Pedro Angi

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Pedro Angi
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Músico, cantor, compositor e produtor paulistano, Pedro Angi já demonstrava interesse pela música desde a infância.

Na adolescência começou a se destacar em rodas de violão e luau ao redor da fogueira, e era chamado de “Bob Marley Branco”. Atuando desde 2002, Já gravou mais de 60 músicas, em cinco álbuns além de diversos Singles. Com sua arte Pedro Angi já se apresentou em mais de setenta cidades de sete Estados do Brasil, além de Portugal e Espanha. Hoje em dia Pedro atua como vocalista da banda “Cultivo” e desenvolve seu trabalho solo e com a banda “Angatu” em paralelo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Pedro Angi para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.11.2018:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e sua cidade natal?

Pedro Angi: Nasci no dia 24.06.1982 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Pedro Angi: Desde pequeno ouvindo muita música em casa. Diariamente, meus pais ouviam muita música. Aos 11 anos de idade comecei a tocar Violão, aprendi em aulas com meu tio. Ele me estimulava muito a tirar músicas de ouvido e compor. Com 17 anos fiz minhas primeiras composições e com 19 anos comecei a tocar com banda.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Pedro Angi: Estudei Violão dos 11 aos 13 anos de idade. Com 19 estudei mais um ano de guitarra e teoria musical. Aprendi muito sozinho tirando músicas de ouvido e com os colegas de banda também. E me formei Arquiteto e Urbanista pela FAU – USP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Pedro Angi: Acho nenhuma influência deixa de ter importância. Tudo que a gente escuta faz parte do nosso repertório consciente ou inconsciente. A gente se influencia até pelo que não gosta. De criança absorvi muito de Beatles, Led Zeppellin, Pink Floyd, Oscar Peterson (que meu pai ouvia), Elis Regina, Tom Jobim, Chico Buarque, Chitãozinho e Xororó (que minha mãe ouvia)… Quando comecei a escolher minhas músicas, ouvia muito RAP, principalmente “Racionais MCs”, mas depois que conheci Bob Marley me encantei demais e mergulhei no Reggae. Daí eu fui fundo em Steel Pulse, Gladiators, Aswad, Burning Spear, Cimarons, Max Romeo, Ethiopians, Black Uhuru e por aí vai. Tive uma fase de ouvir só Jorge Ben, até hoje “A Tábua de Esmeralda” é um disco que escuto muito. Depois veio a fase do Herbie Hancock. Depois voltei pro reggae ouvindo muito Midnite, gostei de várias músicas do Jonh Legend. Atualmente tenho escutado vários estilos, depende do dia, mas principalmente Roy Hargrove, uma mistura de Jazz e Black Music.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Pedro Angi: Como vocal da banda “Canoazu”, em 2002 no bairro Vila Sônia em São Paulo. Antes disso já tocava em vários luais pelo litoral de SP.

06) RM: Quantos discos lançados?

Pedro Angi: São cinco álbuns, 4 singles e algumas participações, com destaque pra banda “Sattivus”.

07) RM: Como você define o seu estilo musical dentro da cena reggae?

Pedro Angi: Não sei bem como definir… Escrevo vários estilos de música, inclusive reggae.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Pedro Angi: Em busca contínua pela evolução.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Pedro Angi: Bob Marley acima de todos, por que foi muito revolucionário. Louis Armstrong também. A lista seria imensa, mas admiro principalmente os que tiveram coragem, garra e determinação pra imprimir sua identidade nas canções, cantando com originalidade, tipo Luiz Gonzaga, Nei Matogrosso, Elis Regina

10) RM: Quem são os seus parceiros em composição musical?

Pedro Angi: Geralmente eu faço música sem parceria.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Pedro Angi: Nunca trabalhei de outra maneira, não tenho referências pra responder essa pergunta. Acredito que a vantagem é ter mais liberdade de criação, e a desvantagem é não ter apoio financeiro nem direcionamento.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira musical?

Pedro Angi: Produzo minhas músicas completamente, desde a composição. Pra gravação procuro parceiros, a mixagem e master terceirizo. Tenho estudado sobre mídias sociais e plataformas de streaming pra aumentar o alcance das minhas músicas.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Pedro Angi: Acho que não prejudica em nada. E ajuda muito a tornar as músicas conhecidas. Acho uns 95% das pessoas que estão ouvindo meu som conheceram através da internet, ou através de alguém que indicou (também via internet)

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Pedro Angi: Sou bastante crítico em relação ao Reggae Brasileiro. Sempre busquei inspiração no reggae original jamaicano e nos seus “filhos” ingleses e caribenhos. Acho que “Natiruts” é banda de maior destaque por merecimento mesmo, porque conseguiu mesclar a essência do Reggae com a brasilidade, sem forçar a barra. A banda “Ponto de Equilíbrio” incorporou a vibração Rastafari com maestria e traz mensagens claras que refletem bem nossa realidade nacional. Admiro muito o trabalho dessas duas bandas, acredito que atualmente são as principais na cena.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (Home Studio)?

Pedro Angi: Pra mim só tem vantagem. Quase tudo que produzi até hoje foi em casa, foi como materializei minhas ideias e canções. Se não fosse por isso talvez eu nem estivesse aqui respondendo essa entrevista.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

 Pedro Angi: Os exemplos mais próximos de mim e que tive contato são os músicos das bandas “Ponto de Equilíbrio” e “Mato Seco”. Também tive a chance do conhecer “Groundation”, “Midnite”, “Rebelution”, “Soja”, todos com um show impecável e atitude humilde.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Pedro Angi: Todas as citadas na pergunta (risos). Mas acho que a mais marcante foi nossa chegada com a banda “Cultivo” no aeroporto de Salvador (BA), quando a produtora foi nos receber e a primeira coisa que disse foi “Vocês vieram mesmo?”. Ela tinha comprado as passagens, mas não marcou show pra gente fazer.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Pedro Angi: O que mais me deixa feliz é receber mensagens e depoimentos de que minhas composições ajudam as pessoas em momentos difíceis de suas vidas, que ajudam a escolher um rumo diferente, mas natural e espiritual, que as músicas ajudam a encorajar as pessoas a buscar seus sonhos. Depois disso, poder tocar com qualidade, em um bom equipamento, em um bom palco, sentir toda aquela energia do público e a força do som bem tocado em um equipamento de qualidade. Essa emoção é muito boa! O que me entristece é ver como muitos músicos carregam crenças e vaidades que só nos fazem perder oportunidades de crescimento pessoal e na carreira, como é difícil manter uma banda motivada e coesa. E também é chato não receber respeito da parte de muitos donos de Bar que não distinguem artistas em uma busca de trabalhar sério de músicos que não se capacitam e só querem fazer um som sem compromisso.

19) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Pedro Angi: Em Florianópolis (SC) eu vejo o interesse maior pelos shows cover. Hoje em dia chamados “tributos” ou “especial”. Há espaço para música autoral, mas é reduzido.

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Pedro Angi: François Muleka, Marisol Mwaba, “Angatu”, “Cultivo”, MC Eugênio.

21) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Pedro Angi: Eu mesmo e a banda “Usina Reggae” que gravou a canção “Deus é Vida”.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Pedro Angi: Já tocou, e nunca paguei para tocar. Mas são tocadas esporadicamente, não teve aquela continuidade. Acho que isso é proporcional ao público, quantidade de gente pedindo o som.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Pedro Angi: Acredite no seu sonho, e não se iluda. É preciso muito trabalho e estudo. Se você acha que é só cantar com o coração, não é. Cantar com o coração é fundamental, mas não basta. Tem evoluir continuamente e se dedicar de corpo e alma 24h por dia. Tem que abrir mão de outros trampos, priorizar totalmente a música. E mesmo assim não vai ser fácil. Tem que gostar muito. Só entre nessa se for por inteiro, se a música for imprescindível para você. Muitos desafios aparecem nessa trilha. Se você apenas gosta de música, mas consegue viver sem, em algum momento vai acabar desistindo.

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Pedro Angi: O próprio estilo musical foi desenvolvido sob a influência da Cannabis. A ligação existe. Acredito que a maior parte dos regueiros fuma, ou pelo menos já fumou. Pra quem gosta de reggae e de ganjah, são duas coisas que se complementam. Mas existe muita gente que fuma e não curte reggae, e pessoas que amam reggae, mas não fumam. O reggae verdadeiro, de raiz, ensina que a Kaya é uma planta sagrada e deve ser usada com fins meditativos. Muita gente se apoia no reggae pra justificar o uso banalizado da planta, isso é um equívoco que contribui pra marginalizar o reggae.

25) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafari?

Pedro Angi: A mesma coisa. O estilo que se chamou de Reggae pela primeira vez foi criado por Rastas. É a música rastafári (música religiosa oficial Rastafari é Nyabingi) na sua origem, carregada de simbologias, ensinamentos, revolução e resistência. Como o tempo vários temas se apropriaram do reggae como veículo, mas na origem o reggae É rastafári.

26) RM: Os adeptos a religião Rastafari afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Pedro Angi: Ao mesmo tempo em que concordo, conforme respondi na outra pergunta, acho que não acrescenta em nada esse tipo de colocação. O reggae verdadeiro é Rasta, sim, mas o verdadeiro Rasta prega a união, e esse tipo de afirmação não une.

27) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafari?

Pedro Angi: Simpatizo com o ideal Rastafári, mas não sigo todos os preceitos e por isso não me proclamo um Rasta. Somos todos unidos pelo princípio: “UM SÓ AMOR (One Love)”.

28) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Pedro Angi: Talvez lá as pessoas levem as coisas em geral mais a sério.

29) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Pedro Angi: Ajuda a transmitir uma ideia com mais facilidade, mas não tem a mesma originalidade de um arranjo feito sob medida para uma canção.

30) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

Pedro Angi: Os dois. Já escrevi letras em cima de Riddim e depois criei outra harmonia, assim como já escrevi letra “do nada” e encaixei em Riddim pronto.

31) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

Pedro Angi: Já acrescentei elementos.

32) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Pedro Angi: Torna possível levar o som e a mensagem onde uma banda não poderia ir. Às vezes o som fica até mais pesado do que com banda, mas nunca com o mesmo calor humano.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Pedro Angi: Tenho trabalhado com a banda “Cultivo” e também sozinho paralelamente. Estou lançando algumas músicas infantis que escrevi para minha filha que hoje está com 4 anos. Vou lançar algumas músicas gravadas no formato Voz e Violão. E estou produzindo músicas com arranjo mais elaborado que lançarei pelo nome da “Angatu”. Essas músicas misturam Reggae e Deep House com influência do Hip-Hop e MPB. A ideia é reativar a banda “Angatu” no futuro.

34) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Pedro Angi: (48) 99175 – 9816 | https://angatu.bandcamp.com |  www.bandaangatu.com | Pedro Angi no facebook, instagram e youtube.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.