Salatiel D’ Camarão

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Salatiel D’ Camarão
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O cantor Salatiel D’ Camarão teve sua infância cercada do mundo fascinante da cultura popular nordestina, pois Salatiel é filho do sanfoneiro Camarão, uma das maiores referência na cultura nordestina.

E foi através da convivência com o pai que ele cresceu próximo aos seus ídolos como: Luiz Gonzaga, Lindú (Trio Nordestino), Dominguinhos, Marinês e tantos outros. Seu pai teve uma banda, chamada de “Bandinha do Camarão”, e os ensaios dessa banda eram feitos na sua casa. E muitas vezes Salatiel ficava brincando com os bonecos de barros, sentado no meio da banda ao lado do seu pai. Acordava e dormia com seu pai tocando sanfona. Na década de 1970, seu pai tornou-se o diretor artístico de um local que realizava eventos, denominado de “Palhoção do Marrone” em Caruaru (PE). Então, muitas artistas frequentavam sua casa. Exemplo: Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino, Genival Lacerda, as caravanas da CBS, que Abdias trazia diversos artistas, assim como, a caravana da RCA Victor, que Luiz Gonzaga também vinha com diversos artistas. Ainda criança foi para o Conservatório Pernambucano de Música em 1984. Em1987 ele começou a sua carreira como baterista e trabalhou com os seus ídolos: Marinês, Expedito Baracho, Genival Lacerda, Dominguinhos, Maestro Duda, Gennaro e trabalhou com artistas de outros estilos como: Cauby Peixoto, Moacir Franco, Patrick Dumon, Hermeto Pascoal, Robertinho do Recife, entre outros. Começou como cantor no ano de 2007 sendo líder da banda “Afarinhada”, foi ai então que decidiu assumir carreira solo, através do apoio de seu pai Camarão, do Gennaro (ex Trio Nordestino), do Dominguinhos e o Genival Lacerda. Utilizando então o nome que durante esses anos como músico usou Salatiel Dias gravou seu primeiro CD (em 2008), mas por ser filho do mestre Camarão, o público lhe batizou artisticamente, como: Salatiel D’ Camarão.

Salatiel D’ Camarão foi construindo aos poucos sua carreira artística, foi ficando conhecido por propagar a cultura popular nordestina e realizou espetáculos em diversas prefeituras, como: Prefeitura do Recife (PE) em 2008 a 2017; Salgueiro (PE) em 2011; Teresina (Piauí) em 2010; Caruaru (PE) em 2016 a 2017. Realizou apresentações pelo Governo do Estado de Pernambuco em 2011 (Olinda) e 2014 no Festival de Inverno de Garanhuns. Com a divulgação do seu trabalho em outros Estados, Salatiel em 2013, começou a realizar shows no Rio de Janeiro 2013 a 2015 (Arraial do Bem); São Paulo 2016 e 2017 (Canto da Ema e Remelexo). Ele também participa de diversos calendários festivos de empresas e eventos particulares. No ano de 2011, gravou um CD em parceira com seu Pai, chamado “Seguindo Meus Passos”; ele passou um tempo sem gravar, mas em 2016, lançou o CD e DVD, intitulado: “Meu Legado”, que é uma homenagem ao seu pai Camarão. Destaco neste trabalho a participação de Camarão, Dominguinhos, Genival Lacerda, Gennaro.

Através da experiência como instrumentista foi convidado a lecionar em diversas escolas de músicas, sendo assim, desde 1994, ele lecionou em varias instituições, como: Academia Zenilde Maria, Espaço Cultural Dom Bosco, Escola Musicale dentre outras. É palestrante desde 2004; se apresentou: no Colégio Americano do Recife (PE), em 2000, Escola Miname em Recife (PE) em 2011 e 2013, Museu Memorial Luiz Gonzaga em Recife (PE) em 2008 e 2010, Conservatório Pernambucano de Música em Recife (PE) em 2010, Livraria Cultura em Recife (PE) em 2012, no Teatro Barreto Junior em Cabo de Santo Augustinho (PE) em 2011, Festival de Inverno de Garanhuns (PE) em 2012, Livraria Lira em Arcoverde (PE) em 2012, UFPE – Universidade Federal de Pernambuco em 2012, Teatro Arraial Recife (PE) em 2012, na Bienal da Une em 2013, UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco em 2014, Maracatu Brasil (Escola de Música no Rio de Janeiro) em 2015, Museu Caís do Sertão (Recife) em 2014, 2016 e 2017, entre outros.

Há 31 anos Salatiel trabalha no cenário cultural como: músico, cantor, professor de música e produtor musical, executivo, e cultural. Sua formação é constituída através de um conhecimento empírico, curso técnico de música pelo Conservatório Pernambucano de Música, Licenciatura Plena em História, e Pós Graduação em História do Nordeste com ênfase em Pernambuco através da Fundação de Ensino Superior de Olinda – FUNESO.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Salatiel D’ Camarão para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.09.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Salatiel D’ Camarão: Nasci no dia 14.05.1974 em Caruaru em Pernambuco, no bairro do Vassoural e na Rua Preta. Registrado como Salatiel Dias e sou filho de Reginaldo Alves Ferreira, conhecido como o sanfoneiro Camarão.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Salatiel D’ Camarão: Cresci no meio da música, pois meu pai na época tinha uma banda, chamada de Bandinha do Camarão. Os ensaios dessa banda eram feitos na nossa casa. E muitas vezes eu ficava brincando com os bonecos de barros, sentado no meio da banda ao lado do meu pai. Acordava e dormia com meu pai tocando sanfona. Neste período, meu pai tornou-se o diretor artístico de um local que realizava eventos, denominado de “Palhoção do Marrone”. Então, muitos artistas frequentavam nossa casa. Exemplo: Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino; sem falar das caravanas da CBS que Abdias trazia diversos artistas, assim como, a caravana da RCA Victor dentre outros.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Salatiel D’ Camarão: Minha formação é constituída através de um conhecimento empírico. Curso técnico de música pelo Conservatório Pernambucano de Música, e licenciatura plena em história, e pós-graduação em História do Nordeste com ênfase em Pernambuco através da Fundação de Ensino Superior de Olinda – FUNESO. Com experiência em pesquisa na área de História da Música, Estilo e Gêneros Musicais Nordestinos.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Salatiel D’ Camarão: Isso é muito complicado definir, pois ainda criança estudava no Conservatório Pernambucano de Música, onde só se estudava música europeia, intitulada como: clássica. Neste ambiente, eu escutava: Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart entre outros. Contudo, nos locais que meu pai trabalhava, eu ouvia: Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês, Os 3 do Nordeste, dentre outros. Mas, em casa através da influência dos meus irmãos, escutava: Rush, Led Zeppelin, Earth, Wind & Fire, Jackson Five etc. Entretanto, com o passar dos anos, as minhas raízes começaram a falar mais alto. Não porque os demais estilos musicais deixaram de ser importantes para mim. Mas, por que senti que a cultura de matrizes nordestinas seria meu legado.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Salatiel D’ Camarão: Comecei em 1987, tocando bateria em Churrascarias e Bares. Dois anos depois, fui chamado pelo meu pai para tocar percussão em seu grupo musical. No ano de 1990, fui convidado pelo Trio Nordestino e Marinês, para tocar em um Tributo a Luiz Gonzaga em um evento realizado pelo governo do Estado de Pernambuco. Depois disso comecei a trabalhar com diversos artistas do meio do Forró; assim como, de outros seguimentos. Em 1992, foi à primeira fez que trabalhei com Genival Lacerda. Acompanhei diversas vezes: Marinês, Genival Lacerda, Santanna, Maciel Melo. Em outros seguimentos acompanhei diversas vezes: Hermeto Pascoal, Robertinho do Recife, Cauby Peixoto, Expedito Baracho, Patrick Dumon, Maestro Duda dentre outros. Também trabalhei com menos intensidade com: Dominguinhos, Sivuca, Moacir Franco, Núbia Lafaete, Roberto Luna, etc. Mas, em 2007, iniciei a carreira de cantor de Forró, sendo líder da banda “Afarinhada”, um ano depois, decidiu assumir uma carreira – solo, através do apoio de meu pai (Camarão).

06)   RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

Salatiel D’ Camarão: Utilizando o nome Salatiel Dias gravei o meu primeiro CD em 2008, chamado “Estrada da Vida”, que teve a participação do meu pai Camarão, Dominguinhos e Genival Lacerda. Mas por conta do meu pai a referência era: Salatiel Camarão ou Salatiel de Camarão e por uma questão natural meu nome artístico ficou: Salatiel D’ Camarão. Neste CD a canção se destacou foi: “Meu Velho” (Camarão). No ano de 2011, fiz uma parceira com meu pai, e lançamos o CD – “Seguindo Meus Passos”; que destacou a canção “Velha Companheira” (Camarão). O mais recente trabalho se chama “Meu Legado”, gravado em 2016; que é uma homenagem ao meu pai Camarão – em CD e DVD. Deste trabalho a canção que se destacou foi “Cantando o Nordeste” (Luizinho Calixto/Chik Clayton).

07) RM: Você é compositor?

Salatiel D’ Camarão: Não sou compositor nem letrista. Contudo, procuro compositores que se inspiram dentro de construções genealógicas de signos; seguindo padrões melódicos e harmônicos encontrados na música nordestina; ou seja, que componham dentro de uma lógica melódica de caráter modal, que implique progressão de cadencias especificas evidenciada pela predominância do movimento descendente das melodias nordestinas. Já no letrista, busco aquele que codifica a poesia rural do sertão do nordeste brasileiro. Mas, não se descuida dos ajustes, adaptando ao urbano sem, no entanto descaracterizar aquela poesia popular, denominada folclórica. Sempre buscando contextualizar, introduzindo um fluxo de signos em uma linguagem direta.

08) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Salatiel D’ Camarão: Acredito que o positivo, é sair da zona de conforto, buscar se capacitar. E formar plateia e entender melhor o seu trabalho e seu público. O lado negativo é a dificuldade de constituir capital de giro, e ter que acumular funções.

09) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Salatiel D’ Camarão: Primeiro fiz um Plano de Negócio, desenvolvendo a caracterização do meu trabalho, a sua forma de operar, as suas estratégias; sendo assim, criei um plano para conquistar uma fatia do mercado e secundariamente minhas projeções financeiras (receitas, custos, despesas e resultados). Defini minha mensagem para o público através do meu trabalho artístico. E construí uma imagem especifica do produto; assim como, criei uma sonoridade particular. Por fim, realizei uma segmentação de mercado para meu produto, mapeando as regiões estratégicas e suas praças, ou seja; busquei catalogar todos os eventos públicos (festas tradicionais, festivais, circuitos dentre outros) e privados (casa de shows, eventos corporativos entre outros) que tem o perfil para meu produto.

10) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Salatiel D’ Camarão: Acredito que a tecnologia é sempre bem vinda; todavia, como ela é usada, é a questão. Esse tipo de ferramenta deve ser empregado para amadurecer o trabalho proposto pelo artista, usando como um utensílio para um processo experimental. Entretanto, algumas pessoas utilizam o home estúdio para outros fins, de projeção amadora, proporcionando ao mercado, produtos de qualidade questionáveis.

11) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Salatiel D’ Camarão: O Forró está vivendo um processo de formação de plateia, muito interessante, pois está chegando a um novo público, dentro de um entendimento que outrora era visto; ou seja, o Forró era um espaço de inclusão social e acessibilidade; concepção esquecida pelo público que o consome algumas décadas. Destaco dentro de períodos e regiões geográficas distintas, dois produtos artísticos específicos, são eles: Na região nordeste – Flávio José e na região sudeste – Falamansa. Esses produtos migraram por meio do consumo sua prestação de serviço para outras regiões, conquistando o processo denominado “sucesso”. Contudo, esses produtos não conseguiram ficar por muito tempo no foco da mídia, sendo assim, eles retornaram para o segmento de mercado onde os mesmos despontaram; todavia, como referencias do estilo musical que representam.

12) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Salatiel D’ Camarão: Eu acho que fui o único cantor que tocou em um forró que estava o Diabo, Jesus e Pilatos bebendo na mesma mesa. Isso mesmo que você está lendo. Pois fiz uma tocata no distrito de fazenda nova, para os atores da peça “Paixão de Cristo” – feita em um teatro ao ar livre, que fica na cidade de Brejo da Madre de Deus (onde meu pai nasceu).

13) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Salatiel D’ Camarão: Quando estou no palco cantando e tocando para pessoas que gostam do tipo de música que eu faço e vejo a alegria deles em seus rostos, para mim é uma sensação muito boa. O que me deixa triste por um momento é que não estou curtindo isso junto com o meu pai; acho que era o momento que tínhamos uma troca de energia muito significativa.

14) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Salatiel D’ Camarão: Hoje temos uma grande concorrência no mercado fonográfico, sendo assim, independente da existência do jabá ou não, o capitalismo sempre encontrar uma ferramenta para atingir seus objetivos.

15) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Salatiel D’ Camarão: Procure se capacitar, seja empreendedor, entenda como o mercado funciona e desenvolva um plano de carreira.

16) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Salatiel D’ Camarão: Um Festival de música gera oportunidades diversas, desde a formação de público; contatos com produtores; agentes; empresários; gravadoras dentre outros. O negativo, é a exposição para um julgamento (atitude que nem todo mundo aceita), entretanto, para um artista empreendedor existe muito mais coisas positivas do quer negativas.

17) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda revela novos talentos?

Salatiel D’ Camarão: Entendo que sim. Os Festivais de Música geram capital de giro para os vencedores, formação de plateia, e oportunidades para negócios.

18) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Salatiel D’ Camarão: Retrógada e mercenária.

19) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Salatiel D’ Camarão: Acho uma iniciativa muito importante para a cultura dita “popular” e a música alternativa, que outrora foi chamada de MPB. São espaços que abrem suas portas para grupos musicais que estão produzindo trabalhos singulares, dos quais não são de interesse do mercado música estabelecido. E que possibilita a um segmento de mercado (que não consome os produtos impostos pela mídia) opções de conteúdo e lazer.

20) RM: O circuito de Forró na sua cidade?

Salatiel D’ Camarão: Em Recife (PE) considero fraco o circuito de Forró, pois as bandas e artistas permaneceram na sua zona de conforto, desde que os ciclos festivos foram sendo financiado pelos governos, houve o declínio do mercado privado, viciando a população a consumir só atividades artísticas gratuitas. Os artistas deixaram de produzir formação de plateia, plano de marketing, e criar ações empreendedoras, enfraquecendo o segmento de mercado que deu espaço para outros segmentos constituídos pela grande mídia.

21) RM: Quais os projetos futuros?

Salatiel D’ Camarão: Estou produzindo um novo álbum e um espetáculo itinerante interestadual.

22) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Salatiel D’ Camarão: (81) 98784 – 3955 |97904 – 1098 | [email protected] | https://salatielcamarao.blogspot.com.br |https://www.facebook.com/salatieldecamarao

 

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.