Marrone Recarregue

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Marrone Recarregue
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O músico, compositor e vocalista Marrone Recarregue apresenta um repertório que contagia o público com uma energia positiva, numa fusão do Reggae com o Rock.

Iniciou a sua carreira de músico cedo, participando da banda “KMD5”, junto com Lauro Farias, atual baixista do O Rappa e Dida Nascimento, vocalista, guitarrista e atual presidente do Centro Cultura Donana. Marrone tem carreira marcante, que começou na infância e como um sonho virou realidade. Ele uniu a paixão pelo reggae com os questionamentos sobre a atual condição da cultura no país. A banda “KMD5” virou “Negril”. Marrone Recarregue gravou dois CDs, depois de algumas turnês, cada integrante da banda desenvolveram os seus projetos pessoais.

Com uma nova inspiração e um repertório autoral, MARRONE apresenta um som de paz, amor, reflexão e valorização da cultura da Baixada Fluminense pro Mundo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marrone Recarregue para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.02.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Marrone Recarregue: Nasci no dia 17 de Setembro de 1965 em Nova Iguaçu (RJ). Registrado como Márcio Marrone.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música.

Marrone Recarregue: Na minha infância, participava de um grupo de coral infantil na igreja e ficava fascinado com o som do Acordeon. Fiquei tão apaixonado, que pedi minha mãe para comprar um para mim. Venho de família humilde e ela não teve condições. Então, fiquei doente. Melhorei quando consegui uma acordeon de 8 baixos da Hering.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Marrone Recarregue: Cursei Canto no Villa Lobos, Centro do Rio de Janeiro. E Piano básico na Faculdade Estácio de Sá, Rio Comprido – Centro do Rio de Janeiro. Concomitantemente, eu cursava Letras na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Optei em concluir Bacharelado em Letras Português-Alemão.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Marrone Recarregue: Canções clássicas gospel, Beatles, Chuck Brown, MPB, Reggae e suas vertentes. Nenhuma influência musical deixou de ser importante.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Marrone Recarregue: Na minha adolescência, aos 15 anos de idade, resolvi montar uma banda chamada “Desaguada”, junto com Dida Nascimento, Lauro Farias, Tácio Farias, Rose e Lídia Farias, Ana Cristina Nascimento, para participar de um grande Festival de Música na igreja Católica no bairro de Heliópolis, município de Belford Roxo, no final dos anos 80. Com o primeiro lugar no Festival, a banda trocou de nome para “KMD5” e começou a preparar um repertório musical. E toquei Teclado no inicio do grupo de RAP Nocaute com Nino RAP e Eddi MC.

06) RM: Quantos discos lançados?

Marrone Recarregue: Na Banda “KMD5”, gravei o primeiro single “Adere-ô”. Bastante tocada na Rádio Fluminense FM. A banda posteriormente passou a se chamar “Negril”, sugerida pelo jornalista Carlos Albuquerque. Gravei dois CDs intitulados ”Banda Negril” e ”A outra margem do rio”, produzida pelo cantor, compositor, guitarrista, produtor e líder da banda Paralamas do Sucesso, Herbert Viana.

07) RM: Como você define o seu estilo musical dentro da cena reggae?

Marrone Recarregue: O Reggae tem suas vertentes. Minha linha é Reggae and Roll. Fusão do Rock pesado com as batidas Roots com o Baixo e bateria “na cara”!

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Marrone Recarregue: Voz única! Diferente… Melodias ricas e ritmadas. Necessário ter um ouvido atento a novidades.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Marrone Recarregue: Bob Marley, Steel Pulse, O Rappa, Paralamas do Sucesso e Conkarah e Rosie Delmah

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Marrone Recarregue: Tenho composições com parceiros que passaram pelo “KMD5” e “Negril”. Atualmente, transformo poesias em música. Minha esposa Fabiana cria poemas e eu crio melodia e transformo em canções.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Marrone Recarregue: Liberdade de escolher a forma de desenvolvimento de seu trabalho. Plataformas, linha própria, sem se preocupar com o apelo fonográfico mercadológico. Em contrapartida, são necessárias parcerias que valorizem e reconheçam o trabalho autoral. Não é fácil a divulgação, produção e apresentação, pois há uma ausência de espaços culturais alternativos.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Marrone Recarregue: Redes Sociais, plataformas e rádios alternativas, divulgação de vídeo clipes, além de shows promocionais.

13) RM: O que a Internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira?

Marrone Recarregue: Na propagação do trabalho musical, a Internet contribui e muito com o desenvolvimento da minha carreira. O fato de ter uma gama de informações artísticas e poucos investimentos para os artistas alternativos existe uma lacuna entre o real e o virtual. O que de fato se pode chamar de resultado bem sucedido ou uma impressão de sucesso efêmero!

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Marrone Recarregue: O Reggae poderia estar bem mais sólido no cenário musical do Brasil. “KMD5” (Negril) e Lumiar (Cidade Negra) deveriam ser as bandas precursoras, que levariam novas bandas a fim de solidificar o movimento cultural na Baixada Fluminense. Ao deixar a banda “KMD5”, Marcelo Yuka, o baterista do Rappa, leva também o baixista Lauro Farias para compor a família O Rappa, levando uma parte das influências da pulsação do som.

Assim como acontece na Bahia, a Baixada Fluminense poderia estar mais bem representada no cenário artístico cultural, se houvesse mais parcerias coletivas. Em duas décadas, muitas bandas nasceram, cresceram e desapareceram. Há uma avalanche de artistas sensacionais. A Baixada Fluminense continua sendo um grande celeiro musical. Talentos escondidos! Creio que se houvesse no calendário anual um Festival de Bandas de Reggae representado pela Baixada Fluminense, o movimento estaria muito superior.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (Home Studio)? 

Marrone Recarregue: A rapidez com os programas digitais facilita o tempo gasto no Estúdio, que são quesitos essenciais na criação. Eu crio uma composição, gravo e apresento. Antes, eu teria que gravar numa fita K7 (risos), elaborar os arranjos, escrever, ensaiar, preparar a canção ensaiar mais e finalmente; gastar uma grana para apresentar uma música aos padrões fonográficos. Em compensação, ficou muito fácil produzir canções relâmpagos com intuito de garantir um retorno financeiro mercadológico.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Marrone Recarregue: O Rappa, Paralamas do Sucesso, Cidade Negra, Seu Jorge, Natiruts e atento a novos artistas que já agradam ao público brasileiro.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Marrone Recarregue: Uma foi quando a banda “KMD5” foi se apresentar no Circo Voador e eu, Marrone Recarregue saí da van e pedi, Juçá? A “KMD5” chegou.  Em plena terça –feira, houve um movimento lindo com várias bandas de Reggae e o Circo Voador ficou lotado! O público queria conhecer quais eram os novos talentos. No dia seguinte, lá estava eu… no escritório do Circo Voador para buscar meu cabo de Teclado, que havia esquecido no palco.

A banda “Negril” foi convidada a tocar no Circo Voador, mas exatamente nesse dia o Circo Voador foi fechado sem data de retorno. Hoje o cenário do Circo Voador é outro. Meu sonho é retornar lá e fazer uma linda apresentação do meu novo trabalho solo.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marrone Recarregue: A música tem o poder de transformar emoções. Quando há uma reciprocidade entre o artista e o público é o que mais me alegra. O que me entristece é vê tantos talentos escondidos! Exercendo erradas funções! E também quando vejo um talento descartado.

19) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Marrone Recarregue: Moro ao lado do Centro Cultural Donana, na Cidade de Belford Roxo. Muitas bandas, poetas, escultores, desenhistas, dançarinos, cantores, expositores, contadores de histórias e assim vai… Belford Roxo é um lugar de Arte!

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Marrone Recarregue: Bandas antigas, anos 80 e 90 (BlackMusic), bandas atuais na linha do Reggae Maneva, Salomão do Reggae, Natiruts, e é claro as vertentes do reggae roots Alpha Blond, Cristafari, Steel Pulse, Inner Circle e família Marley!

21) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Marrone Recarregue: A minha música “Desejo”, em parceria com Dida Nascimento, foi gravada por Charles Whas, um parceiro que também está no cenário underground.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Marrone Recarregue: Eu não acredito que a minha música toque sem o pagamento do jabá nas FMs, mas acredito em parcerias com rádios web, que tem crescido de uma forma bem expressiva. Na semana que vem, dia 21 de janeiro, estarei sendo entrevistado por uma Rádio Angolana!

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marrone Recarregue: Dedicação e bons relacionamentos! Acreditar e gostar do que você produz!

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Marrone Recarregue: A maconha está para quem quer e gosta de fumar, seja Rock, Reggae, Pagode, MPB ou Funk. O que não acho correto é generalizar o regueiro como maconheiro. Aquele que curte ou produz o Reggae não necessariamente tem que fumar maconha.

25) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafari?

Marrone Recarregue: Assim como o Rock é tocado por todo o mundo, o Reggae tem se espalhado de igual forma, assim já dizia Bob Marley. A religião pode ser apresentada através da música e o Reggae proporciona uma busca pela paz, pelo amor ao próximo, respeito, harmonia. Cada um irá buscar inspiração naquilo que acredita, minha inspiração vem de Deus. Canto a paz e a energia que me sustenta. O importante é que todos recarreguem a sua energia.

26) RM: Os adeptos a religião Rastafari afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Marrone Recarregue: Respeito. Cada um com a sua afirmação! O reggae verdadeiro é aquele que você toca, acredita e o que te emociona e inspira. A arte pode representar a verdade de cada um. Houve um período que diziam que a Jamaica brasileira ficava na Baixada Fluminense e em Belford Roxo e não em São Luís no Maranhão. Cheguei a conhecer o Reggae maranhense e sua dança coladinho. O Reggae da Baixada tem a sua peculiaridade, assim como várias vertentes do Reggae.

27) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Marrone Recarregue: Porque além de cantar alegria, amor e paz, o Reggae também revela em suas letras a realidade que muitos preferem ignorar, como questões políticas e desigualdades sociais. O que pode não ser interessante para a mídia em geral.

28) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Marrone Recarregue: Super maneiro usar o Riddim, desde que inserido elementos rítmicos ao vivo. No meu primeiro show, fiz alusão ao Riddim “Is this love”, de Bob Marley. Nada contra.

29) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

Marrone Recarregue: A música “Perspectivas”, de minha autoria, foi criada pensando numa batida pulsante. Me amarro em Riddim!

30) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

Marrone Recarregue: Já usei um Riddim como introdução de uma música, tipo uma inserção.

31) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Marrone Recarregue: prol é que não precisa de banda, isso não gera custos, mas prefiro sentir feedback com os músicos que compartilham momentos tão especiais!!

32) RM: Você se apresenta com Banda?

Marrone Recarregue: Atualmente, me apresento com banda na formação: Baixo, Bateria, Guitarra, Violão.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Marrone Recarregue: Gravar mais músicas e lançar nas principais plataformas digitais e redes sociais. Apresentar novos vídeos, novas parcerias e fazer shows no Brasil e Exterior. Continuar com desenvolvimento de um Projeto que ampara crianças, jovens e adultos especiais através de atividades musicais.

34) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Marrone Recarregue: (21) 99204 – 6297 (WhatsApp) | [email protected] |

https://www.facebook.com/MARRONE-E-BANDA-RECARREGUE-1467622146786521/  | https://www.facebook.com/marciomarrone

| https://www.instagram.com/marronerecarregue/?hl=pt-br

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.