Nadja Soares

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Nadja Soares
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A cantora Nadja Soares tem a emoção e sensibilidade como características da sua bela voz.

Nadja é atração nas melhores casas noturnas do Litoral Paulista. Iniciou sua carreira musical em 1981, como integrante do grupo “Canto de Casa”, que participou de vários festivais de música. A partir daí começou a apresentar-se em carreira solo, acompanhada dos mais categorizados músicos e nas mais variadas formações, com repertório de MPB de alta qualidade.

Lançou o seu primeiro CD, com músicas inéditas, em 2001, com o nome “Sinaleiro”.  Cantando ao lado do renomado músico Filó Machado chegou a apresentar-se na lendária casa “Boca da Noite” em São Paulo e, mais recentemente, no “SESC-Santos”. Com arranjos e direção musical de Filó Machado gravou seu segundo álbum, “Pra Contar”, em 2004, incluindo músicas de Cartola, Ivan Lins, Fátima Guedes, João Donato, entre outros, trabalho esse que teve as participações do pianista Laércio de Freitas e da flautista Léa Freire.

Nadja participou também do musical “Viva Elis”, que teve grande sucesso de público no Teatro Municipal de Santos. Apresenta-se frequentemente no “Rádio City Café”, considerada uma das melhores casas noturnas do litoral sul de São Paulo, nos espaços do SESC-Santos e nos mais variados projetos da Secretaria Municipal de Cultura de Santos.

Participou de apresentações do cantor e compositor Lula Barbosa no SESC Pinheiros em São Paulo e como convidada do pianista Michel Freidenson e do compositor e cantor carioca Jorge Simas, em shows no “Rádio City Café”. Seus trabalhos mais recentes incluem apresentações no SESC-Ipiranga em São Paulo, dentro do projeto “Música e Afins”, e na tradicional casa “Villaggio Café” de São Paulo, acompanhada pelo violonista Marcos Canduta, o pianista Robson Nogueira e o clarinetista norte-americano John Berman.

Em outubro de 2007 cantou acompanhada pelo pianista, compositor e arranjador Gilson Peranzzetta, como convidada especial em show no Teatro do SESC-Santos.  Mais recentemente iniciou um trabalho ligado ao choro e samba-choro, com o tradicional grupo de choro santista “Os Cinco Companheiros”, tendo se apresentado no mais novo espaço dedicado ao choro, aos sábados, na Praça do Aquário Municipal em Santos – SP, onde se apresentou também, recentemente, acompanhada pela consagrado violonista Luizinho Sete Cordas.

Ao final de 2007 Nadja gravou seu terceiro álbum, titulado “É Assim”, também interpretando músicas inéditas, em trabalho intimista de piano e voz, com o pianista Robson Nogueira, também autor de várias faixas. Este último CD teve seu lançamento em São Paulo, no Villaggio Café e, em Santos, no Teatro Municipal, incorporado no show “Trajetória”, quando Nadja fez uma retrospectiva dos seus três CDs. Este show teve as participações especiais de Filó Machado e do baixista Rogério Botter Maio e resultou em seu primeiro DVD.

Seus mais recentes e destacados trabalhos incluem os shows “Revivendo os Festivais”, no SESI-Santos, três shows com o cantor Jorge Maciel, “Tributo a Ataulfo Alves”, no SESI-Santos, “Tributo a Lupicínio Rodrigues”, no Clube XV de Santos e “Noel Rosa 100 Anos, no Cine 3D em São Vicente”, “Cantando Chico Buarque”, com Jane Mara, no SESC – Santo André – SP, “Chico Buarque em Três Tempos”, com Celso Lago, no Teatro Guarany-Santos.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Nadja Soares para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 11.04.2016:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Nadja Soares: Nasci no dia 13.04.1958 em Natal-RN.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Nadja Soares: Foi com minha mãe, ela foi cantora na antiga Rádio Poty em Natal-RN.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Nadja Soares – Estudei Canto popular na Universidade Livre de Música Tom  Jobim  (ULM Tom Jobim, hoje EMESP Escola de Música do Estado de SP – Tom Jobim)  e fiz curso de Teatro Musical no SENAC São Paulo, além de curso de teatro na  Escola Macunaíma.

04-) RM – Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Nadja Soares – Entre minhas influências do passado posso citar, entre outros, os compositores Lupicínio Rodrigues, Ataúlfo Alves, Nelson Cavaquinho, Pedro Caetano, Pixinguinha e os cantores (as) Dick Farney, Lúcio Alves, Nelson Gonçalves, Taiguara, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, e mais recentemente os compositores (as) Chico Buarque, Edu Lobo, Tom Jobim, João Donato, Filó Machado, Fátima Guedes, Ivan Lins, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sueli Costa, Guinga, Aldir, João Bosco e cantoras como Ângela Maria, Clara Nunes, Elis Regina, Leny Andrade, Nana Caymmi, Maria Bethânia, Mônica Salmaso,Tânia Maria e Flora Purim e, muito particularmente, o cantor Celso Lago.  Atualmente sou muito fã de duas grandes cantoras da nova geração: Maria Rita e Verônica Ferriani. Nenhuma dessas influências deixou de ter importância na minha carreira e continuam sendo referências em meus trabalhos.

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Nadja Soares: Desde os sete anos de idade, no coro da igreja que frequentávamos na minha cidade, Natal – RN. Depois, já em São Paulo, integrei o grupo musical Canto de Casa, que participava de apresentações e Festivais de músicas, ainda amadoristicamente. Profissionalmente, a partir de meu primeiro CD – “Sinaleiro”, em 2001. E a partir dai, em Santos – SP, cantando em algumas casas noturnas, como Rádio City Café, e vários shows nos teatros da região, além de apresentações em São Paulo, em casas como Villaggio Café e All Off Jazz.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Nadja Soares: Tenho três CDs lançados. No CD – “Sinaleiro” músicas autorais do compositor Ademir Soares e seu parceiro José Luiz Ubida (compositor, violonista e saxofonista). E no CD – “É Assim” – Piano e Voz.  músicas autorais do compositor Ademir Soares e seu parceiro Robson Nogueira (pianista e compositor). E o terceiro CD – “Pra Contar”, com músicas de Ivan Lins, Fátima Guedes, Cartola, Claudio Nucci, Filó Machado, João Donato, e outros. Esse CD teve a direção e arranjos de Filó Machado e sua banda, e também as participações especiais de Laércio de Freitas, Léa Freire e Wilson Teixeira. Musicas que se destacaram posso citar: “Sem Sentido” e “Materialismo” (CD – Sinaleiro), “Abstração” e “Corpos e Suor” (CD-É Assim) e “Brisa do Mar”, “Mudança dos Ventos” e “Acontece” (CD – Pra Contar). Além desses três CDs, tenho também dois DVDs: “Trajetória”, gravado no Teatro Municipal de Santos, que faz uma síntese dos meus  três CDs e “Chico Buraque em 3 Tempos”, gravado no Teatro Guarany  no  show que fiz com Celso Lago.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Nadja Soares: MPB, Choro, Samba choro, bolero, blues.

08) RM: Como você se define como cantora/interprete?

Nadja Soares: Cantora romântica e um pouco atriz, gosto de contar a história que a letra da música busca transmitir.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Nadja Soares: Sim. Mas só após os 40 anos é que fui estudar com professores de Técnica Vocal.

10) RM: Quais as cantoras que você admira?

Nadja Soares: Já citei algumas, mas acrescento Jane Duboc e Ana Luiza Gama.

11) RM: Você compõem? Quem são seus parceiros musicais?

Nadja Soares – Não sou compositora, mas, como mencionei, tenho dois CDs autorais com músicas de meu companheiro e compositor Ademir Soares.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Nadja Soares: Como principal fator na lista dos prós, é que você faz do seu jeito e pode montar seu repertório com as músicas que mais lhe tocam a alma e o sentimento. Como contra, o principal é que sem o respaldo de uma gravadora, de um grande produtor e da mídia, você tem poucas chances de ver seu trabalho reconhecido.

13) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Nadja Soares: Com poucas revelações, a meu ver, principalmente porque vivi a época áurea dos Festivais de Música, que revelaram grandes ícones de nossa música popular, sejam compositores como intérpretes. Hoje, infelizmente, e com raras exceções, a música popular brasileira está muito associada à música comercial e à efemeridade. Revelações: Celso Lago, Mônica Salmaso, Maria Rita, Verônica Ferriani, Ana Luiza Gama. Cito apenas os que permanecem no cenário com obras persistentes e duradouras: Chico Buarque, Fátima Guedes, João Bosco, Edu Lobo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ivan Lins, entre outros.

14) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Nadja Soares: Em termos de profissionalismo, só posso citar alguns daqueles com quem trabalhei: Filó Machado, Léa Freire, Arismar do Espírito Santo, Celso Lago, Laércio de Freitas, John Berman, Gilson Peranzzetta,  Jorge Maciel, Luizinho 7 Cordas, Sambália Trio (Theo Cancello, Kinho Batera e Glécio Nascimento), Bheto Alves. Em termos de qualidade artística, todos aqueles que eu já citei em respostas anteriores.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou publico tosco, cantar e não receber, ser cantada e etc)?

Nadja Soares: Quanto a condições técnicas, já cantei sem som, a capela, por problemas com a aparelhagem disponibilizada.  Brigas, eu não lembro. Ambiente ou publico tosco, cantada, eu não lembro; talvez porque eu esteja sempre cercada de amigos e acompanhada pelo meu companheiro, que é também meu produtor.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

 Nadja Soares: Mais feliz, cantar, sempre. E triste por perceber que os espaços para isso estão cada vez mais escassos.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Nadja Soares: Eu moro em Santos-SP. E como eu disse, os espaços diminuíram bastante de alguns anos pra cá, mas a cidade tem um movimento musical muito pujante, com muitos artistas (músicos, compositores, cantores e cantoras)  engajados e de alto nível, que conseguem ainda romper as barreiras e mostrar seus talentos e se projetar no cenário nacional e internacional. Existe, atualmente, um forte movimento de resistência e, gradativamente, as coisas começam a melhorar.

18) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Nadja Soares: Todos aqueles que foram e são minhas referências e que já nomeei em respostas anteriores.

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Nadja Soares: Nunca usei dessa sistemática de pagar para minhas músicas tocarem. E nem teria financeiramente como fazê-lo. Simplesmente levo meu disco aos veículos de comunicações (Rádio, TV, Jornais, Revistas, etc) e algumas vezes, eu sou bem sucedida.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Nadja Soares: Ame e dê VEXAME, como diria o escritor Roberto Freire, se quiser acontecer.

21) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical dentro e fora do palco?

Nadja Soares: Dentro de palco, estou voltada atualmente em direcionar meu trabalho em projetos temáticos, com a participação de vários músicos e cantores, sempre com a perspectiva de apresentações em teatros, basicamente. Nessa linha tenho trabalhos sobre as obras de Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues, Nelson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa, Elis Regina, Ivan Lins e Fátima Guedes, entre outros. E um trabalho voltado para o Choro e Blues. Esses trabalhos são realizados com várias formações: Trio ou Banda. Fora dos palcos, tenho um programa semanal na TV com entrevistas e músicas, no qual os artistas locais têm apresentado seus trabalhos, além de atuar, também, como produtora de shows.

22) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Nadja Soares: Como não tenho empresário, todos os meus trabalhos são colocados mediante meu esforço próprio, e para tal sou estabelecida como Microempreendedora Individual, titular da empresa “Canto de Casa Música e Arte”.

23) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Nadja Soares: A internet é um instrumento de grande utilidade para o desenvolvimento de todos os artistas que, como eu, que não contam com espaços sistemáticos nos meios de comunicação tradicionais. E através da internet é que são feitas nossas divulgações de eventos e postagens de vídeos, o que nos possibilita a formação de publico para nossas apresentações. Além, é claro, de nos permitir uma importante troca de experiências e conhecimentos.

23) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Nadja Soares: Não tenho como avaliar pessoalmente, uma vez que meus três álbuns foram gravados em estúdios tradicionais, mas, pelo que posso perceber,  esse processo veio a facilitar e, de certa forma, democratizar e baratear as gravações, permitindo que um grande contingente de músicos, cantores e cantoras, possam registrar seus trabalhos.

24) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Nadja Soares: O que procuro fazer é trabalhar com o repertório que reflete meu gosto musical, sem preocupações comerciais maiores, preservando meu estilo e tentando arregimentar o público que comunga com essa linha que desenvolvo.

25) RM: Quais os seus projetos futuros?

Nadja Soares:– Cantar e cantar e cantar a beleza de ser uma eterna APRENDIZ.

 26) RM: Quais os seus contatos para show?

Nadja Soares – [email protected] |[email protected] | (11) 9.8365 – 9705 e (13) 9.9703-5707 e 9.7404 – 8013

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.