Vicente Viola

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Vicente Viola
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O cantor, compositor, violonista, violeiro, professor e produtor musical carioca Vicente Viola aprendeu a tocar Acordeon, Viola de 10 cordas e Violão aos 10 anos de idade com o seu primo Jaime Colli, o famoso “Lé” na Colônia Constanza em Leopoldina – MG.

Estudou improvisação e violão erudito com Carlos Delmiro, Hélio Delmiro, Odair Assad e Juarez Carvalho e composição com Antônio Adolfo pelo projeto do Colégio Calouste Goulbekian. E Teoria e Percepção Musical no curso TEPEM da Universidade do Rio de JaneiroUnirio. E Orquestração e Regência com o maestro Nelson de Macedo, em uma turma formada por Paulão 7 cordas, Tom da Bahia e Marcilio do Bandolim. E Piano com Helvius Vilella na Escola Brasileira de Música. E Improvisação e Arranjo com Sérgio Benevenuto na Escola Rio Música. E Violão e Magistério em Educação Artística pelo Conservatório Estadual de Leopoldina – MG. E graduação em Música no Centro Universitário do Conservatório Brasileiro de Música – Rio de Janeiro, em que se formou bacharel e licenciado em Violão com o professor Paulo Pedrassoli. Fez Mestrado em Musicologia na área de epistemologia em Educação e se formou Mestre em Musicologia. É Doutorando pelo programa de pós-graduação da Faculdade de Educação pela UFRJ, defende o título de Doutor em Educação.

Iniciou nos anos 70 a carreira como artista de teatro e músico da noite por vários bares, clubes e hotéis do Rio de Janeiro. Em 1976, apresentou-se, com seu grupo de teatro estudantil, numa montagem da obra musical “Quadrilha” de Chico Buarque. Em 1979, formou a banda “Amálgama”, assumindo os vocais e a guitarra, ao lado de Marcelo Paschoal (baixo) e Marcos Humel (bateria). No ano seguinte, fez um show na Casa do estudante, no Rio de Janeiro, para o programa “Sinal Aberto”, da TVE com apresentação de Fernando Lobo. Ao seu lado, os músicos Marcelo Paschoal (baixo), Elcio Káfaro (bateria) e Newton Golek (piano), a segunda formação da banda Amálgama.

Em 1980, participou do Festival Estudantil do Estado do Rio de Janeiro, na Sala Cecília Meireles (RJ), obtendo com a música “Samba do Trabalhador” o terceiro Lugar. Em 31 de maio de 1980 profissionalizou-se registrando-se na OMB sob o nº 27.976. Ainda em 1980 formou o “Duo Viola e Bandolim” com Cezar Sanrana com realização de vários shows, destacando—se SESC da Tijuca e a Faculdade da Rural da UFRJ.

Em 1982, lançou o disco “Justamente”, pelo selo Distak. A gravação contou com a participação de músicos como Vital Farias, Cátia de França, Paulinho do Bandolim e Ithamara Koorax. Apresentou-se na casa de espetáculos “Bar do violeiro”, no RJ, ao lado de Hélio Contreiras. Ele atuou no Projeto Quatro Gatos, em Niterói – RJ, com Tonho Baixinho, Cátia de França, Anna Gazola, Sérgio Sampaio, Ithamara Koorax, Nelson Cavaquinho, Aldir Blanc, Maurício Tapajós, Silvio da Silva Junior, Juca Filho, João do Vale, Sérgio Sampaio, Cirino e Rui Mauriti. Em 1984 participou do show de Mercedes Sosa e João do Vale, no Clube Recreativo Gigante do Catete, mais conhecido como Forró Forrado no Rio de Janeiro, dividindo o palco com Miúcha, Almir Saint Clair e Paulo Afonso.

Apresentou-se no Circo Voador, com a Orquestra de Violões da Uni-Rio e no show de lançamento do Poema de Paulo George ao lado de Xangai, Jatobá, João Donato, Billy Blanco. Participou da gravação da faixa “Donos da Terra”, uma versão de Renato Russo e Flávio Venturini para uma música de Neil Young, para o disco do 14 Bis pela Odeon, no coral ao lado de Milton Nascimento, Joyce, 14 Bis, Beto Guedes e Lô Borges.

Gravou em 1984 uma fita cassete com duas músicas autorais: “Boiadeiro” e “Viola e Bandolim”. E participou como figurante de um dos episódios do seriado do “BEM AMADO” ao lado de Chico Anísio e Paulo Gracindo.

E gravou em 1984 pelo selo Conect, com produção de Jairo Barros, uma fita cassetete com 12 músicas autorais. Em 1986, em Brasília-DF, participou de um show ao lado de nomes como Chico Buarque, Beth Carvalho, Gonzaguinha, Vinícius Cantuária, Luiz Carlos da Vila e Roberto Ribeiro, fez coro aos que defendiam as terras indígenas. No mês seguinte, reencontrou Chico Buarque para um novo show, dessa vez em homenagem ao jogador Afonsinho, precursor da lei do Passe Livre, no futebol, no Campo do Olaria Futebol Clube. Dentre os convidados estavam: João Bosco, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gonzaguinha, João Nogueira, Paulinho da Viola, Geraldo Azevedo, Roberto Ribeiro, Elton Medeiros e Elba Ramalho. E participou dos shows em Homenagem a Nelson Cavaquinho na antiga sede do Clube do Samba na Barra ao lado de João Nogueira, Carlinhos Vergueiro e Roberto Ribeiro. E dos shows em homenagem a João do Vale no Clube Português da Tijuca ao lado de Gonzaguinha, Chico Buarque, e Dominguinhos.

Em 1986 a sua composição “Martelo linfático” com Renato Carvalho e arranjos de Paulo Moura ficou em segundo lugar no Festival “Som das águas”, organizado pela TV Manchete. Em 1988, voltou a dividir os palcos com Gonzaguinha, Zé Ramalho, Fagner e Moraes Moreira, em show no Estádio de Remo da Lagoa, encerrando o Festão 88. Foi contratado pela TV Globo para se apresentar no programa “Som Brasil” ao lado de Almir Sater, Gilberto Gil, Renato Teixeira, Paulinho Pedra Azul. E pela TV Cultura de Minas Gerais para o programa “Arrumação” de Saulo Laranjeiras ao lado de Paulinho Pedra Azul, Celso Adolfo, Lô Borges.

Em 1989 ficou em terceiro lugar no Festival Eisteddfod, na África do Sul, com o Grupo Folclórico do Brasil. Responsável pela voz, pelo tamborim e pelo violão, era acompanhado por Paulinho Bi (violão e voz), Décio Carracosa (sax) e Maria Clara Padinha (piano, caxixi e voz). Em 1990, participou do show “Canto à Cuba”, na Escola de Música da UFRJ, com Taiguara, Hélio Contreira, Jatobá, Sérgio Ricardo, entre outros. No ano de 1996, fez uma série de apresentações na casa de espetáculos Business Club One, ao lado de Jorge Vercillo. E obteve o primeiro lugar no Festival dos Cantores da Noite do Rio de Janeiro, no extinto Bar Teatro com o júri formado por Carlos Lyra e maestros estrangeiros. Em 1998 acompanhou a famosa cantora japonesa Yuko Maeda no Bar Vinicius em Ipanema. E participou do Projeto de Jongo da Serrinha ao lado do Mestre Darcy da Serrinha com quem compôs com Mestre Darcy e Luciano Delagrth Theo: “Menor que meu Sonho”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Vicente Viola para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 18.07.2016:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Vicente Viola: Eu nasci no dia 20.07.1959 no Rio de Janeiro no bairro de Laranjeiras, mas filho de pais separados, a minha criação durante os meus primeiros anos de infância de dividiu por Acaraú – CE e na colônia Italiana Constanza em Leopoldina – MG e Rio de Janeiro. Fui batizado como Vicente Estevam. Sou filho de imigrantes italianos da província de Ceregnano pertencente a cidade de Rovigo da região de Veneto – Norte da Itália – Colonos da Constanza de Leopoldina-MG e de bolivianos de La Paz e Santa Cruz de la Sierra que migraram para o Acre e depois para o Ceará.

02) RM: Como foi o seu primeiro contato com a música.

Vicente Viola: Mais ou menos aos 10 anos de idade com meu primo Jaime Colli, acordeonista em Leopoldina-MG, que tocava sempre as tardes para alegrar o dia de trabalho de campo

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Vicente Viola: Estou terminando o Doutorado em Educação Musical; Sou mestre em Musicologia; Pós-graduado em Perícia Criminal; Graduação em Música pelo CBM-CEU com Habilitação em Violão e Licenciatura em  Educação Musical para Ensino Básico, Fundamental e Médio pela UCAM-AVM; Magistério em Educação Artística e Técnico em Violão; tenho cursos livres em Arranjos; Improvisação com Hélio Delmiro, Antônio Adolfo e Sérgio Benevenuto; Composição e Regência com o Maestro Nelson Macedo; Músico erudito e popular com Paulo Pedrasolli, Carlos Delmiro; Canto com Athayde Becker. Cursos de Extensão em Pericia Judicial; Turismo e Técnico em Administração de Empresas.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Vicente Viola: Para mim as maiores influências foram Beatles, Taiguara, Chico Buarque, Música de Viola Caipira, Caetano Veloso, O Terço, YES, Deep Purple, Roberto Ribeiro, Altemar Dutra, Noel Rosa, Vila-Lobos, Altamiro Carrilho, Lô Borges, Beto Guedes, Milton nascimento, Celso Adolfo, Paulinho Pedra Azul e Cassiano.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Vicente Viola: Iniciei a minha carreira com a minha profissionalização em 31/05/1980 ao ser contratado para tocar no “MARMITA” um bar que ficava ao lado dos antigos estúdios da TV Globo e lá tive o prazer de conviver com vários atores e vários artistas que frequentavam esse Bar como Sivuca com quem tive o prazer de dividir o palco com a sua canja inesperada.

06) RM: Quando foi lançado o seu primeiro CD (quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que se destacaram?

Vicente Viola: O primeiro disco foi  gravado, entre os anos de 1980-1982, no estúdio Aquárius do filho do Abel Ferreira, mas na época ainda não havia CD e se gravava no Vinil e uma extensão que se voltava para uma inovação na párea chamada Compacto Simples ou Duplo e o meu foi Simples com duas músicas-fixas, uma em parceria de Renato Carvalho chamada “LEMBRANÇAS”, que contou com a participação na produção de Vital Farias e Cátia de França e participação de ITHAMARA KOORAX, que iniciava a carreira. Na segunda música uma parceria com Aldir Blanc intitulada “JUSTAMENTE”. Este Compacto contou com participação de grandes músicos entre eles Paulinho Marques (Paulinho do Bandolim).

07) RM: Como anda a produção e gravação do seu segundo CD (quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que você acha que cairão no gosto do seu público?

Vicente Viola: Na verdade estou em preparação de dois projetos, um intitulado “BRASIS DO BRASIL”, título retirado do livro de Darcy Ribeiro que traz um resgate de cultura locais tentando contrapor toda tentativa da semi-aculturação de massa e costurar culturas pela questão da industrialização. O outro é um CD de samba autoral que venho gravando aos poucos, que traz parcerias com Aldir Blanc, Mário Lago Filho, Márcio Monteiro, Valter Queirós, Carlinhos Vergueiro, Valéria Pisauro, Luciano Thell Delarght, Rildo Souza e Paulo George.

Discografia: (2007) Não Há (Inegociável) – Selo Independente Elo Produções. (2006) Meu Lado Interprete* – Selo Independente Elo Produções. (2005) Meu Lado Regional Selo Independente Elo Produções. (2004) Alma – Selo Independente Elo Produções. (2003) Duo Elo – Sala das orquídeas – Selo Independente Elo Produções. (1982) Vicente Viola – Selo Distak – LP

OBRAS: CD: “Justamente” – Vicente Viola/Aldir Blanc; “Lembranças” – Vicente Viola / Renato Carvalho

FITA CASSETE “VIOLA E BANDOLIM”: “Boiadeiro” – Vicente Viola / Cezar Sant’ana / Vandenberg; “Viola e Bandolim” – Vicente Viola/ Cezar Sant’An. FITA CASSETE “SEMEAR”. Disco de Juarez Penna: “Almagesto” – Vicente Viola \ Kiko Chaves. CD ALMA: “Martelo Linfático” – Vicente Viola / Renato Carvalho. “Último Blues (Avesso)” – Vicente Viola / Sergio Sampaio / Ana Babinki. “Sem Premeditação” – Vicente Viola / Ana Terra / Ana Babinki.  “Pólen da Vida” – Vicente Viola / Jurandyr da Feira. “Alma” – Vicente Viola/ Marcia Peltier. “Iluminada em Mim” – Vicente Viola / Carlinhos Vergueiro / Ana Babinki. “Aniversário de Separação” – Vicente Viola / Aldir Blanc. “Energia (Penso em você)” — Vicente Viola / Paulo George. “Candelária” – Vicente Viola / Mário Lago Filho /Ale Menezes. “Cor” – Vicente Viola / Gebê. “Todo Samba Popular” – Vicente Viola / Walter Queiroz. “Atol do Besteirol” – Vicente Viola / Aldir Blanc. “Nheengatu” – Vicente Viola. “Vinho e Pão” – Vicente Viola / Paulo Delfino 

08) RM: Como você define o seu estilo musical?

Vicente Viola: Acho essa questão para mim é de difícil reposta, pois passo por vários estilos e gêneros, tenho uma perspectiva mais de pesquisador-compositor-artista. Não tenho interesse de estabelecer sucesso e sim buscar deixar garantido reflexões sobre a possibilidade de um mundo mais coerente para ser vivido entre nós.

09) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Vicente Viola: Duas formas diferentes de interpretações. A de cantor está voltado para um trabalho interpretativo das canções relacionando a questão da melodia, harmonia e a sua referência vocal técnica, ou seja, um olhar mais técnico. A de Intérprete pode ter uma leitura do trabalho a ser construído fundamentada juntamente pela técnica de cantor que ao meu ver seria mais completa, como também trazer uma leitura fundamentada em uma leitura teatral, construindo um personagem cantor para representar uma canção.

10) RM: Você estudou técnica vocal?

Vicente Viola: Sim. Tive o prazer de ter dois mestres, uma no Conservatório Brasileiro de Música (que no momento não me lembro o nome) e o Prof. Athayde Becker que era diretor do teatro municipal no departamento de baixos.

11) RM: Você estudou quais instrumentos musicais?

Vicente Viola: Passei pela Acordeon e Violão com Othon Rocha Filho, mais conhecido como Othon Mascarenhas que era meu vizinho no mesmo prédio na rua Silveira Martins; Piano com Helvius Vilela; Teclado no CEL de Leopoldina-MG; Violão popular com Carlos e Hélio Delmiro e Erudito com Duda Anísio, Odair Assad e Paulo Pedrasolli.

12) RM: Apresente um resumo do seu mestrado e doutorado na área de musicologia?

Vicente Viola: O meu Mestrado trouxe uma reflexão sobre questão da evasão escolar dentro de uma linha mais abrangente de pensamento denominada por alguns autores como Pós-moderna. Dentro dessa visão a evasão traz uma preocupação em estabelecer uma análise interativa dialógica das vozes de seus atores, de seus gestores, coordenadores e não de estabelecer um olhar unilateral institucional. Constataram-se distancias entre as vozes referidas como uma ausência de interação dialógica para uma educação que possa dar conta das demandas sócio culturais na contemporaneidade.

O Doutorado, por sua vez, a partir das distâncias percebidas no Mestrado, traz um estudo sobre a música na educação da contemporaneidade do século XXI, por ser esta uma época (denominada por alguns de Hipermoderna e por outros Pós-Moderna), além das distâncias, de bastante conflitos e tensões em que o advento da lei 11.769/08 tem como diretriz a obrigatoriedade da educação musical nas escolas básicas da rede regular de ensino. Dentro deste contexto, há também a tentativa de estabelecer a música dentro do Plano Nacional de Cultura e vários discursos são percebidos nesses dois patamares em que se nota inquietudes e dúvidas. Assim, tento analisar os discursos estabelecidos como acordo que foram trazidos da modernidade como ecos e, que permanecem ainda, como acordos válidos e legítimos e determinar um quadro de possibilidades em que novos acordos possam viger como pontos de equilíbrio nesse momento em prol de uma educação musical mais abrangente no que se refere resgatar o sentido da cultura e da arte já esvaziados de seus significados.

13) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

 Vicente Viola: Cauby Peixoto, Neil Diamond, Taiguara, Milton nascimento, Pavaroti, Fátima Guedes, Nana Caymmi, Andrea Boccelli, Nilson Chávez, Eudes Fraga, Silvio Rodriguez, Leni Andrade, Charles Garcia e Mercedes Sosa.

14) RM: Fale de sua atuação como compositor?

Vicente Viola:  Sou basicamente um compositor antes de ser cantor e professor, tenho vários parceiros entre eles: Jurandyr da Feira, Gebê Rios, Renato Carvalho, Cacau Leal, Sérgio Sampaio, Aldir Blanc, Mário Lago Filho, Márcio e Marcos Monteiro, Ana Terra, Paulo George, Valter Queirós, Sonia Anja, Luiz Carlos Santos, Paulo Delfino, Luciano Thelll Delarght, Ana Babinski, Veronica Sacchetto, Jabar, Abílio Fernandes, Mestre Darcy da Serrinha, Carlinos Vergueiro, Jorge Bodart, Rildo Souza, Liliana Secron, Daniel Taruma, Kiko Chavez.

 15) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Vicente Viola: Tenho em mente que a carreira independente é uma carreira promissora se o artista estiver voltado na importância de seu trabalho e não na questão de venda. Há nesse sentido os contras como a distribuição, embora hoje tenhamos a ferramenta da internet, ainda é difícil remodelar o gosto do público que esta reificado pelo imediatismo imagético e não em uma oitiva mais apreciativa sonora.

16) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Vicente Viola: Na verdade esse cenário diverso sempre existiu, o que muda são as determinações modelares da industrialização que se apoderam de vertentes comerciais, impostas pelo processo de alienação entre a escuta e a imagem. Mas mesmo assim, é possível notar revelações como Lenine e Jorge Vercillo e outros que permanecem como CHICO BUARQUE, MILTON NASCIMENTO, CAETANO VELOSO, ROBERTO CARLOS, ZECA PAGODINHO, PAULINHO DA VIOLA, JORGE ARAGÃO, GRUPO 14 BIS e TAIGUARA, este embora um pouco esquecido, ainda é lembrado por seu público.

17) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

 Vicente Viola: Para mim exemplifico Quatro: Magrão do 14 Bis (Rio de Janeiro e Belo Horizonte-MG), Chico Buarque, Taiguara, Caetano Veloso, Nilson Chavez (Belém-Pará), Ubiratan Souza (São Luís-Maranhão), Celso Adolfo (Belo Horizonte-MG).

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Vicente Viola: Para mim essas situações citadas são comuns hoje em dia, pois hoje há um desrespeito geral para com o profissional músico que é tratado ainda como um profissional que não tivesse qualidades e competências, embora haja para shows com produção maiores possibilidades de acordos financeiros que são respeitados por gerarem a partir de publicidades maiores lucros para os investidores.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Vicente Viola: A felicidade do artista se encontra nos espaços para a execução de sua arte, mas hoje há poucos espaços e os que há estão vinculadas as empresas, investidores ou projetos. Assim, os profissionais que não estejam engajados nestes, tem como espaço as ruas, bares e centros culturais para a tristeza destes profissionais.

20) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Vicente Viola: Moro no Rio de Janeiro-RJ e em Leopoldina-MG. No Rio a cena carioca está localizada na Lapa como um centro de cultura, embora a meu ver não a represente. Em Leopoldina a diversidade está prontamente visível entre a cultura local e a global que contamina e massifica. Mas ainda assim é possível ver a folia de Reis entre os meses de janeiro a março, bem como o Carnaval, e ao Conservatório Estadual de Leopoldina que faz projetos de resgate educacionais neste propósito.

21) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Vicente Viola: Não sou bom para avaliar os atuais por isso colocarei os de resgate como os Brasileiros: 14 bis, Mutantes, Sangue da Cidade, O terço. Estrangeiros: Yes, Pink Floyd, Deep Purple.

22) RM: Você inscreve as suas músicas em Festivais de Música?

Vicente Viola: Há tempos que não inscrevo uma música em Festivais de Música porque há qualquer coisa de errado nos julgamentos dos jurados que sempre reiteram mesmas músicas como vencedoras, o que pressupõe certas injustiças e manipulações de resultados. Mas talvez venha a inscrever em um festival que possa ser avaliado como neutro em suas apurações.

23) RM: O que acha da importância dos Festivais para revelar novos talentos para um grande público?

Vicente Viola: Acho que os modelos de Festivais da década de 70 e 80 importantíssimo para a fomentar a criação de valores. Há hoje um certo formato em evidência que privilegia a imitação e não a criação e ao meu ver são inválidos para estabelecer a arte e sim o entretenimento ou a arte reduzida a este patamar.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Vicente Viola: Nas rádios com horários privilegiados não há como, pois estas estabelecem acordos com as gravadoras e os patrocinadores que são na verdade as donas dessas estações por garantir a sua parte financeira com os investimentos necessários para a sua estabilidade. Agora há programa fora de horários privilegiados e alternativos que é possível tocar ou como é chamado essa prática “Caitituar” e garantir assim um qualquer de direito autoral, de interpretação e direito conexo.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Vicente Viola: Olha acho que talvez a palavra seja a Perseverança e a Confiança em si mesmo.

26) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

Vicente Viola: Bom hoje atuo como perito judicial e criminal em direitos autorais pelos tribunais, professor, escritor, compositor de alguns cantores, agente cultural de alguns projetos e pesquisador cientifico.

27) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Vicente Viola: Empreendimentos de Projetos Culturais, participações em shows, recebimentos de direitos autorais fonográficos e literários e atuações alternativas.

28) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Vicente Viola: Acho que a internet seja a ferramenta mais possante para o artista independente, embora ainda esteja em construção o artista constrói o seu próprio público a parte e negocia a sua arte. No entanto há o lado negativo de contraposições e aliciamento de grupos conflitantes. Acho que é preciso ficar atento e navegar com consciência artística onde a arte possa ser um instrumento político de mudanças na sociedade.

29) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)? 

 Vicente Viola: Maravilhoso, hoje é possível produzir a si mesmo, portanto e ficar atento a sua própria evolução e sempre tentar fazer o melhor.

30) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Vicente Viola: Busco sempre estar atento as mudanças e as “reivindicações” para produzir algo que tenha demanda entre a expressividade e “impressividade” do espectador.

31) RM: Existe Dom musical?

Vicente Viola: Esse é um tema bastante polêmico que traz a possibilidade de realização de uma tese. Mas, no que se pode referir ao dom de maneira simples foi uma forma da linha de pensamento religioso com aportes em Platão trazer à tona a idealização de uma divindade ligada à música em ascese cognitiva, além de estabelecer o princípio da seletividade que existe até hoje e aproveitado para outros setores com a educação. No que se refere a existir, para mim o que existe é uma possibilidade genética interligada a alguma linha familiar sanguínea que associada à percepção e a busca do conhecimento se faz presente na forma de habilidade.

32) RM: Existe de fato improvisação musical?

Vicente Viola: Acho que a improvisação em si mesma é uma forma de exercícios metodológicos em que se pode apurar toda uma noção harmônica e melódica.

33) RM: Existe ouvido absoluto? 

Vicente Viola: Ao meu ver o que existe é o ouvir bem, ou seja, ouvir faz parte de um processo em que a escuta interage com a compreensão do que se escuta,  o entender do que se escuta e o que é a emissão do que se processou.

34) RM: Quais os principais erros no ensino musical?

Vicente Viola: O ensino musical traz em seu bojo acordos e modelos que estão em desacordo com as demandas socioculturais, além de permanecer em vigência prejudica a acepção de novos aportes e negociação de novos aportes que, por sua vez, podem contribuir para solucionar alguns problemas.

35) RM: Qual a sua postura metodológica como professor de música?

Vicente Viola: Tenho em mente que os meios não substituem os fins e assim mantenho-me na diretriz da prática-teórica com um processo na formação de um sujeito consciente e reflexivo de sua postura como artista e profissional.

36) RM: Você é orientador de mestrado?

Vicente Viola: Estou em fase de conclusão (2017) de meu Doutorado para poder ser orientador.

37) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Agepê?

Vicente Viola: Tive o prazer de ser instrutor monitor de uma turma de educação musical em que o cantor AGEPÊ fazia parte. E ele por vários anos me chamava de professor e tive a honra de acompanhar a sua carreira, mesmo em seus momentos finais quando eu o encontrei na Barra da Tijuca no Condomínio Rosas.

38) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Vital Farias?

Vicente Viola: Vital Farias além de um amigo em que eu tive o prazer de dividir momentos na década de 80 no Rio de Janeiro, foi um amigo produtor de meu disco compacto simples juntamente com Cátia de França em 1982 em que ITHAMARA KOORAX iniciava sua carreira como cantora e fez uma participação nesse projeto.

39) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Cátia de França?

Vicente Viola: Hoje nos falamos pouco, mas foi uma amiga em que eu tive o prazer de produzir alguns shows como por exemplo o projeto Quatro Gatos em Niterói-RJ, além de participar como produtora de meu disco justamente ao lado de Vital  Farias.

40) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Aldir Blanc?

Vicente Viola: Meu terceiro parceiro em que conheci no Bar em que eu atuava como músico, da livraria Pasárgada em Niterói-RJ com o Rui do MPB4 e Mauricio Tapajós.

41) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Nelson Cavaquinho?

Vicente Viola: Nelson Cavaquinho foi meu vizinho em Jardim América e eu frequentava a sua casa com sua esposa Dona Durvalina e sua filha Marcia sempre tomando um cafezinho juntamente com meu parceiro Alê Menezes que era muito considerado pelo Nelson como seu afilhado. Tive o prazer de produzir três shows com o Nelson: no bar Quatro Gatos em Niterói, no bar Conto de Areia em Botafogo e em um bar do centro da cidade no qual não me lembro mais o nome.

42) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com João do Vale?

Vicente Viola: João do Vale conheci no Forró Forrado em 1984, ficamos tanto amigos que ele dormia lá em casa e me apresentou ao Chico Buarque no campo de futebol e tive o prazer de conviver com esse compositor vários anos de sua vida.

43) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Sérgio Sampaio?

Vicente Viola: Sergio Sampaio também participou do projeto do bar Quatro Gatos em Niterói e fizemos uma amizade que ele passou a morar em minha casa pelos idos dos anos 90 quando compomos “Último Blues” , que foi a sua última canção em vida.

44) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Mercedes Sosa?

Vicente Viola: Tive o prazer de cantar com Mercedes Sosa no Forró Forrado do Rio de Janeiro ao lado de João do Vale, Miúcha e Almir Saint Clair, bem como em Cuba na II segunda Bienal em 1986.

45) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Xangai?

Vicente Viola: A partir de minha parceria com o compositor Augusto Jatobá no antigo bar do Violeiro (Point dos Artistas na época) que era seu parceiro, fiz uma amizade com Xangai.

46) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Flávio Venturini?

Vicente Viola – Flávio Venturini eu conheço pouco, mas o conheço do 14 Bis e do Terço em uma gravação que participei em uma faixa de seu disco como o 14 Bis “Donos da Terra” versão de Neil Young em parceira com Renato Russo com quem tive o prazer de dividir algumas horas nesse dia.

47) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com João Donato?

Vicente Viola: Não tive o prazer de bater aquele papo que eu gostaria, mas estive ao seu lado quando abria seus shows no bar People que era outro point de artistas na época.

48) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Milton Nascimento?

Vicente Viola: Até hoje não tive o prazer de conhece-lo, embora estivesse várias vezes perto em alguns shows em que amigos comuns nos colocaram juntos, mas somos dois tímidos e assim, quem sabe um dia isso possa acontecer.

49) RM: Quais os seus projetos futuros?

Vicente Viola: Há em andamento meu projeto de Doutorado que virara um livro, a segunda edição de meu livro pela Editora Prismas sobre a minha dissertação de Mestrado em que eu utilizo meu nome Vicente Estevam; um documentário sobre a música e a gravação de dois CDs.

50) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Vicente Viola: Trabalho em SELF COACH (32) 98450 – 9719 | (21) 98477 – 9094 (WhatsApp) | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.