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São João antes da época em SP

*Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  

De  13  a 16 de maio 2004 aconteceu no Sambódromo (que virou Forródromo) o São  João  antes  da  época  em São Paulo. Uma iniciativa de empresas de eventos  da capital. Uma festa que dentro da programação dos 450 anos  de  São Paulo teria o objetivo de homenagear a cultura nordestina que por  aqui  aportou há décadas. A iniciativa merece todos os aplausos, hoje São Paulo é a capital do Nordeste. Em conversa com um dos coordenadores do  evento (que  é paulistano); percebi que a cultura nordestina teve alguns desfalques na área musical. A água  só corre  para  o mar. Quem está em evidência na mídia teve seu lugar  garantido.


É claro que nem tudo está perdido, com as já esperadas presenças  de  Dominguinhos  e  Elba  Ramalho.  Mas que não "amenizam" o esquecimento (de  novo)  de  Marinês, Anastácia e Oswaldinho do Acordeon (a lista  é  extensa, é melhor parar). E mostrando que estão antenados com a cultura  nordestina  trouxeram  de  Campina  Grande o  sítio cenográfico, os Tropeiros da Borborema, Shaolin (faltou João Gonçalves) e para salvar a  pátria  dos forrozeiros autênticos: Biliu de Campina. Escrevo ouvindo o seu CD: Forrobodologia: um tratado filosófico de forrozeiro. E uso alguns termos para descrever esse evento; que espero não seja de tudo uma  "felaputaria" por ter mais artistas "cantando forró à força, do que dando  força para o forró". É tanto "travestis de forrozeiros" e artistas que  não  cantam forró.


O Biliu depois dessa  experiência, precisará  de repouso in natura no Cariri, à base de muito leite de cabra, qualhada, queijo, rapadura e cheiro do mato verde para  poder  cantar  no  Maior São João do Mundo. Para os  nordestinos  que  moram  em  SP esse tipo de "homenagem" incomoda  profundamente.  Se  fosse apenas um show promocional, tudo bem,  mas  homenagear uma cultura é preciso respeito. Essas contradições não   acontecem em  festa  dos  imigrantes (japonês, italianos, portugueses, coreanos,  libaneses  e  etc).  Com  os cachês dos famosos poderiam pagar cachês  de  dezenas  de  forrozeiros  dos  bons, trazer mais quadrilhas e expressões  do  folclore nordestino. Se for para valorizar a nossa cultura que seja primeiro respeitando os artistas e o público. Se for para sair de casa para dançar  forró,  não tem sentido ouvir sertanejo, axé music ou pretensos forrozeiros.  A cultura nordestina  não pode ser coadjuvante da sua própria cena cultural...
 

*Editor da revista on-line : www.ritmomelodia.mus.br \ ritmomelodia@hotmail.com

*Texto publicado dia 18/05/2004 no Jornal Diário da Borborema - PB : www.db.com.br revisado pelo jornalista  Carlos Araújo - carlosaraujocg@hotmail.com