Rafael Pondé

rafael ponde
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Avalie esta Entrevista

O cantor, compositor, guitarrista baiano Rafael Pondé sintetiza em suas músicas um estilo único com swing do soul, a energia do Rock e as letras bem elaboradas do Reggae. Um novíssimo baiano.

Seu jeito peculiar de tocar guitarra unido a uma voz marcante fazem dele um artista singular na arena pop nacional. Ele é sobrinho-neto do compositor Humberto Porto (autor da marchinha carnavalesca “A jardineira”), que veio da Bahia para o Rio de Janeiro, juntamente com Dorival Caymmi e Assis Valente, tentar a sorte na meca do rádio brasileiro(anos 30). Rafael herdou do tio avô o dom da composição e também de sua avó, acordeonista de mão cheia e animadora das festas de São João. Sua carreira profissional começou em 1996, com os amigos na banda baianaDiamba, tocando guitarra e compondo músicas de grande sucesso local, como: “In flow e Foi” (O Reggae mandou avisar) e “A Chuva”.

Em 1998, começou a cantar e ao lado de outros músicos formou a banda Curupira. Em 2000, junto com a Diamba, gravou e produziu o CD – Ninguém está a Salvo. Como compositor, teve algumas de suas músicas gravadas por outros artistas: “Curupira”, incluída no CD – Que luz é essa da banda Lampirônicos (Sony Music 2001), e “Princesa do Cerrado” incluída no CD – Quatro do Natiruts (EMI 2002). Em 2003, finaliza o seu primeiro álbum solo e independente, CD – Átomos, Palavras,Canções (Independente 2003). O CD foi co-produzido pelo americano Chad Farran e lançado em janeiro de 2004 no Brasil e na Califórnia/EUA pelo selo Superunloader Records.

Em 2005, Rafael foi convidado a integrar a Natiruts, como guitarrista na turnê “Nossa Missão”. Durante esse período, que durou um ano e meio, o artista se mudou para São Paulo, onde além de acompanhar o Natiruts, trabalhou em seu segundo projeto solo, o CD – Horizonte Vertical (2006). Esse disco foi co-produzido pelo artista Kezo Nogueira e demonstra mais uma vez o ecletismo do cantor. Ainda em 2005, sua música “Sorriso de Flor” é remixada pelo DJ Roots. O remix foi lançado mundialmente em fevereiro do mesmo ano pelo selo londrino Inner Ground Records e alcançou  notoriedade e reconhecimento no meio do Drum n bass mundial.

No final de 2006, Rafael embarcou para sua primeira turnê solo na Europa. A crítica e o público elogiaram os shows e o artista mereceu publicação de matérias em sites e jornais europeus. Em 2007, lançou o CD – Eu e meu violão.O seu terceiro trabalho mostra um lado intimista, cantando no CD acompanhado apenas do seu violão e de alguns poucos overdubs. Nesse mesmo ano, a banda Innatura de Brasília, grava o CD/DVD ao vivo “Um artista brasileiro” e inclui 4 canções de Rafael no álbum. São elas: Sorriso de Flor (canção de trabalho muito executada nas rádios),Morena do marInflow e Foi e Princesa do Cerrado. Em novembro de 2007, embarcou para a sua segunda turnê solo européia e dessa vez, além de Portugal (8 shows) e Espanha (2 shows), faz também shows na Alemanha (Berlin e Hannover).

No ano de 2008, fez os shows de abertura da Turnê nacional do Innatura, que contou com shows em Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse mesmo ano, participou doCD – 2 da banda mineira NOSAL, cantando a canção “Livre” de sua autoria. No final do ano grava e produz com o baixista mineiro PJ (Jota Quest) o single “Faz falta”.

Em 2009, vai pela terceira vez pra Europa e dessa vez representa o Brasil no Weltkulture Festival, realizado em julho na Alemanha. O cantor participou também do carnaval de Barcelona e fez shows em Portugal (Sagres e Porto) e em Tarifa (Espanha). Ainda nesse ano, tem três composições suas incluídas no novo álbum da dupla gaúcha Claus e Vanessa. São elas: “Quanto tempo”, ”Sofreu sorriu” e “Sentimento vai além”, esta última, escolhida como canção de trabalho, está sendo executada em várias rádios do sul do país.

Ele gravou seu mais novo álbum na Alemanha, no verão de 2009, pelo selo alemão Peppermint Park. O CD contou com a engenharia sonora de Hans Martin Buff, profissional que já trabalhou com Prince e Joss Stone, entre outros artistas da cena internacional. O álbum “Sorriso de flor” é o mais novo trabalho.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rafael Pondé para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01/09/2011:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rafael Pondé: Nasci no dia 23/04/1976 em Salvador – BA.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rafael Pondé: O meu primeiro contato com a música foi em casa com os discos de vinil do meu pai.Ele tinha uma boa coleção de discos que incluía  de Soul music a MPB.  Ele sempre ouvia música a noite quando chegava do trabalho e eu estava sempre junto absorvendo aquelas informações. Na Bahia, as referências musicais que nos chegavam aos ouvidos era o que tocava nas rádios naquela época… A música de mestres como: Lazzo Matumbi, Luiz Caldas, Gerônimo, Ile Ayê, Olodum…Essa música repleta de imagens e mensagens muito fortes,  plantaram uma grande semente no subconsciente das pessoas da minha geração .Essa musicalidade para mim é a verdadeira essência da música baiana, que a meu ver,  perdeu muito com essa “espetacularização” demasiada dos dias atuais.

03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música?

Rafael Pondé: Sou bacharel em Administração de empresas pela UFBA. E na música tive alguns professores e me desenvolvi basicamente como autodidata e pelas  bandas que passei.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Rafael Pondé: Gosto muito de soul music, MPB e Reggae. Todas tiveram e continuam tendo importância pra mim.

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Rafael Pondé: Comecei a minha carreira musical em Salvador-BA, em 1996, tocando guitarra e compondo na banda de reggae “Diamba”. Nessa época, existia uma cena muito boa em Salvador, causada pela efervescência de artistas da minha geração, como: Adão Negro, Sine Calmon e Morrão fumegante…Nós estávamos capitaneando uma mudança de paradigma na cena da Bahia e isso trouxe de volta e colocou em atividade ídolos como: Edson Gomes, Nengo Vieira, entre outros, que estavam meio esquecidos e voltaram à ativa na Bahia, por causa da visibilidade que nossa cena trouxe. Uma prova disso, foi o estouro nacional da canção “Naiambyng Blues” de Sine Calmon, no começo dos anos 2000. Ele foi ovacionado em pleno Campo Grande no trio elétrico de Ivete Sangalo, mostrando a força da música que estávamos fazendo na Bahia naquela época.

06) RM: Como e quando foi o seu contato com a banda Natiruts? Como é seu contato pessoal e de amizade com a banda hoje?

Rafael Pondé: Nós da banda “Diamba”, trouxemos o Natiruts pela primeira vez à Bahia, no ano de 1998. O show foi no dia da final da copa que o Brasil perdeu, mas apesar disso o show foi um sucesso e revelou o Natiruts para a Bahia. Minha relação com eles é muito boa até hoje.

07) RM: Quantos CDs lançados e quais os anos (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Rafael Pondé: Tenho 4 CDs solo lançados e 1 pela banda “Diamba”Ninguém está a salvo (Diamba,2000)Átomos, palavras, canções (solo, 2004)Horizonte vertical (solo, 2006)Eu e meu Violão (solo, 2007) e Sorriso de flor (solo, 2011). As músicas de destaque são: “Sorriso de flor”, “Princesa do cerrado”, “Good vibration”, “Inflow e foi”, entre outras. Trabalhei com muitos músicos e sempre de forma independente, a não ser no último trabalho que foi feito a convite da gravadora alemã Peppermint Park.

08) RM: Quais são suas músicas que tocam na rádio na voz de outros músicos ou bandas?

Rafael Pondé: “Sorriso de flor” na voz da banda “InNatura”, “Sentimento vai além” na voz de Claus e Vanessa, “Good vibration” na voz da banda “Zorra”, “Princesa do cerrado” com Natiruts, “Orgulho” com Adão Negro, várias da “Diamba”.

09) RM: Qual a sensação de ouvir as suas músicas tocando em rádios de grande audiência?

Rafael Pondé: Uma sensação boa. Apesar de saber que nas rádios FMs de grande porte impera o pagamento do “jabá”, que restringe muito o que toca, pois acaba tocando só quem tem dinheiro para pagar… E isso nem sempre resulta em qualidade artística para os ouvintes…

10) RM: Como você analisa a cena reggae no Brasil? Quais as diferenças positiva e negativa com a cena do reggae mundial?

Rafael Pondé: Existe no Brasil uma cena de Reggae boa, com bandas como: NatirutsPonto de Equilíbrio, Planta e Raiz, entre outras…Mas é claro, que existem no Brasil regueiros maravilhosos que inclusive antecedem essas bandas que citei, que precisavam ser reconhecidos pelo grande público…Como é o caso de: Dionorina, Edson Gomes, Nengo Vieira, Ras Bernardo, Celso Moretti (todos entrevistados pela RitmoMelodia), entre outros, que foram “desbravadores” dessa cena no Brasil. É preciso que os regueiros atuais pesquisem e valorizem o que veio antes deles…

11) RM: Quais os estereótipos e preconceitos dos regueiros que você enfrentou e que ainda enfrenta?

Rafael Pondé: Olha só, quando eu comecei na Bahia, em 1996, os regueiros mais “ortodoxos” ficavam meio desconfiados pelo fato de na minha banda terem alguns homens de pele branca… Mas no decorrer do trabalho, todos perceberam que a música tinha qualidade e se renderam ao trabalho da banda “Diamba”. Hoje em dia, minha musicalidade navega por outros caminhos, além do Reggae…Espero que as pessoas que gostam de Reggae, continuem curtindo o meu trabalho.

12) RM: Fale de sua experiência trabalhando na Europa? 

Rafael Pondé: Fui a Europa a primeira vez em 2006, com alguns pequenos shows em Bares em Portugal, de lá nesse mesmo ano, fui a Barcelona e me encantei pela cidade…Desde então tenho ido sempre… Em 2009, gravei meu quarto CD na Alemanha a convite da gravadora Peppermint Park, esse trabalho foi o resultado de três anos prospectando coisas na Europa…

13) RM: Como e quando foi o seu contato com o engenheiro de som e produtor alemão Hans Martins Buff? O que acrescentou ao seu lado profissional e pessoal este contato?

Rafael Pondé: O Hans Martin foi o engenheiro de som designado pela Peppermint Park para gravar o meu disco “Sorriso de flor”. Conheci ele no estúdio, no começo do trabalho, nos identificamos muito e nos tornamos amigos no decorrer do trabalho, que fluiu maravilhosamente bem no estúdio. Ele é um excelente engenheiro e produtor musical. O contato com ele me trouxe aprendizado e experiência, além de uma nova amizade.

14) RM: Como você define o seu estilo musical?

Rafael Pondé: Música do mundo.

15) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Rafael Pondé: Um cantor que canta com a alma e bota sentimento no que faz…

16) RM: Você estudou técnica vocal?

Rafael Pondé: Estudei um pouco sim, há alguns anos.

17) RM: Como você desenvolveu o seu estudo de guitarra? Qual o seu diferencial como guitarrista?

Rafael Pondé: Meu estudo com guitarra foi bem autodidata.Observei muito outros músicos tocando, quando eu estava aprendendo…Meu diferencial é tocar cada nota como se fosse a última na vida…

18) RM: Quais as bandas que você tocou como guitarrista?

RP – Diamba, Natiruts, Innatura, Curupira, Peba, Cena Tropifágica.

19) RM: Tem mais vocalistas com “Ego de estrela” ou guitarristas?

Rafael Pondé: Não sei, não posso falar pelos outros. Mas o ego é uma coisa que engana muito as pessoas…

20) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Rafael Pondé: Marvin Gaye, Ray Charles, Djavan, Bob Marley, Al Green, Alexandre Carlo, Lazzo Matumbi, Antony Hamilton, Sarah Vaughan, Gal Costa…São muitos…

21) RM: Como é seu processo de compor? Quem são seus parceiros musicais?

Rafael Pondé: Tenho muitos parceiros e componho de diversas formas, música e letra. Comecei musicando letras dos parceiros e isso me trouxe um bom senso de melodia. Depois, comecei a escrever as minhas próprias letras…Hoje em dia, componho de diversas formas e prefiro todas… Adoro quando consigo compor uma boa canção sozinho.

22) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rafael Pondé: A carreira independente é muito difícil, a não ser que exista um investimento privado grande. Antes quem fazia esse papel eram as gravadoras, agora que elas praticamente não existem, ficou difícil para o artista, pois não é fácil custear com recursos próprios uma carreira artística. Mas sempre há um caminho. Eu, por exemplo, com a ajuda de um coletivo de artistas, consegui produzir um documentário chamado “O novíssimo baiano” que fala sobre a minha vida. Esse filme tem nos aberto portas e tem nos dado muita alegria.

23) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Rafael Pondé: Para mim, a música brasileira atravessa uma crise de inversão de valores. As pessoas em geral, estão confundindo música “publicitária” brasileira com música poética brasileira. Depois de Chico Science e Nação zumbi,  apareceram poucas coisas relevantes no Brasil. Não que elas não existam… Existem sim, mas estão “nadando” com dificuldade nesse mar de “publicização” demasiada. Grandes músicos estão por ai tocando nesse momento, só precisam ser valorizados pelas pessoas!

24) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rafael Pondé: Gosto dos “clássicos” como Djavan e Gilberto Gil, entre outros.

25) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Rafael Pondé: Muitas coisas acontecem na carreira de um artista. Uma das mais inusitadas foi saber que minha “cama de hotel” seria uma cadeira de dormir em uma barraca de praia onde eu faria um show na Andaluzia (Espanha).

26) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rafael Pondé: O que me deixa mais feliz é fazer um grande show! O que me deixa triste é as pessoas estarem perdendo o seu próprio senso de discernimento em relação a música. Gente, vamos formar nossa própria opinião com as coisas, ao invés de ficarmos ai a mercê de modas musicais, que nos são “empurradas goela abaixo”!

27) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Rafael Pondé: Infelizmente o Rio de Janeiro é repleto de “panelas” de “pseudo-artistas”  e “pseudo” formadores de opinião, muitos deles nunca saíram sequer do próprio país e não entendem nada de música. Infelizmente, existem pessoas que não estão colaborando com os bons trabalhos musicais. Pessoas que estão comandando veículos de mídia e que poderiam fazer uma grande diferença pela música de qualidade. Mas existem saídas sim… O Rio, ao mesmo tempo, é uma cidade muito grande, composta de bairros populares que adoram trabalhos de qualidade. Um dos meus melhores shows no Rio, foi uma abertura que fiz para Ivan Lins em Campo Grande, na lona cultural de lá. Apesar de nenhuma pessoa ali conhecer meu trabalho, fui ovacionado de pé pelo público. Acho que não podemos é cruzar os braços, o trabalho de um músico é muito árduo.

28) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Rafael Pondé: Ouçam os clássicos!

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rafael Pondé: Nas rádios sérias e que não infringem a lei (O jabá é proibido pela constituição brasileira) a minha música toca. Como exemplo de rádio séria, cito a Educadora FM na Bahia e a Roquette Pinto no Rio de Janeiro.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rafael Pondé: Não há atalhos na carreira musical! Você tem que tocar bastante, estudar e ter talento. Esses ingredientes são fundamentais e sem eles não há como conseguir ser bem sucedido na carreira musical.

31) RM: Como, quando e quem idealizou um documentário sobre sua trajetória musical? E qual a importância desse documentário para sua carreira musical?

Rafael Pondé: O documentário “O novíssimo baiano” foi idealizado e dirigido pelo jornalista e cineasta Hélio Rodrigues em 2010. Eu ajudei a produzir e a contactar as pessoas. Esse documentário tem nos trazido grande alegria. Ele foi feito para mostrar o poder transformador da música na vida das pessoas e também para que as pessoas entendam que a música tem muitas funções, além da de simplesmente entreter as pessoas. A música passa uma mensagem e transmite valores importantes. Vejam o filme http://blip.tv/gabriel-amorim/o-nov%C3%ADssimo-baiano-the-newest-baiano-5386210

32) RM: Fale da rápida e fecunda trajetória musical, como compositor, do seu tio-avô Humberto Porto.

Rafael Pondé: Humberto foi um dos grandes compositores brasileiros de sua época, cohecida como a “era de ouro” do rádio (nos anos 30). Ele teve suas músicas gravadas pelos maiores cantores da época, a exemplo de: Carmem Miranda, Orlando Silva, Chico Alves, Mário Reis, Dalva de Oliveira, entre outros. Autor dos sucessos como Lamento negro, A jardineira (com Benedito Lacerda), Na Bahia (com Herivelto Martins), História de amor (com J. Cascata), Batuque no morro (com Herivelto Martins e Ozon) e Lamento negro (com Constantino Silva). Infelizmente, morreu muito jovem, aos 35 anos (nasceu em 19/1/1908 e faleceu em 23/9/1943)  e não teve o devido reconhecimento de sua obra, mas tenho planos de recuperá-la em filmes e discos que virão!

33) RM: Você é um compositor inspirado já com músicas gravadas por muitos artistas e algumas já chegaram as ondas dos rádios. Você seria a versão do seu tio – avô na atualidade?

Rafael Pondé: Não posso afirmar isso, pois ele viveu em outra época, com outros valores e não existe critério de comparação entre mim e ele. Ele é um parente, o qual, tenho imenso carinho. Mas comparativamente, ele teve suas músicas gravadas pelos maiores cantores (as) de sua época.

34) RM: Mas o “Raio” caiu duas vezes na mesma família, não acha?

Rafael Pondé: No sentido criativo e de arte, sim. Apesar dele não ter sido cantor, naquela época, só cantava, quem tinha uma grande voz, com potência. Não existia ainda o cantar como João Gilberto ou como alguns compositores-cantores dos Festivais de Música popular brasileira nos anos 60 e 70.

35) RM: Fale da atividade musical dos seus irmãos Lucas Pondé e Thiago Pondé.

Rafael Pondé: O Thiago é um grande pensador e ativista cultural. Ele trabalha com projetos sociais em espaços populares no Rio de Janeiro. Para ele, favela é espaço de potência e não de carência. Além disso, ele é um bom interprete. O Lucas, é um excelente baixista e bom compositor.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rafael Pondé: Tenho conhecido pessoas maravilhosas no meio musical e no meu próximo trabalho, vou trabalhar com elas e daremos uma “porrada” em coletivo! Em Setembro participei do Dia de Brasil em Barcelona – Espanha. Segue o link do vídeo do show: http://www.youtube.com/watch?v=2-tDUtE9Rgc&feature=autoshare

37) RM: Contatos?

Rafael Pondé: www.rafaelponde.com / [email protected]


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.