Tiago Stocco

tiago stocco
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O cantor, compositor, violonista, professor e produtor musical Tiago Stocco começou a tocar violão aos seis anos de idade por influência de seu pai (Elmer Stocco Jr).

Desde o início criava sons, iniciando o trabalho de composição que resultou no projeto atual Tiago Stocco e Ser Urbano. Ele professor de violão, guitarra e contrabaixo elétrico na Stocco Escola de Música & Studio desde 1997.

Em 2008, dando continuidade ao trabalho já iniciado com produtor musical, montou um Studio dentro da escola. Hoje além do estúdio dirigi a escola junto com seu pai.

É Bacharel em violão erudito pela Faculdade Mozarteum de São Paulo além de ter feito Especialização em Composição na mesma Faculdade.

Tive o prazer de conhecê-lo como professor, um dos melhores, que une didática, o gosto por ensinar e o conhecimento vasto. Depois ele produziu e tocou no primeiro CD da Reggaebelde, no qual sou autor de todas as letras e toquei o contrabaixo, que teve como cantor Savilar e na bateria Pérsio Sani. Devo um agradecimento eterno pelo zelo, dedicação e profissionalismo que fez esse trabalho. Ele tem a virtude de entrar de corpo e alma nos projetos que acredita. Excelente músico e uma pessoa do bem e da melhor qualidade que já pude conhecer. É simples e profundo. Prático e emocional. Fogo e água. Adulto com alegria de criança.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Tiago Stocco para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 01 de Abril de 2013:

01) Ritmo Melodia:  Qual a sua cidade de origem e data de nascimento? 

Tiago Stocco: Eu nasci em São Paulo no dia 27 de março de 1980. 

02) Ritmo Melodia: Fale do primeiro contato com a música.  

Tiago Stocco: Comecei a tocar aos 6 anos de idade. E passei a estudar mesmo quando tinha 16 de idade. Meu primeiro professor foi meu pai, tanto aos 6 anos quanto aos 16 anos. Desde o início me interessei mais pelo violão e guitarra, talvez por meu pai tocar esses instrumentos.

03) RM: Quais foram suas principais influências musicais? E quais as influencias que permanecem presentes no seu trabalho com a Bandumana e no seu trabalho com a Banda Ser Urbano? 

Tiago Stocco: Adoro os compositores e instrumentistas do Clube da Esquina como Milton Nascimento, Toninho Horta, Lô Borges e Beto Guedes. Eu curto muito Os Novos Baianos, a guitarra de Pepeu, as composições de Moraes Moreira com letras de Luiz Galvão, sem falar do Paulinho Boca de Cantor e da Baby Brasil, na época Consuelo. A Tropicália, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé também são influências. Fiz um trabalho sobre Walter Smetak em que aprendi muito. Gosto da Bossa Nova, acho que Tom Jobim é um dos músicos mais importantes da música brasileira. E gosto de Itamar Assumpção, Chico César, também são referências.

04) RM: Qual a sua formação musical? 

Tiago Stocco: Estudei com meu pai (Elmer Stocco Jr.) harmonia, improvisação e violão clássico. Fiz bacharelado em instrumento na Faculdade Mozarteum de São Paulo, tendo como professor de violão Luiz Carlos Tessarin, com quem estudei um pouco de violão flamenco, e Pós-Graduação em Composição na mesma Faculdade.

05) RM: Quando você iniciou a sua carreira musical? 

Tiago Stocco – Iniciei minha carreira profissional aos 17 anos de idade dando aula de música. Tocando na noite aos 18 anos.

06) RM: Comente sobre sua atuação com a Bandumana.

Tiago Stocco: A Bandumana é um trabalho focado nas composições do meu pai, em que participei como instrumentista e intérprete.

07) RM: Quantos CDs com a Bandumana, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as musicas que entraram no gosto do seu público?

Tiago Stocco: Com a Bandumana tenho dois CDs. CD – “Tratar Bem” em 2003 e CD – Artebancada em 2005. No primeiro participaram além de mim e do meu pai (Elmer Stocco Jr.),Rogério Quaglio (baixo) e Mike Dias (bateria). No segundo Amilton Silva (bateria) e Thiago Lester (baixo). Ambos foram gravados no D’andrade Studio. O CD – Tratar bem tem um foco espiritualista nas letras e uma preocupação em valorizar os arranjos das canções. O CD – Artebancada é mais social; e menos espiritualista. A questão dos arranjos se mantém. As músicas que entraram no gosto do público foram: “Tratar bem” e “Vamos catar lixo”.

08) RM: Fale do CD lançado com a Stocco Banda? Qual ano de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical do CD? E qual música que entrou no gosto do seu público?

Tiago Stocco: Em 2012 lancei com a Stocco Banda CD – “Verde Concreto”. Todas as faixas são de minha autoria, com algumas parcerias. Na Stocco Banda além de compositor fui violonista, guitarrista, arranjador. Interpretei algumas canções e Amanda Cuesta cantou a maioria das músicas do CD. Completava a banda Alessandra Oliveira (percussão) Wagner Bertocco (baixo) e fizeram parte Rodolfo Stocco e Edson Tobinaga ambos no violão em momentos diferentes.

09) RM: Fale do seu trabalho atual, Tiago Stocco e Ser Urbano.

Tiago Stocco: Estamos organizando repertório para gravação do CD.  Ensaiando, fazendo os arranjos. É uma banda jovem, alguns foram meus alunos. Acho que estamos trocando, um pouco mais de experiência da minha parte, com a jovialidade e o pique deles. A formação é: Eu (voz e violão), Arthur Sabaddin (baixo), Dyego Cruz (bateria), Maria Angélica (backing vocal) e Pedro Harunari (guitarra).

10) RM: Comente a sua participação como músico e produtor nas gravações dos CDs e nos shows do cantor, compositor e poeta popular cearense Costa Senna?

Tiago Stocco: Considero Costa Senna meu “pai” artístico. Ele é um artista que tem grande domínio de Palco, aprendi um pouco isso com ele, trago isso pro meu trabalho. Nos CDs que fiz com ele pude iniciar a minha carreira como produtor, ele acreditou no meu trabalho, aprendi muito.

11) RM: Comente a sua participação como músico e produtor musical na gravação do primeiro CD da banda Reggaebelde? 

Tiago Stocco: Foi muito legal! Toquei guitarra, me diverti. Pude produzir um CD de Reggae que ficou com uma pintada de MPB, até pelas influências que trago comigo. Gosto muito de Reggae, sou fã de Bob Marley, ouço bastante. O contato com a história da cultura negra contida no CD também foi muito bom. Além da experiência de participar da mixagem com o Shu(Marco Antonio) no Shukster estúdio, esse CD nos trouxe uma parceria profissional que durou algum tempo.

12) RM: Como você define seu estilo musical? 

Tiago Stocco: É difícil definir um estilo, as influências são tantas. Mas acho que é MPB, com todas essas referências que estou citando além de James Brown, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Pink Floyd. Na verdade eu ouvia rock e comecei a ouvir MPB a partir dos Novos Baianos. Meus pais, minha mãe em particular, que canta, ouvia e ouve muita MPB, então acabou me influenciando. Acho que canto bastante por causa dela.

13) RM: Como é o seu processo de compor? 

Tiago Stocco – Componho, às vezes a partir da letra, como fiz em uma parceria com José Matheus recentemente, às vezes vem tudo junto, melodia e começo da letra e depois desenvolvo. Às vezes faço a música, ou seja, de todas as formas, mais sempre canções e geralmente com o violão na mão.

14) RM: Quais são seus principais parceiros musicais? 

Tiago Stocco: Não tenho muitos parceiros ainda, fiz música com José Luiz Adeve, o “Cometa”, com a Amanda Cuesta que cantava comigo em meu trabalho anterior, Stocco Banda. E com o José Matheus, um poeta que pretendo musicar mais poemas. E com meu pai tenho umas duas parcerias. E com o Costa Senna umas duas.

15) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente? 

Tiago Stocco: Os prós são a liberdade, até de horários, na vida particular e a constante novidade em que a vida se transforma. E os contras, não há contras (risos).

16) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

Tiago Stocco: Na verdade misturo minhas atividades. Minha banda nasceu dentro aqui da minha escola. Meus CDs, eu gravo em meu próprio estúdio. Estou começando o trabalho com uma assessora de imprensa que é minha aluna, ou seja, tudo estava perto, faltava eu perceber.

17) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Tiago Stocco: Eu conto com os amigos, artistas plásticos, por exemplo, para fazer capas de CD, banner, logos etc. Hoje acho que estou começando uma carreira como produtor de evento. É uma correria (risos).

18) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Tiago Stocco: Ajuda na divulgação do trabalho da banda, da escola, do estúdio. Para minha carreira diretamente ela não atrapalha em nada.

19) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home studio?

Tiago Stocco: A Vantagem é “Liberdade de gravação”. A desvantagem é que as gravadoras serviam um pouco de filtro do que era gravado. Hoje mesmo quem não sabe quer gravar.

20) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Tiago Stocco: Procuro ter qualidade no que faço, estar sempre estudando, pesquisando, ouvindo o novo e o velho.

21) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Tiago Stocco: Céu, Lenine e Paulinho Moska; acredito que sejam boas referências.

22) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Tiago Stocco: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Toninho Horta e Pepeu Gomes.

23) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Tiago Stocco: Já cantei na Praça da Sé, e só tinham mendigos e meninos de rua, sem preconceito, mas foi meio complicado. E rolou um som!

24) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Tiago Stocco: Mais triste é a qualidade da música de massa hoje. E feliz, é que a música de qualidade nunca vai morrer.

25) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora? 

Tiago Stocco: São Paulo tem bares com música ao vivo, em alguns a música é pano de fundo em outros é fundamental. Têm bons Teatros como os do SESC e dos CÉUS (Centro de Educação Integrada). É possível também ver bons shows no SESI. Existe a Virada Cultural que traz artistas de todo o mundo.

26) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Tiago Stocco: Kiko Dinucci, Costa Senna, Cacá Lopes, Marcio Miele.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios? 

Tiago Stocco: Sim.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?  

Tiago Stocco: Estude muito e ouça o coração.

29) RM: Quais os seus projetos futuros? 

Tiago Stocco: Estou gravando o CD Tiago Stocco e Ser Urbano, e depois divulgar esse trabalho.

30) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Tiago Stocco: (11) 98287 – 0919 | [email protected] | No Facebook Tiago Stocco

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.