Valente, Assis
(1911-1958), compositor popular brasileiro, nascido em Santo Amaro, Bahia.
Com letras de aparente nonsense, suas músicas faziam uma deliciosa crítica
de costumes. Era protético quando se mudou para o Rio, em 1927. Começou a
compor em 1932, incentivado por Heitor dos Prazeres. Seus dois primeiros
sambas, Tem francesa no morro (1932), lançado por Araci Cortes, e Goodbye,
boy (1933), por Carmem Miranda, satirizam a mania de falar francês e
inglês que grassava no Rio. Seguiram-se, entre outros sucessos, os sambas
Minha embaixada chegou e Mangueira (1935), Camisa listrada (1937), E o mundo
não se acabou (1939), Uva de caminhão (1939) e Recenseamento (1940), todos
lançados por Carmem, sua maior intérprete, além de Maria Boa (1936) e
Cansado de sambar (1937), pelo Bando da Lua; Brasil pandeiro (1940), pelos
Anjos do Inferno; Fez bobagem e Amanhã eu dou (1942), por Araci de Almeida.
De temperamento conflitado, José de Assis Valente atirou-se do Corcovado em
1941, sendo salvo por uma árvore e pelos bombeiros. Em 1958, depois de uma
segunda tentativa frustrada de suicídio, sentou-se na Praia do Russel,
bebeu guaraná com formicida e morreu. Sua música continua viva na
interpretação das novas gerações.