Petrúcio Amorim

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O Cantor e compositor pernambucano Petrúcio Amorim com mais anos de 20 anos de carreira e muitos forrós na boca do povo a partir dos anos 80 como: “Confidências”, “Devagar”, “Nem Olhou Pra Mim”, “Estrela Cadente”, “Anjo Querubim”, “Meu Cenário” e muitos outros sucessos.

As suas composições continuam com a base tradicional do forró pé de serra: Sanfona, Triangulo e Zabumba, mas colocou em prática a sua experiência com as bandinhas , fanfarras, acrescentado os metais e acelerando o andamento do forró. Na década de 90 as bandas cearenses adotaram o estilo. Mas o compositor tem composições com letras sociais como: “Cidade Grande”, “Meninos do Sertão”, “Filho do Dono”. Um ex- militar que enfrentou barreiras para entrar no circuito da música nordestina com 9 discos lançados.

Em 2003 com seus sucessos sendo regra e popularizados por outros artistas está colhendo os frutos do seu trabalho. Suas melodias são bem elaboradas e de fácil assimilação sem perde em contexto. No seu estilo original percebemos as suas influências musicais que vão de Luiz Gonzaga a Chico Buarque e de Zé Ramalho a Alceu Valença. Um artista criativo que fala com a linguagem do povo e a filosofia popular. É Forró do Gogó Ao Mocotó como diria o mestre Jackson do Pandeiro. Abaixo entrevista exclusiva com Petrúcio Amorim para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 02\01\2003:

01) Ritmo Melodia: Fale do seu primeiro contato com a música. Principal influência musical?

Petrúcio Amorim: Meu primeiro contato com a música foi aos 10 anos de idade em Caruaru – PE, comecei tocando surdo em uma Bandinha e aprendi Trompa, Trompete e Clarinete posteriormente. Para mim os dobrados e as valsas fizeram uma revolução fantástica no meu despertar e meu brinquedo preferido passou a ser um instrumento musical, os palanques e as retretas, os instrumentos de sopro e palhetas, as partituras com suas colcheias e fusas. As influências como compositor vieram anos depois quando passei a tocar violão e ouvir e cantar canções da minha época de adolescente. Meus maiores professores foram: Roberto Carlos, Chico Buarque e Luiz Gonzaga, com esse trio mergulhei fundo na MPB e só respirei e transpirei poesias e ricas melodias. Depois deles vários apareceram, inclusive para o meu aprendizado como Jackson do Pandeiro, Zé Ramalho, Alceu Valença, João do Vale, Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Gilberto Gil, Fagner e tantos outros.

02) RM: Fale do seu início de carreira.

Petrúcio Amorim: Meu início como profissional não foi nada fácil, pois acabara de sair da vida militar, em que servi por 6 anos Aeronáutica. Como tinha um disco e milhares de sonhos, encontrei barreiras. Tive que fazer novas amizades, conhecer gente do ramo e isso nunca é do dia para noite, só com muita perseverança foi que conquistei o meu espaço.

03) R M: Quantos discos lançados? Quais os nomes e anos de lançamento?

Petrúcio Amorim: São 4 LPs e 5 CDs. O primeiro “Doce Pecado”, lançado em 1984. O segundo “Forró, frevo e alegria” em 1986. O terceiro “Feito Meu no Melão” em 1990. O quarto Petrúcio Amorim lancei em 1993. Os CDs, meu primeiro 15 anos de forró lancei em 1995, comemorando 15 anos como compositor. Em 1998 gravei “Fim de Tarde” em 2000. A “Festa do Forró” com 20 músicas em 2001. E “Bebendo da Fonte” em 2002. Lancei “Pra Ficar com Você”.

04) RM: Quais das suas músicas fizeram sucessos na voz de outros cantores?

Petrúcio Amorim: Muitas. “Confidências” com Jorge de Altinho e “Falamansa”, “Nem olhou pra mim” com Alcymar Monteiro, “Fiel como um cão” com Fafá de Belém, “Tareco e Mariola” com Flavio José e Chiclete com Banana. São 250 músicas espalhadas por esse Brasil a fora, outras como: “Meu Cenário”, “Anjo Querubim”, “Filho do Dono”, “Estrela Cadente”, “Eu sou o forró”, “Cidade Grande”, “Meu ex- amor”, “É sempre Assim”, “Velho Ipojuca”, “Menino de Rua”.

05) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Petrúcio Amorim: Ao longo da minha carreira tive grandes parceiros, sempre fui de dividir letras e melodias. Aceito sempre sugestões, desde que o parceiro seja talentoso. Os mais conhecidos são: Jorge de Altinho, Novinho da Paraíba, Leonardo, Jorge Silva do Recife, Alcymar Monteiro e mais recente Rogério Rangel com quem divido minhas últimas canções.

06) RM: Fale do panorama musical de Pernambuco na década de 80 e de hoje?

Petrúcio Amorim: Na década de 80 foi o período que comecei, também tive o prazer de fazer parte dos que recriaram a maneira de compor forró. Em 1981 eu e Jorge de Altinho fazíamos um estilo meio urbano e meio rural. Os temas eram românticos, comunicação fácil e extremamente comercial. Os arranjos eram sempre acompanhados pelos metais (Piston, Trombone, Sax) sem esquecer o básico (Sanfona, triangulo e zabumba). Passei dez anos fazendo um sucesso por ano com tudo que era forrozeiro que surgisse no momento. Fizemos com que os jovens também gostassem da ideia do novo forró e quem nunca vendeu discos, na época chegou a vender mais de 100 mil cópias. Hoje as bandas deturparam a maneira de tocar e compor. Hoje os forrozeiros tradicionais puxam o forró para baixo e a galera jovem inventa outro ritmo em cima do forró, que não se sabe mais se é forró ou lambada com sanfona. Se Luiz Gonzaga tivesse vivo morreria novamente do coração.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Petrúcio Amorim: O meu estilo é o Forró Pé de Serra puro, é Luiz Gonzaga na frente sempre, isto sem querer manter o tradicionalismo, ou seja recriando sempre. O forró é um estilo musical muito rico de ritmos, dentro dele podemos sempre inovar sem perder a sua originalidade, seja na letra, no tema, na melodia e na percussão, é só ser inteligente, a régua e o compasso estão nas mãos.

08) RM: Quais as principais vitórias e dificuldades na carreira?

Petrúcio Amorim: As dificuldades de praxe são bem maiores, a mídia é a primeira delas, não é fácil ir de encontro principalmente quem lida com cultura. O Rádio, Jornal e a Televisão durante muito tempo foram os meus vilões. Ainda mais como cantor de forró em um país que ainda se encontra discriminação contra o nordestino e o Nordeste. As vitórias são poucas, porém boas. Ter a compreensão de uma parcela da sociedade e chegar a mais de 20 anos de carreira sobrevivendo de composição e shows. O carinho dos fãs, os discos, as músicas na boca do povo é demais gratificante para um matuto pobre que sonhava apenas ver alguém cantando uma só musica sua.

09) RM: Como você analisa a popularização do “Forró Universitário” no eixo Rio São Paulo? Quais os prós e os contras em sua opinião dessa vertente para o tradicional Forró ?

Petrúcio Amorim: Vejo com bons olhos por enquanto. O importante para o forró é sua existência, mesmo que seja precária, mas que se divulgue, que se mostre e se mantenha fazendo parte da música popular brasileira. Espero que esses grupos não decepcionem. O medo que faz é que vire um movimento modista e apareçam nas telas das TVs aquelas caras bonitinhas e bundinhas requebrando tirando de tempo à riqueza do baião, do xote, para que no futuro as pessoas não passem a ver o nosso ritmo com maus olhos.

10) RM: Como você analisa o mercado fonográfico hoje?

Petrúcio Amorim: O mercado passa hoje por sua pior crise, tanto no conteúdo musical quanto ao que se é vendido. O balanço, a mídia, as letras, as melodias e os interpretes deixam muito a desejar e o povo é quem sofre, principalmente os pais que são obrigados a comprar para os filhos discos horrorosos só por que ouviram nas rádios ou TVs. Por outro lado as gravadoras desesperadas lutando contra a pirataria que com certeza jamais vencerão a briga, perderão financeira e moralmente. Espero que a nova geração tecnológica invente meios para que nem as gravadoras nem respectivamente seus contratados percam esta parada, por que no fundo mesmo quem perde mais somos nós os autores.

11) RM:  Quais os projetos para 2003?

Petrúcio Amorim: Meu objetivo para 2003 é em primeiro lugar aumentar minha capacidade musical. Tenho trabalhado muito nos últimos anos e criado poucas canções. Então é necessário compor bastante, renovar as idéias, tirar leite de pedra, ir buscar não sei onde Inspiração e trazer para o meu povo forró de boa qualidade já que esta é minha missão.

11) RM:  Quais os seus contatos?

Petrúcio Amorim: (81) 99912.2203  |  [email protected]www.petrucioamorim.com.br

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.