Estúdio de gravação em casa com pouco investimento

Estúdio de gravação em casa com pouco investimento
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O que é preciso para montar um estúdio de gravação em casa com pouco investimento para produzir, mixar e masterizar músicas em casa pode ser uma alternativa para quem busca trabalhar de forma independente e, sobretudo, com custos reduzidos.

Assim começou o engenheiro de som Jonathan Maia, produzindo jingles e locuções para supermercados em seu modesto home studio. Esta vivência contribuiu para ele chegar à TV Globo, onde atuou nos últimos dez anos como engenheiro de gravação em programas como The Voice Brasil, The Voice Kids, Super Star e Pop Star ao lado de diversos artistas, produtores musicais nacionais e internacionais, onde também levou o prêmio Profissão Entretenimento, como Melhor Técnico de Áudio.

Sendo assim, o especialista acredita que qualquer pessoa que tenha interesse na área de gravação e produção musical pode montar o próprio estúdio com um capital inicial razoável e quem sabe, dar início a uma nova carreira. Pois, como diz Jonathan Maia, “acredite em você, faça seu som”!

A seguir, detalhes do que é preciso: O Computador: Importante instrumento para a gravação e processamento de áudio. Com ele é possível realizar muitas funções, com resultados eficientes.  Se o objetivo é realizar gravações com trinta ou mais faixas de áudio, será preciso uma máquina de áudio potente, possivelmente com processador Intel Core i7, 8GB ou mais de RAM e um HD com no mínimo 500GB ou mais. Mas se for apenas para realizar gravações mais simples, um I5 com 8GB de RAM já deve ser mais que suficiente.

Os Softwares: Existem muitos softwares para gravação no mercado. O DAW (Digital Audio Workstation), é um programa que contém diversos recursos, como gravar e manipular áudio. Possui  inserção de plugins de efeito, instrumentos virtuais e diversos outros recursos para produção musical. Outros programas como o Pro tools, Ableton Live, Cubase, Sonar, também podem ser utilizados. As configurações mínimas da máquina dependerão de sua utilização.

A Placa de som: As interfaces de áudio podem ser externas (ligadas ao computador por dispositivo USB ou Firewire) ou internas (acopladas ao computador). A segunda podem acoplar em um só aparelho pré-amplificadores, que servem para ligar microfones ou instrumentos, e conversores analógico-digital, que irão converter o som em informações que serão lidas pelo seu computador.

Além disso, muitas delas contam com processador digital de sinal (DSP), que divide as tarefas de processamento com a CPU do computador, ideais para realizar gravações de vocais, guitarras, baixos, baterias.  Marcas como M Audio Fast Track, Focusrite e PreSonus são modelos de baixo custo e boa qualidade.

Já marcas como UAD, Apogee, MOTU, entre outras, custam mais e oferecem qualidade superior, tanto nos pré-amplificadores como nos conversores de sinal. A qualidade da placa de som está diretamente ligada à qualidade do áudio que sai pelo alto falante ou fones de ouvido.

Os Microfones: São essenciais para gravar vozes, bateria, amplificadores de guitarras e outros sons.  De modo geral, existem dois tipos: os dinâmicos e os condensadores. Os microfones dinâmicos são usados para captarem de forma mais direta uma fonte e são menos sensíveis e mais “duros”.

Eles são utilizados para captar amplificadores de guitarra, instrumentos de percussão, partes da bateria, instrumentos de sopro e outras. Os mais conhecidos são: Shure SM57, SM58, SM7B, Electrovoice RE20, Sennheiser MD421 e MD441 U.

Já os microfones condensadores são mais sensíveis e captam mais os sons, sendo utilizados para voz, violão, para a bateria como um todo, captando o efeito da propagação de seu som no ambiente. Um bom exemplo e com baixo custo para os condensadores é o versátil AKG 414. Contudo, não há garantia de um bom resultado. Por isso, fica a dica de experimentar os diversos microfones e suas possibilidades de posicionamento em relação à fonte sonora.

Monitoração de Áudio: Um bom par de caixas de som é fundamental para monitorar áudio, ouvir o que é gravado, ter uma ideia uma ideia do resultado e eventuais mixagens realizadas. Algumas delas podem ser ligadas diretamente à interface/placa de áudio, sendo desnecessária a presença de um amplificador ou receiver.

Outra forma de monitorar áudio é com um bom par de fones de ouvido. Porém, o som pode não ser tão fiel ao que foi gravado. Deste modo é possível que na hora da mixagem sejam cortadas ou amplificadas frequências que, ao serem reproduzidas em outros aparelhos com configurações diferentes, podem apresentar resultados diferentes.

Dicas importantes: Apesar de não serem essenciais, os controladores MIDI podem contribuir no processo de criação e mixagem. Além de ser possível obter um maior domínio sobre os programas de áudio, podem também ser usados tocar instrumentos virtuais, alterar parâmetros como volume, panorâmica e configurações dos VST’s. Se a ideia é utilizar o home studio para produzir as próprias faixas sem depender de terceiros, é preciso ter no mínimo conhecimentos de captação de áudio e mixagem.

Estas são as principais etapas para a criação de faixas eletroacústicas, sendo ambas determinantes para o resultado final. Uma boa captação garante maior tranquilidade durante a mixagem e masterização da faixa.  Não é indicado economizar nos tipos de cabos que serão utilizados para ligar os equipamentos. É importante escolher sempre os melhores com boas soldas e bom conectores.

Sobre Jonathan Maia: O engenheiro de som começou a estudar música ainda criança e na adolescência já produzia jingles e locuções em seu home studio. Em dez anos de TV Globo, Maia adquiriu experiência, especializou-se e conquistou prêmios.  Junto à equipe do The Voice Brasil, venceu o prêmio Globo de Entretenimento 2014, e com a do The Voice Kids, uma indicação ao Emmy 2017.

Nascido em lar evangélico, o especialista levou de forma voluntária seu conhecimento e experiência profissional para mais de 100 igrejas evangélicas do Brasil, por meio de consultorias e apostilas de treinamento básico de som. Hoje em Los Angeles, o engenheiro aproveita para aprimorar seus conhecimentos em cursos técnicos de produção de áudio. Já esteve no Capitol Studio, em Hollywood, e em Nova York, participando de workshops, como membro do Audio Engineer Society (AES), com os engenheiros de gravação do grupo Mix With The Masters.


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.