Ronaldo Lobo

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Ronaldo Lobo
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O contrabaixista paulistano Ronaldo Lobo, como autodidata, iniciou os estudos de Contrabaixo Elétrico em 1982, mais tarde, cursou a Escola Municipal de Música, estudando com os professores: Maestro Záccaro (teoria) e Max Herbert (Contrabaixo Acústico), além de outras matérias como História da Música.

Participou dos grupos: Banda Desequilíbrios, BR-3, Três em Blues, Marilion Cower, Blezqi Zatsaz (Fábio Ribeiro), O Ilusionista e Mossapy Jazz Trio. Atualmente possui três projetos: Banda Nonsense, Ronaldo Lobo Trio e Dirty Blue.

Ronaldo Lobo começa a dar aulas de Contrabaixo Elétrico em 1989. Aulas particulares e também em diversas escolas na capital e no interior. Escolas como C.E.M.A. (Atibaia), E.M.&T. Escola de Música e Tecnologia (I.B.&T.) e Prefeitura Municipal de Barueri em que lecionou música nas escolas municipais por nove anos.

Em 1994 inaugura sua própria escola, a Escola de Música “Chromazone” no bairro de Pinheiros, que administrou durante sete anos.

Em 2012 fundou o Instituto de Contrabaixo Elétrico Bass Lines. O Instituto possui uma metodologia própria em cinco níveis apostilados, sendo: Básico I e II, Intermediários I e II e Avançado. Além de módulos técnicos complementares. O Curso é completo, profissionalizante e inclui certificado assinados pelo fundador e pelos professores locais.

Ronaldo Lobo é co-diretor do Pixinga Bass Festival, festivais que são realizados em todo o país divulgando os baixistas e as marcas. E realiza inúmeros Master Classies e Workshops pelo Brasil.

Em 2013 foi covidado pelo baixista Jim Stinnett; professor de uma das maiores escolas de música do mundo a Berklee College of Music, a participar de uma super Master Class em New Hampshire USA. O “New Hampshire Bass Fest” onde teve uma excelente participação.

Segue abaixo entrevista exclusiva de Ronaldo Lobo para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 07.03.2015:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ronaldo Lobo: Nasci no dia 10 de março de 1968 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Ronaldo Lobo: Com 12 anos de idade fui aprender Violão, não me adaptei muito bem e em seguida com 14 anos passei para o Contrabaixo.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

 Ronaldo Lobo: Aprendi a tocar Contrabaixo sozinho muitos anos depois estudei na Escola Municipal de Música de São Paulo, mas eu já ministrava aulas nessa época. Não estudei nada fora a música e, hoje, estou fazendo licenciatura em música na Faculdade Unisantana – SP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ronaldo Lobo: Acho que nenhuma deixar de ter importância, pois tudo o que você ouve é de alguma maneira importante para a sua formação. Sempre escutei bandas como Led Zeppelin, Queen, AC/DC, Deep Purple, Black Sabbath e etc. Essas foram as primeiras bandas que me influenciaram e influenciam até hoje. Depois é claro que a gente estuda de tudo e começa a ouvir Jazz, Fusion, Bossa Nova e etc. Sem falar nos baixistas, gosto demais do John Patitucci, Stu Hamm, Billy Sheehan e muitos outros.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Ronaldo Lobo: Eu comecei a ministrar aulas em 1989 na Academia de Música Carlos Iafelice no bairro Pompéia em São Paulo e já tocava em alguns bares nessa época.

06) RM: Cite alguns discos que você já participou? Qual perfil musical de cada CD?

Ronaldo Lobo: Em 2007 lancei o CD – Boca de Lobo. E gravei com minhas bandas: Desequilíbrios, Dirty Blue, Farsa e participei do CD do tecladista Fábio Ribeiro, o Blesq ZatsaCD – Rise and Fall of Passional Sanity. CD – Do guitarrista Carlos QuefremCD – Banda Velocidade X. CD – Feet on The Ground

07) RM: Como você define seu estilo como contrabaixista? Você toca outro instrumento musical?

Ronaldo Lobo: Toco um pouco de Violão. Na verdade, não saberia definir meu estilo, pois, toco Rock há muito tempo, mas também faço algumas peças solos que vão do clássico ao Jazz com chord melody, coisas bem diferentes umas da outras.

08) RM: Quais as principais técnicas que o baixista deve se dedicar?

Ronaldo Lobo: Principalmente ao Pizzicato, pois é à base de tudo e dos principais grooves e trabalhos, porém todos devem explorar o Slap e o Tapping. O baixista com o tempo acaba definindo qual a técnica que mais tem haver com ele e muita vez termina se especializando nela.

09) RM: Qual a importância do baixista equilibrar a função de condução e de solista?

Ronaldo Lobo: Muito importante o músico em geral saber fazer o que a música pede, ou seja, tocar o que fica bom sem firulas e enfeites. Pois, essa é a função de cada instrumento, no caso do Baixo: o groove, saber fazer esse papel de uma forma profissional e bem feita é muito raro de se ver. Normalmente os baixistas enchem de notas o groove achando que estão “abafando/arrasando”, mas é simplesmente o contrário. Na hora do seu solo, aí a coisa muda, é nesse momento que é o seu improviso.  Por isso, recomendo que os músicos treinem primeiramente o groove e depois o solo.

10) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnicas têm os baixistas alunos e alguns profissionais?

Ronaldo Lobo: Vejo muita dificuldade em relação ao ritmo, muitas notas tocadas, mas fora do tempo. Na limpeza da técnica, ouvir cada nota limpa é primordial.

11) RM: Quais as principais características de um bom baixista?

Ronaldo Lobo: Tudo o que eu apontei nas duas respostas anteriores e saber tocar todos os gêneros e estilos.

12) RM: Quais são os contrabaixistas que você admira?

Ronaldo Lobo: John Patitucci, Jaco Pastorius, Marcos Miller, Stu Hamm, Ricahrd Bonna, Billy Sheehan, Steve Haris e mais uma infinidade deles.

13) RM: Existe uma indicação correta para escolher um contrabaixo de mais de 4 cordas? Quais os gêneros musicais correspondentes à quantidade de cordas do instrumento?

Ronaldo Lobo: Acho que é gosto pessoal e adaptação. Eu, por exemplo, demorei mais de 20 anos para definir que o Contrabaixo ideal para mim é o de cinco cordas com a 1ª começando em Dó, não significa que eu não toque os outros. Alguns estilos como Pop e sertanejo faz falta o SI grave (Contrabaixo de 5 cordas), pois os graves são bons no acompanhamento da voz.

14) RM: Qual a marca de cordas da sua preferência? Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal?

Ronaldo Lobo: Acho que é preferência pessoal. Atualmente utilizo as cordas da SG da importadora Izzo Musical, uso calibre 0.40, da qual sou endorsee.

15) RM: Nos apresente os seus métodos para contrabaixo?

Ronaldo Lobo: Em 2010 iniciei a Metodologia de Ensino Musical Chamada “Musical Concept”. Material didático para escolas de música. O projeto baseia-se no fornecimento de material didático para escolas de música e escolas que possuam a matéria música ou musicalização em sua grade curricular. Conta com autores de renome no mercado didático. O material é dividido em cinco estágios: Módulos 1, 2, 3, 4 e 5. Abrangendo os seguintes instrumentos: Baixo, Violão, Guitarra, Bateria. Escolas que utilizam minha metodologia: Instituto Bateras Beat, com mais de 26 franquias no Brasil e duas na Europa, utiliza meus métodos para todas as franquias que possuem o curso de Contrabaixo. E o Instituto ISM – Instituto Sala Musical – RJ. Em 2000 lancei o primeiro livro “Contrabaixo Elétrico – Básico I”. Em 2004 lancei o livro “Fundamentos”. O primeiro livro de Contrabaixo da coleção “Toque de Mestre” editado pela Editora HMP (editora da revista Cover Baixo), tiragem de 12 mil cópias e vendido nas bancas de todo o Brasil. Ele foi relançado em 2012 pela DPX. Em 2002 lancei a Aula em Vídeo produzida e lançada pela HMP. O primeiro vídeo aula de música em formato DVD do Brasil. Foi a aula em DVD mais vendido do país chamado “Contrabaixo na Linha de Frente”. Fui colaborador da revista Cover Baixo, em todas as edições, havia sempre uma participação minha, seja nas transcrições, nas matérias, na avaliação de equipamentos, no cardápio anúncios de aulas, etc. Fui editor técnico da Revista Baixo Brasil.

16) RM: Existe o Dom musical?

Ronaldo Lobo: Acredito que exista uma facilidade que algumas pessoas tenham de sobra e que facilita muito o desenvolvimento musical. Mas, com certeza, essas pessoas estudam muito para chegar ao nível que chegaram. Mas também conheci pessoas na minha adolescência que tinham facilidades incríveis para música e que estão da mesma maneira até hoje. E outras, que eram os piores músicos do planeta que de tanto estudar ficaram bons, resumindo o caminho é estudar mesmo.

17) RM: Você compõe canção? Quais são seus principais parceiros de composição?

Ronaldo Lobo: Componho sim. E normalmente componho sozinho, mas recentemente a minha mulher tem escrito algumas letras e eu faço as melodias.

18) RM: Você compõe música instrumental?

Ronaldo Lobo: Sim. No CD – Boca de Lobo (2007) tem seis músicas de minha autoria que são instrumentais.

19) RM: Quais os prós e contras de ser professor?

Ronaldo Lobo: Ministrar aulas particulares em cursos livres é bom, pois, sempre temos aquela grana garantida no final do mês. Já tive uma experiência em ministrar aulas de musicalização dentro de uma rede de uma prefeitura com 40 alunos por sala de aula e foi a coisa mais difícil que já fiz. Mas, contudo, adoro ministrar aulas de música, sempre tive facilidade em passar o meu conhecimento.

20) RM: Quais os prós e contras de ser músico freelancer acompanhando outros artistas?

Ronaldo Lobo: O bom é poder fazer o que gostamos que é tocar e receber um cachê digno para isso. E o ruim é não se dedicar aos próprios trabalhos e não aparecer no mercado musical.

21) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação. Gravando as linhas de contrabaixo em discos de artistas?

Ronaldo Lobo: Acho que ficamos no mesmo da resposta anterior.

22) RM: Quais bandas que já participou?

Ronaldo Lobo: Conhecida da grande mídia nenhuma, só bandas minhas e quando faço show que levam o meu próprio nome.

23) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Ronaldo Lobo: Em uma banda tudo é decidido em votação, então mesmo que você não concorde, tem que aceitar as decisões do grupo, mas se a banda for boa e estiver fazendo muitos shows. Estar tudo certo (risos).

24) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em bandas?

Ronaldo Lobo: Muitas mesmo, na verdade enfrento até hoje. O grande problema é o relacionamento humano. Lidar com o EGO de cada um, prioridades de cada um, facilidades, dificuldades e o quanto cada um se dedica ao trabalho. Sem falar no profissionalismo brasileiro que em geral é péssimo.

25) RM: Quais os artistas já conhecidos você já acompanhou como músico freelancer?

Ronaldo Lobo: Nenhum.

26) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical dentro e fora do palco?

Ronaldo Lobo: Primeiramente ser o mais profissional possível, trabalhar todos os dias para impulsionar a minha carreira, fazendo contatos, produzindo material e etc. No palco, manter sempre meu equipamento impecável, sabendo se posicionar em todos os momentos e situações, honrar os compromissos e horários.

27) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Ronaldo Lobo: Na área didática, produzo materiais diversos como, livros, CDs, DVDs, vídeos para internet e etc. Na área de endorsee faço workshops em lojas, escolas e festivais. Essas ações divulgam o nome do músico e suas marcas. Procuro produzir trabalhos autorais como um novo CD ou DVD.

28) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Ronaldo Lobo: Sabendo usá-la, é muito boa para a divulgação. Acho ruim que tenha muita gente despreparada que concorre com profissionais gabaritados.

29) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Ronaldo Lobo: As vantagens é que hoje aumentou muito a quantidade de pessoas que têm acesso à gravação, isso antes era muito restrito. Porém, tem muita coisa ruim no mercado justamente por essa facilidade. Sem contar que hoje você pode editar tudo e tudo fica mascarado. Mas mesmo assim, ainda acho muito melhor do que antes, pois hoje podemos gravar em casa com excelente qualidade e mandar para o mundo inteiro.

30) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Ronaldo Lobo: Ser profissional, estudar sempre e melhorar seus conhecimentos, pois a qualidade de seu trabalho vai sempre fazer com que você se destaque.

31) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ronaldo Lobo: Francamente acho o cenário musical brasileiro desesperador, não me lembro de ninguém que tenha sido revelação e quase ninguém que tenha permanecido. Só vejo grandes bandas do passado voltando ao mercado, o que acho ótimo, por não ter nada na atualidade de boa qualidade.

32) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ronaldo Lobo – Mozart Mello, Celso Pixinga, Faísca, Carlos Bala, Moraes Moreira, Hermeto Pascoal, Cauby Peixoto, Ângela Maria.

33) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ronaldo Lobo: Meu primeiro Contrabaixo, eu tinha que afinar com o auxílio de um alicate, pois as tarraxas estavam quebradas. Uma vez fui acompanhar uma cantora, mas não terminei nem o primeiro ensaio, o seu produtor era completamente maluco (risos). Ah sim, a melhor de todas: um cantor conhecido (não vou citar o nome) disse para minha banda que poderia ajudar em nossa carreira se alguém da banda fizesse alguns favores sexuais (risos), conclusão “ninguém conheceu essa banda”.

34) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ronaldo Lobo: Feliz em poder realizar a profissão dignamente, tocar, gravar estudar, etc.. Triste em ver o cenário musical atual brasileiro.

35) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Ronaldo Lobo: São Paulo, como toda cidade grande você tem dezenas de cenários. Existe espaço para o Sertanejo, para o Pagode, Funk e até para música instrumental. O problema é que cada vez mais os cachês são baixos e os espaços são escassos. E os donos de Bares querendo explorar as bandas. Existem os SESCs e SESIs, mas existe a dificuldade de contratação e são burocráticos demais. Tocar em São Paulo até dá, mas temos que trabalhar muito e aceitar os cachês pela metade e burocracia ao extremo.

36) RM:- Quais os músicos, bandas da cidade que você mora que você indica como uma boa opção?

Ronaldo Lobo: Em São Paulo são muitos músicos e muitas bandas que não dá para começar a falar, pois temos muita gente boa de fora de São Paulo morando aqui.

37) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ronaldo Lobo: Tem que Estudar e trabalhar em prol de sua carreira e muito.

38) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ronaldo Lobo: Tenho minha metodologia para escolas de música que quero melhorar e ampliar a Musical Concept, continuar com minha banda de folclore brasileiro o Parolando e concluir o curso na Faculdade de Música.

39) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Ronaldo Lobo:  (11) 9.8143 – 1524 | [email protected] | www.facebook.com/ronaldo.lobo.baixo | www.wix.com/ronaldolobo/ronaldo-lobo | www.ronaldolobo.com.br | www.myspace.com/ronaldolobobaixo | www.myspace.com/bocadeloboproducoes | www.myspace.com/projetofarsa | www.myspace.com/nonsensetrio


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.