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O CANTO DO SANTO DE CASA.

* Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Data do artigo: Outubro 2006

“Que Santo de Casa não obra milagre”, todo mundo comenta e/ou difama. Essa máxima é tatuada na sina de: poetas, profetas, gênios e loucos.  Se aquele vizinho que não chama atenção; exceto quando falam mal do mesmo, aparece na TV respondendo pesquisa, pagando mico em pegadinha ou realyti show, sendo caso de policia (Como vitima ou vilão). Esses fatos fazem dele ou/e do seu amigo, sua mulher, mãe ou filho passarem a existirem de fato para sua comunidade. A luz mágica da TV dá vida aos anônimos. Se alguém próximo ou não tornasse famoso pelas mãos daquela arte que a maioria sempre duvida de sua competência e/ou criatividade, os mesmo incrédulos tornam-se fãs incondicionais. E aparecem em programas dominicais mostrando artigos confidenciais da nova estrela em historia e objetos.  Mas o Santo de Casa tem que propagar a ressonância do seu canto em outros cantos para ser respeitado.    

Alguns músicos são cobrados depois de atingirem a fama para não esquecerem as origens. Os mesmos atingem ás suas vitórias profissionais e pessoais através dos próprios esforços e muitas vezes solitários. E poucos receberam incentivos pessoais, materiais e espiritual (Exceto dos pais, entes queridos e pouquíssimos amigos) para desenvolverem sua arte. A torcida que teve da maioria dos conterrâneos na hora da partida é do tipo: Se vencer estamos junto para usufruir os frutos. Se “fracassar”: Morra como indigente. Famosos artistas hoje, saíram e/ou retornaram ao torrão natal com despedidas e recepções pouco nobres e calorosas.  Mas após o êxito profissional, se não tratarem os bajuladores bem, são classificados de esnobes e pedantes.  

O profeta sabe que só longe de sua terra pode ter suas profecias aceitas e respeitadas. O bom exemplo da humanidade é: Jesus. Mas quais são os motivos que levam artistas buscarem novos cantos e horizontes?. O fenômeno é conhecido como: “A Cidade ficou pequena demais para minha criatividade e ambição profissional e pessoal”. Há musicas que retratam bem o fenômeno da partida e retornou ao torrão natal em diversas visões e situações. O artista retirante busca a grande cidade por não poder esperar 300 anos de vida pela evolução natural da sua cercania. Mas toda migração ou imigração tem seus males naturais: superpopulação e acirradas disputas profissional. Mas a guerra pela sobrevivência nas grandes cidades há pelo menos a possibilidade de vitórias. Enquanto no interior sobra tranqüilidade e faltam oportunidades. A Prosperidade, Sombra e água fresca existem para os “donos” do lugar e seus descendentes, bajulares e heróis. Sobrando para a plebe a migalha que cai da boca do tubarão. Alguns Santos de Casa não se ausentam permanentemente de sua origem. Alcançam certo prestigio, mas não chegam a ser famosos, exatamente por não atingirem o grande sucesso nacional (Fora de Casa). Quem tem seu canto reconhecido em Casa, não chega a vender dez mil CDs. Uns vão a luta e deixam um pequeno publico seleto que torce para que os sonhos do seu artista não sejam abortados ou engolidos pela estrada. Na grande metrópole o caboclo chora, gemi, passa frio, humilhação, preconceito e sufoco e a mãe não escutar o seu lamento ou arrependimento. Se o Santo de Casa se torna famoso ou não após sua guerra pessoal e profissional e os conterrâneos o respeita pelo bom exemplo de abnegação e coragem por buscar a vitória almejada por muitos, o reencontro com sua origem será um verdadeiro abraço fraterno. Nem os conterrâneos nem o Santo de Casa têm obrigações de se auto-reconhecerem. Cada pessoa tem que construir seu próprio caminho devendo homenagem e agradecimento a quem o ajudou na caminhada árdua.  

A cobrança de reconhecimento e/ou a magoa de quem ficou ou de quem partiu não tem razão de existir. Nascemos em algum lugar por acaso, sorte ou azar geográfico. E escolhemos outros lugares para viver e sobreviver por opção consciente de buscar o melhor que não encontrou no lugar de nascimento. Alguns artistas sentem saudades de suas origens e outros não. Muitos saíram de sua terra natal quando criança ou adolescente, tendo mais tempo de vida fora de sua terra natal. Se existir respeito mútuo de quem partiu e de quem ficou, dentro do coração e de forma materna e sincera. A relação do Canto do Santo de Casa com seu ventre de origem será como o reencontro do amor de mãe que recebe calorosamente e bem o filho pródigo pelo que o mesmo representa em qualidade de caráter e não por sua fama ou popularidade. A origem pode simbolizar bem a nossa mãe e a escolha de outro lugar a nova família. E essa separação pode unir o sentimento de respeito de quem ficou e o orgulho da origem de quem partiu com a cara e a coragem de construir seu destino e um melhor lugar para si.  A vitória é a meta a atingimos sempre. O orgulho maior é as conquistas e lições da caminhada. A fama será ou não a conseqüência das suas vitórias. O êxito maior sua ousadia de lutar e dominar o destino construindo sua historia com dignidade, esperança, respeito, humildade, honestidade e prosperidade.      

* Editor da revista: www.ritmomelodia.mus.br \ ritmomelodia@hotmail.com