Mateus Starling

Mateus Starling 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 10 minutos

Mateus Starling plays Daniel Figueiredo é o novo projeto do guitarrista Mateus Starling que conta com um time de músicos incríveis que interpretam 10 temas compostos por Daniel Figueiredo. Grande parte destes temas foram aberturas de novelas da Rede Record com tremendo sucesso de público, tal como “Jesus”, “Os 10 mandamentos” e “Apocalipse”, todos estes temas foram arranjados pelo quarteto para o estilo fusion, que é a fusão do jazz com o rock, funk e outros estilos, inclusive ritmos brasileiros.

O quarteto é composto por Mateus Starling na guitarra, Estevão Lima no Contrabaixo, Kleyton Martins no Teclado e Tiago de Souza na Bateria. Mateus Starling formou-se na Berklee College of Music de Boston no ano de 2008 e este é o quarto álbum solo do músico.

Mateus Starling foi citado pelas principais revistas e sites especializados em música do mundo, sendo capa de importantes revistas do segmento. É considerado um guitarrista com uma identidade própria que une lirismo e acidez em seus improvisos.

Starling vem se apresentando no Brasil com o Mateus Starling quarteto e nesse projeto já passaram grandes músicos como: Pascoal Meirelles, Josué Lopes, Zazá Desidério, Lúcio Vieira, Júlio Merlino, Berval Moraes, Kleyton Martins, Estevão Lima e Tiago de Souza. Entre muitos projetos com outros músicos consagrados, gravou o CD – “Guitar Project” do baterista Pascoal Meirelles, sendo um dos solistas ao lado de outros grandes nomes da guitarra internacional como Nelson Faria, Leo Amoedo, Alexandre Carvalho e outros.

Teve a oportunidade de repartir o palco com grandes instrumentistas como: Maurso Senise, Marcelo Martins, Xande Figueiredo, Fernando Trocado, Altair Martins, Nivaldo Ornelas, Daniel Garcia, Sergio Barroso, Ney Conceição, Chico Chagas, Renato Massa Calmon, Marcos Kinder, Rogerio dy Castro, George Oliveira, Cliff Korman, Tiger Okoshi e outros.

Atualmente ministra suas classes exclusivamente na Starling Academy of Music é coordenador e idealizador didático. Você pode acompanhar o lançamento do trabalho Mateus Starling plays Daniel Figueiredo através do canal do Youtube do Mateus Starling que tem mais de 32 mil inscritos e vídeos semanais. O CD está sendo lançado em mídia física com edição comemorativa, songbook e pendrive com os playbacks, também na versão streaming.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Mateus Starling para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.05.2019:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Mateus Starling: Nasci no dia 10.05.1979 em Cabo Frio – RJ.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Mateus Starling: Comecei no Violão aos 12 anos de idade tocando um estilo de música bem distante do que toco agora, mas voltado, nesse inicio, ao rock pesado. Apaixonei-me pela música e com 16 anos já estava tocando profissionalmente.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Mateus Starling: Aos 17 anos de idade entrei na Faculdade de Direito, meio que como um plano B caso a música não desse certo. Só depois que terminei o curso de Direito fui cursar música na Faculdade.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Mateus Starling: Comecei tocando em banda de rock heavy metal e hoje não me identifico mais com este tipo de som, apesar de ser bem aberto a todas as sonoridades, só deixei de ter interesse em pesquisar e continuar ouvindo este estilo, mas eu ouço e analiso desde música atonal até o jazz experimental.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Mateus Starling: Comecei em Cabo Frio – RJ em 1990 com bandas autorais e acompanhando artistas da minha região.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Mateus Starling: Em 2008 CD – “Kairos”. Em 2011 CD – “Free Fusion”.

Em 2015 CD – “Free Form”. Em 2018 CD – Mateus Starling plays Daniel Figueiredo. Tirando meu primeiro álbum que foi gravado no exterior com músicos estrangeiros, os outros trabalhos contaram basicamente com Berval Moraes no Contrabaixo, Lúcio Vieira na Bateria e Júlio Merlino no Sax. Este último disco participaram Estevão Lima no Contrabaixo, Tiago de Souza na Bateria e Kelyton Martins no Teclado. Destaco a música “TIGRES” que em poucas semanas o clipe no youtube já estava com quase 10 mil views, o que é um grande número para música instrumental nacional.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Mateus Starling: Jazz-rock-fusion. Tem muita coisa experimental e aberta na sonoridade, todos os álbuns são gravados ao vivo para privilegiar a interação dos músicos e os improvisos.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Mateus Starling: Muito variado, pode iniciar com uma melodia, com uma progressão harmônica (acordes) ou através de um groove ou riff de guitarra. Depende da concepção de cada álbum.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Mateus Starling: Sempre componho sozinho e trago a música pronta para banda, excepcionalmente toco livremente com a banda e componho com a ajuda de todos.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Mateus Starling: No meu nicho musical eu percebo que é o único caminho, portanto, nunca estive em uma gravadora. Sempre fui muito empreendedor na minha carreira musical e hoje conto com uma equipe que trabalha comigo na carreira musical e na escola.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Mateus Starling: Minha mídia é 100% digital, posto quase que diariamente de forma programada com a ajuda de aplicativos, portanto, existe uma estratégia de lançamento de singles, posts explicativos e engajadores, não é uma estratégia complexa, mas muito bem programada dentro do meu nicho de atuação, falando muito especificamente para um público mais sofisticado musicalmente.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Mateus Starling: Como citei anteriormente, tudo dentro das mídias digitais, mas meu principal veículo é o youtube em que posto semanalmente vídeos de dicas e também vídeos de performance.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Mateus Starling: Só vejo ganho. É um espaço democrático, gratuito em que todos estão, portanto, não tem como deixar de estar ali.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Mateus Starling: Praticidade e poder gravar em pequenas etapas, sem custo, enfim é uma grande revolução.

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Mateus Starling: Acredito que seja a combinação de ser um artista verdadeiro, com diferencial dentro do nicho musical, combinado com estratégia de marketing e paciência para sair e apresentar o som no mundo real também, que nunca deixará de ser importante. Às vezes as pessoas ficam unicamente no virtual, mas esquecem do olho do olho.

16) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Mateus Starling: Tem muita gente boa no mundo. A música não para e não morre. No Brasil tem desde Maria Gadú, banda OutroEu, que inclusive são alunos da escola, guitarristas como Julian Lage, Mateus Asato, enfim, tem muita coisa boa. Não sei se algum artista regrediu, mas acredito que o mainstream brasileiro basicamente se tornou uma cena de entretenimento, a MPB perdeu este espaço e hoje esta num nicho mais limitado.

17) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Mateus Starling: Eu não curto as músicas e nem as atitudes da cantora Anita,  mas ela é uma artista com mentalidade empreendedora, cuida da carreira como uma empresa, cuidando de cada um dos detalhes, forma equipe e consegue expandir em função desta mentalidade, então, por mais que não seja uma artista musicalmente interessante, ela esta certa na mentalidade empreendedora. Ela esta no mainstream, mas não está precisando de uma babá para que a carreira dela dê certo, portanto, vejo que essa é a realidade basicamente para todos os nichos, o artista precisa multitarefa e proativo.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Mateus Starling: Já fui tocar numa cidade do interior e quando chegamos ao local não tinha tomada; o contratante sequer tinha noção de que os instrumentos eram elétricos. As furadas são muitas, mas essa me marcou muito.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Mateus Starling: Difícil falar sobre isso porque acredito que a gente entra na música com uma percepção muito romântica e pouco pragmática. O mundo real não é aquele que idealizamos aos 14, 15 anos de idade. A gente acaba se frustrando, mas não podemos deixar que o fogo do artista, aquilo que é mais subjetivo e romântico se perca. Não vejo como o que me deixa feliz ou triste, mas sim em ser persistente e manter o foco independentemente dos obstáculos.

 20) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Mateus Starling: Não enfrento isso dentro do meu nicho musical, que definitivamente não encontra espaço na rádio por ser música instrumental, portanto, o espaço de mídia do meu nicho acaba sendo unicamente a internet e plataformas de streaming.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Mateus Starling: Digo para acreditar e se é a sua vocação, seja forte e estude muito sobre música e sobre o mercado musical. E que seja um artista completo, com qualidade artística, mas também com uma mentalidade empreendedora.

22) RM: Quais os guitarristas que você admira?

Mateus Starling: Hoje em dia, depois de anos tocando e escutando música, eu diria que são milhares de guitarristas e não somente guitarristas, inclusive, eu me sinto mais influenciado por instrumentistas que não são guitarristas tal como pianistas e instrumentistas de sopro. Se eu precisar citar alguns nomes da guitarra eu diria: Helio Delmiro, John Scofield, Bill Frisell, Wayne Krantz e etc.

23) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

Mateus Starling: O meu preferido é Arnold Shoenberg e a sua contribuição na música Atonal e o Dodecafonismo.

24) RM: Quais os compositores populares que você admira?

Mateus Starling: Muitos. O que mais ouvi ao longo da minha vida foi o Djavan, de tocar toda a discografia, mas também Tom Jobim (Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nascido no Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 e falecido em Nova Iorque – EUA em 08 de dezembro de 1994), Edu Lobo, Ivan Lins, João Donato e compositores americanos cujas músicas estão no real book tal como Duke Ellington, Victor Young, Wayne Shorter e Miles Davis.

25) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Mateus Starling: Os que eu citei anteriormente e muitos outros mais contemporâneos tal como Milton Nascimento, Moska, Toninho Horta, Lô Borges e etc.

26) RM: Nos apresente seus métodos de Guitarra?

Mateus Starling: Hoje meu foco principal é Starling Academy of Music que é localizada fisicamente no Rio de Janeiro, no bairro da Barra da Tijuca, mas temos o curso no formato EAD (Ensino a Distância) onde você tem acesso às principais aulas da nossa escola, que ficam disponibilizadas na plataforma da Escola Virtual. Os alunos virtuais podem ver e rever o conteúdo em qualquer momento, 24 horas por dia. Tudo organizado de forma cronológica, além disso, o aluno tem acesso a todas as minhas 100 vídeos aulas que lancei ao longo de oito anos. A escola conta também com o apoio da Berklee College of Music, incluindo no nosso curso as classes de preparação para a audição da Berklee, que é realizada anualmente no Rio de Janeiro na nossa escola. Hoje em dia meu foco é 100%: www.StarlingAcademy.com.br/virtual

27) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Guitarrista?

Mateus Starling: O aluno pode tanto optar por um caminho dentro da proficiência, uma formação musical completa de harmonia, percepção, improvisação e a guitarra e estar apto a tocar estilos diferentes ou pode optar por uma formação mais específica, isso depende muito do foco de cada um, mas na nossa escola, definitivamente nosso foco é a proficiência.

28) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de Guitarra?

Mateus Starling: Ansiedade. Hoje tem muito conteúdo, muita informação, mas se isso não vem de forma organizada acaba se traduzindo em ansiedade, portanto, lembre-se dos três Cs do aprendizado: Conteúdo, Cronograma e Continuidade.

29) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Mateus Starling: A falta da combinação de cronograma com conteúdo de forma esmiuçada e principalmente voltada a transformar as ferramentas em música, pois no fim tudo precisa ser música, se não é burocracia.

30) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Mateus Starling: Existe inteligência musical, tal como existe inteligência matemática, corporal e etc, mas não creio que isso seja o principal ponto para que alguém se torne um expert, mas sim o estudo deliberado. Recomendo para os interessados, dois livros: Peak do Anders Erickson e mindset da Carol Dweck.

31) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Mateus Starling: Compor em tempo real, usando todo o background musical e cultural que você possui. Acredito que o que tocamos é um resumo do que ouvimos, do que praticamos e do que vivemos culturalmente.

32) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Mateus Starling: O problema é fomentar algo que não se torne música, no fim das contas tudo o que você aprende deve agir no desenvolvimento da musicalidade, por isso eu falo tanto sobre desenvolvimento de motivos e do fraseado.

33) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Mateus Starling: Existe sim. Tocamos o que estudamos; o que ouvimos e o que vivemos. Um estudo burocrático ou muito voltado para frases prontas, o improviso soará mais dentro desta proposta. Algumas pessoas lidam bem com o estudo de licks prontos e conseguem fazer música com isso. É complicado falar se isso é bom ou ruim, mas para o que funciona melhor é estudar para buscar uma liberdade na hora de tocar.

34) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Mateus Starling: Acho importante um estudo de harmonia funcional tal como é a metodologia consagrada da escola Berklee que basicamente esta voltada a analise das harmonias da música popular do Brasil e do jazz americano. Mas se pode ir além disso, mas creio que os 4 volumes da Berklee são um ótimo começo. Usamos esta metodologia na nossa escola de harmonia e percepção.

35) RM: Quais os métodos que você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Mateus Starling: Eu estudo o BERKLEE – MÉTODO MODERNO PARA GUITARRA – Vol. 1, 2, 3,4 – William Leavitt.

36) RM: Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Mateus Starling: Basta praticar de forma deliberada e ter bastante conteúdo variado para não memorizar as peças. O ideal seria trabalhar pelo menos 1 hora por dia por alguns anos para ter fluência.

37) RM: Você fez o curso na Berklee College nos EUA? Como foi essa experiência?

Mateus Starling: Foi o grande divisor de águas na minha carreira musical. Eu já era músico profissional, tinha 25 anos de idade (formei-me na Berklee College of Music de Boston – EUA em 2008) e já fui com uma boa maturidade musical e também de vida. Hoje somos parceiros, todos os anos eles vem duas em nossa escola no Rio Janeiro com workshops e com as audições de bolsas de estudos.

38) RM: Quais os seus projetos futuros?

Mateus Starling: Continuar expandido os projetos da escola presencial e virtual e minha carreira solo, hoje já com 4 álbuns lançados, então cada dia mais concretizar minha carreira como didática e instrumentista.

39) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Mateus Starling: [email protected] |  www.mateusstarling.com.br | Canal do Youtube:  https://www.youtube.com/user/isaacstarling

 

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.