SAPIRANGA

CD sapiranga SegredosdoTempo
SAPIRANGA
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O cantor, compositor, poeta e violonista baiano SAPIRANGA. Em nove anos de carreira têm três discos autorais gravados: CD – Pássaro Noturno -2005 e CD – Segredos do Tempo em 2011 e Sapiranga Single 3 – em 2013.

É produtor musical e fonográfico reconhecido pela SBACEM e pelo ECAD – BR. Registro na Ordem dos Músicos do Brasil nº 70566. É Produtor musical na Cacimba Discos & Produções – São Paulo-SP, atualmente está produzindo a Osso Banda e Raoní Telles.

Em São Paulo no Memorial da América Latina de maio a dezembro de 2014 apresenta um encontro entre a música e literatura chamado Sapiranga ConVida. Já estive ao lado de nomes como: Margareth Menezes, Almir Sater, Chico César, Zé Geraldo, Xangai, Oswaldinho do Acordeon, Armandinho, o Maestro João Omar, o percussionista Papete, entre outros.

Em 2012 realizou o projeto Sapiranga ConVida – Edição Salvador-BA, e interior da Bahia. Já em 2013 trouxe o mesmo projeto para o interior de São Paulo, realizando-o em Jundiaí-SP. Fez também a direção musical dos seguintes projetos: Homenagem a João do Vale – Memorial da América Latina, ao lado de Oswaldinho do Acordeon, Papete e Gereba Barreto. Show em Homenagem a Elomar SESC Casa do Comércio – Salvador-BA, com ao lado de Xangai.

Sapiranga atua compondo e musicando trilhas para cinema e teatro, desde 1998, quando ao lado de Jefferson Primo musicou a remontagem dos espetáculos Madame Blavatsky e Jesus Homem ao lado de Plínio Marcos (Escritor das mesmas peças) também trabalhou com a atriz Juliana Galdino na companhia de Teatro ÉOS – São Paulo-SP.

Atualmente está produzindo o seu novo álbum, no estúdio A Outra Margem, de  Zeca Baleiro e Paulo Lepetit, em que assina a direção musical sob a supervisão musical de Paulo Lepetit e direção artística de Marina Machado, o Álbum terá lançamento em 2014/2015.

Segue abaixo entrevista exclusiva de SAPIRANGA para a em 16 de novembro de 2014:

01-) Ritmo Melodia – Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

SAPIRANGA – Eu nasci no dia 01 de Novembro de 1977, na casa de meus avós, auxiliado por uma Parteira (senhora que ajuda a mãe fazer o parto natural), em Gandu – BA, Região Cacaueira na Mata Atlântica baiana.

02-) RM – Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

SAPIRANGA – Ah, isso dá de forma tão especial e natural, faz parte da nossa vida. A música é uma das linguagens Divinas que está a serviço de todos os seres da natureza. O homem antigo, digo antigo mesmo, os primeiros na Terra, descobriram a música para sua necessidade. Os sons da natureza, a comunicação à localização dele naquele espaço geográfico. Todos os Sons da natureza têm a sua necessidade de existir. A música que há no espaço sideral, no cosmo. A música que há na Terra, em nosso planeta. Igual a essa não há em nenhum outro lugar. Pois um Sábio Homem da Floresta, um caboclo me disse que tudo que há aqui, não há em nenhum outro lugar no Universo. Acredito nisso.

Mas a música chegou para mim com a minha vó cantando aos meus ouvidos, canções de Dorival Caymmi. Cresci acompanhando as novenas e os seus cantos, ladainhas, lamentos e louvor. Essa é a formação musical no Nordeste Brasileiro. Eu vive minha infância e adolescência em frente a uma feira livre, feira popular no Nordeste é um grande evento. A feira é o maior encontro ecumênico da Terra. Essa manifestação musical de contato e comunicação com as pessoas me chegou através da feira, vendo os cantadores, sanfoneiros, gente cantando suas emboladas e aboios. O Que me fascina até hoje e sempre me fascinará.

Ganhei meu primeiro Violão das mãos do meu pai (Raimundo da Oficina). Aprendi primeiro a afinar o violão com um senhor da roça, como a gente falava naquela época, um (Matêro). Homem da Mata de nome “Seu Izaé”. Ele não sabia tocar canções no Violão, não tocava nenhuma, mas afinava muito bem e eu aprendi com ele. Nasci numa época em que ainda havia um Nordeste desse dos Livros de Ariano Suassuna, das histórias de Jorge Amado e Adonias Filho. Sei um pouco do que é o Povo Brasileiro. A música pode ser a comunicação entre nós e o Divino e entre o Divino e nós. E também a comunicação entre nós, e a comunicação Divinal entre nós.

03-) RM – Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

SAPIRANGA – Na música eu sou autodidata. A minha formação acadêmica é em Meio Ambiente – UMESP.  Aprendi ouvindo o povo nas feiras. A minha casa ficava em frente à feira em Gandu-Ba. A minha casa, também era, uma “bodega”, na frente da casa havia uma Quitanda em que vendíamos Secos e Molhados: Querosene, Chiclete Ping-Pong, Fósforo, arroz, feijão, café em caroços, manteiga, carne de jabá, cachaça, açúcar, farinha, doces, gilete e lâminas, “Quisuco”, bolachas, pilhas e muitas outras coisas, então frequentava muita “gente da roça”, pessoas da zona rural. Artistas populares de muitos cantos do Nordeste e da Região.

Eu ouvia muito vinil de artistas como Luiz Gonzaga, Bezerra da Silva, os cantores ditos “bregas”, Waldik Soriano, Osvaldo Bezerra (O Rei do Brega), que depois de adulto eu tive a honra de conhecer. Mas minha formação foi essa de escutar, aprendi música através da cultura da oralidade, o que me foi passado pelos cantadores da minha região.

Aprendi com Edvaldo da Cabana a minha primeira música ao Violão se chama Bandeiras Antigas de Edvaldo da Cabana e Clemilda Andrade. Aprendi com o cantadô Foroi a compor músicas que falem do povo da minha região, ele é de Wenceslau Guimarães-BA, uma cidade vizinha de Gandu, aonde nasceu minha mãe, meu avô violeiro Mário Lopes, o Violeiro mais afamado da região nos anos 50 do Século Passado. Eu não o conheci, ele morreu quando a minha mãe era criança, mas acredito que na corrente sanguínea eu trago um pouco do meu avô violeiro em mim.

Aprendi com outros cantadores populares e regionais, seresteiros, cancioneiros, dos quais herdei o ofício de “violêro”. Nomes como Zé do Violão, Cabuleté e o grande instrumentista da região, Zé do Cavaquinho. Este até fez história fora de Gandu, excursionando ao exterior e chegou a tocar com o pessoal dos Novos Baianos. Ouvi algumas vezes de Paulinho Boca de Cantor em Salvador-BA o nome Zé do Cavaquinho. E depois pude confirmar com meu amigo Luiz Galvão, compositor dos Novos Baianos a respeito do meu mestre na música Zé do Cavaquinho.  Mas a música vem com o meu espírito, vem do meu “Eu musical”, de Deus, que tudo nos dá.

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

SAPIRANGA – Essas que citei acima são do passado, presente e futuro, porém, tem outros artistas bem especiais também.

A minha primeira lembrança de ouvir algo gravado é com um artista que é a minha principal influência musical e até filosófica em algumas boas coisas. Eu me lembro de bem criança ao sair com o meu pai, no carro, escutávamos Raul Seixas e uma canção que eu adorava e ainda adoro: As minas do Rei Salomão. Essa música me marcou bastante. E ela é a minha primeira lembrança musical de algo que ouvi gravado. Raul Seixas é minha grande influência. Quando via Raul no programa do Chacrinha (Abelardo Barbosa) ou em outro programa, para mim era uma grande festa, aquele cara estranho vestido com umas roupas estranhas, baiano igual a mim, que aparecia com as roupas dos Reis ou Profetas, eu me identificava de uma forma bem especial. Raul Seixas povoava meu sonho de querer ser artista.

Eu já adulto e tocando e compondo vim conhecer a obra de Elomar Figueira Melo. Ele é um conterrâneo do meu avô, dos meus tios e do meu pai em Vitoria da Conquista, a minha família da parte do meu pai é dessa cidade. A primeira vez que ouvi as músicas de Elomar e seu violão encantado, foi quando ganhei dois discos de um amigo compositor de Gandu-BA (Jorge Estrelinha) que naquele momento estava indo pro Rio de Janeiro tentar a vida de músico, um vinil de Elomar e um de Xangai, eu estava com uns 17 de idade.

Fui correndo ouvir em casa, cheguei com mais dois amigos que tocávamos juntos lá em Gandu. Na sala da minha casa ficava a Radiola, coloquei primeiro o disco de Elomar, e fiquei ao lado da Radiola, atônito, a música iniciava parecia nos levar para tempos remotos, medievais. Eu entendia tudo aquilo que estava sendo tocado e falado por ele, lembrava-me de tempos em que os Menestréis cumpriam sua missão de anunciar as coisas da Aldeia e das aldeias e reinados vizinhos, outrora cheios de acontecimentos entre os plebeus, nobres, todos onde os segréis também anunciavam a arte daquele tempo.

Reconhecia ali em Elomar um Menestrel e me sentia um Menestrel também. Pus-me a chorar sem parar, emocionado com aquela vibração sonora, lembrança além da minha lembrança, uma lembrança quase que espiritual. Penso que é. Minha influência é este país imenso cheio de acontecimentos fantásticos, que vai dos cangaceiros a Luiz Gonzaga para Raul Seixas, meus conterrâneos cantadores, passa por Elomar vai até Xangai, chega ao rock da banda Camisa de Vênus, continua com o Rock Progressivo estrangeiro, Punk Rock também estrangeiro e nacional, Inocentes, Renato Teixeira, Luzeiro de Almir Sater. Assim o Brasil é composto, desses tradutores do sentimento do povo brasileiro, da cultura da união de gêneros e estilos musicais que falam ao coração e traduzem o povo inteiro dessa Nação para um só lugar Brasil-Pindorama. A última Nação formada, povoada como nação na Terra, nessa Era, a “terra prometida” (risos).

Tudo que escutei ainda trago comigo, de forma que tudo tem um valor e está acentuando a minha música. No presente momento tem muita coisa boa acontecendo e outras nem tanto. E busco me ligar-nos que têm essa mesma origem à cima citada. Velha Guarda Tropicália Amanhã e Sempre. Sempre, Sempre serão!  

05-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional?

SAPIRANGA – A minha carreira profissional de apresentar-me em um Teatro, foi em Jundiaí-SP (Teatro Glória Rocha), acompanhado de uma banda com sete cordas, guitarra, percussão, violões de 6 cordas, baixo, flauta e coral. Foi bem especial. Essa cidade financiou, através do Museu Histórico e Cultural e a Secretaria de Cultura, o meu primeiro Álbum. O meu primeiro Show foi em 1999. Eu já vinha de apresentações em Feiras, Praças Públicas, Bares, Parques, Vias Públicas, Rodoviárias, Casas de Políticos, Bregas (Zona), Roças e etc. Continuei tocando assim em quais quer lugares por um tempo até conseguir tocar em Teatros e casas de shows e começar a viver melhor das ‘tocadas’.

06-) RM – Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que você acha que caíram no gosto do seu público?

SAPIRANGA – Gravei em 1999 o primeiro Show profissional. Na época lancei em Fita Cassete e fiz uma turnê que passou por Jundiaí-SP, São Paulo-SP, Rio de Janeiro – RJ e boa parte do litoral, passando por Ilha Grande-RJ, Saquarema-RJ, Cabo Frio-RJ, Arraial do Cabo-RJ, Macaé-RJ, por Espírito Santo: Vitória-ES, Vila Velha-ES, Guaraparí-ES, São Mateus-ES. E por Porto Seguro-BA e Arraial D’ajuda-BA. A Fita foi um sucesso, rodou entre a galera mais alternativa e de praia (risos). Tinha uma canção de domínio público da minha região A Morena e Eu e outra música Cicatrizes do Equador (Sapiranga/Eduardo Viana), entre outras.

Gravei em 2005 o CD – Pássaro Noturno, com a música título Pássaro Noturno que o público sempre me pede em minhas apresentações e Ilha da Saudade, que inclusive fez parte de um projeto das rádios públicas de todo o Brasil, sendo tocada em todo o território nacional.

Este Álbum traz um conceito musical que desenvolvo que é a Música da Zona da Mata (Música com influência medieval para violão e o canto e fala das coisas da Mata Atlântica), ele foi gravado em São Paulo, é um CD para Violão e Voz com músicas com alguma pegada medieval trovadoresca e poemas.

Em 2011 gravei o CD – Segredos do Tempo, que tem uma pegada mais de transição entre o regional rural e cantos da cidade, com muita percussão e uma tendência a ser mais popular. Com a direção musical de Bráulio Vilares Barral, ele foi gravado em Salvador-BA, tem as músicas: Alta Mira que se tornou mais conhecida.

Em 2013 lancei o single do meu próximo Álbum, o single levou o nome de Sapiranga Single 3, ele contém 3 faixas. Foi o meu primeiro experimento com a venda de música pela internet. Nele está à música Flor da Aurora que é muito pedida pelo meu público.

E estou gravando o meu novo Álbum, lançamento para 2014/2015. No estúdio A Outra Margem em São Paulo.

07-) RM – Como você define o seu estilo musical?

SAPIRANGA – Eu sou um cantor e compositor brasileiro. Tudo cabe para a música brasileira. Digo isso, mas, abrigo-me nos gêneros que gosto e me identifico como o Baião, Xote, Xaxado, Maracatu, Ciranda, Frevo, Tambor de Criola, Galope, Rancheira, Arrasta Pé, Rock, Punk Rock, Rock Progressivo, Heavy Metal, Samba, Samba de bossa, Samba Canção, Chorinho, Bossa Nova, Partido Alto, Samba de Breque, Musica de Capoeira, Samba de Roda, Cantoria, Parcela de Mutirão, Cantigas de Trabalho, Tirana, Guarânia, Milongas e outras Bossas, e ainda Etc, Etc e Tão… Sou um Homem da Música Brasileira e estou no Mundo, meu estilo é música para o sentimento e elevação do espírito, e a atuação do Homem na Sociedade também. Simples assim.

08-) RM – Como você se define como cantor/intérprete?

SAPIRANGA – Para o mercado sou cantor e compositor. E por Natureza sou “Cantadô”, interprete das coisas que eu acredito e sinto no coração, pelas quais tenho o meu amor ligado a elas. Canto e assim também existo.

09 -) RM – Quais os cantores e cantoras que você admira?

SAPIRANGA – Uau… Eu gosto de tantos cantores: Waldik Soriano, Tim Maia, Jessé, Paulinho Boca de Cantor, Nelson Gonçalves, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Xangai, Billy Paul, Steve Wonder, James Dio (Black Sabath), Bruce Dickinson (Iron Maidem) entre muitos outros, mas estes são cantores que eu me afino com eles.

As cantoras, primeiro Elis Regina, mas gosto muito das vozes e interpretações de Zizi Possi e Marinês, e aí vêm muitas outras como Eliseth Cardoso, Maria Bethânia, Diana Pequeno, Janis Joplin, Edith Piaf e esse raio que passou: Amy Winihouse e muitas outras…

10-) RM – Você compõe? Quem são seus parceiros musicais?

SAPIRANGA – Principalmente componho. E meus parceiros “é a minha Vida Inteira”. Meus discos até então são de músicas minhas, tenho algumas parcerias como em meu primeiro Álbum há uma canção que se chama Lembranças de Todo Dia, parceria com Ailton Souza, poeta de Gandu – BA. No CD – Segredos do Tempo eu tenho uma linda parceria com a minha filha Clara Marina, que é a música que dá nome ao Disco (Segredos do Tempo) tem também uma canção que se chama Na Fronteira do Baião em parceria com Laura Dantas. Mas, tenho parcerias com Eduardo Viana em canções que ainda não gravei e agora minha derradeira parceria é com um jovem músico talentoso, Raoní Telles, lançamos pela Internet a canção Veja Além pela CACIMBA DISCOS, em Agosto 2014.

11-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

SAPIRANGA – Começarei pelos “contras”. Vejo os contras, e passo por eles… Vejo que precisamos construir a nossa vida. Construir a vida seja em qualquer carreira tem as dificuldades. E “é preciso as dificuldades para a gente vencer a si mesmo” já me diz um Sábio, caboclo e verdadeiro amigo. Assim, com luta as coisas têm um valor e um Sentido ainda maior. Muitas vezes, para se escrever uma bela canção, passa-se por um sofrimento e depois vêm àquelas palavras, aquela melodia e harmoniza tudo. Assim é a vida. Venho vivendo isso.

E os “prós” é a continuação dos “contras” (risos). A construção da carreira e da vida é o grande tesouro que a gente vem buscar na Terra. Pois é, a nossa transformação, lapidação, crescimento, aperfeiçoamento e evolução.

Existe o Mercado, existe, mas Existe o Espirito e tudo está dentro da condição espiritual que a gente se encontra. Por isso, precisamos buscar nos perceber como espirito e criar as melhores condições de vida para nós mesmos. Assim, chegaremos com mais facilidade em nossos objetivos. Digo isso, mas, precisamos fazer acontecer, sendo honesto conosco, com as pessoas e com a vida, mas fazendo acontecer, arregaçando as mangas da camisa e indo a busca do que se quer. Assim se chega ao êxito e assim caminhamos nós a tantos e tantos tempos, milhares e milhares de anos na Terra.

Bom, essa é a minha visão, o que estou vivendo neste momento. Mas, hoje tenho uma empresa, um Selo que busca fazer a ponte entre a minha música e os processos profissionais do mercado musical para que minha música se desenvolva. É preciso ser empreendedor! Para os que têm essa necessidade, existem muitos processos. E, voltando à condição Espiritual, tem também o fator: A Estrela de cada Um. Para cada Um pode ser diferente. Eu preciso colocar a mão na Massa. Ou na Música!(risos).

12-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

SAPIRANGA – De Chico Science para cá muitas coisas aconteceram e foi bem especial. Chico Science traz uma revolução na música, no comportamento, na visão de música brasileira, de forma bem importante.

Hoje a gente vê muita gente mais Pop colocando células de Maracatu em suas canções, até o que toca nas rádios foram para este elo de música regional e música pop. Alceu Valença já fazia isto, Raul Seixas, foi o primeiro, mas neste período eu conto musicalmente AC/DC (risos).

Antes de Chico Science depois de Chico Recife – PE e o Nordeste estavam dentro de uma redoma silenciada de certa forma. Veio Chico e virou o cenário. Ganhando o Mundo. Isso para mim foi a grande Onda da música brasileira dos derradeiros tempos.

Mas, tem muita gente boa que faz seus trabalhos com esmero e são referências para quem nasceu nos anos 90 e 2000. Nomes como Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, e tem o cenário dos pós-alternativos dos anos 2000, uma cena do Hip Hop e uma galera que mistura música brasileira com Hip Hop e assim segue um negócio que podem até chamar de Linha Evolutiva da Musica Popular Brasileira. Eu ‘tô’ com Raul Seixas e não tenho nada a ver com essa linha.

A minha linha é outra é da Origem e da necessidade de se falar as coisas do povo brasileiro, do mundo, da vida, cotidiano, mistérios da natureza, segredos das relações entre nós, seres humanos e uma musicalidade que converse com o país de forma indígena tribal, afro, cabocla, de serrado e litoral e de cidade também. Uma canção que esteja para a Antropologia assim como para o dia a dia das coisas simples, pois tudo está no “anthropos”, no Homem e vem para o “Logos” coletivo (Conhecimento coletivo). Este é o ofício nosso de artistas: Reunir estes conhecimentos e passar para as pessoas. Cada um à sua forma. Sei que o artista brasileiro é assim. Os artistas que cito à cima são assim. Dos quais eu também herdo este ofício. Para os que não seguem acompanhando o Tempo das coisas atuais. Eles têm dado a sua contribuição e está registrada no tempo. Um dia alguém ver o seu valor e tudo se transforma como sempre. 

13-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

SAPIRANGA – Margareth Menezes é uma grande profissional, minha amiga, por tanto posso falar a respeito. Grande profissional que tem um cuidado com a sua carreira, não entra nos modismos passageiros, tem um trabalho consolidado e é uma muito batalhadora, tem visão de mercado também e vê lá na frente. Tem um posicionamento como artista e como pessoa na vida, como mulher, posicionamento este que me faz seguir minha carreira e me inspira, me conforta também nos desafios que se enfrenta na vida e na carreira. Gosto muito do seu trabalho artístico e profissional. Uma grande empreendedora e artista. Tem outros, mas, prefiro falar no momento dessa Maga. 

14-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

SAPIRANGA – Muitos são os acontecimentos, já são nove anos de carreira profissional, contando a partir da gravação do meu primeiro Disco. Três filhas e três ex-mulheres. E viagens por todo o Brasil, mas vou contar algo mais Extra Terrestre (risos) que aconteceu nos idos dos anos 2000.

Eu estava morando lá no Teatro do Morro, em Morro de São Paulo-BA. Eu tocava lá no Teatro nas quartas-feiras que rolava uns encontros de músicos e Shows. Uma quarta-feira bem especial, recebemos a visita de Karl Hummel, guitarrista da maior banda de Rock do Brasil, para mim, CAMISA DE VÊNUS. Sempre adorei a banda. Foi muito legal trocar ideias e conhecer o mano pessoalmente. Ficamos lá no teatro trocando ideias, ele falando de quando eles estiveram com Raul Seixas à primeira vez, essa coisa de falar de Raul que é massa! Bom, estávamos nós e nossas mulheres, trocando ideia e rindo pra caramba, quando chegou num momento da conversa, o céu ali, parece que a Via Láctea está bem pertinho de nós, cada estrela naquela imensidão, é praia né, então já viu, um Céu iluminado de Estrelas… Quando ele estava me contando essa história de Raul, e a conversa foi ficando mais legal, tinha um Bar à nossa disposição e muita doideira da época. Raul Seixas e suas doideiras, cara, passou uma Estrela no Céu que não tinha mais tamanho, nunca tinha visto uma daquela. Ficamos de cara com aquilo, um cavalo imenso correndo pelo céu, algo impressionante. Paramos a conversa, e saímos cada um com nossas minas, e nem demos um até logo nem nada. Há Deus, Existe Deus!(risos). 

15-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

SAPIRANGA – Me sinto feliz por ser um Artista Brasileiro. Alguém que mesmo com as dificuldades de estar no Brasil com suas políticas públicas ainda distantes de estarem a serviço do Povo da melhor forma.

Este país que tem uma grande mídia tão reacionária e totalmente a serviço do Dragão da Maldade e que exclui e contribui para a dissolução da cultura verdadeiramente Brasileira, mesmo com essas e outras tantas realidades que vivemos. Sou feliz por estar neste Brasil, onde pude desde criança beber água de cacimba, fazer boi de barro, pisar o chão, a argila e dela fazer arte, canção.

Este país de Glauber Rocha. Imagine o que seria de Glauber se não fosse este País. O país de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (Filme de Glauber Rocha) Terra em Transe (Glauber Rocha).

O Brasil do professor Darcy RibeiroMaíra, Os irmãos Villas Boas, um Brasil de Antonio Conselheiro, Brasil de Luiz Carlos Prestes – O Cavaleiro da Esperança. Brasil meu, uma criança de pés no chão e um gigante menino acordando a multidão. Brasil de José Gabriel da Costa, Brasil Sultão das Matas, Flor de Aurora no meio de nós. Brasil de Sol a Sol que compõe em nós brasileiros de amor no coração, fibra, raça crença, Coragem e Fé. Minha carreira musical é na base da luta e da resistência, assim eu aprendi, assim sinto na pele e assim é para um dia ser mais leve, fácil, mas, não breve.

16-) RM – Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?                                                     

SAPIRANGA – SAMPA Multiface. Música, Teatro, Dança, na Cabeça da Criança no Passo que o Homem deu no Futuro onde o Ateu se encontra com a Esperança nessa Selva Serpentina com o Amor da Concertina de Oswaldinho da sanfona Chora Viola Violina Chora os Olhos da Menina no Tempo que é de Chorar Dançam os 4 Elementos Na Formação dessa Terra Desce Serra e Sobe Serra e não encerra o Caminhar SAMPAtrônica Elegância Que não Para e não se cansa nunca para de Sambar.

17-) RM – Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

SAPIRANGA – RAUL SEIXAS – CAMISA DE VÊNUS – ELOMAR – XANGAI – JANIS JOPLIN – LED ZEPELIN – YES – RENAISCENCE – ROBERT JHONSON – DEEP PURPLE – RITCHIE BLACKMORE – JOÃO DO VALE – JACKSON DO PANDEIRO – PINDUCA – WALDICK SORIANO – THE CLASH – EDNARDO – BELCHIOR – HERMETO PASCOAL – VITAL FARIAS – ROBERTO MENDES – RAIMUNDO SODRÉ E TANTOS OUTROS E Eu, SAPIRANGA (risos).

18-) RM – Você inscreve as suas músicas em Festivais?

SAPIRANGA – Não. Nunca participei destes movimentos. O meu caminho profissional foi bem diferente desse, fui por outros brasis, o Brasil é imenso e mercado a gente que cria. 

19-) RM – O que acha da importância dos Festivais para lançar novos talentos para um grande público?

SAPIRANGA – Posso falar pouco, pois conheço pouco. Nunca participei de Festivais. Iniciei minha carreira sem fazer este caminho.  Fui cantador de feira, de rodoviária, de vilas, vilarejos, zona rural, moleque doido pé na estrada, viajando das tantas formas que se tem ou se tinha pra viajar neste país, de carona, a pé, ou seja, cantei em outros brasis.

Vejo que pode ser bom, sempre é bom na verdade. A pessoa é vista por um grande público e tem a chance de despontar ali. Dos festivais atuais que já vi em televisão ou algo assim, poucos foram os artistas que despontaram e têm carreira sólida e ainda está na grande mídia. Falo dos festivais, digamos dos anos 90 para cá. Mas, é importante e tem um valor.

Nos anos 80 tiveram alguns artistas que se firmaram e tiveram uma alavancada em sua carreira, Osvaldo Montenegro, Amelinha, A Cor do Som, 14 Bis, Leci Brandão, Renato Teixeira e muitos outros. Estes artistas participaram de Festivais nos anos 80 também, mas tinham uma carreira já de algum tempo. Então não é o Festival em si que faz o artista. E na maioria das vezes os Festivais são para beneficiar alguns artistas de grandes empresas. Esses nomes que citei já tinham Discos gravados, público e tudo. De maneira que acredito que mais importante do que os Festivais é a carreira do artista. Se você tem um bom trabalho, Discos gravados e uma história pode ser importante você ir em um festival e despontar com toda a sua história. Com história tudo pode ficar mais fácil, mesmo uma história difícil (risos). 

20-) RM – Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

SAPIRANGA – Carne de Jabá assada com pirão de água fria e uns pedaços de “tumati”. Esse é o meu prato predileto, comia assim quando criança e até hoje adoro!  Acredito! Pode ser que aconteça. Em algumas já toca!

21-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

SAPIRANGA – Busque se encontrar com o que é ser você mesmo. Acredite em si, busque conhecer Deus, pois é quem tudo nos dá. Estude e Estude, viva e viva para criar seu caminho, seja honesto e conheça o Brasil, aqui tem tudo o que precisamos para sermos bons artistas. Mas conheça também o que for possível de outros países, assim entenderás melhor ainda o Brasil. Seja ousado e, Coragem e Fé. Coragem e Fé é uma música do meu próximo Álbum lançamento para 2014/2015.

22-) RM – Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

SAPIRANGA – Sou artista na Gravadora Cacimba Discos, sou o Presidente dessa Gravadora e Produtor Musical também. Tenho minha produtora que é também Diretora da Gravadora, sendo assim pensamos tudo para a minha carreira e crescimento da Empresa. Minha carreira cresce junto com a Cacimba Discos.

23-) RM – Quais as ações empreendedora que você prática para desenvolver sua carreira?

SAPIRANGA – Já falei um pouco na resposta anterior, mas, Vai aqui: Parcerias com outros artistas, espaços culturais, empresas ligadas à área e até de outras áreas. Busco rádios que queiram desenvolver projetos alternativos, trabalho com lançamento de outros artistas. Vendo musica na internet, promovo eventos (Shows, Feiras e outros) onde me apresento também. Faço um Movimento no todo onde atuo!

24-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

SAPIRANGA – A internet contribui bastante. Mas, vejo que as pessoas não estão saindo de casa. Muitas pessoas não querem deixar a comodidade dos seus lares e irem prestigiar os artistas. É tal de “Curtidas” no Facebook e acham que se fazem presente nos eventos. Precisamos ir mais nos eventos! Mas, vendo musica através da internet, chego em muitos países, vou fazer Shows também em muitos lugares por conta de contatos na Internet e muito mais!

25-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

SAPIRANGA – Só vejo vantagens! Mas, preciso dizer que é importante buscar atualizar-se e buscar também quem utiliza bem os mecanismos. Buscar um Produtor Musical é uma ação sóbria. A Cacimba Discos, por exemplo, tem recebido muitos artistas que querem produzir o seu Álbum conosco e vejo que estão querendo fazer algo melhor. Estamos nos aprimorando a cada momento também. Queremos o nosso sucesso e o sucesso de todos!

26-) RM – No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

SAPIRANGA- Sou Eu mesmo! Assumo O Lugar de onde venho, as músicas que escutei para a minha formação musical, assumo os lugares aonde andei, com quem aprendi a tocar e compor, e as coisas que fiz em minha vida!
Não acredito em concorrência! Penso que cada um tem a sua história, a sua luta e sei que tudo é uma questão de Merecimento, luta e Foco no que se busca, claro que com responsabilidade, muito trabalho, Coragem e Fé!

27-) RM – Quais os seus projetos futuros?

SAPIRANGA – Estou com um Projeto em um dos melhores espaços de São Paulo, o Memorial da América Latina, projeto este em que eu recebo convidados de música e literatura e outras artes também, gente de nome Nacional. Lá acontece um bate papo bem especial, o projeto se chama SAPIRANGA ConVida. Iniciei este trabalho lá em Salvador-BA e o trouxe para Sampa. Tem dado certo. É um sucesso. Até Dezembro de 2014, uma Quinta-feira por mês, eu estarei lá na Biblioteca do Memorial da América Latina. Mais informações acessem: www.sapiranga.mus.br .

Tenho uma empresa de produção musical, projetos musicais, uma gravadora que se chama Cacimba Discos. Tenho uma parceira muito especial que é Marina Machado Designer e Multimídia, que atua na parte de criação e arte, Sites, padrão estético do meu trabalho e dos nossos clientes, toda a programação visual que se precisa para ser bem visto no mercado musical nacional. Marina Machado é também minha produtora. Estou gravando meu terceiro Álbum de carreira, um Disco gravado aqui em São Paulo, no estúdio A Outra Margem de Paulo Lepetit e Zeca Baleiro. Este disco tem previsão de lançamento para Novembro de 2014, tem as participações de Margareth Menezes, Xangai, Paulo Lepetit, Papete e muitas outras surpresas quem vêm por aqui. Um bom Disco de música brasileira. Bom, essas coisas e ainda faço produções musicais de outros artistas pela Cacimba Discos.

28-) RM – Quais os seus contatos para show e para os fãs?

SAPIRANGA – CACIMBA DISCOS – (11) 2548 – 8418 | (11) 9.9581 – 1052 | (71) 9249 5454

MARINA MACHADO – (11) 9.5362 – 0899 | [email protected]
| www.sapiranga.mus.br
FACE: Músico Sapiranga
Música para ouvir: Rádio Uol, Deezer, iTunes e outras.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.