Ton Oliveira

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O poeta, músico, compositor, cantor e apresentador Ton Oliveira, absorveu o gosto pelas raízes culturais do Nordeste através do seu velho pai, poeta, repentista e compositor, Juvenal de Oliveira. Aos 14 anos de idade já acompanhava conjuntos musicais tocando triângulo e cantarolando músicas de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, etc.

Com suas composições permeadas de bom-humor, Ton se preocupa em agradar seu público, que independe de sexo, cor, idade, profissão ou condição social, e aproveita sua forma de expressão para chamar a atenção das autoridades do nosso país, atentando para os problemas sociais.

Em 1991, lançou seu primeiro disco, “Forró pra derreter”, no qual gravou músicas de sua autoria, de seu pai e de outros compositores.  A partir de então, ficou conhecido por músicas como: “Falta um boi vaqueiro”, ” Morar no Cabaré”, ” Locadora de mulher”, “Sem preconceito (O Boiola)” , “As três coisa da vida” , “O prefeito” e “Paraíba Joia Rara”.

E desde então não parou mais de lançar álbuns: Arraial da Esperança (1996); Ton Oliveira – Vol. 2 (1997); Ton Oliveira – Vol. 3 (1998); Forró da Paraíba (1999). E ainda em 1999 gravou um show que, posteriormente, foi lançado em DVD. A apresentação contou com participações especiais de Flávio José, Santanna – O Cantador e Adelmário Coelho. Nos anos 2000, ainda foram lançados diversos álbuns, dentre eles: “Morar no cabaré”, em 2000; “Uma explosão de forró”, em 2001; “Vontade de comer”, em 2002; “Um cantador de forró”, em 2003; “Uma lapada de forró”, em 2004, “Isso é pra quem pode!” e “Cabra desmantelado”, em 2005.

Considerado um dos nomes mais importantes da música paraibana, Ton Oliveira é aclamado pela sua composição “Paraíba Joia Rara”, considerada por muitos como o hino da Paraíba. “O que mais me emociona é porque a música tem algo de amor pelo estado, de orgulho e de positivo. É assim que eu também gosto de cantar, mostrando o lado bom do Nordeste, porque a seca já foi cantada em um bonito protesto de Luiz Gonzaga e agora é hora de tirarmos as amarras do colonialismo, da subserviência ao Sudeste”, disse o cantor Santanna, o Cantador para o G1 quando fez um show no São João de Campina Grande, em 2014.

“Paraíba Joia Rara” foi composta em 2011. Ton Oliveira estava dirigindo, no final da tarde, a caminho de Solânea – PB para gravar o disco “Só Para Xotear”, quando olhou para a paisagem do Agreste. Ele contou que veio à mente o pensamento: “Como a Paraíba é bela”, e então começou a cantar o refrão da canção, que diz: “Eu sou da Paraíba esse é meu esse lugar/A cara desse povo tem a minha cara/ Encanto de beleza que me faz sonhar/ Lugar tão lindo assim pra mim é joia rara“.

Ton continua lançando álbuns nos dias atuais e fazendo shows nos maiores eventos do Nordeste. Em 2017, estreou numa outra função, a de apresentador de programa de TV. No dia 29 de janeiro, Ton assumiu o programa Cantos & Contos, da TV Correio. O programa aborda a cultura nordestina e paraibana, resgatando a cultura local com muita arte, curiosidades populares, descoberta de novos talentos e a presença de grandes nomes da música brasileira. É até hoje é apresentado por Ton.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Ton Oliveira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09.07.2019: 

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ton Oliveira: Nascido no dia 09.07.1966 em Campina Grande – PB. Registrado como Gleriston de Souza Leite.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Ton Oliveira: Sou filho de cantador, poeta repentista Juvenal de Oliveira, portanto já nasci em contato com a música.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Ton Oliveira: Sempre trabalhei com música, não cheguei se quer a concluir o ensino médio.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ton Oliveira: Além do meu pai, Luiz Gonzaga, o Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, etc. No presente: Jorge de Altinho, Assisão, Alcymar Monteiro, etc. Nenhuma deixou de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Ton Oliveira: Em 1979, tocando Zabumba, Triângulo, em alguns trios de forró em Campina Grande – PB, mas antes disso, desde cedo, já arranhava um Violão, pois sempre pegava a viola do meu pai (Juvenal de Oliveira), mesmo sem a sua permissão.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Ton Oliveira: Cerca de 30 CDs lançados, vários músicos participaram e todos foram importantes na execução de cada trabalho. São álbuns: O seu primeiro disco, “Forró pra derreter” em 1991; “Arraial da Esperança” em 1996; Ton Oliveira – Vol. 2 em 1997; Ton Oliveira – Vol. 3 em 1998; “Forró da Paraíba” em 1999 e gravou um show que, posteriormente, foi lançado em DVD. Nos anos 2000 foram lançados diversos álbuns, dentre eles: “Morar no cabaré” em 2000; “Uma explosão de forró” em 2001; “Vontade de comer” em 2002; “Um cantador de forró” em 2003; “Uma lapada de forró” em 2004, “Isso é pra quem pode!” e “Cabra desmantelado” em 2005. Sempre optei por gravar músicas que falam das coisas do cotidiano do nordestino, sendo forrozeiro, filho de cantador de viola, tendo nascido com o dom da música e da poesia, penso que não escolhi a minha profissão, e sim, fui escolhido por ela. Algumas das muitas músicas que se destacam são: “Falta um boi vaqueiro”, “tributo a Zé Marcolino”, “Morar no Cabaré”, “Locadora de mulher”, “O prefeito”, “Cheiro de gado”, “Paraíba Joia rara”, etc.

07) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Ton Oliveira: Não existe uma regra, modelo ou algo assim, a música chega e pronto, de forma muito natural, e não faço letra para depois colocar melodia ou vice/verso, ambas nascem juntas.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Ton Oliveira: Costumo compor sozinho, com o meu pai (Juvenal de Oliveira) compus algumas, mas tenho parceiros como: Ivanildo Vilanova, Judivan Macedo, Biliu de Campina, Adauto Ferreira, Del Feliz.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ton Oliveira: Prós: a liberdade de expressar o que deseja, seja na música, repertório, ritmo, CDs, shows, etc. sem a intervenção de produtores. Contras: A dificuldade de atingir um maior número de pessoas, distribuição e execução do trabalho.

10) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Ton Oliveira: Penso que as minhas canções, a voz, estilo, já me diferencia.

11) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Ton Oliveira: Vantagem: A rapidez e praticidade na hora de gravar. Desvantagem: muitas vezes a “vantagem” citada faz com que o trabalho não saia como desejado.

12) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Ton Oliveira: É uma ferramenta importante nos dias de hoje, quando usada com cautela penso que não prejudica.

13) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Ton Oliveira: Manutenção das redes sociais, investimentos em cenário, iluminação, figurino etc.

14) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ton Oliveira: Preocupante. Citarei como exemplo a Ivete Sangalo, que se destacou, e permanece bem no mercado, mas o “axé music” regrediu bastante na minha opinião.

15) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ton Oliveira: Roberto Carlos, Chitãozinho e Xororó, Flávio José, são alguns dos poucos exemplos de profissionalismo e qualidade artística.

16) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Ton Oliveira: Todas as situações citadas na pergunta, e mais algumas (risos).

17) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ton Oliveira: Receber o carinho dos fãs me deixa muito feliz. Ver a nossa cultura ser esmagada, e os talentosos e verdadeiros grandes artistas deste pais sendo ofuscados pela grande mídia me deixa muito triste.

18) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Ton Oliveira: Campina Grande – PB é uma cidade festiva, que valoriza de forma desproporcional o artista de fora, enquanto o artista local fica sempre em segundo plano.

19) RM: Quais os músicos e bandas locais que você recomenda ouvir?

Ton Oliveira: Os 3 do Nordeste, Genival Lacerda, Amazan, João Gonçalves, Biliu de Campina, Luan Estilizado, Capilé.

20) RM : Quais os fatores que faltam para uma cidade universitária e de forte comércio como Campina Grande, ter um mercado melhor para a profissão de músico?

Ton Oliveira: Incentivo por parte do poder público, imprensa e empresários, e investimentos no turismo.

21) RM: Campina Grande que realiza o Maior São João do Mundo gera de fato um mercado profissional para os músicos locais?

Ton Oliveira: Não.

22) RM: O que falta para o Festival de Inverno ter o mesmo destaque que o Maior São João do Mundo?

Ton Oliveira: Vontade politica.

23) RM: Campina Grande que faz o Maior São João Mundo, tem espaços para dançar forró fora do mesmo de junho?

Ton Oliveira: Não.

24) RM: Quais os outros gêneros musicais que é forte em Campina Grande?

Ton Oliveira: O sertanejo moderno, que por aqui costumam confundir com o “forró estilizado”, axé music, e qualquer outro ritmo que esteja em evidencia na grande mídia.

25) RM: Quais os principais espaços de música ao vivo em Campina Grande?

Ton Oliveira: Alguns Bares e Restaurantes.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ton Oliveira: Sim, as minhas até que toca, mas com muita limitação, de um modo geral o “jabá” (pagamento para que uma música toque na programação de forma sistemática) ainda é uma triste realidade.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ton Oliveira: Que acredite no seu potencial e siga em frente, primando sempre pela lealdade e seriedade com a profissão.

28) RM: Você estudou técnica vocal?

Ton Oliveira: Não.

29) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal para a saúde vocal?

Ton Oliveira: É muito importante para o artista adquirir técnicas e habilidades que sem o acompanhamento profissional dificilmente conseguiria, além de prevenir possíveis problemas de saúde das cordas vocais.

30) RM: Quais os projetos futuros?

Ton Oliveira: Atualmente estou apresentando um programa semanal de TV, em sinal aberto para 183 municípios do Estado, onde consigo abrir espaço para novos artistas que estão se lançando no mercado musical, além dos artistas já conhecidos e sigo gerenciando a carreira (e não é nada fácil) e pretendo continuar compondo, gravando e fazendo shows.

31) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Ton Oliveira: (83) 99619 – 6060 | [email protected] 

Links: Fontes:

https://www.letras.com.br/biografia/ton-oliveira |

http://dicionariompb.com.br/ton-oliveira/dados-artisticos |

http://g1.globo.com/pb/paraiba/sao-joao/2014/noticia/2014/06/paraiba-joia-rara-deveria-ser-hino-da-pb-diz-santanna-em-show-na-paraiba.html |

http://g1.globo.com/pb/paraiba/sao-joao/2017/noticia/autor-de-paraiba-joia-rara-ton-oliveira-toca-o-coracao-das-pessoas-em-campina-grande.ghtml |

http://www.portalcorreio.com.br/entretenimento/entretenimento/mais-entretenimento/2017/01/25/NWS,291106,62,415,ENTRETENIMENTO,2192-TON-OLIVEIRA-ESTREIA-CORREIO-APRESENTANDO-CANTOS-CONTOS.aspx


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.