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Categorias: Carreira Musical

O que faz um mau caráter escolher a Arte como profissão?


Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa 

É consenso que em toda profissão existe mau caráter e na profissão de músico, compositor e intérprete não seria diferente. Mas quando um artista não se purifica com sua própria obra ou de terceiros ou com o seu fazer artístico que tem no âmago a sensibilidade, afetividade e empatia, é paradoxal. Não estou falando da vaidade em ser “artista”, mas de desvio de caráter, de perversidade, de falta de ética,  empatia e resiliência na postura.

Eu já tive proximidade com músicos como admirador e ouvinte

Eu já tive proximidade com músicos como admirador e ouvinte antes dos 30 anos de idade, sejam músicos “artistas” ou professores. Em ambos os casos encontrei pessoas que não tinham a dicotomia entre o ser humano e ser artista ou professor e com esses mantenho proximidade até hoje.

A maioria além da vaidade “natural” por não serem “trabalhadores comuns” e sim os “escolhidos” para com a sua arte emocionar os “normais” que estão em outras profissões e que alguns até frustrados por não ter escolhido a profissão de músico. Ressalto que não estou falando dos artistas que sob efeitos de drogas têm comportamentos nada sociáveis. Mas os que “sóbrios” mostram desvios de caráter, seja exercendo sua profissão ou no contato pessoal no cotidiano.

Não entendo como alguns músicos fora do palco não falam sobre música

Não entendo como alguns músicos fora do palco não falam sobre música, não escutam música como ouvintes. Algumas pessoas e eu sou uma delas, acreditam que Arte humaniza as pessoas e até as tiram da superficialidade e funcionalidade de uma existência da rotina de acordar, trabalhar, estudar, se alimentar, fazer as necessidades fisiológicas e dormir.

Não estou falando em um ser humano perfeito, em um estado “Zen”, mas um ser humano que se transformou para melhor, lapidado pelo seu fazer artístico ou por apreciar arte dos outros. Não me convence a justificativa que os obstáculos da profissão são culpados pelo embrutecimento e a perda da sensibilidade e afetividade que tinham no início da carreira. É mais razoável compreender e constatar que a natureza do músico não foi lapidada pela Arte.

Escolher a Arte como profissão

Quais os motivos levam um mau caráter, escroque ou sociopata escolher a Arte como profissão? Não são os benefícios financeiros, já que ficar rico ou famoso fazendo Arte é uma exceção. No geral outras profissões dão mais condições pragmáticas para pagar as contas básicas.

Pode ser o desafio de ser escroto sob holofotes? Quem escolhe a profissão de músico é mais por amor, como uma missão ou algo que a falta do realizar causaria um mal a sua saúde emocional e física. A Arte é uma prevenção e não a cura depois que esteja doente. A Arte é sublime e uma busca pelo belo e o fazer artístico busca sair do lugar comum e da superficialidade.

Desde 2001 entrevistando músicos percebo que quem escolheu a profissão de músico por Amor Incondicional aguenta e supera todos os obstáculos de uma carreira musical com leveza, generosidade, resiliência e empatia, se tornando um ser humano melhor.

Aqueles que unem o Amor a Música com a serenidade no trato com as pessoas, seja o público, as pessoas do meio musical e os entes queridos podem ter escrito na sua lápide o epitáfio: “Confesso que Vivi”. Tornou-se um diamante que brilha sem ofuscar e que não se tornou um cascalho no caminhar.

Seus descendentes terão orgulho do seu legado e saberão por quem conviveu com ele, que o mesmo era uma pessoa do bem, independente de sido genial ou razoável como músico. Tocou cada nota sentindo-a oxigenar seu sangue, vibrar seu corpo e emocionar o seu público. Então, se não é pelo dinheiro ou fama o que faz um mau caráter escolher o fazer artístico como profissão?


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

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