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Ritmo Melodia Ponto - Contra - Ponto - Entrevista |
Conjuntos de baile da Paraíba na visão
de Bráulio Tavares
Antonio
Carlos da Fonseca Barbosa Os conjuntos de baile dos anos 60 do século
passado sempre dividiram opinião entre músicos e ouvintes. Os
compositores por questão óbvia criticavam os conjuntos por não terem um
trabalho autoral e inédito e só tocarem os sucessos de músicos famosos.
Alguns ouvintes mais exigentes fazem as mesmas criticas, pois para ouvir
as músicas de sucesso nacional era melhor pelas fontes originais. Mas uma coisa é consenso muitos
conjuntos de baile pela sua função natural que era executar a música
dos outros na forma que foram gravadas em estúdio desenvolveram algo inédito
e original que era levar para o palco com perfeição a gravação
original dos discos. Algo muito natural, guardando as devidas proporções,
que os músicos eruditos fazem com obras clássicas. Outro ponto positivo
dos conjuntos de baile das regiões fora do sudeste era proporcionar ao público
dançar e curtir as músicas de sucesso nacional ao vivo, já que muitos
dos artistas famosos demoravam anos para se apresentarem nessas regiões e
quando realizavam show só a elite podia comprar os ingressos. E tinha os
conjuntos de baile que era cover de bandas rock internacional que
encantavam a juventude antenada da época. Mas é preciso separar bem a
atuação desses dois formatos de conjunto de baile. Os que tocam de tudo:
nacional, regional e internacional tinha uma postura mais profissional,
ensaios diários e só viviam de shows. Eles tinham instrumentos bons e
equipamentos técnicos para montar o baile. Animavam as festas na capital
e cidades do interior. E tinha os outros conjuntos de baile que só faziam
cover de uma única banda que era da preferência dos seus membros. Seria
o que ficou conhecido na década de 80 como bandas de garagem. E foi em um
desse que o cantor, compositor, poeta e escritor paraibano Bráulio Tavares fez parte e
ele nos contas sua experiência e fala dos demais conjuntos de bailes
paraibano em entrevista a segui: 01- Comente sobre sua experiência pessoal como ouvinte e participante de um Conjunto de Baile?
Bráulio Tavares - Minha experiência não é muito
grande, porque toquei penas em uma banda: Os Sebomatos, de Dezembro de 1968
a Janeiro de 1970. Então éramos um conjunto como os outros, porque
tínhamos a intenção de fazer "cover" dos The Beatles e tocar principalmente
rock & pop internacional, numa época em que a música brasileira, na
esteira do Tropicalismo, estava
em alta. Tocamos em clubes, em "assustados" (festas em
residências), em boates, na TV, e isso foi uma experiência muito rica. O
nome do conjunto era formado com as sílabas dos nomes dos integrantes da
formação inicial: Se-Bo-Ma-To. Sérgio Pedrosa - Baterista; Bolívar Vieira da Rocha -
Contrabaixo; Marcelo do Valle -
Guitarra solo; Toninho -
Guitarra base. Depois Toninho
foi substituído em alguns shows por Gabimar Cavalcanti, e depois por Acácio Barbosa. Eu entrei
no grupo em dezembro de 1968, com a saída de Acácio. Tocamos em vários clubes
de Campina Grande, e em 1969
fizemos várias apresentações na TV Jornal do Commércio, de Recife - PE, num programa chamado "Dimensão Jovem".
Tocávamos nesse programa no domingo à tarde (era ao vivo) e no sábado e
domingo à noite tocávamos numa boate em Piedade, a "Toca do Pajé", de um
cara chamado Nidinho. Ali
ganhamos muita experiência, e conhecemos alguns grupos de Recife: Os Moderatos, Os Silver Jets, etc. Na
noite em que o homem desceu na Lua pela primeira vez, estávamos tocando
numa dessas boates. 02-
Qual o nível profissional dos conjuntos de bailes de Campina Grande e
quais as diferenças dos de João Pessoa? BT - Não sei comparar porque eu conhecia
poucos conjuntos "de ver tocar". Mas havia um consenso
entre meus amigos de que os conjuntos de João Pessoa (Os Selenitas, Os Quatro Loucos, The
Gentleman) eram mais experientes e com maior competência musical. 03
- Quais os melhores conjuntos de bailes de João Pessoa para os
jovens de Campina Grande na época?
BT - Não conheci bem os conjuntos de João Pessoa, pois eu ia lá muito pouco nessa época, e nunca vi
apresentações dos principais conjuntos de JP, com exceção do "Quatro Loucos", que em
janeiro de 1970 fizeram uma série de shows em Campina Grande. A última
apresentação nossa pelos Sebomatos
foi num show dos Quatro Loucos
num clube de Campina, acho que "Aliança Clube 31", de
frente para o Açude Velho.
Demos uma canja de uns 40 minutos tocando apenas canções dos The Beatles (Lembro que encerramos com "I'll Follow the Sun") e depois nunca mais tocamos juntos,
porque dias depois eu fui morar em Belo
Horizonte – MG. E o conjunto acabou. Os Quatro Loucos era um excelente
conjunto, com Floriano na guitarra, seu irmão Golinha na bateria, Poty
no baixo e Alicinha no teclado
e vocal. Para nós, eles eram tão bons quanto Os Mutantes, cujo repertório eles tocavam todo. 04-
Você chegou a assistir shows dos Selenitas?
BT - Nunca vi tocar. Falava-se que
eram muito bons. 05
- Os jovens dessa época prestigiavam mais os conjuntos de bailes ou os
trios de forros.
BT - Trio de forró, nessa época, só
tocava para o chamado "povão". E o mercado para Conjunto
de Baile era: Assustados (Festa
em residência), Clubes e Boates
- As quais começaram a abrir em Campina Grande no ano de 1969: Whiskizito (Em frente à antiga
Rodoviária), Enche Pança
(Perto do monumento na entrada do Açude Velho, no local onde hoje há uma
igreja Evangélica), Preto &
Branco (No estádio do Treze).
Havia outra em que tocamos muito e não lembro o nome agora, ficava no
centro naquele trecho entre a esquina de Olacanti e o Chope do Alemão; e
outra lá em Bodocongó, onde
tocamos uma ou duas vezes, em frente ao Campus da atual UFCG. Também na Boate Cartola, no Ginásio César Ribeiro (do Campinense
Clube), no Alto da Bela Vista.
Nesse tempo praticamente não havia festas de São João em Campina Grande,
os jovens não dançavam forró. 07-
Quais os clubes que recebiam os conjuntos de Bailes?
BT - O Clube Campinense, na Praça Coronel Antonio Pessoa, era
o mais importante. Também o Clube
Médico Campestre (Atual Clube
Campestre); o Clube dos Caçadores
na entrada da cidade, o Clube do
Trabalhador, no bairro da Prata;
o GRESSE (Grêmio de
Subtenentes e Sargentos do Exército), mais ou menos na direção onde
hoje fica o Colégio CEPUC; a AABB n – Associação Atlética Banco do Brasil - no bairro do São José. Havia também o Clube Aquático, perto do Açude de Bodocongó, mas este eu
só freqüentei na infância, com meus pais, e não lembro se ainda
funcionava nesta época a que estou me referindo (entre 1967 e 1969). 08
- Quais os principais conjuntos de bailes de Campina Grande e quais
conseguiram sai das garagens e fazerem shows dentro e fora de Campina
Grande?
BT - Havia bons conjuntos em Campina Grande. Mas eu não era grande conhecedor. Nunca
fui freqüentador de clubes: as famosas "tertúlias" (Os bailes
à noite), as matinais ou as matinês, os "jantares dançantes...”
Eu era de outra praia, a dos intelectuais que faziam parte do Cineclube, e viviam agarrados com os livros. Mas eu tocava violão
e gostava de rock, e acabei convidado para integrar Os Sebomatos, uma banda que já existia. Muitos dos
principais conjuntos de Campina
Grande eu nunca vi tocar. Dos que vi tocar, para mim o melhor
era Os Falcões, que tinha Silvio Romero Soares, Tércio Gadelha, Zeca
Lopes, Washington Leite, Renan Lima e Túlio Santos
(fez algumas participações em shows). Outros conjuntos importantes da época eram Os Vikings (Cujo vocalista, Normando, apelidado "Garrincha", trabalhava
na Biblioteca da UFPB), Os Adams,
Os Pássaros (Do qual faziam parte os filhos de D. Lourdes Ramalho, a autora
teatral), Os Apaches, Os Peraltas,
o conjunto onde tocavam Flávio
Eduardo "Fúba" (Hoje vereador em João Pessoa e líder do bloco Muriçocas do Miramar) e seu irmão
Paulo Ricardo. Tinha também o The Millus, onde tocava Bernardo Lula. Nunca vi tocar As Brasas, de que Elba Ramalho – tocava bateria e
que tinha as irmãs Jeruza Soares (falecida em 29/12/2008) e
Rosângela Soares.
09 – Você conhecia os
Conjuntos de Bailes de Campina Grande: Os Dragões, Os Elétrons, Os
Paqueras, Os Delirantes, Os Alquimistas, Os Anjos Azuis e Ogírio
Cavalcanti?
BT - Não me lembro de: Os Dragões, Os Elétrons, Os
Delirantes, Os Alquimistas. Tenho uma vaga lembrança de Os Paqueras e Os Anjos Azuis.
Quanto ao conjunto de Ogírio
Cavalcanti e Gabimar Cavalcanti,
este é "hors concours". Não era apenas um grupo de 4
cabeludos tocando rock - era um conjunto grande, com formação de 10 ou
12 pessoas, instrumental e vocal variado, alguns músicos que liam
partitura. Um conjunto profissional, que tocava toda semana, sem
exceção, pelo Nordeste inteiro. O Conjunto de Ogírio mereceria um
livro. Tinha excelentes músicos, além dos dois irmãos: o
pistonista Crisaldo (Apelidado
Galinha), que tocava muito, e morreu anos depois num acidente de carro; o
saxofonista Sérgio; o
baterista Giovanni, ainda hoje
em atividade (Poucos anos atrás o reencontrei tocando numa banda cover
dos The Beatles, "Across the
Beatles"); o saxofonista Célio
("Brechinha"); o guitarrista
Chiquinho, chamado "Biscuí"; e outros que
não lembro agora. Era um grande conjunto, que se manteve
profissionalmente por mais de 30 anos, e talvez ainda esteja em atividade.
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