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Ponto - Contra - Ponto - Artigo |
| Censura e inanição na Democracia *Por Antonio Carlos da Fonseca BarbosaData do artigo: Agosto 2004 Em 2004 completou 40 anos do perverso golpe militar brasileiro.Muitos foram mortos, torturados, exilados, censurados e resistiram. “Uma página triste da nossa história”, mas com a volta do regime “democrático” muito dos perseguidos chegaram ao poder administrativo, legislativo, judiciário, entidades de classe, organização política e sindical e iniciativa privada. Muitos dos oprimidos hoje são opressores e censores. Conhecem bem os dois lados da moeda. Nos anos de chumbo sabíamos quem era quem e em que lado estava à direita e a esquerda.Hoje tudo parece mais não é. Os anos 60 tiveram revolucionários na política, música e cultura. Os festivais de música e a mídia abriam possibilidades para a divulgação da diversidade cultural. Hoje temos uma oferta muito grande em criatividade artístico - cultural e pouco espaço para serem divulgados. As grandes gravadoras caminhando para o fim (Não produzem, não divulgam nem distribuem os discos). E os independentes trazem o retorno do artista mambembe (Que monta o palco, atua e vende o produto). Alguns artistas tentam se organizarem em entidades que nascem e já parecem ruínas. Muitos produtores culturais e de eventos são mercenários com pose de mecenas. A globalização deixa muitos náufragos a deriva do seu momento histórico. A censura na democracia é velada no tráfico de influência e poder. Não há algozes torturando, mas há déspotas esclarecidos maquiavélicos que como os antigos algozes levam muita gente para loucura nada beleza. A vaidade, a ganância e mediocridade criam celebridades e matam arte e artistas. Os projetos de leis de incentivo cultural são a “salvação”, mas que tem caminhos tortuosos. Viva, viva a sociedade alternativa e uma ideologia salutar para viver. Na ditadura tinha vilões e mocinhos.Na vida em democracia dormimos, comemos, transamos, negociamos sem saber quem é o verdadeiro amigo e inimigo. E ouvimos historias comoventes de que foi torturado ou quase, que hoje não sabem mais como contar nem gastar tantos metais. “Mas não diga a vitória está perdida, se é de batalha que se vive à vida, que sabe faz a hora e tenta outras vezes”. Muitos artistas vivem oprimidos, silenciosos, angustiados e com medo de atirar a primeira pedra na hipocrisia do meio artístico. Ficam reclusos e omissos em nome da ética profissional que seus “antigos amigos” de profissão evacuaram e vomitaram há muito tempo. Viva a democracia dos filósofos e utópicos. O homem, a arte e a liberdade são reféns de democratas inescrupulosos e insanos que ditam suas regras e leis vis. *Editor da revista:www.ritmomelodia.mus.br / ritmomelodia@hotmail.com *Texto publicado dia 21/08/2004 no Jornal Diário da Borborema - PB : www.db.com.br revisado pelo jornalista Carlos Araújo - carlosaraujocg@hotmail.com |