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Ponto - Contra - Ponto - Artigo |
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Quem
escutará meu CD? Essa é a grande dúvida do artista. *Por
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa Data
do artigo: Abril 2007 Já
houve uma época, em que lançar um disco (LP) era motivo de orgulho e uma
motivação para fazer shows. Quando um artista lançava um disco tinha a
atenção e o respeito dos colegas de profissão que exigiam uma primeira
audição. Nesse tempo áureo o primeiro disco era uma realização
semelhante aos 12 trabalhos de Hércules. O
novo milênio trouxe a consolidação do CD (compacto disco digital), saiu
de cena o LP(long play). E a cena musical independente se tornou uma opção
real (única) para quem não tem contrato com uma grande gravadora
(multinacional ou nacional). O músico passou a ser dono do seu produto
artístico (gravação, confecção e distribuição do seu CD). Mas esse
"pulo do gato" da sobrevivência dentro do mercado fonográfico
trouxe uma demanda maior de músicos para o mercado influenciando no equilíbrio
da oferta e procura. Antes o que era raro (gravar um disco) virou lugar
comum. A maior oferta e variedade de artistas vendendo seu produto (CD e
Show) fizeram o ouvinte "desconfiar" que o tal "dom artístico"
pode ser acessível a mais pessoas, ditas comuns. Não quero enveredar na
análise do valor cultural e estético, da diversidade de gêneros
musicais e da qualidade técnica de gravação das obras. Mas analisar a
dificuldade de um músico em ter seu disco escutado pelo público e\ou por
outro artista. O lado, aparentemente positivo, da maior oferta de produto
(disco) não refletiu em uma maior aceitação da mídia nem do público.
Aumentou a oferta para as rádios e a mídia em geral. E o processo de
seleção de pauta na mídia se tornou tarefa árdua, com maior exigência
de qualidade e originalidade. E deixando no ar a suspeita de: jabá ou vínculo
de amizade ou mera sorte influenciando na escolha de artista A ou B. E está
no lugar certo, na hora certa, em frente da pessoa certa e\ou influente
(com poder de decisão). E o público coloca todos os artistas no mesmo
“saco” e nivelados por baixo. Sob o pré-julgamento de: "Se todo
mundo pode gravar um disco, então não deve prestar". Conseguir
que um artista famoso (ou que já esteve na fama) ouça seu disco pode ser
mais difícil que ouvir sua música tocar no rádio. São vários os
motivos: falta de tempo (agenda cheia do famoso), medo da concorrência
(do novo) ou o superego (sou Deus). Então, se for deixar seu disco, que
seja por admiração e identificação com a obra do famoso ou ídolo sem
expectativa de retorno. O mercado musical é igual a qualquer outro, ninguém
quer dividir a fatia do bolo. No caso do compositor, faça o primeiro
contato para saber o interesse e só envie as musicas depois. O melhor
alvo é o cantor (a) que não seja compositor(a). Não que um cantor(a)
que compõem não possa se interessa em gravar outro artista ou iniciar
uma nova parceria. Uma parceria musical é literalmente e juridicamente um
casamento. Antes têm o flerte, o namoro e o noivado. E depois as obrigações
e divisão de direitos autorais. Nas duas situações expostas, mesmo se
tratando de um produto artístico, é bom dosar a emoção (admiração)
com a razão (negócio). Separe a valor artístico de uma obra do caráter
pessoal do seu criador. Espere e aprenda a superar os "nãos".
Em alguns gêneros musicais populares (que geram muito dinheiro ao
envolvidos) montar um repertório para um disco de um artista famoso é
uma guerra em que vale tudo sem pudor. São mil interesses financeiros
envolvendo produtores, gravadora e a mídia. É um deserto de princípios
éticos. Esteja armado até os dentes com disposição para vender a mãe,
mulher e filhos. A fama tem seu preço e pode ser mais alto do que você
quer pagar e agüentar. Quem
escolhe a música como ofício deve conhecer bem o mercado de disco e
show. E se enquadrar ou criar novas alternativas. Entender as regras do
jogo é o primeiro acerto em qualquer profissão. Profissionalismo,
criatividade e originalidade são qualidades indispensáveis, mas não são
garantias de sucesso. Ter o nome maior (fama) que obra (qualidade) ou a
obra maior que nome é uma escolha primordial e inicial. No mais, boa
sorte! *
Editor da revista: www.ritmomelodia.mus.br
\ ritmomelodia@hotmail.com |