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Companheiro Rock’n’Roll


Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Gladson Morais –  Jornalista, Poeta, Compositor

Meu verso se perfumou de naftalina, sentou a mesa do bar, afinou sua guitarra de vocábulos, pediu uma dose de gasolina e colheu da lua o uivo indigesto dos lobos. Sussurrou uma ode veloz, melódica, distorcida em acordes dissonantes, reverenciando o companheiro ébrio de codinome Rock’n’Roll. As estrelas abandonaram o firmamento, a constelação desceu ao chão, o manto negro da noite cobriu o tablado do anfiteatro e a voz rouca uníssono esbravejava sua partitura marcial de três acordes libertários.

O Rock’n’Roll é o compasso elétrico atribulado do menino cabeludo de ideias, contestando as sombras de um sistema que padroniza corações e mentes. Seu verbo embalado ou balado alivia as destoantes frustrações do viver incompreendido. Sua ordem gera desordem. Sua organização desorganiza. Seu aparelhamento desaparelha. Seu refrão destoa categoricamente da ignorância atroz, que indica o caminho certo, a hora sensata, o modelito exato, o ritmo harmônico de uma vida enlatada.

A melodia roqueira também é flor roubada à meia-noite do canteiro orvalhado de amores e solidão. Passeia no acalanto conformando a dor no andarilho som musical do mundo de inquietações mútuas. Saboreia os lamentos. Afaga as decepções. Auxilia o grito rasgado da indignação. Acaricia a paixão subtraída em cada um de nós. E é batom nos lábios doces da ninfa menina. E é sol esclarecendo elementos de sobrevivência no caos.

Da vitrola vem a tempestade das vidas na poesia exacerbada da crônica roqueira. A bateria acelera. O baixo ensurdece. A guitarra solidificando. A voz entoando sílabas metamorfoseadas de palavras, que acendem versos oriundos das profundezas de cada EU. Luzes em contra-fluxo. Trovões relaxando a audição dos deuses. Meninos e meninas. A filosofia jovem do moleque companheiro dos mil e um lirismos de libertação.

Meu verso geado de flores e cabelos coloridos beija silenciosamente a mão nebulosa de todas as nebulosas. Entoando estribilhos de sua nave planetária de canções. Aumentando o volume e assoviando enluarado de braços e abraços a harmonia fantasmagórica da longa amizade com o bom e velho Rock’n’Roll. “I can’t get no, satisfaction…”.


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa: Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.
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