Trio Sabiá

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Trio Sabiá tem 16 anos de estrada tocando o Forró autêntico. O Sanfoneiro Joca que é fundador do Trio vem de uma família de músicos baianos que fizeram e fazem historia dentro do Forró. Ele é irmão do sanfoneiro Pedro Sertanejo, que com muita garra popularizou o Forró em São Paulo, ao abrir um salão para dançar forró na Rua Catumbi, 183 –  no bairro do Brás, vencendo o preconceito e a perseguição contra o Forró. O Pedro foi que incentivou o irmão a forma o Trio Sabiá. Joca é tio do sanfoneiro mais internacional do Brasil, Oswaldinho do Acordeon que é filho de Pedro Sertanejo e tem mais dois irmãos que vivem da música: Ari (baterista) e Juraci (Pianista). Joca se orgulha do seu filho Jefinho está lhe acompanhando nessa segunda formação do Trio Sabiá. A primeira formação do Trio Sabiá começou em 1986 e a formação atual começou em 1990 e teve a substituição do vocalista Tião por Aluízio em 1992. São quatorze Discos gravados e muito Forró Pé de Serra.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Joca para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa 01.08.2001:

01) Ritmo Melodia: Como iniciou o Trio Sabiá?

Joca: O Trio Sabiá começou 1986 em São Paulo na casa de Forró do Pedro Sertanejo, hoje é a segunda.

02) RM: Quando você começou a tocar acordeon?

Joca: Eu comecei a tocar acordeon nos forrós, quando vim para São Paulo na companhia do meu irmão, Pedro Sertanejo. Eu tocava Triangulo e Zabumba com eles e depois comecei a tocar acordeon. Comecei acompanhar artistas nas noitadas. Foi ai que começou meu envolvimento com a Sanfona. Até os dezoito anos de idade, eu tocava Sanfona com os amigos para me divertir e não profissionalmente. A partir dos dezoito anos comecei a pegar firme.

03)RM: Qual era a primeira formação do Trio e a atual?

Joca: A primeira formação em 1986: Pilão, Roxinho e Joca. Ficamos quatro anos juntos e gravamos quatro LPs. O Trio foi formado em São Paulo, mas passou quatro anos na Bahia. Em 1989 voltei sozinho para São Paulo e precisei de dois músicos. Encontrei aqui o Zito (Zabumba) e o Tião (Vocal e Triangulo). Ficamos de 1990 a 1992 juntos e gravamos dois LPs. O Tião saiu e entrou Aluízio que é a formação atual: Joca (Sanfona), Zito (Zabumba) e Aluízio (Vocal e Triangulo).

04) RM: Como você analisa a badalação na grande mídia do “Forró Universitário”?

Joca: Eu acho legal essa divulgação. Eu não concordo com o titulo de “Forró Universitário”. Meu pai tem noventa e seis anos e desde pequeno que ele toca Forró e ele não é universitário. Essa onda de “Forró Universitário” é porque os jovens estudantes passaram a gostar e admirar mais o Forró. Mas foi bom esse titulo para divulgar mais o Forró. O nosso Forró existe há tanto tempo e nunca foi tão divulgado na grande mídia. Quando passava o mês de junho (Festa Junina) as rádios não tocavam mais o Forró. E hoje está sendo bem divulgado em todo o Brasil o Forró Pé de Serra. Hoje a gente trabalhar o ano inteiro e não mais só, dois meses (Maio e Junho) como no passado.

05) RM: Quais são as músicas de sucessos do Trio Sabiá?

Joca:  A música: “Maria Grande” (Toninho Zé e Pilão) foi um grande sucesso nacional. E depois vieram: “Forró de Banda”, “Pra Te dar Amor”, “Coração Virado” (Miltinho Ediberto); que foi uma música que os estudantes passaram a gostar. “Feliz de Novo” (Léo Marques), “Morena Jambo” (Paulinho Mota), “Foi Bom Lhe conhecer” (João Silva), “Forró de Campinas” (Aluízio Cruz) são músicas que fazem o Trio Sabiá ser respeitado e que cairam no gosto do povo.

06) RM: Joca, fale um pouco da importância e contribuição do seu irmão Pedro Sertanejo para o Forró?

Joca: O sanfoneiro Pedro de Almeida e Silva “Sertanejo” (nasceu em Euclides da Cunha, no dia 26 de abril de 1927 e faleceu no dia 3 de janeiro de 1997) foi o fundador de Casa de Forró aqui em São Paulo, Rua Catumbi,183 no bairro do Brás. Ele foi uma peça fundamental do Forró. Só não ficou tão popular como Luiz Gonzaga. Eu trabalhei com Pedro vários anos e eu sei da importância dele para muitos artistas que fizeram sucesso no passado e hoje que passou pela mão de Pedro Sertanejo. Desde dos forrozeiros da sua gravadora Canta Galo. Através da gravadora ele lançou muita gente como: Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Carmem Silva, Marines, Zé Gonzaga e Fúba de Taperoá. E foram mais de quarenta discos de sua autoria como um sanfoneiro de Oito Baixos. E composições sua que ficaram populares foram: “Roseira do Norte”, “Forró de Palmares”, “Forró do Luna”.

07) RM: Como faleceu o Pedro Sertanejo?

Joca: Ele faleceu em 1996, já vinha muito doente com problemas de Coração. Ele estava em casa e passou mal. E o filho Oswaldinho do Acordeon, o levou para o hospital, mas ele não resistiu. Ele morreu com sessenta e nove anos. Ele foi um grande divulgador do Forró e dos Forrozeiros. E sua morte foi uma grande perda para o Forró. E Somos naturais de Canudos – Bahia (hoje Euclides da Cunha).

08) RM: Quais dos filhos do Pedro Sertanejo que seguiram a mesma profissão?

Joca:  Todos os meninos tocam. Oswaldinho do Acordeon (Sanfona), Ari (Baterista), Juraci (Piano). E Oswaldinho foi o que mais se destacou e para o Trio Sabiá, ele é uma peça fundamental, todos os Discos que lançamos tiveram sempre a participação dele. Só um LP que ele não participou, porque estava fora do país se apresentando. Ele guia o trabalho do Trio Sabiá. A gente agradece ao Oswaldinho por essa ajuda. Somos uma família de músicos, meu pai já tocava Sanfona, meu filho Jefinho, Pedro, Oswaldinho, Ari, Juraci. A família vem dando continuidade ao trabalho e sendo reconhecida como uma família do Forró. O que é muito gratificante.

09) RM: Quais foram os fatos de discriminação e injustiça que o Pedro Sertanejo sofreu por conta da casa de Forró em São Paulo?  

Joca: Eram denuncias que a Casa de Forró estava em irregular, mesmo ele tendo os documentos em dia. A policia chegava para fechar a casa. Vizinhos que faziam a baixo assinado, por causa do barulho; alguns para extorqui dinheiro dele. As pessoas tinham preconceitos dos bailes de Forró e diziam que era coisa de “baianos”. Falavam que pessoas entravam armados de faca – peixeira e realmente muito chegavam, mas deixavam na portaria as facas. Mas nunca aconteceu nada de crime na Casa. Hoje o preconceito contra o nordestino e a sua cultura não é tanto como foi no passado. Antes era muito pesado. Depois que os nordestinos mostraram o seu valor aqui em São Paulo, hoje somos reconhecidos como heróis e como um homem forte, com coragem e o que tem que fazer ele faz.

10) RM: Quais foram as principais Casas de Show de Pedro Sertanejo em São Paulo?

Joca: Ele começou na Vila Carioca. Depois para o bairro do Brás na rua Catumbi, 183 que foi o Forró mais conhecido em São Paulo. Depois ele montou uma Casa de Forró no Parque São Rafael. E ele alugava outros lugares e fazia festa. Mas o mais tradicional foi na Rua Catumbi.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.