Tato Fischer

tato fisher
  • 40
    Shares
Tato Fischer
Avalie esta Entrevista

O cantor, ator, pianista e mágico paulista Tato Fischer em 1972 iniciou no teatro sua carreira como ator e foi de 1972 a 1973 o primeiro pianista da banda SECOS & MOLHADOS.

Até 1979 ele tocava piano, dava aulas de canto e preparava pessoas para cantar. A certa altura se deu conta de que deveria cantar e montou seu primeiro espetáculo: “Chou”. No final daquele primeiro ano como cantor começou a se interessar pela composição. Em 1980 compôs várias canções e chegou a fazer um primeiro espetáculo com suas canções.

Em 1981 gravou um primeiro disco com as suas músicas no estúdio de Tico Terpins; aceitando convite de Cida Moreira. Não encontrou quem bancasse prensagem do disco, o “master/disco” foi abandonado. Foi o primeiro aborto.

Da década de 80 até por volta de 1995 montou praticamente um espetáculo anual ou bianual, cantando composições suas e de outros autores. O seu trabalho sempre foi muito solitário, possivelmente por trabalhar com música em teatro. Cruzou com muitos atores e atrizes e coreógrafos e cenógrafos e músicos, mas com poucos compositores. Exemplo: conheceu Gilda Vandenbrande durante trinta anos, sua queridíssima amiga que faziam o mesmo trabalho, mas só a encontrou pessoalmente em 2002. Integrou os grupos de Teatro Vereda (1973/80) e Mambembe (1976/1981).

De 1986 a 1999 Tato Fischer participou de vários Festivais de Música, apesar de se encontrar com muitos músicos de primeira grandeza, nunca aconteceu de se reunirem para compor. O exemplo, do que ocorreu entre Sergio Santos e Paulo Cesar Pinheiro. Tato chegou a musicar alguns poemas e letras de música de Glauco Mattoso. Tato através do grupo discussões online M-MUSICA começou a conhecer compositores, então pediu a Alexandre Lemos que enviasse algumas letras e se tornaram parceiros. E Etel Frota pediu que ele musicasse uma letra em homenageia Suely Costa. E Tato musicou letras de Ricardo Moreira e o Ricardo musicou letra do Tato, o mesmo ocorreu com Sonekka. E Tato fez uma melodia para a letra de Zé Edu Camargo. Tato começou uma nova fase de intercâmbio com compositores.

Tato Fischer estudou Piano Erudito no Conservatório de Lins-SP. E estudou Psicologia na PUC-SP. Ator e diretor teatral, pós-graduado em Artes Cênicas pela Uni-São Judas-SP. Especializado em Canto e Terapia Corporal. Dirige Oficinas Musicais e faz Consultoria para Empresas.

Em 1994 criou o Grupo Vocal AMÍDALAS CANTANTES, de Santo André – SP. Apresenta em São Paulo o Sarau mensal QUARTAQUARTA. Em 2010 gravou o álbum: VALSA DA VIDA, “As Canções de Iso Fischer na voz de Tato Fischer”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Tato Fischer para a www.ritmomelodia.mus.br  , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 24.07.2017:

01) Ritmo Melodia : Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Tato Fischer : Eu nasci no dia 20 de junho de 1948 em Penápolis – SP.

02) RM : Fale do seu primeiro contato com a música.

Tato Fischer : Desde muito garoto, meu pai trazia para casa tudo que saía de novo em 78 rpm, aqueles discos de uma música de cada lado.

03) RM : Qual a sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)?

Tato Fischer : Estudei Piano Erudito no Conservatório Musical de Lins, cidade vizinha à minha, noroeste do estado de São Paulo.

04) RM : Quais as  suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Tato Fischer : Ouvi muito Ivon Cury, Luiz Gonzaga e Elvis Presley. Está tudo arquivado aqui dentro.

05) RM : Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Tato Fischer : Iniciei como ator, no teatro, em 1972, com a Ópera-Rock Jesus Cristo Superstar.

06) RM : Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Tato Fischer : Realizei vários projetos-show, gravados ao vivo e em estúdio tais como: “Como Há Uma Mulher” (1981), “Tato Fischer, o Chou” (1990), “Cio do Mar” (1991). Nenhum deles chegou a virar um disco. “Bandeira Branca” foi lançado virtualmente, canções de Tato Fischer. Em 2010 lancei com meu irmão Iso Fischer: Valsa da Vida: “as canções de Iso Fischer na voz de Tato Fischer”.

Neste trajeto toquei com inúmeros músicos, em shows ou em discos, alguns deles: Tetê Espíndola, Fernando e Luiz (Duo FEL), Almir Sater, Pedro Moreno, Maricenne Costa, Cida Moreyra. Dei aula também para muita gente que hoje está fazendo música por ai, felizmente!

07) RM : Fale da parceria musical com seu irmão Iso Fischer?

Tato Fischer : Desde que comecei a fazer teatro, e desde que comecei a fazer música para o teatro, sempre fui parceiro dos autores das peças, mas acabei por sempre compor isoladamente. Já minha parceira com Iso Fischer brota do fato de ele compor e eu cantar: eu gosto de cantar o que ele compõe e ele gosta de como eu canto as música dele, acabamos por fazer essa parceira, o compositor e o cantor. Mais recentemente é que começamos a compor juntos: Música, Divina Música.

08) RM : Você fez parte do Secos & Molhados por quanto tempo? Você tocava qual instrumento no grupo? Quais os discos que você gravou com o grupo?

Tato Fischer : Vivenciei com o Secos & Molhados durante quase um ano, de julho de 1972 a maio de 1973, um pouco antes da gravação do primeiro disco. Não participei de nenhum dos LPs, embora seja responsável ao menos por dois arranjos: “Fala”, de Luhli e João Ricardo, e “As Andorinhas” de Antônio Nobre, poema de Cassiano Ricardo musicado por João Ricardo.

09) RM : Qual a importância da obra do Secos & Molhados para a música brasileira?

Tato Fischer : Abertura da cabeça de uma grande maioria do povo brasileiro, Secos & Molhados tocou em qualquer canto que se possa imaginar do território brasileiro… e fora dele. Num show em que me encontrava em Portugal, o público pedia: “Rosa de Hiroshima”!

10) RM : O que fez você sair do Secos & Molhados?

Tato Fischer : Dirigia na época um grupo de teatro, e os horários eram incompatíveis.

11) RM : Qual seu contato pessoal e profissional com os músicos do Secos & Molhados?

Tato Fischer : Raramente me encontro com eles. Com Ney Matogrosso geralmente em seus shows; Gerson Conrad, com quem cheguei a fazer alguns shows nos anos 90, aparece nos Saraus que realizo e no Clube Caiubi.

12) RM : Quando você começou a sua carreira musical solo?

Tato Fischer : Em 1979. Embora dando aulas de canto desde 1972, apenas em 1979 resolvi que queria mesmo era cantar.

13) RM : Como você define seu estilo musical?

Tato Fischer : MPB POP. Existe isso? MPBB: Música Popular Brasileira da Boa…

14) RM : Como você define seu estilo como cantor?

Tato Fischer : Canto o que sinto…

15) RM : Como você define seu estilo como Pianista/Tecladista?

Tato Fischer : Estudei Piano erudito, mas aprendi a lidar com a música popular.

16) RM : Como é seu processo de compor?

Tato Fischer : O mais variado possível, não há um modelo. Às vezes vem uma letra, às vezes uma melodia, outras vêm os dois juntos.

17) RM : Quais são seus principais parceiros em composições?

Tato Fischer : Tenho alguns vários do Clube Caiubi de Compositores, nenhum principal. Fiz canções com vários deles: Alexandre Lemos, Álvaro Cueva, Ayrton Mugnaini, Elder Braga, Etel Frota, Felipe Cerquize, Gilvandro Filho, Guilherme Rondon, Iso Fischer, Juca Novaes, Léo Nogueira, Luhli, Márcio Policastro, Pedro Moreno, Raul Corrêa, Ricardo Moreira, Sonekka, Tony Pelosi, ZéEdu Camargo.

18) RM : Fale de sua participação no Clube Caiubi?

Tato Fischer : Frequento o clube desde 2003, quando ainda na Rua Caiubi, e continuei frequentando nos diversos endereços que teve, até hoje, no Julinho Clube, Rua Mourato Coelho, 585, Pinheiros.

19) RM : Qual a importância do Clube Caiubi para o cenário musical brasileiro?

Tato Fischer : Toda! Abertura de portas para o conhecimento de muita música que ficaria mais escondida ainda, se não fosse via o Clube. Fundamental existir o Clube Caiubi de Compositores.

20) RM : Você estudou técnica vocal?

Tato Fischer : Sim, com vários profissionais, em épocas diferentes, alguns em cursos, outros em WorkShops, outros ainda em aulas particulares ou MasterClasses: Suely Mesquita, Sonya Prazeres, Felipe Abreu, Consiglia Latorre, Ricardo Oliveira, Madalena Bernardes, Eudózia Acuña, Berta Langer, Emiliana Cabrita, Paulo Herculano e Samuel Kerr.

21) RM : Quais as dicas que você dá para os seus alunos de técnica vocal?

Tato Fischer : Estude, estude e estude.

22) RM : Quais as ciladas e clichês que seus alunos de técnica vocal devem fugir?

Tato Fischer : Fugir da cópia. Quando se inicia, é muito comum copiar. Temos modelos; sempre cito o primeiro disco de Elis Regina, em que se podem ouvir a influência de todas as cantoras da época, ela se encontrando como cantar. Depois, deve-se abandonar isso e encontrar seu próprio caminho.

23) RM : Quais os cantores e cantoras que você admira?

Tato Fischer : Cantoras: Ná Ozzetti, Suzana Salles, Luhli, Lucina, Regina Machado, Yvette Mattos, Renata Pizi, Marianna Leporace, Titane, Lucia Helena Corrêa, Fabiana Cozza, Ceumar Coelho, Clarisse Grova, Ana Clara Fischer, Ana Gilli, Adriana BB, Suely Mesquita, Cida Moreyra e muitas outras, não obrigatoriamente nesta ordem… Não coloquei aí a velha guarda: Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Linda e Dircinha Batista, etc.

Homens, vários: Álvaro Cueva, Alexandre Cueva, Pedro Moreno, Denilson Santos, Fernando Cavallieri, Rubi, Márcio Policastro, Daniel Pessoa, Marcelo Barum, Sonekka, Iso Fischer, Sander Mecca, Henrique Vitorino e vários outros… Desta lista, a maioria eu conheci no Clube Caiubi de Compositores e através da M-Musica, dois grupos que participo via internet e nos encontros ao vivo.

24) RM : Quais as dicas que você dá para seus alunos de Piano/Teclado?

Tato Fischer : Dicas não é bem o caso. Sempre se deve trabalhar o instrumento, seja ele a voz ou outro, estudando diariamente. Mesmo que tenha apenas 10 minutos, faça-o. Todo dia!

25) RM : Quais as ciladas e clichês que seus alunos de Piano/Teclado devem fugir?

Tato Fischer : O que eu disse sobre o canto, vale pra o instrumento: evite a cópia. Aprenda com o ídolo, mas livre-se de copiá-lo.

26) RM : Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Tato Fischer : Você ser dono de você e de seu trabalho é a maior vantagem de se trabalhar independentemente. O maior obstáculo é que o artista independente depende de tudo para fazer acontecer a sua carreira…

27) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Tato Fischer : Ultimamente tenho buscado perceber o que é mais importante realizar a cada momento do Caminho. Há muito a se fazer, mas os ventos mudam a toda hora, e o barco precisa continuar a navegar…

28) RM : Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Tato Fischer : Programa de rádio e TV, contatos com pessoas que trabalham com arte, cultura e educação e divulgação de todas as formas que percebo ser possível nos dias de hoje.

29) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Tato Fischer : O que me incomoda no uso da internet é que já presenciei inúmeras ocasiões em que as pessoas, por saberem via internet que acontecerá um show, já se satisfizeram com o fato de saberem que aconteceria, e não vão ao show… Curtem ali apenas, na internet!

30) RM : Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home Studio)?

Tato Fischer : Nem sei se há desvantagens. A grande vantagem é poder-se ter um trabalho hoje de maneira mais fácil para que o público ouça, sem depender de grandes gravadoras para tal.

31) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Tato Fischer : Faço aquilo que gosto, canto e componho o que sinto que devo dizer às pessoas.

32) RM : Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Tato Fischer : Não poderia responder a isso, até mesmo porque não ouço o que toca no rádio ou na tv. Busco sempre ouvir o que está ao meu alcance via internet. Há coisas que ouço e que não obrigatoriamente são mostradas ao grande público. Afinal, o que é isso a que chamamos O Grande Público?

33) RM : Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Tato Fischer : Muitos deles, mas gosto bastante de gente como Celso Adolfo.

34) RM : Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Tato Fischer : Não.

35) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Tato Fischer : Continue sempre atrás de seu sonho!

36) RM : Fale do seu trabalho como Mágico.

Tato Fischer : Sou apaixonado pela mágica, e o que mais gosto, além de atuar, é dirigir a mágica no palco, colocar o mágico em cena, explorando ao máximo seu potencial.

37) RM : Fale do seu trabalho no Teatro.

Tato Fischer : Tenho verdadeira paixão pelo teatro. Queria ter mais tempo pra fazer mais teatro, mais música e mais mágica! A vida é muito curta pra tanto que se quer fazer…

38) RM : Fale do seu trabalho como entrevistador no Programa Um Canto de Luz na TVPAX.

Tato Fischer : É um momento em que me sinto participante do momento musical no Brasil e no mundo.

39) RM : Quais os seus projetos futuros?

Tato Fischer : Estudar tudo o que puder, para crescer e ensinar sempre mais.

40) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Tato Fischer : (11) 98251-7500 (WhatsApp) | www.tatofischer.com.br | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.