Valdir Lemos

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Valdir Lemos
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O poeta repentista, cordelista, locutor radialista, mestre educador Valdir Lemos, representante da cultura popular.

O poeta realiza palestras, oficinas, exposições, encontros de poetas e Festivais de repentistas. É autor do Projeto ”Sertão Viola e Poesia”. Completou 20 anos vivendo exclusivamente da carreira artística. Desde 10 anos de idade que já recitava folhetos de Cordel, cantava canções e recitava poemas que decorava, ouvindo nos programas de cantoria nas rádios da região. Filho de agricultor e teve o privilégio de ser alfabetizado lendo a literatura de Cordel. Recebeu as lições da sua eterna professora, Adelaide Alves de Oliveira. Iniciou a carreira artística aos 18 anos de idade, mas se tornou profissional em 2000 e conhecido nacionalmente em 2012, quando participou do Festival “100 anos de Jorge Amado” em Salvador – BA, realizado no Teatro Castro Alves. Ele competiu com 80 poetas, repentistas e cordelistas. Foi campeão com o mote em decassílabo “A Bahia que sente celebrando, centenário do grande Jorge Amado”.

Valdir Lemos gravou três CDS, sendo dois em dupla e um especial com “Poemas e Canções”. Tem uma coletânea de 140 poemas e livros de cordel publicados. Há 10 anos formou dupla com o poeta repentista Antônio Vieira, um dos maiores cantadores de viola do nordeste brasileiro.

“Meu nome Valdir Lemos

Sou poeta repentista

Fui aluno, sou professor

Locutor e cordelista

Sou mestre educador

Violeiro e bom artista.

Que eu nasci no Ceará

Na terra da romaria

Com 15 anos de idade

Me trouxeram pra Bahia

E me tornei representante

De cordel e cantoria”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Valdir Lemos para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.11.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Valdir Lemos: Nasci no dia 05.06.1972 em Aurora – Ceará. Resido atualmente em Juazeiro-BA. Fui registrado como Valdir Lemos de Freitas.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Valdir Lemos: Aos meus 10 anos de idade ouvindo meu pai lendo folhetos de Cordel, despertou-me o interesse pela poesia, por ter a memória bastante apurada conseguia decorar os cordéis bastava meu pai ler a penas três vezes. Eu recitava e cantava para divertir as pessoas em festas de renovação, reisado, vaquejada, aniversário, casamento, debulha de Feijão, e em reuniões familiar. Tive o privilégio de ser alfabetizado através da leitura da literatura de Cordel, recebendo as primeiras lições da minha eterna professora Adelaide Alves de Oliveira. A mesma era fascinada por Cordel e me ensinou a ler e escrever de forma poética, que Deus abençoe minha querida educadora.

03) RM: Qual a sua formação musical e escolar?

Valdir Lemos: Aos cinco anos de idade aprendi sozinho afinar e tocar o baião de viola. Depois estudei a escala musical, conheço as notas naturais, teoria, prática e consigo dominá-las. Conclui o ensino médio e estou cursando Pedagogia Cultural especificamente na minha área artística.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Valdir Lemos: Meus incentivadores, o poeta Patativa do Assaré, e o pai do Cordel Leandro Gomes de Barros. Patativa foi eleito pela ONU, um dos 10 poetas maiores do mundo. E Leandro o maior cordelista do Brasil e do planeta de todos os tempos. Nos programas de rádio ouvia diariamente os repentistas, Pedro Bandeira de Caldas, “O Príncipe dos poetas do Cariri”. Otacílio Batista, Expedito Sobrinho, Moacir Laurentino, Sebastião da Silva, Francisco Alves, Sebastião Dias, João Paraibano. E o maior repentista de toda história da cantoria, o rei do repente Pinto de Monteiro, o mais veloz no verso de improviso, um gênio incomparável na criação poética. As lições desses mestres, eu levarei para a vida inteira. Na atualidade são muitos, “Os Nonatos”, Jonas Bezerra, Acrizio de França, Raulino Silva, Hipólito Moura, Luciano Leonel, Francinaldo Oliveira, Valdir Teles, Zé Cardoso e Ismael Pereira. As poetisas repentistas Fabiane Ribeiro, Marcelane Araújo, essas estrelas para mim, são musas sagradas da poesia uma verdadeira dádiva de Deus.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Valdir Lemos: Comecei em 1990 aos meus 18 anos de idade, já morando em Juazeiro-BA. O inicio da minha carreira artística foi muito difícil, por morar numa cidade que a maioria da população não conhecia a linguagem do repentista. A Bahia é o único Estado do nordeste que não tem a tradição poética da literatura de Cordel, e da cantoria de Viola. Comecei se apresentando nas escolas gratuitamente, com objetivo de levar ao conhecimento de alunos e professores a importância de envolver cordel e repente nas temáticas da educação. Com 10 anos de insistência e muito trabalho, consegui a preferência de 30% desse público, que permanece até hoje como meus fãs, e me convida para realizar, palestras, oficinas, e apresentações. Em 2005 me tornei profissional e representante da cultura popular. Tenho quase 20 anos de carreira e vivo exclusivamente da profissão. Em 2013 criei o projeto “Sertão Viola e Poesia”, com objetivo de revitalizar e dar sustentabilidade ao Cordel e Cantoria, nós realizamos encontros de poetas, publicação de Cordéis, gravação de CD, e festivais de repentistas.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Valdir Lemos: Tenho três CDS lançados, sendo dois em dupla. O primeiro CD – “Filosofias da Vida”, gravado em 2008 em parceria com o poeta e repentista Gonzaga Neto, na modalidade da cantoria, músicas de mais destaque: “Conselhos de ouro”, “Galope a beira mar”, “Sistema planetário”, “Filosofias da vida”. O segundo CD – “Mestres do Improviso”, gravado em 2017, em parceria com o poeta repentista e atual parceiro de profissão Antônio Vieira. Na modalidade do repente em conhecimentos gerais. Músicas em destaque: “Sextilhas Inspiração Divina”, “O Nosso Rei do Baião”, “Centenário de Jorge Amado”, “Nordeste Cultural”, “Quadrão Perguntado”, “O Vaqueiro Juca Pereira”. O Terceiro CD gravado em 2016 no segmento músicas poéticas. Valdir Lemos em “Poemas e Canções, Poeta das Estrelas Preciosas”. Músicas de mais sucesso: “Canção do pinicado”, “O mole e mole”, “Loureiro da saudade”, “O valor de uma mãe”, “Vaqueiro desprezado”, “Telefone de rua” e “Lágrimas de amor”.

07) RM: Como você define o seu estilo como Repentista?

Valdir Lemos: Sou um repentista diferenciado dos demais cantadores. Criei meu próprio perfil. Minha especialidade é cantar 100% de improviso em qualquer temática por mais difícil que seja. Com este formato ganhei a preferência dos meus fãs, apologistas, e admiradores da cantoria de Viola tradicional nordestina.

08) RM: Você estudou técnicas de como tocar Viola?

Valdir Lemos: Graças a Deus já nasci com o dom musical, criei minhas próprias técnicas de como tocar Viola. Utilizo esses recursos para executar meus poemas e canções. Também estudei um pouco os acordes musicais que me ajudou a crescer profissionalmente.

 09) RM: Qual a importância para o Repentista estudar técnicas de como tocar a Viola?

Valdir Lemos: A técnica é importantíssima para o desenvolvimento do repentista profissional, dar mais segurança e credibilidade na hora de se apresentar para a sociedade. A Viola é um instrumento muito intimo do poeta, ele precisa se harmonizar inteiramente com sua eterna companheira a Viola. A maioria dos repentistas não toca Viola, fazem apenas o baião universal da cantoria, mas isso não tira o mérito do poeta no gênero do repente. Aquele que domina a tonalidade musical torna-se mais completo para os apreciadores e fãs das modalidades poéticas, em especial poemas e canções.

10) RM: Quais os (as) repentistas que você admira? 

Valdir Lemos: Admiro todos os repentistas profissionais, estes são os principais: Oliveira de Panelas, Ivanildo Vila Nova, atual Rei do repente maior repentista do Brasil e do mundo. “Os Nonatos”, Jonas Andrade, João Lourenço, Valdir Teles, Jonas Bezerra, Raimundo Caitano, Geraldo Amâncio Pereira, Francinaldo Oliveira, Ismael Pereira, e tantos outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor versos?

Valdir Lemos: Eu tenho duas técnicas de compor os meus versos. Primeiro pesquiso e elaboro a temática e em seguida “mentalizo” as estrofes para escrever com mais perfeição. Quando canto de improviso peço inspiração a Deus primeiramente, viajo no imaginário poético para fabricar o verso na rapidez de segundos, transformo em realidade e transmito para o público que me admira como profissional do repente.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição de versos? 

Valdir Lemos: São muitos repentistas: O principal poeta Antônio Vieira, formamos uma dupla a 15 anos. Temos o objetivo de revitalizar Cordel e Repente ser perder a essência da sua originalidade. Nossa meta é cantar totalmente de improviso. Outros parceiros: Antônio Severo, Zé Francisco, Chico Alves, Nascimento Araújo e Bruno Pereira.   

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Valdir Lemos: Atualmente o poeta Antônio Vieira tem gravado alguns poemas e outros trabalhos meus. Exemplo, Sextilhas, Motes, Sete linhas, Nove palavras por seis, e inúmeras modalidades poéticas.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Valdir Lemos: Geralmente o Repentista canta em dupla e dificilmente tem patrocinador definido, e principalmente produtora que promova a sua carreira artística. Sou um artista independe desde quando comecei. Nosso patrocinador é o povo mais humilde, agricultores, fazendeiros, microempresários, escolas, colégios, universidades, promoventes de festivais de repentistas, feiras literárias, vaquejadas, e festas populares nos estados nordestinos. O poeta repentista é o artista mais simples que existe em compensação fazermos parte de uma das culturas mais rica do mundo. Segundo o reconhecimento da ONU a partir do ano 2010, quando foi regulamentada a profissão dos poetas e repentistas do Brasil.

15) RM: Quem foi o primeiro poeta a vender Cordel em São Paulo?

Valdir Lemos: Segundo os registros poéticos da literatura de cordel tradicional nordestina. O primeiro cordelista profissional a vender cordéis em São Paulo, foi o paraibano e maior gênio do cordel Leandro Gomes de Barros. 

 16) RM: Quem foi o primeiro poeta a levar para a sala de aula Cordel em São Paulo?

Valdir Lemos: O mesmo cordelista Leandro Gomes de Barros. Começou vendendo nas praças e feiras e depois levou para as escolas, divulgando seu trabalho para o conhecimento e reconhecimento de alunos e professores.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Valdir Lemos: A internet trouxe o avanço da informática e da tecnologia para os meios de comunicação digital. Eu mesmo divulgo frequentemente meu trabalho de poeta repentista, e cordelista no Facebook e email. E 70% dos meus contratos de apresentações artísticas são feitos pela internet, especificamente por estes dois veículos de acesso direto 24 horas por dia. O que me entristece e me revolta muitas vezes, é quando vejo na internet pessoas divulgando o cordel e a cantoria de forma equivocada, sem conhecimento das regras poéticas, e da sua origem que é 100% brasileira. Eles dizem que tanto o Cordel e a cantoria de Viola, vieram de outros países. Mas isso não é verdade, quem criou o nosso Cordel foi o poeta Leandro Gomes de Barros no sertão da Paraíba. A cantoria de viola nasceu com os poetas brasileiros, Romano de Teixeira, Inácio da Catingueira, ambos nasceram no estado da Paraíba. Essa é a verdadeira história da nossa cultura popular.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Valdir Lemos: Na qualidade de repentista e representante da cultura popular. Eu acho que o home estúdio é mais viável para o nosso trabalho, gravar e produzir o nosso CD por conta própria torna-se um projeto diferenciado que podemos comercializar pelo preço bem mais acessivo. Quando se tem um patrocínio de empresa ou produtora musical, o repentista poderá reproduzir seus CDS em maior quantidade. Isso lhe dá autonomia para desenvolver seu produto cultural e ter um alcance bem mais abrangente na sociedade.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Valdir Lemos: O meu próprio perfil artístico já é um diferencial perante aos outros repentistas. Minha forma de produzir trabalhos poéticos está em três dimensões. Histórico, romantismo, e impressionismo. Este projeto foi reconhecido pelo ministério da cultura e da educação como educativo cultural. Sou um dos poucos repentistas que realizam oficinas de Cordel e Cantoria com estudantes e professores. Meus CDs atualmente tornaram-se instrumento de pesquisa para jornalistas, educadores, intelectuais, pesquisadores da cultura popular. A concorrência sempre existirá. O que me mantém na carreira artística com sucesso, é fazendo o que sei fazer da melhor forma possível, com ética transparência e responsabilidade.

20) RM: Como você analisa o cenário do Repente e do Cordel. Em sua opinião quem foram às revelações no Repente e no Cordel nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Valdir Lemos: Nós repentistas no Brasil somos uma população de 8.586 profissionais que vivem exclusivamente da profissão. Os maiores mestres de repente improvisado são: Ivanildo Vila Nova, Geraldo Amâncio Pereira, Raimundo Caitano, Os Nonatos, Ismael Pereira, Moacir Laurentino, Sebastião da Silva, Zé Cardoso, Valdir Teles, Sebastião Dias, Oliveira de Panelas, Edivaldo Zuzú, João Lourenço e Pedro Bandeira de Caldas. Estes gênios têm Sucesso consagrado, e seus nomes perpetuados para sempre na cultura popular nordestina brasileira. Os cordelistas de maior sucesso: Lucas Evangelista, Erivaldo Viana, Abraão Batista, João Perón, Jota Nascimento, Firmino Alves, Pedro Costa e Antônio Lacerda. Estes cordelistas são fenomenais e insuperáveis em produções de cordéis, conhecidos e reconhecidos mundialmente os eternos astros da cultura cordeliana.

21) RM: Quais os repentistas já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Valdir Lemos: Na atualidade nós temos: Hipólito Moura, Jonas Bezerra, Os irmãos Silva, Francinaldo Oliveira, Acrizio de França, Raulino Silva, Luciano Leonel, João Lídio, Zé Viola, Os irmãos Rodrigues, Gilmar de Oliveira, Jonas Andrade, e outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Valdir Lemos: Posso afirma com toda certeza que a falta de apoio financeiro, é o carro chefe de toda carreira artística e principalmente para o poeta repentista.  Outras situações inusitadas: ambiente não apropriado para o repente, cantar com amador sem noção das regras poéticas, falta de som de qualidade em muitas apresentações, inveja de intrusos e falsos amigos que se dizem companheiros de profissão. E a falta de reconhecimento pelos poderes públicos.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Valdir Lemos: O que me deixa mais feliz, é agradecer a Deus todos os dias por ter me feito poeta com o dom do improviso. Cantar com profissionalismo e responsabilidade para os meus fãs, apologistas, e admirados do meu trabalho artístico, e viver exclusivamente da minha profissão. O que me deixa mais triste: É ver tantas pessoas de pensamento arcaico e ultrapassado, dizerem que a cultura de Cordel e Repente está se acabando. A nossa cultura é a mais autentica e atual do Brasil, que vem se evoluindo a cada dia com sucesso e novidades, e que também é conhecida e reconhecida em todo o planeta.

24) RM: Nos apresente a cena do Repente e Cordel de sua cidade?

Valdir Lemos: Juazeiro – Bahia é cidade em que moro há quase 20 anos, o Cordel até 2008 era praticamente desconhecido pela maioria da população juazeirense. Observando essa carência cultural criei um projeto de oficina de Cordel especificamente para as escolas da cidade e interior do município. Levamos a Literatura de Cordel para o conhecimento dos estudantes e professores da região. A proposta teve êxito e conseguimos bons resultados produzindo cordéis em diversas temáticas. O Repente também era desconhecido pelas pessoas, então comecei a promover encontros de poetas envolvendo repentistas, cordelistas, poetisas e declamadores. Atualmente temos uma aceitação razoável por parte dos admiradores da nossa cultura nordestina.

25) RM: Quais os repentistas e cordelistas que você indica como uma boa opção?

Valdir Lemos: Nossa dupla Valdir Lemos e Antônio Vieira. Tem sido a principal opção para os grandes eventos culturais da cidade. A única dupla de repentista profissional em Juazeiro-BA e Vale do São Francisco que vive exclusivamente da profissão. Existem outros repentistas na região que cantam super bem, mas infelizmente ainda não conseguiram se profissionalizar. Mesmo assim não deixar de ser uma segunda e ótima opção para inserir nas ações culturais das manifestações populares. Cordelistas profissionais nós não temos na região, apenas alguns poetas amadores que produzem o cordel simulado e não o tradicional. Profissionais do cordel só têm dois: Mestre Valdir Lemos, e o professor e cordelista Aroldo Leão.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá seus repentes tocarão nas rádios?

Valdir Lemos: Quando eu ainda era repentista amador fui muito humilhado nas emissoras de Rádio de Juazeiro-BA. A maioria dos locutores não me concedia oportunidade para divulgar meu trabalho artístico. Graças a Deus ao me tornar profissional essa realidade mudou. Passei a receber convites para entrevistas e apresentações em diversos programas de audiência na cidade. Nunca mais precisei pagar nada para divulgar os meus trabalhos poéticos.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira de Repentista ou Cordelista?

Valdir Lemos: Primeiramente é preciso identificar se realmente a pessoa tem o dom do improviso, muitos têm a inspiração poética e consegue fazer poesia, mas falta melodia na voz, expressão musical, rapidez de raciocínio, e nesta condição fica muito difícil improvisar. Ao descobrir que é capaz de cantar improvisado, comece ouvindo CDs dos Repentistas profissionais que são referências no mercado cultural. Leia livros bons porque desperta a intelectualidade do poeta. Se dedique inteiramente a cantar versos obedecendo às regras poéticas rima, métrica e oração. Monte um vocabulário de palavras ricas de rimas para facilitar a montagem das estrofes de versos criativos. Colecione muitos cordéis dos grandes mestres, exemplo, Leandro Gomes de Barros, Minelvino Francisco Silva, Luis de Camões, Lucas Evangelistas, João Perón, Aroldo Leão, Antônio Cabral, dentre outros. Estude a gramática poética e as regras cordelianas. Precisando de meu apoio sempre estarei à disposição para orientá-los em qualquer parte do Brasil.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Valdir Lemos: Os Festivais da boa música ajudam muito os artistas principalmente no inicio de carreira. A divulgação não é tudo, mas são 50% de apoio para desenvolver os seus potenciais artísticos. Desse projeto musical já surgiram grandes nomes da nossa cultura brasileira. O que atrapalha o artista na verdade, é se ele ficar restrito somente aos Festivais de Música, precisa expandir seu trabalho para outros veículos de comunicação, exemplo, Rádios TV, Jornais, Blogs, e Redes sociais. Seguindo assas recomendações se tornará profissional em pouco tempo.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

 Valdir Lemos: Com certeza uma importante ferramenta para trilhar nos caminhos do sucesso. Temos um bom exemplo atualmente, espaço cultural no Programa do Raul Gil, Programa do Ratinho, TV Aparecida, Projeto vozes que cantam e Festival Nacional de Artistas Populares.   

 30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Valdir Lemos: A grande mídia tem dois poderes infalíveis, de construir sucesso e destruir sonhos mesmo estando consolidados. Primeiro só mostra o que produz mais interesse financeiro para os seus proprietários. Mais ainda existe boa parte da mídia que valoriza os segmentos artísticos. Alguns canais de TV divulgam a cultura tradicional. Exemplo, TV Ceará, TV Futura, TV Escola, Canal Rural e outros.

31) RM : Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena do Repente e Cordel?

Valdir Lemos: SESC, SESI e Itaú Cultural, São Instituições que lançam anualmente diversos Editais que agregam inúmeros segmentos artísticos. Repente e cordel são expressões mais populares e sempre tem com inserir no contexto dos patrocinadores.

32) RM: Quais seus projetos futuros?

Valdir Lemos: Viajar o nordeste inteiro divulgando cordel e repente nas escolas e centros culturais envolvendo novos poetas e poetisas, incentivando se tornarem profissionais para a sustentabilidade da nossa cultura nordestina. Gravar um DVD contando minha história desde quando comecei até se tornar um profissional de sucesso.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Valdir Lemos: (74) 98812 – 9905 | 99102 – 2287 | [email protected] | www.facebook.com/PoetaValdirLemos

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.