Pat Escobar

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Pat Escobar
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Pat Escobar, criada dentro da história do teatro brasileiro, filha da atriz portuguesa e empresária Ruth Escobar, vivenciou momentos históricos que lhe permitiram vasto conhecimento em muitos segmentos do meio artístico. Trabalhou com Ademar Guerra em “Teleteatro” na TV Cultura, participou de montagens Teatrais como, “A Revista do Henfil”, “Caixa de Cimento”, entre outros.

Estreou oficialmente como cantora em 1981, na banda Metalurgia (com o Bocato). Estudou Trompa por dois anos no Conservatório das Artes de São Caetano do Sul – SP. Fazendo canto lírico – bacharelado e licenciatura, na Faculdade Santa Marcelina em São Paulo. Foi aluna nesta mesma época do professor Eládio Perez Gonzáles e Martha Herr. Prosseguiu seus estudos no Conservatório Brooklin Paulista, aonde estudou com o maestro Marcelo Mechetti e Marta Laurito. Foi nesta fase que começou a cantar intensamente na noite paulistana e em Shows pelo Brasil. Participou do musical “Evita”, como soprano dramático. Estudou interpretação para canto com Mirian Muniz, sendo por ela dirigida em dois shows. Participou como vocalista do álbum “Origens”, de Filó Machado.

Manteve-se como crooner em bailes, boates e carnavais por dez anos. Sob a tutela de Armando Aflalo, iniciou seus conhecimentos sobre Jazz Vocal, sendo dirigida por ele, mais tarde, numa homenagem a Billie Holiday. Apresentou-se em várias Capitais do Brasil, Portugal e na Califórnia – EUA, com interpretações de jazz, blues, bossa, samba, canções e chorinhos.

No Brasil, atuou sempre nas mais conceituadas casas noturnas e muito bem acompanhada por renomados músicos como: Filó Machado, Ademir Cândido, Olmir Stokler (Alemão), Michel Leme, Mutinho (Lupicinio Rodrigues Sobrinho), Luís Carlos Vinhas, Moacyr Peixoto, Laercio de Freitas (Tio), Leandro Braga, Evaldo Guedes, Silvio Mazzuca (bass), Itamar Collaço, Bocato, Zé Bicão (Zé Alves), Luiz Eça, Walmir Gil, Arismar do Espírito Santo, Sizão Machado, Mozar Terra, Zérró Santos, André Marques, Nenê, Vinícius Dorin, entre tantos outros.

Em 1997 gravou seu primeiro CD pela gravadora Eldorado, com produção de Solano Ribeiro, produtor este, que lançou nomes como Elis Regina e Leila Pinheiro. Ativa participante aos tributos às grandes “DIVAS” do jazz’an blues, é convidada com frequência para participar de JAM’s sessions com repertório de Billie Holiday, Betty Carter, Dinah Washington, Sara Vaughan.

Além de cantora, Pat Escobar é Acting-Coach – treinadora de atores. Já preparou nomes como: Claudia Ohana, para cantar na novela “Vamp”Luíza Tomé para a atuação na novela “A Indomada” e para o filme “O Cangaceiro”; e foi a orientadora vocal para o diretor francês Alan Maratrat, discípulo da renomada escola de Peter Brook. Como professora de voz e de interpretação, trabalhou por cinco anos em escolas de teatro, depois foi para o Stúdio Fátima Toledo,(cinema e televisão) onde lecionou por dois anos e meio.

Foi professora por oito anos de canto popular na Universidade Livre de Música – ULM – Tom Jobim, em São Paulo. Em seu período de ensino na Tom Jobim, dirigiu pesquisa e show com 64 alunos de canto e 14 alunos de instrumento sobre a Obra Musical de Elis Regina, em Outubro de 2003, estrearam o “Elis uma Sabiá”, no Theatro São Pedro, em São Paulo.

Em 2004, dirigiu pesquisa e show, com alunas de canto, sobre a trajetória do Jazz Vocal, de 1930 até 2004. Em 2010 mudou-se definitivamente para Lisboa – Portugal, e aqui vem prestando inúmeros tributos a Elis Regina e outras grandes damas da Musica Brasileira. Em Lisboa, já se apresentou no Onda Jazz, no Club B.Leza, no CCB, na Fabrica Braço de Prata ,Teatro A Barraca, entre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Pat Escobar para a  em 01 de agosto de 2014: 

1-) Ritmo Melodia – Qual a sua data de nascimento e sua cidade natal?

Pat Escobar – Eu nasci em 05 de agosto de 1959 em São Paulo (Patrícia Calypso de Escobar Fagundes). Mas fui fabricada pelos meus pais em Paris – França.

2-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música?

Pat Escobar – Foi ouvindo Elis Regina, Piazzola, Chico Buarque, Milton Nascimento, mas cresci lutando contra a Ditadura Militar. Meu primeiro real contato foi assistindo o “Falso Brilhante” (Espetáculo musical de Elis Regina, dirigido pela Mirian Muniz, eu tinha 16 anos) e decidi que queria ser mesmo era cantora. Há esta altura eu já trabalhava como atriz. Alias comecei como atriz ao 4 anos de idade, com Balé e Teatro.

3-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)?

Pat Escobar – Estudei música a partir dos 16 anos de idade. Estudei Trompa por dois anos no Conservatório de Música e Artes de São Caetano do Sul – SP. Fiz por dois anos bacharelado em canto lírico na Faculdade Santa Marcelina – São Paulo. E fiz canto por três anos no Conservatório de Música Brooklin Paulista. E tive aulas particulares com os professores: Eládio Perez Gonzales, Marta Her, Marta Laurito e com o Maestro Marcelo Mechetti. E neste período eu já cantava na noite, e misturava os conceitos. Pois na minha época não havia professores de canto popular em São Paulo. E só uma, e ela dava aulas todos os dias por 15 minutos, o que pra quem vive neste transito é inviável, mesmo naquela época. Depois fui pra Califórnia – EUA, e estudei com maravilhosos professores, fiz Canto Tibetano, Alexander Tecnic, Terapia Cranio Sacral, e cursos de Jazz e improviso vocal. Tive também um maravilhoso padrinho no Jazz, foi o Armando Aflalo, ele dirigiu meu primeiro show, com repertório de Billie Holiday, na década de 80. E com ele escutei de tudo sobre Jazz Vocal, ele tinha mais de 20.000 LPs em seu apartamento e ficávamos até 12 horas seguidas ouvindo. Ouvir é muito importante na Música, é a Percepção.

4-) RM – Quais suas influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? 

Pat Escobar – Elis Regina, Milton Nascimento, João Gilberto, Wilson Simonal (com quem alias cantei na noite), Maysa, Silvinha Telles, Piazzola, grupos Vocais e Cantores de Jazz and Blues (Billie HolidayAretha F,Dinah W, B Carter,Louis A., Chet Baker). Quem deixou de ter importância? Acho que devemos abençoar todo o caminho, ele nos traz aonde chegamos. Eu sempre revejo meus ídolos, nos meus quase 5.000 LPs e outros tantos de CDs. É como um livro que se relê sempre existem descobertas ou prazeres rememorados.

5-) RM – Quando, como e onde  você começou sua carreira profissional?

Pat Escobar – Como Atriz, ainda criança. E aos 13 anos de idade já tinha carteira do sindicato, como cantora. E na raça aos 19 com o Bocato (que foi meu primeiro marido), cantei naBanda Metalurgia fazendo Carnavais, Bailes e bares.

6-) RM – Quantos CDs (músicos que participaram nas gravações).? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que estão entrando no gosto do seu público?

Pat Escobar – Tenho um CD lançado, dois quase prontos, dois no papel. E vou relançar na Europa, eu, aliás, só quero cantar por lá. Paga muito melhor, e jabá dá cadeia! A música “Se você Pensa”, do Roberto Carlos e Erasmo Carlos em ritmo de Salsa Cubana, tocou por dois anos na Rádio USP, e a música “Sophisticated Lady” em Bossa Nova, estoura em elogios no myspace.

7-) RM – Como você define seu estilo musical?

Pat Escobar – Sou uma Intérprete, “Cantora / Atriz”, que usa as músicas e poesias para falar suas verdades e paixões, bem ao estilo de minha musa única: Elis Regina. Eu busco um novo arranjo, uma nova maneira de cantar, deixar minha  assinatura naquela canção, um pouco do meu coração também.

😎 RM – Como é seu processo de compor?

Pat Escobar – Não componho, alias pra não mentir já compus três musicas e já me esqueci delas. Eu interpreto as artes feitas. Eu rearranjo e reinvento.

9-) RM – Quais são seus principais parceiros musicais? 

Pat Escobar – Atualmente, o guitarrista Alemão. Mas eu estou aí aberta pra juventude linda que vem chegando, tipo o Fabio Leandro, incrível pianista de vinte e poucos anos de idade. Mas tive grande parceria com o Arismar do Espírito Santos em meu primeiro CD, ele foi meu diretor musical. E o Solano Ribeiro, foi o Produtor, devo muito a ele, por este CD lindo que é o Artigo de Luxo.

10-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Pat Escobar – Os Prós – Nós somos o dono de nosso projeto, e buscar a identidade nele.

– Os Contras – Em geral, é total falta de dinheiro, pra gravar e principalmente pra lançar. Você sabe quanto puseram de dinheiro no primeiro disco da Maria Rita? Mais de três milhões de reais. E o dólar estava estável em 2003. Assim é covardia, né? Se eu tenho três milhões de reais pra lançar um CD. Vou cuidar da fome das criancinhas. E ainda faço um CD lindo com Orquestra e tudo, pra lançar na Europa. A Cultura nunca foi irmã do Capitalismo.

11-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Pat Escobar – A Luciana Souza é uma brasileira que mora em Nova York. É só quem me vem à cabeça agora.

12-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Pat Escobar – Cantoras: Jane Duboc, Rosa Passos e a Joyce.

– Músicos: Alemão (guitarrista), Olmir Stoker, Arismar do Espírito Santo e Silvia Góes (excelente pianista e ex-esposa do Arismar), Léa Freire, Filó Machado (grande músico, cantor, arranjador e compositor). 

13-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Pat Escobar – Este assunto dava uma entrevista inteirinha, afinal eu cantei onze anos na noite, mais Teatro. Mas a situação mais inusitada pra mim ainda é minha saída da ULM(Universidade Livre de Música Tom Jobim), que agora é administrada pela Faculdade Santa Marcelina. Uma maneira do governo se livrar de todas as dívidas trabalhistas de gente que trabalhou lá sem registro em carteira nem fundo de garantia. Os professores que não tem diploma superior na área de música foram demitidos, pois aprenderam música como autodidatas e na vida prática tocando na noite. Imagine um músico do gabarito do Nenê, baterista ter que fazer prova para provar que é bom professor e poder continuar a dar aulas. Em seu lugar entrou um recém-formado, que aceitará um salário menor. Um escândalo para nosso Sindicato, a Ordem dos Músicos do Brasil (que é a maior ditadura do Brasil, pois continua há anos com o mesmo presidente que só sairá de lá pro tumulo. É uma tristeza), mas o músico brasileiro é nota zero em consciência política, infelizmente.

Eu dei aula por oito anos na ULM, vê se tem condições de fazer prova pra ver se posso ser ainda professora. Nesse período fiz um tributo a Elis Regina com meus alunos que está no Youtube: “Elis uma Sabiá”. Já dei aula de interpretação e voz para Teatro, Cinema e TV, para atores já consagrados. Eu prefiro parar de dar aulas a me submeter a essa palhaçada. É uma tremenda falta de respeito com o músico.

14-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Pat Escobar – Então, tristeza vem do que falei sobre a ULM, o Tom Jobim já falava, a saída do Músico Brasileiro é o Aeroporto, isto ainda é verdade.

Feliz? A minha felicidade é poder cantar e saber de nossa vasta e imensa cultura, variada e misturada e criativa e original. Felicidade, apesar de nossos governantes, é ser brasileira, tem um molho especial na nossa Cultura.

15-) RM – Nos apresente a cena musical paulistana?

Pat Escobar – Hoje em dia recomendo as minhas ex-alunas que são muito talentosas: Vanessa Moreno, os Kalalargá e as JulietasDandara ModestoKeila Abeid, Edria Barbieri, Elisa Maria, Bia Goes, Érika e Simone Brisola.

16-) RM – Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá? 

Pat Escobar – No Brasil? Difícil. Mas por isso mesmo já tenho passaporte Europeu e irei-me embora logo, logo.

17-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Pat Escobar – Coragem, Vontade, Trabalho, e Talento. Todo dia, renovados.

18-) RM – Nos conte sua experiência como professora de música?

Pat Escobar – Fui minha primeira aluna, aprendi muito ensinando, e descobri que os músicos e os cantores são infinitamente mais vaidosos e egocêntricos que os atores. Eu prefiro trabalhar com gente mais humilde, mais receptiva. Mas achei também nesta seara muita gente boa. Como as meninas que citei acima e muitos outros, o povo todo que fez “Elis uma Sabiá” era ótimo! Mas o André Mota, ele tem swing e muita musicalidade.

19-) RM – Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Pat Escobar – Aqui na Europa, é um recomeço, em meio a essa crise, que ainda assolará o Brasil, não tenho duvida, mas aqui nesse recomeço, uma humildade é o exercício maior, e paciência, e reconstrução, e revisão, e também dou aulas, mais de musica brasileira, e de canto e respiração e interpretação, como acting coach, que era meu primeiro trabalho, extra curricular ao de cantora.

20-) RM – Quais as ações empreendedora que você prática para desenvolver sua carreira?

Pat Escobar – Não muitas. Não sou empresária. Sou artista, criativa, criatura criadora, crio, invento coisas, sonho, tenho imensa facilidade em criar. Aqui em Lisboa tenho um espaço incrível, para dar aulas e ensaiar. E é o que estou fazendo, mas as pessoas estão aflitas por causa da crise, querem dinheiro, querem resultados imediatos. E criar não é assim, requer crer, acreditar investir, é difícil. Mas estou vencendo a etapa dos três anos e agora começo a colher alguns dos primeiros frutos, sem contar que aqui, tenho imenso acesso a muito mais informação.

21-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Pat Escobar – A Internet ajuda imensamente. Adoro. E quisera ter tido sempre esse recurso maravilhoso.

22-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia  de gravação (home studio)?

Pat Escobar – Pode-se fazer qualquer porcaria, ou podem-se fazer coisas interessantes. Sei lá. Artistas com talento, sempre vão precisar de poucos recursos, pois o talento esta implícito, mas os recursos, depois, vão claro, implementar e colorir belamente, o trabalho de qualquer um.

23-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Pat Escobar – Aqui na Europa. Lançar meus CDs. Dar aulas, montar espetáculos, e visitar os amigos, e claro receber meus amigos aqui. E vim para o Brasil como turista ou artista contratada. Mas a crise que se aproxima do Brasil a cultura certamente vai sofrer e quem vive dela vai ter de ser realmente criativo. 

24-) RM – Quais os seus contatos?

Pat Escobar – [email protected] | [email protected] | www.myspace.com/patescobar
Link de vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=zXGJgck-FeE  
https://www.youtube.com/watch?v=oFpMvFm8uZ4

 

https://www.youtube.com/watch?v=Os1FRymKOJo

 

https://www.youtube.com/watch?v=BesZkXDB7rg

 

https://www.youtube.com/watch?v=wj4VoNUTvUk

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.