$ 5,00, porém a Casa fica com 30%. Eu, 30%? Ele, sim. Que equipamentos você tem? Ele, só tem aquele pedestal de microfone ali, que uma banda esqueceu. E o público a casa tem? Ele, conto com o público da banda. E a divulgação? Ele, a divulgação eu conto com a banda. São três entradas o show não é? Ele, não. São quatro ou cinco, na verdade a banda toca até o último cliente. Sobre alimentação, o que você oferece para os músicos? Ele (riu, um riso de deboche), eu ofereço água. Internamente eu já tinha dito não, daí comentei: Alemão, por enquanto estamos falando de negócios não é? Por enquanto você está falando com o Ailton Rios empresário da Banda não é? – A expressão dele mudou. Você está pedindo muito e oferecendo nada. Ele se fazendo de desentendido. Como Assim? Eu, você me ofereceu só a quarta-feira, não deu possibilidades de uma sexta ou um sábado, quer ficar com 30% do couvert, quando o normal é 20%, e normalmente se não aparecer à fiscalização os donos de Bares deixam o 100% para a banda, visto que seu ganho está na consumação, você não faz nenhuma divulgação deixa tudo para a banda, você diz que não tem público conta que a banda traga, ou seja, não tem nenhum custo, não tem nenhum equipamento à banda tem que trazer tudo, normalmente à banda faz três entradas, aqui você quer mais entradas, para o músico você diz que oferece água, é bom lembrar que você tem que oferecer uma refeição, não estou pedindo bebidas, pesquise (falei) se quiser te dou os contatos da OMB, eles dirão qual a lei, não precisa acreditar em mim. Finalizando eu falei: Alemão sua Casa é muito bonita, porém não será possível trabalharmos juntos com essas condições. OK? Nessa hora já estávamos voltando para o Balcão do Bar eu falei: Quanto custa a cerveja? Ele, deixa quieto. Eu, insisti. Paguei a cerveja e me despedi. Quando já tinha dado alguns passos, ele gritou: Ailton pode me indicar algum amigo? Eu não indico você para um inimigo, que dirá para um amigo…

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ailton Rios: Eu toco para 10.000 pessoas ou para 01 pessoa com a mesma alegria, entusiasmo e já aconteceu não é figura de linguagem. O que me deixa infeliz é o contato com pessoa mau caráter.

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ailton Rios: O Jabá é uma triste realidade. Nas rádios de cunho alternativo e cultural as minhas músicas tocam. Na grande mídia, não.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ailton Rios: Em toda profissão tem aquele que vai ganhar muito destaque / fama /dinheiro e tem aquele que vai viver razoavelmente bem com a sua profissão, e tem o que irá até desistir / mudar de profissão. Em minha opinião o segredo é não fantasiar, trabalhar com a realidade e o sonho juntos, buscar a qualidade a excelência “de verdade”, daí haverá prazer no trabalho mesmo que não chova dinheiro.

23) RM: Quais os flautistas que você admira?

Ailton Rios: A Flauta Doce é um instrumento que normalmente uso para dar aula em projetos sociais e com crianças. É difícil adultos buscarem a Flauta Doce, que é um instrumento muito rico, aliás, a maioria das pessoas só conhece a Flauta Doce Soprano, porém é uma família, citando algumas: Flauta Doce, Sopranino, a Soprano, a Contralto a Tenor, a Baixo, a Gran Baixo e outras. Não tenho assim um Flautista em particular, busco bons vídeos na internet de apresentações solos, de grupos, até de aulas, indicação de shows e posto no Grupo dos alunos.

24) RM: Nos apresente seus métodos de instrumentos musicais?

Ailton Rios: Eu dou aulas de Música desde 1994, de lá para cá meu trabalho mudou bastante, continuo estudando e buscando evoluir e me atualizar, faço uma auto avaliação constantemente. Trabalho com apostilas (método próprio) e vídeos (costumo gravar vídeos das aulas). E posto no grupo dos alunos, que é um grupo de Música: Conversando Sobre Música, onde tem músicos e alunos de música, nesse grupo postamos tudo sobre música, desde aulas, shows, cds, dvds tudo sobre música.

25) RM: Quais os melhores métodos para Gaita, Viola, Flauta e Violão?

Ailton Rios: Hoje com essa facilidade da Internet, é possível achar de tudo na Rede (para o bem e para o mal). O ideal é sempre o Presencial. Quer aprender música? Busque um professor, converse com vários. Com certeza irá encontrar algum que lhe atenderá dentro das condições que precisa. Lembrem-se o professor encurta o caminho, visto que ele te dá várias dicas e o corrige quando necessário. Caso queira estudar de forma mais independente e autodidata, aconselho a pesquisar bastante assistir muitos vídeos aulas, pesquisar métodos, até perceber quais são bons ou quais não são. Tudo vai depender de experiência mesmo.

26) RM: Quais as principais diferenças entre as técnica da Gaita para os outros instrumentos de sopro?

Ailton Rios: A Gaita é o único instrumento de Sopro que também se obtém notas Aspiradas (ao menos não conheço nenhum outro), não precisa estudar “respiração circular”, visto que sopramos e aspiramos, quando sopramos emite uma nota quando aspiramos outra nota.

27) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Flautista?

28) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar?

Ailton Rios: Todo músico deve estudar todas as técnicas (se possível) de seu instrumento. Não estou dizendo ao mesmo tempo e logo no começo, mas digo isso ao longo dos anos, nenhum estudo deveria ser negligenciado. O ideal é focar em fases tipo: Agora vou estudar tal coisa, agora tal estilo e assim por diante. Isso evita ficar estagnado ou obsoleto. Fazer auto avaliação. Os instrumentos não tem limite, o limite está na “maquininha” humana atrás deles (risos).

29) RM: Quais as principais diferenças entre os tipos de Gaitas?

Ailton Rios: O público conhece dois tipos: A Gaita Cromática (Gaita de Botão) e a Gaita Diatônica (Gaita Blues) essa a mais conhecida de todos. A Gaita Cromática é mais comum no Jazz, na Música Erudita / Clássica, já a Gaita Blues é mais comum, no Blues, no Rock, no Country. Porém é possível tocar qualquer estilo em ambas. Agora existem infinito modelos de Gaita: Gaita Tremolo, Gaita Baixo, Vineta, Harmoneta e por aí vai.

30) RM: Como escolher a Gaita certa para acompanhar determinado ritmo?

Ailton Rios: A Gaita Cromática (Gaita de Botão) e a Gaita Diatônica (Gaita Blues) essa a mais conhecida de todos. A Gaita Cromática é mais comum no Jazz, na Música Erudita / Clássica, já a Gaita Blues é mais comum, no Blues, no Rock, no Country. Porém é possível tocar qualquer estilo em ambas.

31) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de música?

Ailton Rios: Atualmente com essa facilidade de internet tem muita gente que estuda sozinho somente assistindo vídeos, e normalmente acontece, por exemplo, no Violão na Viola Caipira adquirir uma postura errada, podendo até causar lesões. Na gaita ou na flauta doce adquirir um sopro e um aspiro muito forte na flauta o som fica estridente, na gaita além de estridente pode até desafinar as palhetas. Por isso que costumo dizer pelo menos o início deveria ser com um professor para evitar esses pequenos deslizes. Tem outros, mas esses aí já ilustram.

32) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Ailton Rios: O mundo mudou em termos tecnológicos por exemplo, hoje a informação chega bem mais rápido. Então não é possível se ensinar música como era em séculos anteriores. Isso para tudo nessa vida. É preciso buscar o equilíbrio entre a tecnologia, a correria e velocidade dessa vida, a qualidade e as tradições. Como dizem é tudo junto e misturado, é tudo ao mesmo tempo agora. Sem perder o foco na qualidade musical/cultural/tradições.

33) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Ailton Rios: Esse é um tema muito controverso. Dizer que a pessoa já nasce com uma “luz” e que em tal área ela vai brilhar mais que todos. Mesmo que assim fosse, como essa pessoa vai saber se ela não começar a estudar/praticar. Creio que o melhor é dizer: Vamos supor que você adora o som da Gaita ou viu um show onde alguém tocou uma e começa a pensar vou estudar, para tocar igual. Encurtando compra uma Gaita (depois de algumas pesquisas) como pesquisou já não erra o instrumento e nem a qualidade dele. Procura um professor e percebe que é mais difícil que imaginava. Fez um julgamento errado achando que como era um instrumento pequeno era fácil, entretanto continua persistindo, outros obstáculos vão aparecendo e você segue persistindo. Será que a disciplina, a persistência não é um Dom? Visto que gostar desse ou daquele instrumento não tem o de sua preferência? Todo grande músico que conheço, estuda muito, pratica muito. Alguns aprendem em menor tempo outros não, porém todos podem aprender se não desistirem nas primeiras dificuldades, e esse aprender não precisa ser um profissional, pode ser por puro lazer ou prazer.

34) RM: Qual a definição de Improvisação para você?

Ailton Rios: Eu defino improvisação quando o músico no palco cria um tema ali na hora, sem ter escrito previamente nada. Isso às vezes também acontece em estúdio, o músico é chamado para uma participação em um CD, chega lá e o pessoal diz: escuta a música… Aí a turma diz vai lá e fica a vontade, isso tudo acontece com o músico usando ali sua inspiração do momento. Existe outra que chamo de Solo, é quando o músico escreve previamente o que irá tocar. Em ambos os casos o artista naquele momento estará em destaque. Em ambos os casos tem gente que chama de improvisação ou solo. Uma improvisação pode vir a ser um solo, pois o músico pode gostar tanto do improviso que fez e incorporar isso na música, isto é transcrever (o transcrever aqui pode ser só na memória) o improviso e transformar num solo.

35) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Ailton Rios: Sim. Em minha opinião existe, entretanto tem regras básicas, como saber o estilo musical, o ritmo, o andamento, a Tonalidade, ciente disso o músico cria seu tema ali na hora.

36) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Ailton Rios: Quando bem feito, dentro do ritmo, dentro da linha melódica, em shows é um ganho. Se mal feito perde o brilho.

37) RM: Quais os métodos que você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Ailton Rios: Podemos citar o método do compositor e teórico musical italiano Pasquale Bona e um para melhorar o ritmo o método do pianista e compositor italiano Ettore Pozzoli. 

38) RM: Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Ailton Rios: Simples prática. Tem que estudar bastante o instrumento, para conhecer o mesmo de fio a pavio. Tem que estudar bastante Partitura (leitura) quanto mais ler melhor, depois juntar ambos os conhecimentos. O ideal é começar com partituras simples e depois ir partindo para outras mais “recheadas” com muitas Notas Musicais.

39) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ailton Rios: Continuar ensinando música, tocando, aprendendo, compor mais, enfim continuar me reinventando.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Ailton Rios: (11) 96364 – 4432 | 99315 – 1983 [email protected] |

Links das minhas Redes Sociais: http://ailtonrios.blogspot.com | https://ailtonrios.tumblr.com | https://www.instagram.com/ailtonrios | https://www.youtube.com/ailtonrios | https://www.facebook.com/ailton.rios | https://www.facebook.com/ailtonrios2 |

 

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.