PÉROLAS DO BRASIL
 

 
Heitor Villa - Lobos

Villa-Lobos, Heitor (1887-1959), compositor brasileiro, o mais importante do século XX. Nascido em 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro, começou na música como autodidata. Em 1912, participou de uma expedição científica ao interior do Brasil para estudar a música de tribos indígenas, que posteriormente teria uma grande influência em sua obra, como pode ser comprovado, por exemplo, em Uirapuru (1917), no balé Amazonas (1917), em Canto do pajé (1933) e até mesmo em Danças características africanas (1915), em que mescla a música negra com a dos índios caripunas de Mato Grosso.

Entre 1922 e 1930, com uma bolsa do governo brasileiro, estudou em Paris, onde assimilou elementos do estilo neoclássico, através da influência de Igor Stravinski, Erik Satie e especialmente de Darius Milhaud. Supervisionou a recompilação sistemática de grande quantidade de música popular e folclórica brasileira. Dirigiu orquestras no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

Villa-Lobos foi um fecundo compositor que escreveu mais de 2 mil obras e empregou praticamente todas as formas de composição musical. Escrevia melodias originais com estilo folclórico brasileiro e as desenvolvia de forma pessoal. São famosas suas Bachianas brasileiras (1930-1945), nove suítes com instrumentação variada em que a linguagem musical de J. S. Bach se funde de forma genial com os ritmos poderosos e os estilos melódicos da música folclórica brasileira. Para orquestra, compôs 12 sinfonias e dez poemas sinfônicos, além de cinco concertos para piano e orquestra e três para harpa, violão e harmônica. Também escreveu óperas, balés, canções e músicas de câmara, na qual se incluem 17 quartetos de corda. Villa-Lobos faleceu em 17 de novembro de 1959, em sua cidade natal.

Heitor Villa-Lobos começou estudando violoncelo, influenciado pelo pai, que lhe ensinou teoria musical. Quando perdeu o pai, compôs uma primeira cançoneta, Os sedutores, em sua homenagem. A partir de então, estudou violão, conviveu com os artistas populares e viajou de norte a sul do país, embebendo-se de cultura brasileira. Foi morar na França, em busca de uma ampliação de sua cultura, mas sem esquecer as próprias fontes musicais. Como diria Manuel Bandeira, "quem chega de Paris, espera-se que venha cheio de Paris; entretanto, Villa-Lobos chegou de lá cheio de Villa-Lobos". Se no começo havia uma nítida influência de Wagner e Puccini em sua obra, com o passar do tempo, os moldes foram sendo quebrados e ele passou a utilizar uma linguagem própria. O conhecimento da música de Stravinski e de Béla Bartók o deixou impressionado: na realidade, eram três personalidades musicais que nunca tinham se ouvido, criando obras semelhantes ao mesmo tempo. De volta ao Brasil, viajou freqüentemente aos Estados Unidos e à França e dirigiu inúmeras orquestras em vários países.

CORBIS-BETTMANN

As nove Bachianas brasileiras, compostas entre 1930 e 1945 em homenagem a Johann Sebastian Bach, representam o período neobarroco de Villa-Lobos. Esta obra revela a síntese entre a música ocidental e as várias manifestações da música folclórica brasileira, depois de experiências como Danças características africanas (1914) e os bailados Amazonas e Uirapuru (1917), nos quais tentou sair dos moldes europeus, e sua permanência em Paris entre 1927 e 1930, onde teve contato com as novas tendências musicais da época.

*Fonte : Enciclopédia Encarta 2000 - Microsoft 

voltar