Ribeiro Filho

Ribeiro Filho 1
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

O multi-instrumentista pernambucano Ribeiro Filho começou a sua história no disco em 1995 quando gravou seu primeiro LP.

Hoje já são três LPs e nove CDS e também uma maturidade musical que credencia seus trabalhos fonográficos estar sempre exaltando o Forró-Pé de serra.  E conhecido no nordeste como um cantor versátil por cantar bem outros estilos musicais. Seus trabalhos são divulgados pelo nordeste, norte e sudeste. No show trabalha com ele a banda “Regia Flor”, formada por 12 músicos que tocam: sanfona, zabumba, percussão, baixo, bateria, guitarra, teclados e naipe de metais (trumpete, trombone, sax tenor) e dois backvocal. Que faz o povo arrastar o pé com muita energia e alma nordestina.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Ribeiro Filho para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 28.06.2019: 

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ribeiro Filho: Nasci no dia 03 de maio de 1960 em Bom Jardim – Pernambuco.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Ribeiro Filho: Meu primeiro contanto com a música eu tinha oito anos de idade quando participei de programa de calouros na rádio jornal de Limoeiro cantando boleros e tirei o primeiro lugar (risos). Aos 10 anos eu me juntava com um grupo de colegas na porta da padaria Novo Mundo e comecei a fazer da porta da padaria uma bateria e assim ficava a cantar boa parte da noite até mamãe me botar para dormir. Aos 14 anos de idade comecei a estudar Bateria e tocar Bateria em bandas ditas importantes.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Ribeiro Filho: Cursei em Conservatório de música: Bateria, Violão, Voz, iniciação de Piano e Flauta transversal tudo escrita em partituras. Fora da área musical conclui o segundo grau, hoje ensino médio.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ribeiro Filho: Todas as minhas influências foram e são muito importantes para mim. Eu cresci ouvindo o rei do baião Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Ary Lobo, Trio nordestino, Marinês e todos do Bolero, da Bossa Nova e da Jovem Guarda, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Renato e seus Blue Caps. E sempre amei músicas orquestradas, músicas de filmes, os clássicos, as valsas. Agora é que escuto todos eles. É impossível escutar os lixos musicais de hoje.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Ribeiro Filho: Em 1972 eu comecei tocando bateria em um conjunto de baile “Evoluritmo”. Fui o primeiro baterista a tocar e cantar no nordeste. Esse fato chamou atenção até no conservatório de música, porque achavam que era impossível. Isso era muito chato, mas continuei, era o jeito que eu tinha pra sustentar meus irmãos. E depois fui tocar no “Águias de Limoeiro” que foi considerado o melhor grupo musical do nordeste nos Festivais de Música e julgado por grandes maestros entre eles: Izaac Karabichesvyk, Erlon Chaves, Guedes Peixoto, Clovis Pereira e o maestro Chiquinho. E depois passei para o grupo “LASER”. E Depois passei a trabalhar como freelance dos artistas: Waldick Soriano, Marcio Greyk, Altemar Dutra, Hélio Portinhal, Paulo Diniz, Sidney Magal. Em 1995 comecei a minha carreira solo e me classificaram como um cantor versátil por cantar bem todos os ritmos. 

06) RM : Quantos CDs lançados?

Ribeiro Filho: Em 1995 lancei meu primeiro LP. Em 1996 o segundo LP. Em 1998 o primeiro CD. Em 2000 o segundo CD. Em 2002 o terceiro CD. Em 2003 o quarto CD – Romântico. Em 2005 o quinto CD. Em 2007 o sexto CD. Em 2009 o sétimo CD. Em 2011 o oitavo CD. Em 2013 nono CD. E dei uma parada por conta da morte Duda da Passira, era meu compadre, primo, arranjador e produtor e um dos maiores sanfoneiro do Brasil e do mundo, pois foi o único sanfoneiro que foi pro GRAMMANY. Meus discos tiveram participações de: Gilvan Neves, Jorge de Altinho, Genival e João Lacerda, Adelmário Coelho, Israel Filho, Azulão, Duda da Passira, Novinho da Paraíba, Petrúcio Amorim, Biliu de Campina, Nádia Maia, Valda Sedicias, Irah Caldeira, Zé Ribeiro, João Paulo Jr. Todos os discos de forró autêntico, menos o quarto disco, porque foi bancado por uma empresa e eles escolheram um repertório romântico.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Ribeiro Filho: Consideram-me como um cantor versátil, pois canto da valsa ao samba, do frevo ao forró autêntico. Dou-me muito bem com todos os estilos musicais.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Ribeiro Filho: Sim.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Ribeiro Filho: Todo verdadeiro artista-cantor que se preza tem a obrigação de estudar um instrumento e técnica vocal e cuidar da voz. Ao estudar a técnica vocal aprendi como usar os graves, médios, agudos e falsetes. E fazer os exercícios de aquecimento vocal. Comida saudável ajuda a cuidar da voz.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Ribeiro Filho: As cantoras que admiro são: Gal Costa, Ângela Maria, Elis Regina, Maria Creuza, Elba Ramalho, Nádia Maia.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Ribeiro Filho: Geralmente vem a melodia e depois a letra, mas ultimamente quando sento ao piano para compor vem tudo junto.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Ribeiro Filho: Já fiz músicas com muitos parceiros, mas vou falar os que estão mais presentes na minha história: Roberto Moraes, Marcelo Lancelott, Barquinho, Gilvan Neves, Arruda.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Ribeiro Filho: Jorge de Altinho, Hélio Portinhal, José Ribeiro, Kaka do forró, Duda da Passira, Israel Filho, Alcione do Acordeon, Paulinho do Acordeon, Genival Lacerda.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ribeiro Filho: As gravadoras só contratavam e investiam em quem tivesse talentos, por isso, existiam bons artistas e boas músicas e o lixo musical era jogado no lixo. Hoje todos tem liberdade para gravar e não importa se tem ou não talento, basta ter dinheiro, por isso o lixo musical impera nesse Brasil desastrado, porque todos querem ser cantor, infelizmente.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Ribeiro Filho: Sou muito exigente dentro e fora do palco. Dentro do palco tem que haver bons músicos e um repertório ímpar e bem arranjado. Fora do palco existe um empresário que resolve tudo.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Ribeiro Filho: Todas as ações ou empreendimentos ficam por conta do meu empresário.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Ribeiro Filho: A meu ver a internet não prejudica em nada, só ajuda na minha carreira musical.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Ribeiro Filho: Eu continuo falando e provando que antes a qualidade era melhor apesar de mais dispendioso uma produção musical. Hoje com o home estúdio ficou mais fácil gravar música, mas a qualidade é muito baixa, mas há quem se engane ainda, infelizmente (risos).

19) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Ribeiro Filho: Hoje na concorrência existe muito lixo musical. Eu procuro diferenciar nos arranjos, nas harmonias, no repertório que gravo e canto no palco.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ribeiro Filho: O forró autêntico nunca morrerá, mas infelizmente existem várias bandas fazendo vanerão e dizendo que é a maior banda de forró do Brasil. Além de não saberem o que é forró, eles roubam a consciência do público com aquelas mulheres seminuas e mentem quando falam que é a melhor banda de forró do Brasil. O forró pé de serra não reagiu a isso e começou a regredir, felizmente quem ficou com obras consistentes: Luz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Jorge de Altinho, Ribeiro Filho, Nando Cordel, Alcymar Monteiro, Dominguinhos, Genival Lacerda, Aldemário Coelho, etc.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ribeiro Filho: Alceu Valença, Jorge de Altinho, Genival Lacerda, Ribeiro Filho, Nando Cordel, Adelmário Coelho. 

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ribeiro Filho: Muitas coisas inusitadas aconteceram na minha carreira, mas algumas marcaram muito mais. Eu fui convidado para participar do grupo de WhatsApp Rota do Forró e na primeira reunião foi em Campina Grande (PB) e na reunião conversaram muita baboseira que não tinha nada a ver com a vida do artista no palco, mas a noite todos iriam dá “uma palhinha” no show de confraternização. Eu fiquei esperando e nada de me chamarem para cantar, porque o criador do grupo e organizador do fórum Geovane Junior se endeusou quando ele viu alguns artistas como João Paulo Jr., Aracílio Araújo que em cinco palavras que ele falava no microfone, três eram o nome desses dois amigos e todos notaram isso e deu uma hora da manhã e nada dele me chamar. Eu me arretei fui embora e dirigi por duas horas em uma estrada perigosíssima. E outra historia é que fui fazer um show em Senhor do Bonfim na Bahia, na hora de eu subir no palco o fiscal da Ordem dos Músicos falou que eu não podia me apresentar, porque só quem podia abrir show na Bahia era um baiano e assim foi feito. Isso deu um problema danado. E quase houve troca de tapas com o meu empresário (risos).

A RitmoMelodia procurou Geovane Junior para escutar a versão dele sobre o fato relatado acima: “Eu tenho testemunha que viu quando chamei o Ribeiro Filho para cantar, ele alegou ter recebido um telefonema informando que a mãe dele estava hospitalizada e ele teria que ir para Recife (PE)”…

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ribeiro Filho: Mais feliz é ser músico, cantor, instrumentista compositor, arranjador, produtor musical, de poder escutar, fazer e gravar lindas canções. E o que me deixa muito triste é a falta de apoio, de valorização, de respeito comigo e com outros artistas com talentos que vem de Deus.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Ribeiro Filho: Na cidade de Limoeiro (PE) é só decepção. Pagam mal ao artista. Falta apoio, respeito, valorização. É só conversa e venha a nós e ao vosso reino nada (risos). E o atual prefeito foi eleito com uma música que cantei e paguei a gravação. E o pagamento que ele me deu foi me deixar de fora da festa tradicional o povo. E caíram de pau em cima dele. Eu achei foi graça. Ô homem pobre, sei não viu.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Ribeiro Filho: A cidade de Limoeiro (PE) é muito pobre, musicalmente falando, mas existem alguns músicos que se destacam como: Aldemir (saxofonista), Abel (Baterista). No mais tem muito imitadores (risos). É uma falta de talento muito grande e ainda desfaz de Deus, porque ele cria cada um com o seu DNA. E  o músico vai ser cópia de alguém.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ribeiro Filho: Eu nunca paguei jabá a ninguém. Tenho amigos nos meios de comunicação, mas se eu pagasse o jabá os meus discos tocariam muito. E porque acostumaram a grande mídia a praticar esse absurdo? O artista paga a gravação de suas músicas e fazer as cópias dos discos e ainda pagar para tocar uma música boa é pra se lascar mesmo. Não tem quem aguente.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ribeiro Filho: Primeiro estude aprenda a tocar um instrumento para ter ideia do que é música e em quantas partes se divide. E entender o que é harmonia. E depois procure um bom estúdio, um bom e chato produtor musical e tenha boas canções e bola pra frente.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música? 

Ribeiro Filho: Os Festivais de Música ajudam e muito o músico, mas tem Festival que coloca dependendo para ser os jurados: o prefeito da cidade, o vereador, o dono da farmácia, o gerente do banco, o gato, o cachorro, etc. Esses só derrubam o músico por não saberem julgar o valor de uma boa música.

29) RM: Na sua opinião, hoje o Festival de Música revelar novos talentos?

Ribeiro Filho: O Festival de Música é um bom começo para um novo talento, desde que coloque um corpo de jurados a altura e com conhecimentos musicais.

30) RM : Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Ribeiro Filho: Infelizmente a cobertura da grande mídia é medíocre. A prova é que o melhor cantor do Brasil é Luan Santana e Pablo “Gritar” e Wesley Safadão. Eles são uns assassinos de uma arte tão linda que é música. E tudo isso regida pela GLOBO LIXO.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Ribeiro Filho: SESC, SESI E ITAU CULTURAL não estão nem um pouco preocupados com a cultura do nosso Brasil. É tanto que quem faz sucesso no Brasil é justamente o que não presta. Se eu gravar uma música ruim e tivesse o apoio da Globo Lixo e aparecesse no Domingão do Faustão, eu seria sucesso com certeza.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Ribeiro Filho: Os forrós das antigas para mim são: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda, Trio Nordestino, Marinês, Elba Ramalho, Ari Lobo. Essa historia de forró estilizado é uma enganação, conseguiram fazer bandas horríveis e estamos caminhando pro inferno com essas bandas que não tem nenhum conhecimento do que é o forró autêntico e “Gonzagueano”. Só enganam os bestas que todo dia saem de casa para o show dessas bandas e por isso, elas ainda existem.

33) RM : Quais os seus projetos futuros?

Ribeiro Filho: Estou me preparando para a gravação do DVD com a participação de: Jorge de Altinho, Genival Lacerda, Biliu de Campina, Roberto Moraes, Nádia Maia, Santanna, o cantador, Nando Cordel, Petrúcio Amorim, Maciel Melo. Vai ser uma festa do forró autêntico.

34) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Ribeiro Filho: (81) 9.9569 – 8013 | 9.9252 – 9033 | 9.8654 – 5964 | [email protected]


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.