São Paulo a Capital do Forró

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São a Capital do Forró
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Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

O Baião, Xote, Arrasta-pé, Forró e os outros ritmos nordestinos chegaram ao sudeste trazido na memória afetiva, na bagagem e no matulão do migrante que buscava sobreviver e trabalhar em outra cidade por falta de chuva que deixava a labuta agrária inviável nas cidades do interior.

O Rio de Janeiro dos anos 30 a 70 era a cidade para o artista fazer “a prova dos nove” e se tivesse o seu talento confirmado e aprovado pelos meios de comunicações de massa (Rádio, Jornais e depois TV), críticos musicais além de um público exigente e conseguisse se destacar teria chance de ser um sucesso nacional. Em 1939 Luiz Gonzaga deu baixa do exército e no mesmo ano; já com o desejo de ser artista, migrou pro Rio de Janeiro. Após o sucesso de Gonzaga e o título de “Rei do Baião” nos anos 50, motivou outros artistas a tentarem a “sorte” na “Cidade Maravilhosa”. Nos anos 60 e 70 alguns artistas optaram por São Paulo por não ter espaço no Rio de Janeiro ou por ter apoio familiar ou querer explorar um novo mercado.

No auge da industrialização do Brasil, entre as décadas de 1950 e 1970, intensificou a migração nordestina para o Sudeste; em especial para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse período chegaram muitas famílias ou homens sozinhos trazidos por “Pau de Arara” (caminhão que tinha tábuas atravessadas na sua carroceria servindo de assentos improvisados semelhantes a poleiro de Arara) que levava mais de 10 dias se arrastando por estradas sem asfalto para chegar ao Rio de Janeiro e a São Paulo. Os nordestinos que fixavam residência no Rio de Janeiro eram chamados pejorativamente de “paraíbas” e em São Paulo, de “baianos”. Entre 1950 a 1960 a cidade de São Paulo recebeu um milhão de migrantes nordestinos que representava 60% do seu crescimento populacional. Nenhuma capital nordestina na época tinha mais nordestinos que a capital paulista.

No final dos anos 60 Pedro Sertanejo; pai de Oswaldinho do Acordeon, Ari Batera e irmão de Joca do Acordeon (Tio Joca) do Trio Sabiá, abriu uma casa de forró na Rua Catumbi no bairro Brás\Belenzinho. A “Casa de Forró do Pedro Sertanejo” funcionou até o final dos anos 80. Nos anos 80 já existiam muitas Casas de Forró em outros bairros, a exemplo,  “Asa Branca” e “Patativa”, salões abertos por Zé Lagoa. A Casa (salão) de Forró era um espaço de diversão e sociabilidade para os migrantes nordestinos manter as suas tradições culturais, de costume alimentar, social e reencontrar amigos e parentes. Era um espaço de trabalho para Trio de Forró  formado por músicos que residiam na cidade ou que vinha de outras cidades ou artistas já consagrados.

Luiz de Nazaré foi o Fundador da Praça do Forró no bairro São Miguel Paulista na Zona Leste e formou um grupo de Forró com os filhos: Neide, Marinês, Ivonete e Cicinho Silva.  Nesse bairro existiu a casa de Forró “Centrão”. Muitos forrozeiros fixaram residência em São Paulo: Anastácia (a maior compositora de forró e represente-mor do Forró em São Paulo), Dominguinhos (mudou-se do Rio de Janeiro para Sampa), Venâncio (esposo da Anastácia), Corumba, Gereba, Carneiro do Acordeon, Gerson Nogueira (sanfoneiro que trabalhou como contratado no Forró do Pedro Sertanejo), Glorya Rios, Fúba de Taperoá, Aluízio Cruz, Cacá Lopes, o casal Antonio Barros e Cecéu, Enok Virgulino (Trio Virgulino),   “Trio Juazeiro”Miltinho Edilberto, Tião Carvalho, Violão,  Fatel Barbosa, Bernadete França, Benito Guimarães, Luiz Wilson, Sandra Belê,  Mayra Barros Antonio Freire (Banda da Feira), Léo Poeta, Leo Rugero, Luiz Feijoli (Trio Forrobodó), “Trio Marrom”, “Trio Borogodó”, “Trio Nordestino”, “Trio Xamego”, Marlene Andrade, Tiziu do Araripe, Raimundinho do Acordeon, Téo dos 8 Baixos, Diva dos 8 Baixos, Raimundo dos 8 Baixos, João dos 8 Baixo, Germano Júnior, entre outros.

A Rádio Atual (AM 1370 KHZ) foi fundada em 15 de novembro de 1990 pelo empresário e político José de Abreu, dedicando a sua programação para o público nordestino e em 1991 em um amplo terreno que fica ao lado da Rádio, ele construiu o CTN – Centro de Tradições Nordestino, na Rua Jacofer, 615 no bairro do Limão na Zona Norte. Em 2003 o CTN conquistou o reconhecimento de Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e de Utilidade Pública Municipal pela Prefeitura de São Paulo. O CTN funciona todos os dias e os shows são de sexta a domingo. No CTN além de Forró tem shows com outros ritmos musicais, com destaque para as duplas sertanejas. Em outras cidades de São Paulo também existe CTN, a exemplo de Sorocaba.

Nos anos 90 começou a procura por aula de como dançar forró, seja no estilo performático dos dançarinos das bandas de forró estilizado/eletrônico ou no estilo dos frequentadores de baladas com mais “chamego e pegada”. Alguns dos professores pioneiros foram: Paulo Aguiar, Evandro Paz, Ivan Ribeiro, Jô Passos (falecido). No final dos anos 90 mais professores começaram incluir o Forró como mais uma opção dentro da dança de salão, a exemplo: Flávia Rodrigues, Eduardo Agra, Dani Assunção, Alexandre Silva, Patrícia Caixeta, Thamyra Miranda, Bond Dance, Ed Belchior, Duda Lima, Iris Franco, Fábio Reis, Fernanda Squariz, Davi Silva, John Mendes, Marília Cervi, Juliana Freire Santos, Celso Ricardo, Anderson do Forró dos Amigos, Ivan Santos, entre outros. Os professores de dança que seguram a bandeira do Forró como Patrimônio Cultural são fundamentais para fomentar público para Casas de Forró e show de forrozeiros. É importante que músicos valorizem o papel formador de público dos professores de dança.

Nos anos 90 além do Sertanejo e Pagode tomar conta da cena musical brasileira, as bandas de Forró: Mastruz com Leite, Calcinha Preta, Cavalo de Pau, Mel com Terra, Banda Styllus, Limão com Mel, Caviar com Rapadura, Magníficos, ganharam um público no sudeste. Eles faziam um forró com letras e forma de cantar parecida com o sertanejo e abordavam temas de Vaquejada. Hoje são conhecidos como forró das antigas. Mantendo acesa a chama do Forró.

A partir dos anos 2000 com a popularização dos grupos de “Forró Universitário”, os bairros Pinheiros e Vila Madalena permaneceram tendo bons espaços para dançar Forró: “Projeto Equilíbrio” (Prof. Vagner Souza); Canto da Ema; Danado de Bom; Remelexo; KVA, Centro Cultural Rio Verde; Carioca Club; Buena Vista Club; Restaurante Andrade. Assim como em outros bairros: Recanto do Nordeste; Restaurante Bambu; Forró do Limoeiro Bar; Nossa Casa – Confraria das Ideias; Vitrine Olido; Forró no Terraço Hostel, etc.

Nos anos 2000 grupos de Forró formados no final dos anos 90 começaram a fomentar uma cena musical que ficou conhecida como “Forró Universitário”. Eram jovens universitários ou não, que eram filhos de nordestinos ou não, mas que optaram em pesquisar e tocar o Forró pé de serra. Esses jovens começaram a se reunir em espaços alternativos no bairro de Pinheiros e Vila Madalena. Alguns grupos que se destacaram foram: Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé, Circuladô de Fulô, Forroçacana, Baião de 4, etc. E com esse cena os Trios Pé de Serra e forrozeiros tradicionais que já atuavam na cidade passaram a ser a referência para esses jovens. A cena do “Forró Universitário” não teve como objetivo a suplantação dos que já faziam o Forró Tradicional, mas ser os “seguidores” dos mestres do Forró de Luiz Gonzaga a Jackson do Pandeiro. De Dominguinhos a Oswaldinho do Acordeon. Do Trio Nordestino ao Trio Virgulino. De Antonio Barros e Cecéu a Trio Sabiá. De Anastácia a Marinês.

Dentre outros músicos  que na atualidade atuam no Forró em São Paulo, posso citar: Zé da Lua (Trio da Lua), Ernando Pimentel (Trio Kabeça Fria),  “Trio Amizade”  “Trio Caruá Banda”, “Trio Macaíba”, “Trio Flor de Muçambe”, “Trio Beijo de Moça”, “Trio Juazeiro”, “Trio Soriano”, “Trio Sudestino”, “Trio Arcoverde”, “Trio Cultura”, “Trio Lua Branca”, “Trio Malaquias”, “Trupe Trupé Teatro”, “Trio Folha Seca”, “Trio Alvorada”, “Trio Cultura Brasileira”, “Trio Cavalo de Morão”, “Trio Matilhada”, “Trio Matilha de Joa”, “Trio Raça de Pajeú”, “Krakatoa Trio”, “Trio Caritó”, “Banda Vila do Sossego”, “Trio Canjica”, “Bando de Seu Pereira”, “Forró D’ Lua”, “Peixe elétrico”, “Baião de Rua”, “Forró Capim Guine”, “Maré de Lua”, “Sociais do Forró”, “Balanço Paulista”, “Gaviões do Forró”, “Farinha do Mesmo Saco”, “Catuaba Forró”, “Brasas do Nordeste”, Ricardo Gonçalves, Bill Ramos, Fabinho Zabumbão, Chico de Andrade, Zé Neto, Ricardo Pesce (acordeonista e pesquisador sobre o Forró em São Paulo), Zé Junior do Acordeon, Márcio Dedéu, Zezim do Acordeon, Manoel do Acordeon, Carneiro do Acordeon, Fernandinho do Acordeon, Duka Santos, Zé do Vale, ” Ó do Forró”, “Dona Zefa”, Zaíra, “Dois Dobrado”, “Xaxado Novo”, “Raizes do Sertão”,  Filpo Ribeiro (Forró de Rabeca), Edivaldo Alves de Oliveira Júnior (Mestrinho), Cosme Vieira (Cosminho), Joquinha do Acordeon, Dantas do Forró, Nando Nogueira, Zé de Zilda, Geraldo Brito, Vanu Rodrigues, Orquestra Sanfônica de São Paulo, entre outros. Em 2017 nasceu em São Miguel Paulista o movimento SP Forró www.spforro.com . E movimentos anteriores da cena do Forró como: “Forró dos amigos – https://pt-br.facebook.com/Forr%C3%B3-dos-Amigos-167952556701871/“, “Forró da quebrada – http://www.forrodaquebrada.com.br/“, “Pé de Calçada – http://forropedecalcada.com/“, “Forró dos Ratos – https://www.facebook.com/forrodosratos/“, entre outros.  São Paulo, capital e outras cidades receberam todas as matrizes do Forró. E o Forró já é um Patrimônio Cultural Brasileiro.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.