Zé Guilherme

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Zé Guilherme
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Zé Guilherme cantor e compositor cearense, nascido em Juazeiro do Norte – CE. Cresceu ouvindo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, cantadores, repentistas, violeiros, banda cabaçal, maracatu, frevo e boi-bumbá. Influências que foram de fundamental importância  para  a  realização  do  sonho  de  infância  de  se  tornar cantor.

Em São Paulo desde 1982, participou, na cidade, de inúmeros shows ao lado de amigos: Cida Lima, José Luiz Marmou, Naná Correia, Renato Santoro, Maurício Pereira, Cris Aflalo, Madan, Cezinha Oliveira, Marcelo Quintanilha, Péri, entre outros, cantou no circuito das casas noturnas de São Paulo, dirigiu, a convite, espetáculos musicais de Sabá Moraes, Ney Couteiro e Madan. Gravou seu primeiro CD demo em 1997, com arranjos, direção e produção musical do maestro Rodrigo Vitta, baseado no repertório que apresentava à época nas casas noturnas.

A partir de 1998, imprimiu rumo novo e muitíssimo mais pessoal à sua carreira. Estreou o show “Clandestino”, no Espaço Anexo Domus, em São Paulo, com arranjos e direção musical de Swami Jr. e direção geral do ator Luiz Furlanetto, e apresentou-se com “Clandestino” no circuito musical da cidade: Empório Cultural, Villaggio Café, Supremo Musical e outros, gravou o segundo CD demo, com canções de Zeca Baleiro, Carlos Careqa e Donato Alves, uma prévia do CD – “Recipiente”, em 2000, apresentou o show Zé Guilherme e Convidados no Teatro Crowne Plaza, com a participação especial de Carlos Careqa, Maurício Pereira, Vânia Abreu, Zé Terra e René de França. Cantou nos projetos Arte nas Ruas, No Clima do Som no parque da Aclimação e MPB nas Bibliotecas, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Quinta Mariana, do SESC Vila Mariana, e Quatro Vozes, do Centro Experimental de Música do SESC Consolação. Apresentou-se, ainda, no Pilão da Madrugada, em Fortaleza – CE.

Em setembro de 2000, Zé Guilherme lançou seu primeiro CD – “Recipiente”, pela gravadora Lua Discos, com produção musical e arranjos de Swami Jr. Estreou o show de mesmo nome no Teatro Crowne Plaza, marcando o lançamento do CD. Levou o show “Recipiente” ao SESC Ipiranga (projeto Encontros Musicais da Nova Safra da MPB), choperia do SESC Pompéia (projeto Prata da Casa),  Villaggio Café,  Livraria Fnac (projeto MPB na Varanda), Supremo Musical (projeto Canto da Lua, realizado pela Gravadora Lua Discos), Centro Cultural Monte Azul (II Mostra de Música Monte Azul), dentro do projeto Cena Musical Paulistana, promovido pela Rede Solidária de Música Brasileira – RSMB, Centro Cultural São Paulo, durante  a Feira do CD promovida pela Associação Brasileira de Música Independente – ABMI – SP,  Bar Água Benta, em São Paulo, SESC São Carlos, Parque do Nabuco, Casa de Cultura Chico Science, SESC Vila Mariana (projeto Série Lançamentos), e livraria Nobel Megastore do Shopping Center Frei Caneca. A interpretação de Zé Guilherme para “Mosquito Elétrico”, de Carlos Careqa, foi incluída, em 2002, na coletânea Brazil Lounge – New Electro-ambient Rhythms from Brazil, lançada pela Gravadora Música Alternativa de Portugal.

Em abril de 2003, com a participação do cantor e compositor paulista Marcelo Quintanilha e do cantor e compositor baiano Péri, mostrou, no Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, o show Zé Guilherme e Convidados. No mesmo mês, participou do show de lançamento do CD homônimo do mineiro Cezinha Oliveira, também no Teatro Crowne Plaza, apresentando-se também em outubro, como seu convidado, no Sesc Ipiranga. Em julho, foi recebido por Marcelo Quintanilha, em sua Sala de Estar com Visitas, no Blen Blen Brasil ao lado de Carlos Careqa, e em agosto apresentou-se no Villaggio Café.

Atualmente, Zé Guilherme apresenta o show Canto Geral, com canções de seu CD de estréia, unidas a interpretações de músicas inéditas de Marcelo Quintanilha, Carlos Careqa, Péri, Alexandre Leão e outros, que estarão presentes no próximo CD do cantor, em fase de pré-produção, já tendo mostrado este novo trabalho no Villaggio Café, no SESC Belenzinho (Projeto Música no Bar) e na FUNARTE – Sala Guiomar Novaes com participação de Carlos Careqa e Marcelo Quintanilha.  Participou também da 1ª e 4ª edição do SARAU PÚBLICO, realizadas no Bar Bartitura, dividindo o palco com diversos artistas entre eles Alzira Espíndola, Carlos Careqa, Cris Aflalo, Cezinha Oliveira, Dante Ozzetti, Marcelo Quintanilha, Wandi Doratiotto, entre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Zé Guilherme para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 03.02.2006:

01) RitmoMelodia: Fale do seu primeiro contato com a música. Qual a sua cidade de origem e sua data de nascimento?

Zé Guilherme: Nasci no dia 01.01.1957 em Juazeiro do Norte – CE, uma pequena cidade da região do Cariri, no sul do Ceará. E apesar de não haver nascido em uma família de músicos, vivi sempre rodeado pela música. Meus pais sempre foram grandes admiradores de música de boa qualidade. E em casa estávamos sempre ouvindo música, cantando e dançando como acontece com freqüência no seio das famílias nordestinas. O rádio sempre foi o nosso meio mais próximo e mais acessível de diversão e deleite. Além desse clima familiar musical, lá fora na rua, os sons característicos da cidade estavam sempre presentes a chamar-me a atenção. Os carros de romeiros com suas cantigas de louvação, as rezadeiras, os cantadores de Viola, a banda Cabaçal, o reisado com suas espadas, as lapinhas e suas pastorinhas, os repentistas, os benditos, a catirina, o bumba-meu-boi, foram os sons que, associados aos que ouvia no aconchego familiar, me faziam sonhar com música, respirar música, dormir com música e acordar com música. As minhas maiores paixões eram a escola, os livros e a música. Desta feita meu contato com a música se deu desde criança, no entanto o sonho de ser cantor era somente uma fantasia inacessível até então.

02) RM: Quais foram suas principais influências musicais? E quais as influências que permanecem presentes no seu trabalho?

Zé Guilherme: É muito complicado falar de principais influências, pois tanto pessoalmente como artisticamente tudo que ouvi, vivenciei e experimentei desde minha infância, adolescência e mesmo depois de adulto, considero como tendo constituído o meu rol de influências que permanecem até hoje. Tais como Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Orlando Silva, Francisco Alves, Maisa, Elizeth Cardoso, a turma da Jovem Guarda, os Tropicalistas, os ritmos folclóricos nordestinos de uma forma geral, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro entre tantas outras influências. Assim como a construção da personalidade de um indivíduo é a soma de tudo que ele viveu ao longo da vida, entendo que as influências músicas de um artista são constituídas por tudo que ele viveu, desde questões familiares, sociais, psicológicas como artísticas. Tudo faz parte do caldeirão de influências umas com mais força outras com menos força, não dá para dissociar.

03) RM: Qual sua formação musical? E quando iniciou a sua carreira musical?

Zé Guilherme: Não tive uma formação musical formal, ou seja, não frequentei Faculdade de Música, Conservatório, etc. Sou quase que 100% autodidata. Fiz aulas particulares de Técnica Vocal com profissionais de renome na área. Estudei um pouco de Piano e Violão como forma de ampliar os meus conhecimentos musicais, mas não me considero um instrumentista. Estou sempre estudando e me aperfeiçoando. Iniciei a minha carreira musical cantando na noite no início da década de 1980, apesar de só ter gravado meu primeiro disco em 2000, por circunstâncias que fugiram ao meu desejo.

04) RM: Fale do seu primeiro disco?

Zé Guilherme:  O CD – “RECIPIENTE” lancei em 2000 pela Gravadora LUA DISCOS com produção musical de Swami Jr. É um CD de música brasileira, com um repertório constituído por canções que eu já cantava em meus shows e algumas outras que eu selecionei especialmente para o CD.

05) RM: Comente sobre o seu show?

Zé Guilherme: É meio delicado o pai falar sobre o filho, por isso prefiro dizer que gosto muito de fazer shows. Procuro fazê-los com muita alegria, dedicação, escolha de repertório cuidadosa. Gosto muito de compartilhar o palco com outros colegas, por isso, na maioria dos meus shows sempre tenho convidados participando. Acho que meus shows são alegres, vibrantes e me divirto muito fazendo.

06) RM: Como analisa a produção musical que está sendo feita a partir da década de 1990 ?

Zé Guilherme: Há uma gama de trabalhos de grande qualidade e que infelizmente nem sempre chega ao grande público ou que muitas vezes a própria mídia não dá a devida atenção. Tendo em vista as grandes dificuldades de produção por parte daqueles que não possuem um suporte de uma gravadora, ou não gozam da possibilidade de um trabalho de marketing que permita uma maior visibilidade de seu trabalho, muitas produções acabam ficando restritas a um circuito restrito. Em contrapartida não é possível negar que há também uma grande quantidade de produções de pouca qualidade, de qualidade sofrível e que por circunstâncias comerciais acabam sendo favorecidas. Felizmente temos nos bastidores artistas competentes, insistentes e batalhadores que continuam insistindo e persistindo em dar continuidade ao seu trabalho de qualidade de forma oferecer produções de excelente qualidade.

07) RM: Quais os prós e contras de fazer um trabalho na cena independente ?

Zé Guilherme: Contras: a dificuldade de produzir do ponto de vista financeiro, a dificuldade de inserção no mercado comercial, dificuldade de divulgação, veiculação na mídia, entre outras. Prós: a liberdade de concepção, idéias, escolha de repertório, criação, entre outras.

08) RM: Porque escolheu São Paulo para desenvolver uma carreira musical?

Zé Guilherme: Eu não escolhi São Paulo simplesmente como “habitat profissional”. Eu escolhi como lugar para viver. Eu vim para São Paulo em 1982 por que desejava viver na cidade – por gostar dela, admirar o modo de vida, as possibilidades culturais, profissionais, etc. E em decorrência ampliar meu universo de atuação musical profissional. Apesar de cearense de nascimento me considero paulistano de coração. São quase 23 anos de residência e domicílio.

09) RM: Como você analisa a atuação cultural e musical dos seus contemporâneos?

Zé Guilherme: Quem sou eu para analisar a atuação dos meus colegas? Admiro a diversidade de manifestações, típica do universo da música no Brasil. Respeito todos os meus contemporâneos que estão sempre trabalhando honestamente e cuidadosamente em prol do engrandecimento da Música Brasileira. O que não é uma tarefa fácil tendo em vista as dificuldades do mercado. Gostaria de poder partilhar e conviver mais intensamente com todos, mas infelizmente nem sempre é possível. Sempre que posso compareço e prestigio shows e apresentações mesmo daqueles com quem não tenho intimidade ou proximidade.

10) RM: Quais as suas divergências e convergências com a prática do mercado fonográfico atual? 

Zé Guilherme: Penso que o Mercado Fonográfico atualmente tem se caracterizado como um espaço com grande dificuldade de acesso a artistas pouco conhecidos ou sem grande penetração na mídia. É claro que como artista gostaria imensamente de que o mercado olhasse pro meu trabalho e para o de tantos outros artistas, como eu, com olhos voltados para o potencial desses trabalhos. Não tenho como falar de convergências e divergências, mas sim de expectativas, desejos e frustrações. Expectativas e desejos de poder ser acolhido pelo mercado na medida em que acredito que tenho potencial para produzir trabalho de qualidade e ao mesmo tempo com possibilidades comerciais. A frustração vem da impossibilidade de sequer ter a oportunidade de apresentar esse potencial. As portas parecem estar sempre fechadas, a não ser que você tenha alguém que te facilite o acesso.

11) RM: Quem são seus principais parceiros musicais?

Zé Guilherme: Tenho parcerias de trabalho com amigos como Marcelo Quintanilha, Cezinha Oliveira, Cris Aflalo, Carlos Careqa, Vania Abreu, Estevan Sinkovitz, Luciano Barros, Sérgio Reze, Guilherme Kastrup, Swami Jr., entre outros.  No caso de Cris Aflalo e Cezinha Oliveira tenho a honra inclusive de ser parceiro de ambos como compositor, temos algumas canções compostas em parceria.

12) RM: Quais os seus projetos futuros ?

Zé Guilherme: Tenho diversos projetos em vista, mas o principal deles e do qual posso falar mais objetivamente é a gravação do meu segundo CD que já se encontra em andamento e que espero finalizar ainda no primeiro semestre deste ano.

13) RM: Quais os seus contatos?

Zé Guilherme:  ZG Produções – (11) 5083 1629 | [email protected] \ www.zeguilherme.com.br \ [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.