PÉROLAS DO BRASIL


Antônio Nóbrega

Nóbrega, Antônio (1952- ), músico, ator e dançarino nascido em Recife, Pernambuco. Antônio Carlos de Almeida Nóbrega estudou música e em 1968 já integrava a Orquestra Sinfônica de Recife, onde tomou contato com o Movimento Armorial criado por Ariano Suassuna, vindo a integrar o Quinteto Armorial, grupo que compunha e executava peças eruditas inspiradas no folclore nordestino.

Desligou-se do quinteto e começou a encenar espetáculos onde cantava, tocava e atuava, como A bandeira do divino (1976) e A arte da cantoria (1982). Transferiu-se para São Paulo em 1982, e lá criou outros espetáculos marcantes, como o Maracatu misterioso (1985), e as danças dramáticas O reino do meio-dia (1990) e Figural (1991). Projetou-se junto ao grande público com dois premiados espetáculos teatrais, Brincante (1992) e Segundas histórias (1994), ambos em co-autoria com Bráulio Tavares. Nos últimos anos, viajou pelo Brasil com os shows musicais Na pancada do ganzá (1996), Madeira que cupim não rói (1997) e Sol a pino (1998).

Novo CD: Lunário Perpétuo

Gravado  pelo Selo Brincante , com contrato que prevê a distribuição nacional e  a negociação comercial internacional pela Gravadora Trama, é o quinto CD da carreira de Antonio Nóbrega,    O CD  Lunário Perpétuo  é composto por 15 faixas.

 Na última  faixa  está  a música que dá nome ao CD e ao espetáculo - "Lunário Perpétuio" .  Inspirada no Folguedo do Cavalo-marinho,  esta composição de Nóbrega celebra uma longa jornada de parcerias com os poetas Bráulio Tavares e Wilson Freire, co-autores de muitas canções,  textos e peças que Nóbrega vem interpretando nos trinta anos de carreira.

 Já na primeira faixa, "O Rei e o Palhaço" (Antonio Nóbrega/Bráulio Tavares),  as estrofes musicada são do tipo décima de sete sílabas - utilizadas tanto pelos Cantadores, em seus repentes, quanto pelos Mestres de Maracatu-de-Orquestra (também conhecido por Maracatu-rural), em seus torneios poéticos. O mesmo tipo de estrofe encontra-se em "Carrossel do Destino" , faixa 4, dos mesmos autores.

 A faixa 2, "Ponteio Acutilado" (de Antonio Nóbrega) foi a primeira música que Antonio Nóbrega escreveu para o Quinteto Armorial, que integrou como violinista, rabequeiro e, vez por outra, compositor. O tema do ponteio é um toque de Banda Cabaçal (conjunto musical, também conhecido pelo nome de Ternos-de-pífanos) dos Irmãos Aniceto, que Nóbrega escutou durante a apresentação do grupo na cidade de Crato, Ceará.

A faixa 3,  "Romance da Filha do Imperador do Brasil", é um romance de origem ibérica, recriado literalmente por Ariano Suassuna e musicada por Antonio Nóbrega, que está presente no Romance d'A Pedra do Reino, de Ariano. Da mesma obra, de Ariano , Nóbrega musicou  "Romance da Nau Catarineta", faixa 5. As melodias que animam a cantarolagem do romance são aquelas mesmas utilizadas por Antonio José Madureira para a versão instrumental que escreveu para o Quinteto Armorial.

O compositor Lourival de Oliveira, da polca da faixa 6, "Canjiquinha",  é o autor  da célebre coleção de frevos dedicados aos Cangaceiros do bando de Lampião, da qual Nóbrega já gravou em discos anteriores , "Cocada" e "Corisco".  

"A Morte do Touro Mão de Pau" , que está na faixa 7, é um poema que Ariano Suassuna escreveu em memória do pai, assassinado em 9 de outubro de 1930 e foi inspirado no folheto "O Boi Mão de Pau", do poeta e rabequeiro rio-grandense-do-norte Fabião das Queimadas (1848-1928), também musicado por Antonio Nóbrega.

Na faixa 8 - "Pagão" (um choro clássico de Pixinguinha), Nóbrega faz uma versão com a maioria dos instrumentos presentes nesse gênero de música e que representa - por excelência - a nossa música instrumental de câmara.

A toada popular "Excelência", da faixa 9, é uma recriação literária de Ariano Suassuna, musicada por Antonio Nóbrega, partindo da versão instrumental gravada pelo Quinteto Armorial. A excelência é um canto de recomendação das almas, ainda muito cantado no meio rural nordestino. Esta versão tem duas partes: a primeira, em forma de lamento e, a segunda, em forma de ABC , em louvor à Virgem Maria.

Na forma de Galope à Beira-Mar  (estrofes de onze sílabas, em dez versos, com rimas ABBAACCDDC), a faixa 10, "Meu Foguete Brasileiro",  é mais uma parceria de Nóbrega com Braúlio Tavares, que escreveu o poema.

O disco traz também, o frevo clássico pernambucano, "Luzia no Frevo" (Antonio Sapateiro), na faixa 11, sempre gravado e tocado pelas ruas recifenses e a marcha-de-bloco "Delírio" - faixa 12-  que Antonio Nóbrega confessa que já estava há muito tempo, pensando em gravar e cantar no Carnaval, pois a letra alude aos vários blocos carnavalescos de sua cidade, o Recife.

Levino Ferreira, autor da faixa 13, "Lágrimas de Um Folião" , falecido em 1970, foi, provavelmente o maior compositor de frevos de todos os tempos. Uma grande singularidade de seus frevos é que muitos deles foram escritos em tonalidade menor, o que lhes empresta uma certa paisagem sonora muito característica.

A penúltima faixa, "Romance de Riobaldo e Diadorim" (Antonio Nóbrega/Wilson Freire) homenageia os personagens do "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa.

Quanto ao nome Lunário Perpétuo Nóbrega assim informa: “Nome dado a um pequeno livrinho (embora gordo de páginas) que, durante esses dois últimos séculos e meio foi um dos mais lidos nos sertões do Nordeste. Era uma das principais fontes de referências e  conhecimentos dos poetas populares para suas cantorias e poesias. Um dos livros básicos para o domínio da arte de versejar.

Ainda, segundo Cascudo, o Lunário trazia um pouco de tudo: astrologia, horóscopo, receitas médicas, mitologia, rudimentos de física, calendários, vidas de santos, biografia de papas, conhecimentos agrícolas, generalidades, processo para construir um relógio de sol, procedimento para se conhecer a hora pela posição das estrelas, conselhos de veterinária...

Ao longo desses últimos trinta anos, aprendi loas, toadas e cantigas de cirandeiros, aboiadores e cantadeiras; aprendi choros, música de Banda Cabaçal e ponteados de violeiros, pifeiros e “chorões”; passos, gingados e mugangas de sambadores, dançarinos e brincantes. Esses cantos, toques e danças são as pedras do meu Céu e as estrelas do meu Chão... Com eles soletro, penso e esperanço meu sonho humano. Através deles aprendi a amar o meu país e o seu povo. Eles são o meu Lunário Perpétuo”.  

*Fonte : Enciclopédia Encarta 2000 - Microsoft 

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