Silvério Pessoa

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Silvério Pessoa
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Natural da Zona da Mata, Pernambuco, o músico Silvério Pessoa faz um trabalho com base na música nordestina, com ênfase para o forró e suas ramificações rítmicas: o batuque, o Bumba-meu-boi, a marchinha junina, o côco e o frevo.

O Forró criado e executado por Silvério é uma síntese das canções da Zona da Mata, Agreste e Sertão, e a atitude dos jovens dos Centros Urbanos, envolvidos com o Rock, o Hip-Hop, o Punk, e os novos sons que chegam e são absorvidos pelas tradições. É um trabalho que oferece hereditariedade ao gênero, não perdendo a nave da história.

Silvério, que já tem dois discos na bagagem (“Bate o Mancá” e “Batidas Urbanas – Projeto Micróbio do Frevo”), acaba de lançar o seu terceiro CD gravado em Recife-PE, mixado em Paris e finalizado no Rio de Janeiro, intitulado “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” lançado aqui no Brasil e planejado para sair em 2006 na Europa. È um CD autoral, no qual todas as canções levam a assinatura de Silvério e parcerias com Bráulio Tavares, Ivan Santos, tem participações de Dominguinhos, Lula Queiroga, Alceu Valença e Lenine.

Silvério retornar de duas tours por 8 Estados do Brasil pelo Projeto Pixinguinha, onde com uma formação acústica (Viola de 10, violão, acordeom e escaleta e sampler e efeitos) foi ovacionado pelo publico do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória do Espírito Santo, São Paulo, Porto Alegre, Caxias do Sul, Curitiba e Porto Alegre e três meses pela Europa. Nessa entrevista, ele fala de sua turner pelo Brasil e Europa, fala da recepção de sua música por um público totalmente diferente do Recife e do Nordeste, da criação do repertório para o seu ultimo trabalho, do lançamento de um DVD, do papel das gravadoras independentes em relação as grandes gravadoras e das rádios que não tocam a sua musica.

Entrevista com Silvério Pessoa, entrevistado por Carlos Araújo, e cedida à revista www.ritmomelodia.mus.br em 01.10.2005:

01) Ritmo Melodia: Como é lançar seu terceiro disco em terras brasileiras depois de uma longa turnê pela Europa?

Silvério Pessoa: Esse terceiro CD, “Cabeça elétrica, coração acústico” é resultado de mais de um ano de produção, entre gravação, mixagem (em Paris), masterização (RJ), e finalização de arte em Recife. Meu olhar sobre os movimentos migratórios se acentuou nas diversas viagens que fiz, principalmente na França, então, o sinto é um momento de reencontro, minha cultura e semelhanças com outras culturas.

02) RM: Como foi a recepção fora do Brasil e comparando com o público daqui, qual a diferença?

Silvério Pessoa: A curiosidade por um trabalho que não é executado na radio, nem na TV, nem pertence a nenhuma corporação, é o grande diferencial entre o publico brasileiro e o publico europeu. Aqui no Brasil, pela própria dificuldade econômica, a maioria do publico investe no que ouve na rádio e vê na TV, infelizmente o que se ouve e vê é muita mediocridade cultural. Na Europa a busca pelo que não se conhece é interessante, mesmo assim sofrem com a cultura imposta por Paris, se falando da França.

03) RM: Falando ainda em público e recepção, você recentemente participou do Projeto Pixinguinha pelo Sul e Sudeste do país. Como foi a experiência de tocar para um público diferente da região Nordeste?

Silvério Pessoa: Pois é. O projeto Pixinguinha me provou que existe um Brasil sedento por novidade, e que as produções e curadorias dificultam essa socialização, não levando para outros Estados, fora o Nordeste, vários trabalhos que se diferente do mercado oficial. Fomos considerados o melhor show da nossa Caravana, em diversos estados, o publico aplaudia de pé, o que emocionou a toda equipe, Foi orgulhoso fazer o Pixinguinha.

04) RM: A ausência de uma grande gravadora influi no trabalho de confecção, produção e divulgação do CD? 

Silvério Pessoa:  Gravadora é instituição falida. Ser autônomo no trabalho com a musica é prazeroso, pois você participa de todos os momentos de produção do seu produto, o CD. Desde a concepção até a finalização, No entanto a distribuição ainda é nosso maior rival, é difícil avisar ao Brasil que lançamos um Cd se a TV não mostrar ou a radio não executar, mas, esse é o sabor de esperar, de trabalhar com paciência e paixão. No meu caso gravador atrapalharia, agora, uma distribuidora que acreditasse no potencial do trabalho, ajudaria, promovendo o CD.

05) RM: Incomoda as suas músicas não tocarem nas rádios?

Silvério Pessoa: Agora não. Tocar nas rádios é sinônimo de não ter qualidade, ou de saber que a gravadora paga pela execução, então você cria insegurança da qualidade do seu trabalho.

06) RM: Esse seu terceiro trabalho é autoral, o outro você trabalhou os grandes mestres como Jacinto Silva e Jackson do Pandeiro. Você já vinha trabalhando esse CD há um bom tempo?

Silvério Pessoa: Como surgiu a ideia/inspiração do CD e porque o nome que dá título ao mesmo? Eu já vinha trabalhando essas canções faz muito tempo, são canções que trazem uma temática atual, que são os deslocamentos de grupos sociais, étnicos, as migrações. Achei um folheto de cordel na mesa do meu amigo, Lula Queiroga, e li o título já emocionado, “Cabeça elétrica, coração acústico” de outro grande amigo e parceiro, Bráulio Tavares, foi em cheio. O coração acústico representa o chão, a história de cada povo, o som bruto, cru, original, que junto à cabeça elétrica encontra a metrópole, a cidade, os migrantes, a busca de felicidade longe de seu lugar, a tecnologia, o ciber space, a literatura virtual, o som sintético, artificial e os loops que são acessórios para musica moderna. Não tive dúvidas, estava tudo dentro do meu contexto, minha vida, meu momento. Um CD que tem todas as canções assinadas por mim, com 3 parcerias, Bráulio Tavares, Herbert Lucena e Ivan Santos. Um momento especial na minha vida.

06) RM: Conta como foi à participação de nomes do nosso cancioneiro, como Alceu Valença, Lenine, Dominguinhos, Vates e Viola entre outros?

Silvério Pessoa: Lenine era um sonho meu em tê-lo comigo em uma canção (Nas águas do Mar), pois estamos sempre perto um do outro pela “vizinhança” com Lula Queiroga, Bráulio Tavares, temos amigos em comum, foi maravilho o momento no estúdio. Alceu. Sou fã, principalmente dos trabalhos mais antigos, ele é uma referência indiscutível na história da Musica de Pernambuco e do Brasil, os demais, são amigos de dia a dia, pessoas que foram pro estúdio celebrar uma amizade,Herbert Lucena (grande compositor de Caruaru), Fabio Trumer (Eddie), Tiné, Nilsinho do Trombone, e minha banda que sempre está junto montando arranjos e idéias.

07) RM: O CD será lançado na semana que vem. Tem alguma previsão de chegar por aqui pela Paraíba? E shows? Temos uma nova turnê pela Europa já marcada? E pelo Brasil?

Silvério Pessoa: O CD chega ao Brasil pra semana pelo selo Tratore de SP, distribuição independente www.tratore.com.br , e pode ser adquirido também pelo www.silveriopessoa.com.br , nosso site que acaba de ser inaugurado. Realizei shows aqui no Brasil, nos dias 4 e 5/11 no Teatro Santa Isabel, aqui em Recife, lançando o CD, depois sigo para SP e RJ para tentar promoção do disco, e depois sigo para Paris, participar de um grande festival, o Africolor. Esse mês de outubro tem uma Tour de 1 mês na França, e outros Estados, estamos sempre aguardando convite, e tentando levar nosso som, que é um som que resume a história de nossa Região, a Nordestina. Espero estar com vocês em breve!

08) RM: Existe a possibilidade de termos uma DVD de Silvério Pessoa e banda, a exemplo de Lenine (in Cité) com a sua turnê pela França?

Silvério Pessoa: Sim, uma coincidência; recebi um e-mail do nosso produtor de Paris, informando que dia 10 de outubro no Café Paris, um lindo Teatro, vamos fazer um show que servirá de base para nosso DVD na França. Aqui em Recife os shows dos dias 4 e 5 de novembro serão gravados para um DVD, com direção de Lula Queiroga. Tudo exige muito trabalho e investimento, mas, estamos otimistas e acreditamos muito nesse novo momento de nossa carreira.

*Carlos Araújo – [email protected] – É jornalista paraibano e professor universitário.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.