Silvio Carvalho

Silvio Carvalho 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 8 minutos

O cantor, compositor, violonista, produtor musical de cinema carioca Silvio Carvalho em maio de 2012, fez a abertura do I Festival de Cinema Lusofônico – FESTIN em Lisboa/Portugal com o show Faces do Rio. Uma de suas canções, “De lua e Estrelas” faz parte da trilha sonora do filme “Maestro das Ruas do Brasil – Um mergulho na Alma Brasileira”.

Em seu primeiro trabalho autoral, intitulado “Tão Simples”, lançado com o selo da MRB Records, Silvio Carvalho apresenta suas canções, uma comunhão perfeita entre letra e melodia. Em Junho de 2013, circulando com a turnê “Tão Simples”, Silvio Carvalho se apresentou em palcos do velho continente: Portugal, França, Espanha e Alemanha, mostrando toda delicadeza, suavidade, leveza e brasilidade de sua obra. Em 2014, fez o lançamento nacional do CD – “Tão Simples” no Centro de Referência da Música Carioca, acompanhado dos músicos: Klebão Felli na Guitarra, Jorge Roger na Bateria e Carlito Gepe no baixo. Desde 2014 faz parte do grupo “Os Encantos”, com teatro de bonecos, como coordenador musical. Em 2016, ministrou a oficina “Um canto”, um conto com a contadora de Histórias Silvia Carvalho, na Associação Viva e Deixe Viver de Contadores de Histórias. É diretor musical do espetáculo Contos da África, músicas do Brasil, com a contadora de Histórias Silvia Carvalho.

Silvio Carvalho estudou Violão Erudito na escola de música Villa Lobos; Violão Popular no CIGAMCurso Iam Guest de Aperfeiçoamento Musical; Harmonia com o maestro De Paula. Técnica Vocal com as professoras: Olga Maria, Cristina Couto, Claudia Garcia, Simone Lial, Keiko Omata e Tatiana Ceschini.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Silvio Carvalho para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 12.10.2019:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Silvio Carvalho: Nasci no dia 12 de outubro de 1972 no Rio de Janeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Silvio Carvalho: Eu venho de uma família muito festeira, e a música sempre esteve presente nas festas, mas até uns 15,16 anos de idade eu queria ser jogador de futebol como a maioria dos meninos dessa idade. Um dia escuto no rádio “Domingo no Parque”, do Gilberto Gil, e a partir desse momento comecei a me interessar em ouvir música com “outros ouvidos”. E quando eu ouvi “Samurai”, do Djavan, outra canção que me marcou muito, eu tive a necessidade de reproduzir aquele som com minhas mãos, foi quando eu comecei a estudar Violão…

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Silvio Carvalho: Estudei Violão Erudito na Escola de Música Villa Lobos, Violão Popular e Harmonia na CIGAM – Curso Iam Guest de Aperfeiçoamento Musical e Harmonia com o maestro De Paula. Atualmente estou no 8º Período do curso de Psicologia e antes estudei Administração.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

 Silvio Carvalho: São muitas as influências musicais, mas tem quatro que tenho um carinho muito especial: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan e Chico Buarque. E a lista não para, Tom Jobim, Elis Regina, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Beto Guedes, João Bosco, Dorival Caymmi, Paulinho da Viola… Nenhuma deixou de ter importância não, todas contribuíram pra formação do músico que sou hoje.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

 Silvio Carvalho: Eu tocava com uma banda de adolescentes, em festas de igreja, festa de rua, era uns amigos que se reuniam e tocava juntos, a gente tocava mais aqueles rocks dos anos 80. Eu não cantava nessa época, somente fazia a guitarra base e alguns backvocal, aí teve um dia que o vocalista faltou no dia do show e eu acabei cantando e não parei mais.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Silvio Carvalho: Tenho um CD gravado, “Tão Simples”, Lançado em junho de 2014 aqui no Brasil, acompanhado dos músicos: Klebão Felli (Violão, guitarra e vocais), Jorge Rober (Bateria), Carlito Gepe (Baixo) e em setembro do mesmo ano, em formato Voz e Violão, apresentei meu trabalho nas cidades de Cascais e Lisboa em Portugal, Munique na Alemanha, Barcelona na Espanha e em Paris na França. Tão “Simples” é um CD que tem baião, baladas, sambas, uma mistura de ritmos entrelaçados com minha forma de ver o mundo. Quanto as músicas: “Que saudade” é sempre bem recebida pelo público, é um samba em homenagem a cidade de Salvador da Bahia; “Por um Beijo” uma balada romântica, mas “Oferendas” é a música mais pedida nos shows.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

 Silvio Carvalho: MPB com tudo que tem dentro dela…

08) RM: Você estudou técnica vocal?

 Silvio Carvalho: Sim, Estudei canto com as Professoras: Olga Maria, Cristina Couto, Claudia Garcia, Simone Lial, Keiko Omata e Tatiana Ceshini.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Silvio Carvalho: Acho fundamental, assim como o instrumentista tem que estar sempre estudando, se atualizando em novas técnicas e levadas. O estudo da técnica vocal é sempre muito importante pro profissional que utiliza a voz, saber dos recursos que sua voz pode apresentar, saber da sua extensão  vocal, saber das suas potencialidades e limitações  são pontos importantes pra um melhor desempenho em prol da música, e ,sem contar, que no estudo da técnica vocal a gente aprende a cuidar da voz e deixá-la sempre saudável.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Silvio Carvalho: Gilberto Gil, Emilio Santiago, Djavan, Caetanos Veloso, João Bosco, Elis Regina, Maria Bethânia, Zizi Posse, Adriana Calcanhoto, Rita Benedito, Gal Costa, Ney Matogrosso

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Silvio Carvalho: Geralmente as minhas canções vão surgindo música e letra juntas de uma forma mais intuitiva, uma vai puxando a outra, já aconteceu sim, de fazer a letra e depois colocar a melodia, mas é um processo mais raro. A letra que escrevo que não tem melodia eu passo pros meus parceiros.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Silvio Carvalho: Anderson França, Jorge Costa Filho, David Paiva, Silvia Carvalho, Argento Junior, Ninico Reis, São Beto Ferreira, Carlos de Matos.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

 Silvio Carvalho: Os prós é que você tem liberdade pra montar seu repertório, falar do tema que quiser, o artista é muito mais autônomo nessas questões. Como contra, tem a questão financeira pra um investimento mais pesado, é você pra tudo geralmente, contato com casas de show, contato com músicos, divulgação…

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

 Silvio Carvalho: Dentro do palco é ser feliz, estratégia número 1 pra tudo, mas, acompanhado de um bom repertório, bons instrumentos, uma qualidade de equipamento de som bacana, acompanhado de bons músicos. E fora do palco eu utilizo muito a internet para uma divulgação do meu trabalho.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

 Silvio Carvalho: Faço contato sempre, contato é sempre importante, página no facebook, canal no youtube e estar sempre circulando nos eventos da cidade.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

 Silvio Carvalho: A internet ajuda na divulgação, é uma ferramenta muito poderosa, não tem como mensurar o alcance que a internet pode dar. Ser “visto” para o artista é muito importante e a internet propicia essa visibilidade. Agora, há que se ter cuidado com o material que vai ser postado, qualidade de vídeo, de som, pra que você tenha um retorno positivo.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

 Silvio Carvalho: A vantagem é que gravar um CD ficou mais barato, você pode inserir outros instrumentos em sua música, claro, dependendo do gosto musical de cada um.  Agora, essa tecnologia tem que ser muito bem utilizada pra não ficar um som muito mecânico.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

 Silvio Carvalho: Mantenho a técnica em dia, tanto no instrumento quanto na voz. Eu trabalho de uma forma perseverante em prol da música e canto a minha verdade, o grande diferencial é isso, ser verdadeiro com a própria musicalidade.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Silvio Carvalho: Tá difícil! A grande mídia empurra na gente uma música da moda, e quem ouve um som mais alternativo, sabe que tem muita gente boa perdida por aí que não chega aos grandes meios de comunicação. Bom, revelações de duas décadas pra cá tem Vander Lee, Paulinho Moska, Zeca Baleiro, Isabela Taviani, Dani Black. E Caetano Veloso, Djavan, Gilberto Gil, Chico Buarque, Lenine, Paulinho da viola, Paulinho Moska, Adriana Calcanhotto são alguns nomes que mantiveram o nível de composição. Acho que a música como um todo deu uma caída, o mercado musical contribuiu muito pra nivelar por baixo o que estar rolando nas rádios, né…

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

 Silvio Carvalho: Djavan, Moska, Gilberto Gil, Lenine, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, João Bosco… são tantos.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

 Silvio Carvalho: Eita Ferro (risos). A coisa básica que acho que todo músico já passou: Não receber! Essa situação é básica pra todo músico… Já me ofereceram cerveja liberada como pagamento, detalhe que quando canto só bebo água. Uma vez uma menina me pediu pra cantar “Sozinho”, essa música tinha acabado de estourar na voz do Caetano Veloso. Ela me pediu quatro vezes durante a noite, na quarta vez que ela me pediu eu disse que não sabia tocá-la, e ela, saiu me xingando dizendo que eu não tocava nada que ela pedia (risos). Já recebi proposta de um casal pra cantar enquanto eles transavam (risos). Uma vez estava me apresentando num Bar, casa cheia, no maior astral, e tinha uma mulher admirada pela minha apresentação, mas admirada com o músico que estava cantando não era paquera. Aí, o namorado se levantou e veio em direção ao palco; confesso que pensei que iria levar um soco, quando eu terminei a música ele pediu pra falar ao microfone e falou assim: “queria agradecer a sua apresentação, é aniversário da minha sogra, todo mundo feliz, e olha, minha namorada está ali apaixonada por você, pelo menos gente o Ricardão é talentoso!” (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Silvio Carvalho: Fico muito feliz quando meu trabalho autoral é reconhecido e admirado pelo público e triste quando me apresento e o público não está nem aí…

23) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Silvio Carvalho: Eu moro na cidade do Rio de Janeiro e musicalmente, tem de tudo pra todos os gostos, Rodas de samba, bares com Voz e Violão, Rock, Forró, Funk é um caldeirão musical de vários estilos.

24) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Silvio Carvalho: Marcelo Cardoso (cantor), Luiz Venturine (Cantor), Klebão Felli (Guitarrista, Violonista, Baixista), Jorge Roger (Baterista), Carlito Gepe (baixista), Daniel Santana (Guitarrista e Violinista).

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Silvio Carvalho: Já tive músicas que tocaram em rádios e sem ter que pagar (o jabá), mas infelizmente ele (o jabá) existe!

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma   carreira musical?

Silvio Carvalho: É um trabalho árduo, de muita batalha, muita dedicação, muito estudo, muitos altos e baixos, mas que é extremamente prazeroso.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Silvio Carvalho: Pra mim só tem Prós, você conhece outros artistas, apresenta sua canção pra um público disposto a ouvir, sem contar que é uma atmosfera mágica participar de festival.

28) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

 Silvio Carvalho: Acho importantíssimo o Festival de Música para o fomento da cultura do País, mas não vejo um aparato midiático pra esses Festivais revelarem novos talentos, como já foi antes lá nos anos 60/70/80.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

 Silvio Carvalho: A cobertura é feita de acordo com as regras do mercado musical, há uma massificação de um estilo, há uma indução, nem tão sutil, de o que esta sendo tocado é o melhor que pode ser oferecido, são várias rádios com o mesmo estilo musical, programas de televisão tocando sempre as mesmas coisas… Aí volto falar da importância da internet como ferramenta de divulgação de outro tipo som, por que, vamos combinar, tem espaços para todos os sons produzidos no País…

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical? 

Silvio Carvalho: Acho importantíssimo como espaço de divulgação pra artistas de vários estilos musicais.

31) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos? 

Silvio Carvalho: Sim, a cidade do Rio de Janeiro tem muitos Bares com música ao vivo e pra todos os estilos, o Bar sempre foi e ainda é a maior escola dos músicos.

32) RM: Quais os seus projetos futuros? 

Silvio Carvalho: Finalizar o próximo CD, eu já tenho o repertório pronto, agora é sentar com os músicos e pensar arranjos!

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Silvio Carvalho: (21) 98325 – 8153 | [email protected] | https://www.facebook.com/Silvio-Carvalho-1500413743562938/

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.