Quanto Custa uma Música

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Dias atrás, no VII Forum do Forró, realizado anualmente em Aracaju, participei de uma mesa de debates com o compositor Zé da Flauta, discutindo as mudanças que a cultura digital está introduzindo no mercado da música.  Parece que a principal delas é que o mercado está deixando de ser mercado.  São cada vez mais restritas as possibilidades de se ganhar dinheiro com música.  A indústria, que durante quase um século gerou fortunas gigantescas, derrames de milhões de dólares, paxás e marajás em profusão, está minguando a olhos vistos.  Em breve, a música digital será uma atividade acessível a qualquer um e servirá apenas – para horror dos mercadólogos – para divulgar idéias.  Lucro pecuniário, zero.

Um aspecto curioso é o que observei numa recente viagem a Brasília, na chamada Feira do Paraguai. São quatro pavilhões gigantescos, repletos de boxes onde se vendem quinquilharias de todo tipo.  Achei boxes com a placa ”5 DVDs por 20 reais”.  A quantidade de DVDs (filmes e shows) era imensa, mas a quantidade de CDs de música era irrisória. Por que?  Ora, porque hoje em dia baixa-se um CD de música em 15 minutos ou menos, dependendo da velocidade da conexão.  A pirataria musical está esboroando os alicerces da indústria fonográfica, mas ela mesma está vendo seu terreno se reduzir.  Compra CD pirata quem não pode baixar no computador.  E o número dos que podem baixar está aumentando a cada ano.

Com DVD é diferente.  Dependendo da conexão, leva-se um dia inteiro para baixar um filme.  Mas esse tempo também está diminuindo.  Daqui a alguns anos, poderei baixar um CD completo de Tom Waits em 2 minutos, e um longa-metragem de Tarkovsky em dez.  Que necessidade vou ter de ir para a calçada, comprar cópias pirateadas?

E vem a questão: como cobrar por uma música que alguém baixa pelo computador?  Eu tive uma idéia. Uma canção pode vir acoplada a uma pequena propaganda. Quando a gente abre uma página do Google, o lado direito está cheio de pequenos anúncios. Que tal embutir em cada canção dez segundos (digamos) de propaganda, antes da música?  Eu baixo uma canção de Neil Young que me interessa, e quando clico para tocar ouço um breve comercial de fertilizante-sem-agrotóxico ou de palheta-de-guitarra; logo em seguida a música começa.  Ouvir a propaganda todas as vezes que a música é executada seria irritante.  Talvez houvesse uma maneira (socorram-me os técnicos do Silicon Valley nordestino) de embutir no arquivo MP3 um pequeno programa estabelecendo que depois de, digamos, dez execuções o comercialzinho se auto-deletaria.

Claro que alguém pode fazer isto e depois espalhar cópias da música sem comercial.  Mas o fato é que um número substancial de ouvintes seria exposto a ele, assim como somos expostos a um monte de “pop-ups” toda vez que entramos num site.  Não é impossível descobrir uma fórmula para que alguém (não o consumidor) nos pague por cada música que soltamos na Rede.

*Bráulio Tavares  – Jornalista, escritor e compositor paraibano. Este texto foi editado em 22/06/2008 na sua coluna diária no Jornal da Paraíba – Campina Grande – PB (http://jornaldaparaiba.globo.com).

Contatos: E-mail: [email protected] http://mundofantasmo.blogspot.com

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.