Max Pianura

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Max Pianura
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O pianista, cantor e compositor paulista Max Pianura começou seus estudos com apenas cinco anos de idade no Piano e com oito anos de idade foi morar na Espanha e já se apresentava na Televisão Espanhola tocando o melhor da nossa MPB.

De volta ao Brasil, com 16 anos de idade se apresentava solo e com orquestra em vários teatros do Estado de São Paulo, o mais importante, no Teatro Municipal de São Paulo. Em 2002, Max Pianura, se torna diretor de uma das escolas de música mais tradicionais do ABC, a Curson, no qual com ele estudaram músicos consagrados como Péricles, Brilhantina e Téo (Grupo Exaltasamba), Marcinho (Soweto) e entre outros. Em 2004, Junto com o mestre Robson Miguel (seu pai), lançou o DVD – “O Mestre do Violão”, gravado no Teatro Municipal de Santo André – SP. Em 2009 fez parte do grupo teatral e musical “Compañia de Humor”, levando a arte do humor e da música por varias partes do Brasil. Em 2010 grava a sua primeira aula em vídeo pela UOL distribuídos em mais de 60 países. Em 2013 participou do Petra Jazz ao lado de grandes músicos como Paquito de Riveira, Rosa Passos, Toninho Ferraguti, Playing for Change entre outros. Em 2014, Max Pianura, ao lado de nomes como Ivan Lins, 14 Bis, Thiaguinho,  Anita, Turma do Pagode, Hugo e Tiago e outros, lança seu mais recente trabalho “Manual do Samba Rock”, com a pegada do eletro-samba e o swing brasileiro na Festa Nacional da Musica em Canela – RS.

Max Pianura lançou seu novo CD – “Demais”, cantando composições próprias e também de compositores de primeira como Pedro Agi, Marcelo Fragoso, Jorge Pinheiro e também seu pai Robson Miguel. O novo CD com muita música  brasileira com um pitada de jazz e da música black americana.

Entrevista exclusiva com Max Pianura para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.04.2016:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Max Pianura: Eu nasci em Santo André – SP, região do ABC Paulista no dia 10 de Abril de 1984.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Max Pianura: Não consigo me lembrar de quando foi o meu primeiro contato com a música, mas meu pai Robson Miguel e minha mãe Janete Pianura dizem que eu aprendi a assobiar antes de aprender a andar, pois minha mãe, apesar de não ser musicista, sempre cantou para mim desde bebê e meu pai também cantava e tocava o Violão. E o ambiente musical familiar que me enriqueceu nesta área. Meu pai me influenciava bastante na música me dando diversos instrumentos de brinquedo, mas ele não via nenhum interesse em qualquer um deles porque eu quebrava todos (risos). Um dia, eu com uns 4 ou 5 anos de idade, visitando uma escola de música que do meu pai em Santo André, vi um piano na minha frente e eu me encantei e desde então eu comecei a aprender e não parei mais.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Max Pianura: Eu me envolvi de tal maneira com a música que me formei em Piano Popular, Cavaquinho, Violão Popular, Canto e Teoria Musical. Eu estudei na Curson; escola de música fundada pelo meu pai em Santo André e na Universidade Livre de Música em São Paulo e tive também vários outros professores particulares. Fora da música me interesso muito pela M.T.C. (Medicina Tradicional Chinesa), na qual me especializei em diversas técnicas alternativas de tratamento como o Shiatsu, Moxabustão, Quiropraxia, Reflexologia e outros.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Max Pianura: Eu me lembro de ainda criança minha mãe colocando os discos de vinil e fitas K7 de Lulu Santos, Tim Maia e Guilherme Arantes na qual eu filtrava muito bem pela linguagem ser mais popular. Já o meu pai colocava Count Basie, Claude Mckoy, Heraldo Dumont e outros jazzistas, que para mim era mais difícil de entender, por isso, eu achava estranho o som. Mas na adolescência comecei a compreender. O Jazz é o que mais me influenciou, gosto de levar o jazz para qualquer elemento musical, seja brasileiro ou até mesmo Erudito.  Hoje em dia, tenho ouvido muito o som do Bebeto, Seu Jorge, Walmir Borges, Paula Lima que são grandes nomes do Suingue Brasil, um som que começou se desenvolver na década de 70 com Luís Wagner e Jorge Bem Jor, também conhecido como Samba Rock.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Max Pianura: Eu comecei a minha caminhada tocando muito em igrejas, pois toda a minha família é protestante e alguns irmãos da Igreja me vendo tocar, começaram a me chamar para tocar em casamento. Com apenas oito anos de idade, eu já conseguia tirar qualquer música de ouvido e estava morando na Espanha com minha família, meu pai me levava com ele para tocar em diversos eventos, inclusive fiz uma entrevista exclusiva para TVE (Televisão Espanhola).  Aos 13 anos idade eu já dava aulas de Cavaquinho, Teclado e Teoria musical.

06) RM: Fale das participações em gravação de discos e DVD. E dos seus discos gravados.

Max Pianura: Participações em CDs e DVDs, eu tenho diversas, inclusive junto com meu pai Robson Miguel na qual foram três DVDs, em Projetos como o “De Bamba”, que reuniu Demônios da Garoa e muitos outros sambistas, Chrigor (antigo vocalista do Exalta Samba) e muitos outros. Eu tenho dois CDs gravados. O primeiro foi em 2014, chamado Piano Life. Um CD instrumental na qual eu toco diversos temas internacionais como “Em Algum Lugar do Passado” (John Barry), tangos como “La Cumparsita”, “Por Una Cabeza” (Carlos Gardel), mas acho que o que caiu no gosto popular foi “Cine Paradiso” (Enio Morricone) que teve a participação do gaitista Aloísio Becker, considerado como um dos maiores gaitistas da atualidade na qual fez um solo espetacular. Em 2015, gravei um CD, chamado “Voz, Violão e algo mais” na qual eu canto grandes obras da MPB. Esse nome eu dei pelo fato da Voz e o Violão serem protagonistas, embora em algumas músicas apareça o Piano, Cavaquinho, a Guitarra contracenando em segundo plano.

07) RM: Como você define o seu estilo como pianista?

Max Pianura: Eu “bebi muito” da Bossa Nova, do Jazz e até da música erudita. Difícil me definir em um estilo, mas acredito ter uma tendência jazzística (risos). Isso é bom, o ecletismo me facilitam transitar em estilos diferentes e as pessoas acham interessante o fato de me verem interpretando tão diferentes estilos, mas também com tanta fidelidade a linguagem musical.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Max Pianura: Adoro compor. Compus minha primeira música com uns 12 anos de idade, um Choro no Cavaquinho que é outro instrumento que aprendi a tocar. Geralmente as pessoas compõe a melodia e depois se vira com a “harmonia”. Eu sou o contrário, primeiro penso nas harmonias e aí vou desenvolvendo o resto que para minha cabeça funciona mais fácil. Acho complicado quem compõe a letra e depois faz a melodia. O mestre Cartola dizia que isso podia tirar a integridade da composição e eu também penso assim. Já compus Choro, Samba, Jazz, Gospel , Black, quando a inspiração vem ela não escolhe um gênero.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Max Pianura: Geralmente eu componho sozinho, mas às vezes a música “trava” e acabo precisando de mais uma cabeça para engrenar de novo e tem a questão da variedade de palavras e frases que falta no vocabulário cotidiano, então conto com a parceria do meu amigo Pedro Agi que sempre vem com idéias fabulosas naquela hora que a minha cabeça não consegue sair do lugar.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Max Pianura: Ser músico é também saber se adaptar às mudanças que o mercado sofre, tanto na questão da linguagem musical popular como na forma de divulgar seu trabalho. Hoje a visualização do trabalho ficou mais fácil por conta das mídias sociais como Facebook, Youtube, Instagran, Twiter e outros. Mas, a pirataria e o abuso por conta de certas gravadoras, acabaram jogando muitos artistas para fora dos grandes selos musicais. Ser um músico independente é a alternativa para você poder desenvolver os seus projetos de maneira autônoma e também prestar contas financeiras a si mesmo, enquanto quem está em uma gravadora, tem certa interferência quanto à escolha do segmento artístico, mas ao mesmo tempo, existe uma possibilidade maior de expansão do de seu trabalho para fora. Gravadoras como Universal, Sony e outras conseguem projetar o artista para outros nichos, mas ser um artista independente é comer muita lama para chegar lá, mas tem seus méritos.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical dentro e fora do palco?

Max Pianura: Dentro do palco, creio que qualquer músico em primeiro lugar deve ser agregar o relacionamento com seu público. Essa é a pedra fundamental, porque você pode ver bandas como O Rappa, Nenhum de Nós, Teatro Mágico que embora não estejam muitas nas mídias abertas, elas conseguem levar uma multidão de fãs devido a esta sintonia de público e artista. Meu planejamento também consiste em se manter fiel a qualidade do meu trabalho sem se vender ao apelo popular, como infelizmente hoje se tornou muito comum. Agora, fora do palco, minha carreira é voltada ao ensino, pois leciono a mais de 17 anos e o meu prazer é poder compartilhar toda minha experiência musical aos que estão começando com muita sede de aprender.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Max Pianura: Eu tenho desenvolver através do meu site, na qual você pode ver meus diversos trabalhos dentro do hemisfério musical, na minha Página do Facebook, que hoje é uma arma poderosíssima para captação de pessoas assim como o meu Instagram e Twitter.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Max Pianura: Não acredito que a internet possa prejudicar a carreira de alguém ao menos que essa pessoa tenha dívida no cartório ou mostre uma ineficiência no seu trabalho, mas em todos os casos é a própria pessoa que se compromete. Fico feliz, pois minhas postagens musicais geram sempre respostas positivas e compartilhamentos.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Max Pianura: O Home estúdio é uma coisa maravilhosa, ele permitiu que os músicos começassem a gravar seu próprio trabalho e aprendessem também a usar toda a mixagem e masterização que fossem convenientes, pois isso é algo que só os técnicos manjavam. Hoje a maioria dos músicos tem conhecimento, pelo menos básico, dos programas de gravação. Não consigo vê desvantagem sendo que a tecnologia tem trazido mais conforto e facilidade pra todos nós e também muita economia no bolso, pois gravar um disco  era para poucos .

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Max Pianura: Eu sou eu mesmo cantando e tocando, pois me dizem que o meu trabalho não tem cara de ninguém a não ser a minha própria (risos). Sou ruim para caramba para imitar e geralmente, isso acontece com quem ouve sempre a mesma coisa, eu não escuto a mesma coisa nunca. Esse é meu diferencial, ninguém vai ver alguém fazendo o que eu faço e vice versa.

16) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Max Pianura: O Brasil é um celeiro de gênios nos mais diferentes seguimentos musicais como Hermeto Pascoal, Ivan Lins, Ed Mota, e os gênios continuam a se multiplicar neste cenário. Músicos e cantores como Jorge Vercillo, Ivete Sangalo, Djavan, Maria Rita, Seu Jorge, estão fazendo destaque nessa geração da MPB e continuam fazendo coisa boa. Os cantores das grandes multidões da música sertaneja e do Funk carioca vão ter que se adaptar futuramente, pois infelizmente as gravadoras, os produtores e os empresários ao mesmo tempo em que põem coisas perecíveis por ser extremamente comercial, jogam o jogo da novidade, ou seja, uma hora acaba a graça por ser cópia da cópia da cópia e etc. Não aconteceu o mesmo com os vários grupos de Axé music e Pagode dos anos 90?

17) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Max Pianura: O Ivan Lins e o Jorge Vercillo são meus exemplos de profissionalismo e qualidade. São músicos completos que cantam, tocam, arranjam, são polivalentes e isso eu admiro muito sendo que a maioria só canta bem ou só tocam bem, mas estes não fazem tudo acontecer.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Max Pianura: Pois é (risos). Algumas dessas coisas aconteceram muito. Algo que é muito comum é chamarem a gente para fazer shows ao ar livre, ás vezes sem cobertura, e quando começa a chover, já viu, tem que sair desligando e tirando tudo na maior correria. Mas teve um caso que foi engraçado, certa vez fui fazer um show em um Hotel e logo percebi que um sujeito ficava me olhando e não parava de me aplaudir. No fim do espetáculo, esse sujeito me cumprimentou e me pediu em casamento (risos). Pensei que fosse brincando, mas ele falou sério. Mas não casei com ele (risos).

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Max Pianura: A minha felicidade é saber que meu trabalho proporciona emoção, alegria, esperança a todos sejam crianças e adultos. A chateação é se deparar em certas ocasiões com um público ignorante que não consegue apreciar ou entender o que estamos fazendo. Esses são aqueles que conversam, gritam no meio da canção e não sabem o quanto foi trabalhoso chegar naquele estágio.

20) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Max Pianura: Moro atualmente em Santo André-SP. É uma cidade com artistas de alto calibre como Quinzinho, Péricles, João Cristal. O cenário é bem diversificado musicalmente e a prefeitura tem feito coisas muito interessantes para comunidade como as terças musicais que acontece no saguão da prefeitura na qual artistas de nome e novos se apresentam gratuitamente para a comunidade.

21) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora que você indica como uma boa opção?

Max Pianura: O Quinzinho é um trompetista muito renomado e eu indico como uma ótima opção musical. Ele tem dois filhos que são gênios e fazem um espetáculo instrumental de primeira linha.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Max Pianura: Hoje não se faz nada sem dinheiro e até injeção na testa alguns estão cobrando (risos). Algumas Rádios vão cobrar o famoso jabá, outras não, mas hoje em dia isso não tem absolutamente nada a ver com seleção pela qualidade, isso é marketing, é negócio.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Max Pianura: Faço uma pergunta: Você quer fazer carreira para ganhar dinheiro ou por que ama a música? Se o foco for exclusivamente ganhar, ele pode até se dar bem, mas não vai ter consistência, pois é só “Marktagem”, mas não tem o coração.

24) RM: Quais os Pianistas e Tecladistas que você admira?

Max Pianura: Nossa, um monte, aí vai uma lista: Oscar Peterson, Michel Frederson, Bill Evans, Hermeto Pascoal, Mckoy Tiner, João Cristal,  Bud Powell, Moisés Alves,  Chick Corea e muitos outros, mas estes citados são para mim os tops.

25) RM: Quais as técnicas importantes no estudo do Piano e do Teclado que você indica?

Max Pianura: A mais importante de todas é a técnica de exercício com Escalas e principalmente as Maiores e Menores, pois geralmente é nestas duas modalidades que a música é composta. Um pianista e um tecladista que quer se desenvolver deve se dedicar ao menos uma hora por dia só nestas Escalas.

26) RM: Qual a importância dos conhecimentos tecnológicos para o Tecladista?

Max Pianura: Como o mundo evoluiu. Hoje os Teclados são computadores ferozes: arranjadores, sintetizadores, Workstation, controladores, etc e todos nós temos a obrigação de ler os extensos manuais de funcionamento porque os tecladistas com estas máquinas são muitas vezes os violinistas, trompetistas, bateristas e até vocalistas em uma banda, ou seja, uma orquestra em um único instrumento.

27) RM: Apresente o seu workshop sobre Harmonia e Improvisação?

Max Pianura: No meu Workshop sobre Harmonia e Improvisação o aluno mesmo com noções básicas no instrumento consegue compreender as noções de como chegar a desenvolver a sua intuição, a percepção harmônica e a sua linguagem musical.

28) RM: Quais os principais Virtual Studio Technologya (VST) e Virtual Instrumentos que você indica para os Tecladista?

Max Pianura: Eu não costumo usar estas ferramentas por incrível que pareça. Uso raras vezes em gravações quando preciso de algum recurso que meu Teclado não tem. Eu prefiro usar os recursos dos meus instrumentos, por isso não tenho muita propriedade neste assunto.

29) RM: Quais os Teclados mais versáteis em relação ao uso da tecnologia atualmente?

Max Pianura: Eu uso muito Korg nas minhas apresentações, pois adoro a linha de cordas e Pianos Elétricos desta marca. Kronos da Korg e Fantom da Roland e os pianos do FP4F são para mim máquinas incríveis, uma revolução no quesito sonoridade real.

30) RM: Apresente a sua família musical (pai, tios, tias, primos,etc) que são profissionais da música?

Max Pianura: Minha família paterna tem um dom nato da parte de Deus para a música, pois todos tocam. Meu avô, falecido Alfredo era um saxofonista incrível e regente da banda militar de Vitória – Espírito Santo, minha avó Margarida Miguel era regente das irmãs na igreja Assembléia de Deus. Deste casal musical nasceu minha maior referência musical, meu pai Robson Miguel que é multi instrumentista, mas atua mais como violonista na qual é considerada uma das maiores autoridades quando o assunto é violão. Suas irmãs: Alcidéa Miguel, Margareth Miguel, Regina Miguel, Cely Miguel, são cantoras excepcionais e instrumentistas também. Rogério Miguel, meu tio é arranjador, produtor musical e multi instrumentista também. Todos os primos paternos nasceram com o dom da música, tocam algum instrumento e cantam. Minha família dá uma bela orquestra não é?

31) RM: Quais os motivos para você não usar o sobrenome Miguel no seu nome artístico?

Max Pianura: Pois é, porém o destino me pregou uma peça, pois meu nome completo é Max William Pianura Miguel e o Pianura vem de minha mãe que se chama Janete Pianura e é de pele clara e descendente italiana. Pianura (que significa planície) é derivação da palavra piano (que significa plano), não é uma grande coincidência ter esse sobrenome? Escolhi Max Pianura por ter essa relação com o meu instrumento principal.

32) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com seu pai Robson Miguel?

Max Pianura: Meu pai é meu amigo, meu tutor e meu cúmplice musical e também na vida. Trabalhei com ele em diversos projetos, como no DVD – “O Mestre do Violão” gravado no Teatro Municipal de Santo André com orquestra, no DVD – “Amo Ribeirão Pires” gravado com banda, e no DVD – ”A volta ao Mundo em 6 cordas” gravado no Estância Alto da Serra – SP. Fora minhas participações em shows e televisões.

33) RM: Quais os prós e contras de ter um pai (Robson Miguel) bem sucedido e conhecido na carreira musical e uma referência no Violão?

Max Pianura: Ter um pai que é maestro, multi instrumentista, muito conhecido e respeitado mundialmente traz uma responsabilidade pessoal e também uma expectativa das pessoas que me conhecem. Mas em contrapartida isso também me dá um aval importante diante das pessoas como músico, fora ter a oportunidade de aprender muito com meu pai em diversos aspectos musicais.

33) RM: Quais as influências musicais e como instrumentista você herdou do seu pai (Robson Miguel)?

Max Pianura: Muitas influências como a Educação Musical, tanto técnica como também da história e linguagem musical. Meu pai sempre me ensinou a paixão pela cultura musical brasileira, o respeito aos músicos que estão começando, que muitos nos consultam, mas a principal é a persistência na carreira musical (risos), que embora seja prazerosa a carreira musical, tem também seus altos e baixos.

34) RM: Quais os motivos para não se dedicar ao Violão?

Max Pianura: Me dedico também ao Violão, embora não seja meu instrumento linha de frente. Estudei Violão Clássico e Popular, toco desde obras de Bach a Beatles (risos). Mas preferi usar o Piano e o Teclado porque é um instrumento mais abrangente. O Piano tem 88 teclas, uma maior extensão que me deixa mais à vontade para elaboração de arranjos. E o Teclado tem uma infinidade de timbres que possibilita a versatilidade do músico.

35) RM: Quais os instrumentos que você toca?

Max Pianura: Violão, Guitarra, Contrabaixo, Cavaquinho, Bandolim, Violino, Piano, Teclado, Acordeom, Gaita. E percussão e bateria eu estudei por menos tempo, mas consigo me virar. Tinha um colega que dizia que eu queria montar uma orquestra sozinho. Eu aproveitei muito a oportunidade que tinha para estudar bastante todos estes instrumentos.

36) RM: Você estudou técnica vocal? Qual a importância do estudo da técnica vocal?

Max Pianura: Estudei sim. Fiz canto popular e estudei o canto por música. A maioria se arrisca a não estudar técnica vocal por achar que por cantar afinado e ter uma bela voz já basta, mas isso não é verdade. O estudo da técnica vocal educa a respiração, o controle, a impostação, o autoconhecimento do seu aparelho vocal e ajuda a prevenir problemas que podem ocorrer pelo uso frequente da voz. Não é simples assim, os cantores usam a voz por horas e às vezes todos os dias, por isso, muitos cantores (as) tem problemas nas cordas vocais que às vezes necessitam de intervenção cirúrgica.

37) RM: Quais os pros e contras de ser professor de música?

Max Pianura: O lado bom é a satisfação de vê uma pessoa que ninguém aposta se superando e aumentando o conhecimento e a estima. Tive a oportunidade de ensinar muita gente que hoje é sucesso e isso me enche de orgulho e satisfação. O lado ruim é que hoje não só a música, mas tudo o que é arte, tem sido tratado por muitos como descartável por falta de incentivo público. A arte, a cultura, precisa ser estimulada a começar pelo setor público, pois assim, os futuros artistas vão se dedicar mais e vão dar mais valor.

38) RM: Quais as características para ser um bom professor de música?

Max Pianura: Ter vocação, paciência, criatividade e acreditar em seus discípulos. Você acreditar e mostrar isso ao seu aluno é o maior incentivo que você pode lhe dar e assim ele vai perseverar.

39) RM: Quais os seus projetos futuros?

Max Pianura: Eu estou gravando meu primeiro CD autoral, com muita brasilidade e também inovações musicais (segredo). E nisso, estou muito entusiasmado com toda a qualidade. A música carro chefe do CD é o mesmo título que coloquei neste álbum, “Demais”, na qual é uma composição que fiz para minha mulher, me expressando como é demais um relacionamento sincero. Em outra composição, com a parceria do Pedrinho Agi, eu também conto a história desse relacionamento até o desfecho com o nascimento da minha filha Luanna. Como tenho uma personalidade um pouco sarcástica, eu gravei músicas com certo teor de humor contando histórias que todos em algum momento irão se identificar. Então, meu projeto é levar este trabalho adiante na qual estou esperançoso que ele possa influenciar essa geração não só na música, mas também nos valores como família e amizade.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Max Pianura: (11) 94319-5198 |  http://maxpianura.wix.com/max-pianura | [email protected] | www.facebook.com/max.pianura

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.