Maskavo

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Maskavo
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A história da banda Maskavo começa em Brasília-DF, onde os membros se conheceram e da amizade começamos a banda influenciados pelo reggae.

No ano 2000 caíram com tudo na carreira para realizar o sonho de viver da própria música e se montaram uma base em São Paulo. Começaram elaborar as ideias e a transformar em ritmos, letras e melodias. O guitarrista Prata está na banda desde os primórdios, o vocalista Marceleza entrou em 1999 e em 2005 o tecladista Felipe Passos entrou pra participar da gravação do DVD Transe Acústico.

Os integrantes mais novos são os News Kids: Vini Gomes na bateria, Rodrigo Celestino no baixo e Nato Marolado na percussão.

Segue abaixo entrevista exclusiva com a banda Maskavo para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistados por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 18.12.2017:

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da banda Maskavo?

Prata: Maskavo nasceu em Brasília-DF, mas temos membros nascidos em vários lugares. O fundador da banda, o guitarrista Prata é de Erechim-RS e nasceu no dia 15/08/1972. O vocalista Marceleza é de Sobradinho-DF e nasceu no dia 23/06/1978.  O tecladista Felipe Passos é São Paulo-SP nasceu no dia 19/05/1977. O baixista Rodrigo Celestino é de São Bernardo do Campo – SP nasceu no dia 12/12/1982. O percussionista Nato Marolado é de Guarulhos-SP nasceu dia 27/02/1985. O baterista Vini Gomes é São Bernardo do Campo – SP nasceu no dia 20/10/1984.

02) RM: Como foi o primeiro contato dos membros da banda com a música?

Prata: Na adolescência, em Brasília, na época a capital estava despontando com várias bandas no cenário nacional como Legião Urbana por exemplo.

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda?

Prata: Os integrantes atuais do Maskavo são praticamente músicos natos, aprenderam tudo de ouvido, tirando as músicas do estilo preferido.

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda? Quais deixaram de ter importância?

Prata: O reggae e todo esse movimento é o que mantém o grupo unido e principal influência. Fora o reggae e todas as suas vertentes o integrantes curtem rock e música brasileira.

05) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome da banda?

Prata: O Maskavo começou em Brasília-DF nos anos 1990 através da amizade dos integrantes e do sonho de viver da própria música. A época também foi bastante propicia ao surgimento do grupo. Em Brasília e no Brasil já existia um movimento de música em que o rock teve um grande momento nos anos 80. A nossa geração acompanhou o surgimento de Legião Urbana, Plebe Rube e Capital Inicial, que saíram de Brasília e conquistaram seu espaço no cenário musical. O pessoal da cidade então se motivou em criar suas próprias bandas e tentar a carreira, além do que Brasília era uma cidade com poucas opções de entretenimento. E a molecada formava bandas pra ter o que fazer nos finais de semana.  O nome Maskavo vem da mistura de palavras: mascavo, o açúcar, e do Ska, ritmo jamaicano pai do reggae. Fizemos o trocadilho e ficou Maskavo. Antes do ano 2000 era Maskavo Roots.

06) RM: Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que você acha que caíram no gosto do seu público?

Prata: No total foram lançados 9 CDs, sendo 2 DVDs. Nossas músicas mais conhecidas são: “UM ANJO DO CÉU”, “ASAS”, “QUERO VER”, “FOLHAS SECAS”, “MAIS LINDA”, “MARIA OU JOANA”, dentre mais um monte.

07) RM: Como define o estilo musical da banda dentro da cena reggae?

Prata: Acho que o mais correto seria comentarmos que o Maskavo é uma banda de pop reggae, gostamos muito do estilo reggae roots. Mas o que criamos com naturalidade tem um lado reggae popular. Atraímos um público mais eclético apesar de ser um público jovem.

08) RM: Marceleza, como você se define como cantor/intérprete dentro da cena reggae?

Prata: O Maskavo é uma banda brasileira que toca reggae e tem liberdade pra misturar e usar ritmos brasileiros e alguma coisa de rock. Podemos também dizer que o Maskavo é uma banda que fala de amor, de positividade.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Prata: Vou falar dos artistas que mais influenciaram a banda, temos que citar Bob Marley & The Wailers, Gilberto Gil, Titãs, Paralamas, UB40.

10) RM: Como é o processo de composição musical dentro da banda? Quem faz a letra e melodia?

Prata: Todos ajudam um pouco nos arranjos. Na parte de letra e melodias acontecem algumas parcerias dentro da banda. Temos guitarrista Prata que atua bastante na composição das letras e melodias, e seu principal parceiro é o tecladista Felipe Passos.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Prata: No momento em que está a economia e o mercado fonográfico os artistas precisam se envolver em todas as etapas da construção e desenvolvimento da carreira. Antigamente o cara só trabalhava nas músicas, hoje o artista precisa planejar os shows, o marketing das redes sociais e se envolver nas planilhas e controlar o caixa da banda. O lado bom é que o artista faz o que quiser da própria música. Mas trabalho junto com o empresário é primordial na condução da carreira. As gravadoras hoje são as distribuidoras da música.

12) RM : Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Prata: Precisamos estar bastante ativos nas redes sociais, temos nosso site oficial onde divulgamos nossa agenda de shows e arquivamos toda nossa discografia. Mantemos nossas fanpages no facebook, instagram, twitter, soundcloud, spotify, deezer… e por ai vai. Sentimos a necessidade de está sempre postando, as redes sociais são nosso contato com fãs e contratantes. Temos também assessoria de TV, precisamos aumentar nossa presença na televisão. As rádios disputam o espaço com as redes sociais, mas acredito que hoje aquela coisa de pagar jabá para tocar diminuiu muito.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Prata: A internet ajuda numa rápida comunicação diária com a base de fãs e seguidores. Conseguimos divulgar em nossas redes sociais tudo o que estamos fazendo, tanto em termos de divulgação das nossas músicas, divulgação dos shows e curiosidades sobre o que acontece nos bastidores. Outro ponto importante é que conseguimos nos comunicar e trocar informações com as pessoas sobre os assuntos mais variados.

14) RM: Como vocês analisam o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Prata: O reggae começou a ganhar força nos anos 90 quando uma nova geração conheceu o trabalho do maior ídolo do gênero, o cantor Bob Marley. Com isso um leque de artistas originários da mesma ilha, a Jamaica, foi descoberto pelo público. A partir desse momento bandas influenciados pelo reggae foram formadas. A grande explosão do reggae no Brasil foi no começo dos anos 2000. Bandas como Tribo de Jah, Natiruts, Planta & Raiz e até nós do Maskavo, conquistamos nosso espaço. Logo na sequencia vieram Chimarruts, Edu Ribeiro, Armandinho, Ponto de Equilíbrio. A banda mais recente a conquistar um grande espaço é o Maneva. Espero não ter esquecido nenhuma banda. Atualmente o reggae já encontra algumas vertentes, no começo era o chamado reggae roots, reggae de raiz e os fãs eram bem ortodoxos, atualmente podemos falar do New Roots, do Dub e do reggae brasileiro também.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (Home Studio)?

Prata: Um home estúdio ajuda muito as bandas iniciantes que não tem recursos pra pagar o preço dos grandes estúdios. Os criadores de música tem mais acesso à tecnologia gastando menos. Isso aumentou muito a produção musical, mas aumentou também a concorrência!

16) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Prata: Podemos falar de algumas bandas que estão em bons momentos e comentamos muito entre nós. O Natiruts é uma banda que cresceu bastante, o Maneva também passa por um bom momento. Observamos as bandas do nosso segmento pra sabermos o que estão fazendo, e quando rola de dividir o palco sempre trocamos figurinhas. A Tribo de Jah influenciou o Maskavo em vários momentos também.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Prata: Uma vez fomos tocar em Santos – SP nós estávamos no avião e nosso equipamento vindo do show no dia anterior no caminhão. Por uma infelicidade do destino nossos instrumentos não chegaram, ai bateu aquele pavor. Ligamos de última hora para vários amigos da música, mas estavam todos tocando. Então uma banda de Santos, a banda do Heitor, que foi baixista do Charlie Brown Jr. emprestou as guitarras, baixo e bateria pra tocarmos. Ficamos muito felizes com eles, salvaram a pátria.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Prata: O mais legal é o momento em que estamos no palco, a troca e vibração com a plateia é viciante, acho que essa energia é o alimento do músico e o que nos motiva a estar a tanto tempo tocando. Quando lançamos uma música nova também é bastante impactante, vê a galera interagindo com o som novo e as primeiras reações também. A parte mais chata é o lado financeiro da coisa, na hora dos pagamentos e recebimentos, essa é realmente o que mais incomoda. Às vezes precisamos abrir mão de alguns cachês em trocar de favores. Claro que precisamos pensar um pouco como empresários, mas é bem difícil, pois somos artistas e vivemos das nossas músicas, esse lado é bem complicado. Começamos na música pelo simples prazer de tocar, mas com uma carreira precisamos lidar com a coisa do dinheiro.

19) RM: Quais os cantores, cantoras e bandas que gravaram as suas canções?

Prata: Temos músicas regravadas pelo Pato Fu (Tempestade), pelo Skank (Rsf…até de manhã). Mas a nossa canção mais regravada e executada nas rádios por inúmeros artistas é a “UM ANJO DO CÉU”, a primeira regravação foi do grupo Rastapé, logo na sequencia foi a Lisa Ono, uma artista brasileira com carreira no Japão. Algumas duplas sertanejas já fizeram suas versões também.

20) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Prata: Atualmente as rádios mudaram bastante o perfil de execução de músicas, principalmente as músicas brasileiras. O que se tem falado muito é de jabá nas redes sociais, o facebook, instagram e youtube tem todo um relacionamento com bandas e gravadoras, em que é pago um valor para que a música seja tocada massivamente nas programações das rádios e alcance um maior número de pessoas.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Prata: Primeira mente precisa gostar muito do que faz ter muitos sonhos na cabeça e principalmente está preparado pra trabalhar e ralar muito. Nesse meio você precisa ter muita paciência, pois vai esperar bastante, e é preciso muito planejamento. Eu penso que alguém nessa carreira; se formos falar matematicamente, vai precisar de 20% de talento e 80% de esforço, sendo que no fator talento a pessoa precisar ter muito talento. Resumindo, talento é fundamental e o envolvimento e esforço precisam ser muito maiores que o talento.

22) RM: Como vocês analisam a relação que se faz da música reggae com o uso da maconha?

Prata: O uso da maconha é de uma religião jamaicana, e foi lá onde foi criado o ritmo reggae. O reggae é filho do Ska, e o Ska é filho do rocksteady, que é parente do rock e do blues. O uso da maconha entre os músicos jamaicanos contribuiu para que a música feita por ele ficasse mais lenta e mais leve e espacial.

23) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafari?

Prata: O vocalista e o percussionista do Maskavo usam dreads, mas não chegam ser adeptos ao rastafari, a influência do cristianismo no Brasil é muito forte e a religião rastafari é bem difundida, mas há muito que ser aprendido com eles.

24) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Prata: Acho que tem a ver com os modismos e o surgimento de novos artistas pra renovar a cena. É certo também que a situação econômica também influência no gosto popular. O modismo é sazonal, dura um tempo, cresce, encolhe, voltam a crescer, e é meio difícil prever o que pode acontecer. O fato é que estamos passando por uma onda de música sertaneja no país, com letras falando muito de noitadas e bebedeiras. Estão dizendo que o rock está começando a reagir, e o reggae sempre foi muito bem com o rock.

25) RM: Vocês já fizeram em cima de algum Riddim já conhecido uma letra e uma linha melódica diferente?

Prata: Não, ainda não usamos o riddim. Como temos uma banda completa, com os instrumentos necessários de uma banda, preparamos os arranjos nesse modelo baixo, guitarra, bateria e teclado. Quem sabe um dia quem sabe experimentemos em algum dos nossos discos para termos possibilidade novas.

26) RM: Vocês acrescentam e excluem arranjos de um Riddim já conhecido?

Prata: Ainda não fizemos essa experimentação. Já vimos artistas amigos fazerem, mas como gostamos tanto de criar e produzir nós fazemos nossas próprias bases.

27) RM: Quais os prós e contras de fazer um show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Prata: Já fizemos algumas poucas vezes esse formato de show, foi coisa rápida, com duas ou três músicas, participando de evento de rádio. É meio esquisito tocar com o instrumento desligado. O cantor faz o trabalho normalmente, mas os demais integrantes ficam como atores. Tudo em nome da divulgação.

28) RM: Vocês já atuaram como “Banda de Apoio” para algum artista?

Prata: Não, ainda não, tocamos exclusivamente nossa música, mas se um dia rolar um convite quem sabe.

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

Prata: Estamos preparando um novo single e vamos lançar junto com o videoclipe. Depois vamos lançar o disco todo e na sequência planejar o próximo DVD ao vivo.

30) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Prata: (21) 98202 – 8919 | www.maskavo.com.br | [email protected] | www.facebook.com/maskavooficial | www.instagram.com/maskavooficial | www.twitter.com/maskavo

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.