Zé Guela

ze guela
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Avalie esta Entrevista

Zé Guela (José Henrique Lorenzo) quando criança falava muito. No início da adolescência, passou a cantar muito. A voz fina, indecisa entre a maturidade e a infância, rendeu-lhe o apelido.

Passou o tempo, o jovem falando menos. Gostava de brincar de escrever poesias. Brincadeira solitária. Depois, de escrever músicas. Em 2000, o compositor José Henrique emprestou o seu apelido para a banda que acabara de formar: banda Zé Guela. Que faz um pop-rock de entretenimento, irreverente, despretensioso, brincalhão. Brincando, brincando, gravaram dois trabalhos independentes: CD – No Style e CD – Dama, Virgem e Pura. Tímidos rascunhos do que viria a ser a banda Zé Guela, uma das mais promissoras do cenário independente nacional. Em 2008, já com uma nova postura musical, o grupo lança o CD – Casa de Boneca.

Segue abaixo entrevista exclusiva com a banda Zé Guela para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04.10.2010:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Zé Guela: Em 22 de outubro de 1978, nasci na cidade de Alfenas – MG. Era um menino de voz fina e estridente chamado José Henrique Lima de Lorenzo. Logo nos primeiros dias de vida, ele já ganha o apelido de ”Zé Guela”. Formação da banda desde 2006: José Henrique Lorenzo (piano e voz), Gabriel Marx(guitarra e vocais – 18/11/1981), Fernando Pardini (Baixo – 16/07/1977) e Eduardo Brás (Bateria – 5/2/1980).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Zé Guela: Nas mesas dos bares ouvindo meus pais (Beth e Miguel) trabalharem nas ”Noites Sul Mineiras”. Beth e Miguel tocam Bossa Nova profissionalmente há mais de 30 anos e eu os acompanho desde sempre.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Zé Guela: Estudei piano com Valda Tiso (mãe do maestro Wagner Tiso) e com Aulus Mourão (irmão de Túlio Mourão). E tive o prazer de estudar harmonia e ter longas conversas com o guitarrista Fredera (Som Imaginário). Mas minha escola musical mesmo foi ”na noite” acompanhando meus pais. Além da música, sou professor de tênis e fisioterapeuta pós-graduado em Ortopedia e Neurologia.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Zé Guela: Cresci ouvindo o Tom Jobim e o Vinicius de Moraes. Amadureci ouvindo Gustav MalherClube da Esquina e Led Zeppelin. E no presente ouço RadioheadColdplay e Muse. O Led Zeppelin não é mais tão importante para mim e confesso que estou ouvindo muito o grupo Muse.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Zé Guela: No colégio Promove de Alfenas/MG, onde formávamos pequenas bandas pra tocar nas Gincanas e festinhas.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Zé Guela: Primeiro álbum em 2001: No Style (eu gravei todos os instrumentos) e o destaque vai para as canções que fiz em Francês. Um disco totalmente sem estilo. Segundo álbum em 2003: Dama, Virgem e Pura. Eu gravei as vozes e guitarras. O Ricardasso gravou as baterias e o produtor Jailton Nunes gravou os baixos e metais. Esse disco tem um enfoque irreverente e brincalhão nas melodias e arranjos. Porém as letras são tristes. Todas as canções foram compostas em homenagem a uma garota que me traiu com uns 12 rapazes diferentes. Terceiro álbum em 2008: Casa de Boneca. Nosso primeiro álbum de gente grande. Disco melancólico que flerta com as melodias mineiras e com o atual rock e pop dos ingleses, mostrando o amadurecimento de um artista. Destaque para as canções ”MELANCOLIQUE” e ”CASA DE BONECA”. Quem produziu o disco foi o nosso guitarrista Gabriel Marques. Eu gravei os pianos, teclados e vozes. O Eduardo Brás as baterias e o Gui Pugas os baixos. Quarto álbum + primeiro DVD: Zé Guela ao vivo no Teatro Alterosa em Belo Horizonte – MG. O CD e DVD estão sendo finalizados. Foram gravadas 16 músicas, 10 canções dos álbuns anteriores e 6 canções inéditas. A rapaziada é a mesma que gravou o álbum anterior (Casa de Boneca). Este trabalho tem como destaque as 6 músicas inéditas (principalmente a canção  O VENDEDOR DE HISTÓRIAS). E as participações especiais dos amigos e parceiros Heitor Branquinho (compositor Trespontano que reside em São Paulo) e Flávio Landau (artista original e irmão dos compositores Rogério Flausino e Sideral).

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Zé Guela: Um Pop alternativo que alguns chamam de música popular mineira.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Zé Guela: Sou um cantor e intérprete das músicas que faço. Não estudei técnica vocal e não me considero dono de uma voz privilegiada. Sou apenas o ”Zé Guela”ou José Henrique Lima de Lorenzo.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Zé Guela: Não estudei técnica vocal.

10) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Zé Guela: Edith PiafMarcelo Camelo e meus pais Beth e Miguel.

11) RM: Quem são os seus parceiros musicais?

Zé Guela: A maioria das canções eu faço sozinho, letra e música. Mas tenho também alguns parceiros importantes, são eles: Zé Renato FressatoPlattiny PaivaPaulo Henrique LaraMingauHeitor BranquinhoLio Fonseca e Landau.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Zé Guela: Liberdade, autonomia, originalidade. O único problema são os custos para se produzir um material de qualidade. Por isso a necessidade de se outras profissões(risos).

13) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Zé Guela: O cenário evoluiu com certeza. A questão é que falta espaço e público para ”escoar” o trabalho desses artistas. Tenho acompanhado mais o rock independente e gosto muito do Móveis Coloniais de Acaju, do Los Porongas e do Vanguart. Considero essas bandas as ”novas revelações”. Ando com preguiça da velha MPB, e artistas como Milton Nascimento, Flávio Venturini, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Já não me inspiram tanto com os seus novos trabalhos. Tenho mais preguiça ainda da nova MPB que só encontra espaço pra inserir suas músicas nas novelas globais (Maria Gadu, Lenine, Vanessa da Mata, etc). Prefiro entrar no site do Clube Caiubi e escutar os compositores independentes.

14) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Zé Guela: Tive a oportunidade de assistir a dois shows da Zélia Duncan. E um deles ela foi para substituir a Rita Lee num grande festival. Admirei o carisma dela e a qualidade artística da rapaziada, principalmente de um músico chamado Cristriaan Oyens.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosto, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Zé Guela: Já aconteceu de tudo, principalmente pelo fato do “Zé Guela’’ circular musicalmente em todos os meios: festivais de MPB, festivais de Rock independente, shows em feiras agropecuárias, pequenos shows em bares, restaurantes, festas particulares e até casamentos. Já dormi dentro do carro diversas vezes. Já perdi shows pelo fato do carro “pifar’’ no caminho. Já briguei com contratantes. Já fiz muito sexo em ”camarins’’. E já cai do palco por beber muita Vodca. Hoje prefiro ter mais paz e organizar toda a logística dos shows antes de viajar (risos).

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Zé Guela: O que me deixa mais feliz é o momento em que as pessoas reconhecem o seu trabalho e se emocionam com você. E o que me deixa mais triste são os contratantes que não sabem nada de “arte’’ e que não respeitam o nosso trabalho.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Zé Guela: Sou nascido em Alfenas – MG, mas moro em Divinópolis – MGDivinópolis é uma cidade do centro-oeste mineiro de aproximadamente 300 mil habitantes. A maioria não é nascida aqui. E a cidade cresce muito, porém desordenadamente. Ainda não se reconhece culturalmente, embora tenhamos grandes nomes da cultura local: escritora Adélia PradoTúlio Mourão, família Lara e grupo Pharmácia. Todas as rádios da cidade giram em torno da música sertaneja (a duplaGino e Geno reside aqui). E a maioria dos músicos sobrevive tocando em grandes bandas de baile locais: Lex LuthorCalistonesRG7. No entanto, existe vida além e nos agrupamos em coletivos em fazemos nossos próprios eventos autorais (circuito Fora do Eixo) e felizmente conseguimos formar público.

18) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Zé Guela: MuseColdplayRadioheadBabilak Bah e Som Imaginário.

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Zé Guela: Em rádios comerciais, nunca. A não ser que uma multinacional resolva patrocinar o “Zé Guela’’(riso). Em rádios educativas, sim.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Zé Guela: Tenha uma segunda profissão. Pois assim você poderá tocar, compor e respirar tranquilamente sem se “prostituir’’.

21) RM: Quais os seus projetos futuros?

Zé Guela: O meu primeiro DVD ao vivo. E o quarto CD já é uma realidade em 2010. Meu próximo passo será começar a gravação de um quinto álbum de músicas inéditas. E a gravação de um documentário que registre fatos inusitados que acontecem comigo na estrada.

Contatos: (37) 99124 – 4205


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.